quinta-feira, 20 de novembro de 2014

QUE SINAL DEUS PÔS EM CAIM?


“Gênesis 4.15 diz que Deus pôs ‘sinal em Caim para que não o ferisse qualquer que o achasse’. Que sinal é esse?”
(Geú Alves de Oliveira, Maceió, AL)

Esdras Costa Bentho

Caim, esse enigmático! Os mistérios rondam a figura controversa do personagem. Por que o sacrifício oferecido não agradou a Javé? Qual o sinal de Caim? Afinal, quem era a mulher com quem se casou? Da exegese histórico-crítica à fundamentalista, todos tentam decifrar, sem sucesso, os segredos que pairam sobre sua figura cripta. Até mesmo Saramago, ganhador de vários prêmios literários, entre eles, o Nobel de Literatura (1998), ensaiou uma resposta mordaz ao dilema cainita no livro “Cain”. É impossível ler Gênesis 4 e ficar indiferente às nuanças do relato. Apesar da dificuldade em responder objetivamente a pergunta-chave, é possível uma aproximação com os elementos fundantes do texto? Acredito que sim, embora a resposta talvez não dilua todas as incertezas.
Suponho que o leitor já conheça a narrativa bíblica a respeito do fratricídio e sabe que o “sinal” foi para proteger Caim em vez de condená-lo (v.15). o sinal, no hebraico ‘ôth (semeion na LXX), é usado no Antigo Testamento mais frequentemente como um termo teológico para descrever “sinais pactuais”, como os concertos noético ((Gn 9.12-17) e abraâmico (Gn 17.11), ou “sinais milagrosos”, como as pragas (Êx 4.8). nalgumas vezes possui sentido comum (Gn 1.14; Nm 2.2), mas seu uso predominante é teológico. O “sinal de proteção" continuará como tema recorrente na Escritura, como por exemplo: (a) o sangue nos umbrais das portas (Êx 12.13); (b) à marca na testa (Ez 9.4); e (c) o selo na testa dos 144.000 (Ap 7.3). na Antiguidade o sinal/selo sobre alguém ou objeto designava a coisa selada como propriedade de alguém e, portanto, intocável por outros (Ct 4.12; 8.6; Dn 6.18; 12.4; Ef 1.13). Assim, o sinal de Javé expressa propriedade, proteção e segurança contra assassinato.
Assente o conceito teológico de ‘ôth, sinal, passemos para sua interpretação concreta. O que era o sinal? Na história da interpretação da perícope, diversas posições foram adotadas. Comecemos pelo o livro apócrifo “O Primeiro Livro de Adão e Eva”. No capítulo 79.18-25 diz que o sinal era tremer e sacudir initerruptamente. Em suma, outras posições adotadas por diversas escolas foram: cor negra, tatuagem e alguma forma de sinal sobre Caim.
Não é necessário perder tempo com a primeira posição, visto que a origem da cor negra segundo o literato estaria ligada aos descendentes de Noé. A segunda seria um tipo de marca na testa de Caim que o identificaria como protegido por Javé e ao mesmo tempo traria sobre si a ignomínia e a culpa de seu pecado. A Bíblia nunca disse que o sinal estava sobre a testa de Caim, mas pelo fato de a marca aparecer noutros contextos na fronte dos protegidos de Javé, imediatamente relacionaram o sinal cainita a esta parte. O terceiro procede de uma possível releitura do v.15. Enquanto as versões costumam traduzir “e pôs...um sinal” esta escola traduz “apontou...um sinal” e outra “estabeleceu um sinal”. O sinal não estaria em Caim, mas sobre ele, como no caso do arco, após o dilúvio, em 9.12. Deus apontou alguma espécie de sinal para Caim em vez de marca-lo. A pergunta ainda continua aberta!                

Esdras Costa Bentho é pastor, teólogo, pedagogo, professor na FAECAD, mestrando em Teologia pela PUC-RJ e autor dos livros Hermenêutica Fácil e Descomplicada, A Família no Antigo Testamento e Igreja Identidade e Símbolo, editados pela CPAD.    
Jornal Mensageiro da Paz de Dezembro de 2012, Pág. 17.

         

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

TODO SONHO TEM INTERPRETAÇÃO?

Como posso saber se os sonhos estão me dizendo alguma coisa da parte de Deus?
(Priscila Olímpio, Rio de Janeiro – RJ)

Osiel Gomes

Compreender os sonhos tem sido uma ação constante do homem, durante toda a sua existência. Historicamente, isso pode ser provado na vida de muitos povos. Por exemplo, para os judeus os sonhos serviam como uma revelação divina, mas de três maneiras eles faziam suas intepretações acerca dos sonhos: Primeiro, eles diziam que os sonhos poderiam ser interpretados espiritualmente, como revelação direta de Deus, segundo, afirmavam que os sonhos poderiam ser apenas reflexões normais da vida cotidiana, servindo como uma mensagem para melhorar alguns aspectos da vida, tanto física como material, e me terceiro, afirmavam que os sonhos poderiam ser vistos apenas como um tipo de aviso.
O filosofo Bérgon acreditava que os sonhos tinham ligação direta com os sentidos e a memória, fazendo assim uma ligação entre ambos. Sigmund Freud afirmava que os sonhos eram apenas a realização de algum desejo, que servia como um meio para livarar o homem de energias negativas. Para os fisiologistas os sonhos são apenas rações dos estímulos externos. Muitas dessas definições têm ligação com o que dizia o rei Salomão:
“Porque da muitas ocupação vêm os sonhos...” (Ec 5.3).
Nessa polissemia, quanto à questão da definição precisa dos sonhos, existem aqueles que veem os sonhos apenas como um reprocessamento mental de coisas que já aconteceram, outros, como no caso de Jung, dizia que os sonhos eram mensagens simbólicas, e através dessas mensagens poderia se buscar o equilíbrio para algumas áreas da vida. É nesse prisma que os sonhos são avaliados como solucionadores de problemas, daí a razão para muitos buscarem as interpretações dos mesmos.
Diante de tudo o que está sendo exposto, podemos fazer a seguinte indagação: até onde podemos considerar os sonhos como revelação direta de Deus para nós? Primeiro é preciso que analisemos as Escrituras, porque tanto no Velho como no Novo Testamento os sonhos não são apenas reprocessamentos mentais, reflexões da vida cotidiana, mas a maioria deles estão ali registrados como revelações direta de Deus para expressar a sua vontade (Gn 28.12; 37.5; Dn 1.7; 2.1). O mesmo acontece nas páginas áureas do Novo Testamento, os sonhos que José, os magos e a mulher de Pilatos tiveram, (Mt 1.20; 2.2-13; 27.10) não foram apenas sonhos fisiológicos ou reprocessamento mental das coisas que aconteceram, nesses sonhos estava expresso a vontade de Deus, como também o aspecto profético.
Os profetas do Velho Testamento tinham consciência que muitos sonhos não passavam apenas de reflexos vazios, coisa sem sentido, (Ec 5.7), e também sabiam que para a formação moral espiritual do povo o que deveria ser pregado era a Palavra do Senhor, pois, nem sonhos, nem visões estavam no mesmo nível dela, é isso o que diz o profeta Jeremias, (Jr 23.28).
Os sonhos podem ser considerados como uma revelação divina, quando eles trazem uma mensagem de iluminação sobre algum tipo problema, fala sobre alguma necessidade espiritual ou dá algum tipo de instrução moral. Mas o cristão sabe que a sua vida não pode ser dirigida por sonhos, visto que a Bíblia mostra que não são os sonhos que devem nos ensinar, mas sim a Palavra de Deus, é Ela que é útil e proveitosa para tudo, para nos tornar perfeitos para toda boa obra, como também a mais perfeita revelação de Deus ao homem (2 Tm 3.16-17; Hb 4.12).

Osiel Gomes é vice-líder da Assembleia de Deus em Coroatá (MA) e professor de Teologia.   

Jornal Mensageiro da Paz de Julho de 2012, Pág. 17. 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

POSSO EXIGIR DE DEUS AQUILO QUE É MEU?

“Se tudo é de Deus e eu sou filho Dele, posso exigir Dele aquilo que me é de direito?”

(André Dias – Rio de Janeiro, RJ)


Levi Matos Marins

Quando Jesus nos ensinou a orar (Mt 6.9-13), Ele deu alguma instrução sobre exigir dEle “o pão nosso de cada dia”? Ou exigir o “livra-nos do mal”? é claro que não! Oração é sinônimo de rogar, pedir, e não de dar ordem. Será que Jó ordenou que Deus lhe restituísse tudo? Será que Abraão ordenou a Deus que lhe desse uma descendência como as estrelas do céu e como a areia do mar? (Gn 15.5; 22.17) será que José ordenou a Deus que lhe desse a soberania sobre o Egito? A resposta para todos estes casos é NÃO.
A Bíblia Sagrada não mostra seus personagens ordenando a bênção. Na verdade, o Senhor é quem ordena a bênção (Sl 133.3). Se os homens de Deus jamais oraram ao Senhor expedindo ordens, porque alguns pregadores defendem essa prática? Eles a defendem por razões sensacionalistas. Essa prática surgiu com o pregador americano Kenneth E. Hagin, que difindia diversas heresias como o “movimento do cair no poder” e a “unção do riso”. Quando falta a verdadeira unção de Deus, os homens começam a busca inovações humanas e anti-bíblicas. Hagin torceu as Escrituras em João 1.13, dizendo que o termo “pedirdes” pode ser substituído por “ordenardes”.
O termo “pedir” é tradução do grego aitéo e descreve um suplicante, alguém que está numa posição inferior, alguém que não tem (Mt 7.7). Descreve o filho pedindo pão ao pai (Mt 7.9,10), os sacerdotes pedindo a um superior – Pilatos (Lc 23.23). O mesmo termo é aplicado a um mendigo pedindo (no grego, aitéo) a Pedro (At 3.2). podemos conceber o mendigo ordenando a Pedro? Logo, o significado desse termo não se aplica a ordenar. Havia a palavra que denotava alguém que estava em igualdade com o atendente, que era o termo grego erotao, que se traduz por suplicar. Mas, Jesus não usou essa palavra no versículo base de Hagin. Observe Jesus falando do homem pedindo, e Ele pedindo ao Pai: “Naquele dia, pedireis [aitéoI] em meu nome, e não vos digo que eu rogarei [erotao] por vós ao Pai” (Jo 16.26). Alguns termos gregos que são traduzidos por “ordenar” e “determinar” são keleuo (Mt 8.18; 14.19) e prostasso (Mt 1.24; 8.4; 21.6; At 10.33). Mas, em nenhum momento a Bíblia utiliza esses termos para descrever o cristão pedindo benção.
O que nós recebemos de Deus é pela graça, ou seja, favor imerecido. Alguém que recebe o favor imerecido não pode ordenar. O autor desta teoria não respeitava a soberania de Jesus Cristo. Veja o que ele descreve sobre nós e Jesus Cristo em um dos seus livros: “Ninguém poderá oferecer-me nada melhor. Nem o próprio Senhor Jesus tem uma posição melhor diante de Deus do que você e eu”.
Ora, se Deus é o seu Senhor, como você pode lhe dar uma ordem? Se você segue essa prática, está assumindo uma posição de senhor. a Bíblia diz que para você receber, você deve “se humilhar, e orar, e buscar” (2 Cr 7.14). não está escrito que você deve ordenar. Deus sabe tudo que você necessita “antes de vós lho pedirdes” (Mt 6.8) e o capítulo que nos ensina que a benção de Deus nos alcança também diz  que “o Senhor mandará que a benção esteja contigo” (Dt 28.8 – Grifo nosso).     

Levi Matos Marins é pastor, conferencista, bacharel em Teologia, pós-graduando em Ciência da Religião e docência do Ensino Superior, e reitor do Instituto Bíblico Beth-Le-Hem.  
Jornal Mensageiro da Paz de Novembro de 2012, Pág. 17. 

domingo, 9 de novembro de 2014

O VALOR DAS PEQUENAS COISAS


Por Eliel Gaby

É de causar admiração a Bíblia enfatiza com tanta precisão as pequenas coisas e como ela dá, de forma geral, importância às coisas pequenas. Davi venceu o gigante Golias com uma pequena pedra; Sansão matou mil filisteus com uma queixada de jumento; Esaú vendeu sua primogenitura por um prato de lentilhas; Jesus nasceu numa pequena aldeia de Belém; as pequenas raposas são responsáveis pela destruição de uma videira; Jesus disse que a fé como um grão de mostarda, cuja semente é muito miúda, mas essa fé tem o poder de remover montanhas.
Ou, seja, aprendemos nas Sagradas Escrituras que a grandeza não está no tamanho de algo, mas na potencialidade desse algo.
Em Zacarias 4.10, o Senhor perguntou o profeta: “Quem despreza o dia das coisas pequenas?” esta passagem indica que algumas pessoas consideravam a obra de reconstrução do Templo de Jerusalém no período de Zorobabel sem importância, ou seja, insignificante. Essas pessoas desconsideravam que aquele trabalho era abençoado por Deus, tendo valor e importâncias eternos.
Davi no Salmo 37.16, disse: “Vale mais o pouco que tem o justo, do que as riquezas de muitos ímpios”. Essas afirmações indica que a benção de Deus sobre o pouco produz contentamento e alegria, tornando a adversidade em paz, devido à benção divina.
O texto bíblico de Gênesis 48.17-19 demonstra que, mesmo sendo menor, a tribo de Efraim tornou-se maior em número, poder e dignidade. Donald C. Stamps, no comentário dessa passagem nas notas da “Bíblia de Estudo Pentecostal”, mostra que, em diversas ocasiões na história do Antigo Testamento, Deus escolheu o filho mais novo em vez do mais velho:
a) Gênesis 21.12 – Escolheu Isaque em vez de Ismael.
b) Gênesis 25.23 – Escolheu Jacó em vez de Esaú.
c) Gênesis 48.14-20 – Escolheu Efraim em vez de Manassés.
d) Gênesis 48.21,22; 49.3,4 – Escolheu José em vez de Rubén.
e) Juízes 6.11-16 – Escolheu Gideão em vez dos irmãos dele.
f) 1 Samuel 16 – Escolheu Davi em vez dos irmãos dele.
Stamps afirma que “isso evidencia o fato de que ter primazia entre os seres humanos não significa ter primazia com Deus, pois Ele escolhe as pessoas à base da sinceridade, pureza e amor, e não da sua posição familiar”.
No Evangelho de Mateus, capítulo 20 e versículos 25 a 28, Jesus definiu quem é considerado o maior no Reino dos Céus: “...mas todo aquele que quiser, entre vós , fazer-se grande, que seja vosso serviçal; qualquer que, entre vós, quiser ser o primeiro, que seja vosso servo, ou escravo bem como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos”.
Jesus estava ensinando que, aos olhos humanos, aqueles que exercem autoridade ou possuem domínio são considerados mais importantes, grandes ou maiorais, mas, no Seu Reino, a grandeza não é medida pelo domínio exercido sobre outrem, mas pelo serviço que um dedica a outro.
No Evangelho de Mateus capítulo 18 e versículos de 1 a 4, os discípulos indagaram a Jesus, demonstrando que tinham interesse em saber quem ocupava uma posição de maior destaque no Reino de Deus. Jesus, chamando uma criança para perto de si, respondeu: “Em verdade vos digo que, se não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus”.
É preciso que nós, servos de Deus, nos esvaziemos de todo sentimento de presunção e de ambição pessoal servir a Deus com integridade, pois nosso próprio Deus chegou a lavar os pés dos discípulos (Jo 13), mostrando explicitamente que veio para servir e não para ser servido.

Eliel dos Santos Gaby é pastor, diretor da Faculdade Teológica da Assembleia de Deus em Curitiba (PR), Engenheiro de Produção, pós graduado em Gestão de Progetos, mestre em Teologia, escritor, conferencista e professor em Escolas de Obreiros. 

Jornal Mensageiro da Paz de Novembro de 2011, Pág. 18. 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

IMPOSIÇÃO DE MÃOS



Carlos Kleber Maia

O escrito da Epístola aos Hebreus fala de seis coisas elementares que cada crente, mesmo os novos na fé, precisam conhecer antes de amadurecerem, e entre elas está a imposição das mãos (Hb 6.1,2). Segundo o Dicionário Bíblico John Davis, a imposição de mãos era um ato simbólico pelo qual se fazia a congregação de uma pessoa ou animal para um fim específico.
A imposição de mãos envolve basicamente um princípio de transferência, de benção, de culpa, de poder ou de autoridade. Deve ser usada com cuidado, mas não deve ser negligenciada, pois é um importante meio dos membros do Corpo de Cristo servirem uns aos outros, quando uma pessoa coloca sua mão ou ambas sobre o corpo de outra pessoa, com um propósito espiritual definido. Propósitos para imposição de mãos:
1) Imputar
Os israelitas punham as mãos sobre a cabeça das vítimas quando traziam um animal para o altar dos sacrifícios e o consagravam a Deus, como representante e substituto do pecador (Êx 29.10,15, 19; Lv 1.1-5; 4.15; 8.4,18, 22; 16.21; 24.14; Nm 8.12; 2 Cr 29.23). A ideia era transferir a culpa para aquele animal, que seria sacrificado em favor do pecador.
Também quando alguém era apedrejado por ter cometido sério delito, os anciãos impunham as mãos sobre ele (Lv 24.10-14). Neste caso, as testemunhas declaravam que a culpa caísse sobre o ofensor. O lavar de mãos significava: “Não somos culpados” (Dt 21.6); a imposição: “Ele é culpado”.
2) Curar
O emprego da imposição de mãos na administração de curas já era conhecido no Antigo Testamento. O general Naamã aparentemente esperava que o profeta Eliseu a empregasse no seu caso (2 Rs 5.11). Em nenhum texto a imposição de mãos é apresentada como algo mágico e poderoso em si mesmo, nem como um gesto necessário para que algo especial aconteça. Em alguns casos, surge como um gesto litúrgico. No caso da oração por cura, era um gesto de fé na ação divina. Exemplos:
- Jesus curou muitas pessoas impondo-lhe as mãos (Mt 8.3,23; Mc 1.41; 6.2-5; 7.32; 8.15, 23-25; 16.18; Lc 4.40; 5.13; 13.13; 22.51). isso era tão habitual que as pessoas que o procuravam pediam que Ele impusesse as mãos sobre os enfermos (Mt 9.18; Mc 5.23; 8.22) ou mesmo que os enfermos tocassem nEle (Mt 14.35,36). O toque físico de Jesus era um meio de transmissão da cura e, por isso, as pessoas procuravam tocar-lhe (Lc 6.19; Mt 9.20-22,25; 20.34; Mc 1.31; 5.41; 9.27; Lc 7.14; 8.51; 22.51). Tão frequentemente Jesus tocava as pessoas, que estas mencionavam que milagres eram operados por Suas mãos (Mc 6.2).
- O Senhor também delegou esse poder a sua igreja (Mc 16.18).
- Os apóstolos impuseram as mãos para curar (At 5.12; 9.12-17; 28.8-9). Por meio de Paulo e Barnabé, Deus operou milagres, “por suas mãos” (At 14.3; 19.11). Tiago parece sugerir essa prática, associada à unção com azeite e oração (Tg 5.14-16). Eles criam que era a própria mão de Deus que esteva operando por intermédio de suas mãos (At 4.29,30).
3) Consagrar 
O ato de imposição de mãos significa, segundo autorização divina, que aquela pessoa estava separada e autorizada a realizar determinada missão. Exemplos:
- A imposição de mãos do povo de Israel sobre a cabeça dos levitas consagrando-os ao serviço do Senhor em lugar dos primogênitos de todas as tribos (Nm 8.10,14,19);
- Moisés impôs as mãos sobre Josué para transmitir-lhe autoridade e separá-lo para ser o novo líder do povo de Deus (Dt 34.9; Nm 27.15-23; Js 1.16,17; Nm 8.10).
- Paulo e Barnabé são separados para o trabalho missionário pela a imposição de mãos, assim recebendo uma unção especial para realizar aquele trabalho (At 13.1-4). A Igreja que impõe as mãos abençoa, envia e assume, diante de Deus e dos homens, o compromisso de cuidar dos enviados;
- Os diáconos (At 6.6) e os presbíteros (1 Tm 5.17-22) foram separados através da imposição de mãos. Isso significava que o ordenado recebia autoridade e ficava devidamente autorizado para exercer o ministério.
- Paulo e Barnabé elegiam (no grego, cheirotoneo = impor as mãos) presbíteros em cada cidade onde estabeleciam igrejas (At 14.23). Um irmão foi também eleito (mesmo verbo no grego) para levar as ofertas para os crentes da Judéia (2 Co 8.18,19).
- Um caso curioso é o do profeta Eliseu na consagração de Jeoás, rei de Israel, pois impôs as mãos sobre ele e sua arma, com a qual venceria os siros (2 Rs 13.14-19).
4) Abençoar  
A imposição de mãos, muitas vezes acompanhada de oração, simboliza a transmissão da benção àqueles sobre quem é realizada:
- Jacó sobre a cabeça dos filhos de José, dando-lhes lugar entre os filhos e conferindo-lhes as bênçãos do Pacto e transferindo-as a eles do mesmo modo que haviam feito os seus antepassados (Gn 48.5-20).
- Jesus abençoava especialmente as criancinhas, impondo-lhes as mãos (Mt 19.13-15; Mc 10.13-16; Lc 18.15).
5) Outorgar o poder e os dons do Espírito Santo
Muitas vezes os crentes impuseram as mãos sobre aqueles que desejavam o batismo com o Espírito Santo, bem como sobre aqueles que buscavam os dons espirituais:
- Pedro e João impuseram as mãos sobre os crentes de Samaria (At 8.14-24);
- Ananias ministrou cura e o poder do Espírito Santo sobre Paulo (At 9.10-17);
- Paulo orou e impôs as mãos sobre os crentes de Éfeso para que recebessem o batismo e os dons do Espírito Santo (At 19.6).
- Timóteo também recebeu dons pela imposição de mãos (1 Tm 4.14; 2 Tm 1.6).
Quando devemos impor as mãos?
Para pedir a Deus a cura ou a benção sobre alguém, podemos fazê-lo sempre que for necessário. Entretanto, antes de impor as mãos em novos obreiros, ministros ou missionários, deve-se levar em consideração o tempo certo fazê-lo com grande cuidado. A imposição de mãos é o último e mais público dos estágios do processo de tomada de decisão diante do Senhor.
Obviamente, não se deve escolher a pessoa errada, que poderá trazer a ruína e a divisão para a igreja (1 Tm 5.22). impor as mãos, neste caso, está relacionado com o reconhecimento do chamado de Deus e não deve ser feito sem a direção do mesmo, mas deve ser para confirmar a Sua vontade sobre alguém e não para determiná-la segundo nossa própria vontade. A igreja deve zelar para não delegar autoridade e estabelecer no ministério pessoas despreparadas, mas considerar o tempo certo e fazê-lo com grande cuidado.
Impor precipitadamente as mãos sobre alguém traz dificuldades para aquele que o faz, pois o mesmo pode tornar-se co-participante dos pecados do que foi consagrado, se este vier a cometê-los, além de ser culpado de: 1) erro na consagração; 2) falta de discernimento espiritual; e 3) precipitação na escolha.
Como impor as mãos?     
Normalmente, a pessoa que recebe a imposição das mãos fica em posição que facilite o ato, de joelhos ou sentada, a aquele que impõe as mãos orará no mesmo ato. Às vezes, um grupo de crentes circundará alguém com necessidades e todos imporão as mãos sobre esta pessoa.
Conclusão
A imposição é um meio pelo qual os cristãos servem uns aos outros, seja abençoando, curando, transmitindo o poder do Espírito Santo ou reconhecendo o ministério que Deus lhes outorgou. O uso da imposição de mãos para imputação de pecados ou culpa é mais necessário, pois Cristo já cumpriu a obra de Salvação e pode perdoar todos os que se achegam a Ele em arrependimento e confissão. Assim, não devemos menosprezar este ato, mas seguir o exemplo de Jesus e da Igreja Primitiva, e usá-lo com sabedoria e fé.
Bibliografia
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
ELWELL, Walter A. ed. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova, 2009.  

Carlos Kleber Maia é ministro na Assembleia de Deus em Natal (RN) e bacharel em Teologia do Novo Testamento.
Jornal Mensageiro da Paz de Julho de 2013, Pág. 16.