sábado, 27 de agosto de 2016

LIVRECAST: LIVRECAST #002 DEPRAVAÇÃO TOTAL

Graça, paz e liberdade a você ouvinte do LivreCast. Neste episódio recebemos o Pr. Flávyo Santos, autor da obra "A lei como revelação de Deus" para falar sobre a doutrina da depravação total. Baixe, ouça e comente (mas só se você quiser)!

Livrecast: O seu podcast de teologia arminiana!


LIVRECAST: LIVRECAST #002 DEPRAVAÇÃO TOTAL: Graça, paz e liberdade a você ouvinte do LivreCast. Neste episódio recebemos o Pr. Flávyo Santos, autor da obra " A lei como r...

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Á LUZ DA BÍBLIA, A ELEIÇÃO É CONDICIONAL E A EXPIAÇÃO É UNIVERSAL QUALIFICADA.


Por Silas Daniel

De vez em quando alguns cristãos se deparam com antigos questionamentos teológicos que os levam a debater-se interiormente. Alguns dizem respeito ao livre-arbítrio, à Predestinação, à Eleição e à Expiação. Portanto, vejamos uma exposição sintética sobre esses temas à luz das Escrituras.
Em primeiro lugar, é importante dizer que, à luz da Bíblia, o homem não regenerado é escravo do pecado e incapaz de servir a Deus com suas próprias forças (Rm 3.10-12), mas, por ainda ter em si resquícios da imagem de Deus, ele tem capacidade (livre-arbítrio) de, mesmo no estado caído, corresponder com arrependimento e fé quando Deus o atrai a si. A iniciativa é sempre de Deus, já que o homem, em seu estado caído, não pode e não quer tomar a iniciativa.  Ele precisa primeiro ser convencido para depois ser convertido, e quem convence o homem é o Espírito Santo (Jo 16.8-11). É Deus, portanto, quem desperta o interesse de salvação no homem (Jo 6.44 e At 16.14). Tal desejo, porém, depois de despertado, pode ser resistido (Hb 3.7-19; 10.23-29; 10.39 e 12.25; At 7.51 e 13.46; Mt 23.37; 2 Pd 2.1,2,20,21; 2 Cr 15.2; 1 Tm 4.1; 2 Tm 2.12 e Tg 4.8). Se o homem aceita a oferta de Salvação, ele é salvo por Deus e o Espírito opera a regeneração.
Assim como a iniciativa para a salvação é sempre de Deus (Ef 2.4-9), a regeneração é operada tão somente por Deus. Não é pelas próprias forças do homem que ocorre a regeneração, mas pelo poder do Espírito (Tt 3.3-7). Ou seja, o livre-arbítrio é claro (Dt 30.19; Js 24.15; 1 Rs 18.21; Is 1.19,20; Sl 119.30; At 10.43; Jo 1.12 e 6.51), mas não é ele que salva o homem. É Deus quem opera a Salvação no homem e o transformar pelo poder do Espírito Santo quando ele aceita a Salvação. E mesmo no livre-arbítrio há a soberania divina, pois foi Deus quem deu essa capacidade de escolher ao homem, capacidade esta que é resquício da imagem divina nele. Deus, em sua soberania, criou homens livres.
Em segundo lugar, à luz da Bíblia, a Eleição é condicional. A Eleição divina não é escolha arbitrária de Deus, mas frut. De sua presciência (Rm 8.29,30).
Deus quer que todos se salvem (At 10.34 e 17.30-31; 1 Tm 2.4; 2 Pd 3.9 e Rm 11.32), mas os eleitos de Deus são aqueles que o aceitam (Jo 7.37-38 e Ap 22.17), cuja decisão já era conhecida por Deus por ser Ele onisciente e presciente, isto é, sabe de todas as coisas antes de todas as coisas acontecerem.
A Bíblia sempre fala de predestinação à vida eterna em Cristo. Efésios mostra isso. Aliás, os termos “em Cristo Jesus”, “no Senhor” e “Nele” ocorrem 160 vezes nos escritos de Paulo, sendo que 36 vezes só em Efésios, onde está o recorde. Ou seja, se queremos entender bem Efésios, devemos começar a atentar para a palavra chave da epístola: “em Cristo”. Ora, mais de uma vez é dito em Efésios 1 que a predestinação ocorre em Cristo. Ou seja, a predestinação e a eleição não são para estar em Cristo.
Clarificando: para aqueles que estão em Cristo está destinado desde a fundação do mundo a Salvação; a quem não estiver Nele, a perdição. Enquanto você estiver Nele, seu destino é o Céu. Enquanto não estiver Nele, o Inferno. O critério é estar Nele. Como afirma Paulo, Deus nos elegeu “para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele” (Ef 1.4), mas Cristo só vai “vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis, se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé e não vos moverdes da esperança do Evangelho” (Cl 1.22,23). Está claro: a eleição é condicional. E qual a condição? Estar em Cristo: “... nos elegeu nele...” (Ef 1.4).
Finalmente, à luz da Bíblia, a Expiação de Cristo é universal qualificada. Como assim?
Cristo morreu por todos (Jo 3.16; 6.51; 2 Co 5.14; Hb 2.9 e 1 Jo 2.2), mas sua obra salvífica só é elevada a efeito naqueles que se arrependem e crêem (Mc 16.15,16 e Jo 1.12). Ela é suficiente mas só se torna eficiente na vida daqueles que sinceramente se arrependem do seus pecados e aceitam a Cristo como único e suficiente Salvador e Senhor de suas vidas. A Expiação de Cristo foi feita para toda humanidade, mas só os que a aceitam usufruem de sua eficácia.
Conquanto existam passagens que afirmam que Cristo morreu pelas ovelhas (Jo 10.11,15), pela Igreja (At 20.28 e Ef 5.25) ou por “muitos” (Mc 10.45), o que sugeriria que a Expiação é Limitada, a Bíblia afirma claramente em muitas outras passagens que a Expiação é universal em seu alcance (Jo 1.29; Hb 2.9 e 1 Jo 4.14), o que deixa claro que as passagens que dão uma idéia de ela ter sido limitada nada mais são do que referências à eficácia da Expiação e não ao seu alcance.  Quando a Bíblia associa naturalmente e enfaticamente os que crêem em Cristo à obra expiadora, está apenas frisando a eficácia da Expiação e não seu alcance (Jo 17.9;Gl 1.4; 3.13; 2 Tm 1.9; Tt 2.3 e 1 Pe 2.24).
Porém, ainda há quem argumente que se a Expiação é universal, mas só crida e aceita por alguns e não por todos, isso significa que ele teria sua eficácia comprometida. Claro que não! O fato de muitos usufruírem dela já demonstra sua eficácia. Ela só não seria eficaz se ninguém se salvasse.
A salvação de todos não é a condição sine qua non para a eficácia da Expiação, mas o é, tão somente, a consecução da Salvação. Se muitos são os salvos por essa Expiação, esta já é eficiente. Não houve “desperdício” pelo fato de seu alcance ser universal, mas nem todos serem salvos. Além disso, se crermos que a Expiação de Cristo é limitada, o que seria um sacrifício que proporcionasse uma Expiação Ilimitada? Jesus sofreria um pouco mais na cruz?
Outro fato: uma Expiação Limitada é uma contradição ao ensino bíblico de que Deus não faz acepção de pessoas (Dt 10.17 e At 10.34). Deus é soberano, mas isso não significa que Ele fará alguma coisa que contradiga o seu caráter santo e amoroso. Lembremos ainda que uma hermenêutica prudente interpreta uma passagem ou passagens observando o contexto geral sobre o assunto na Bíblia. A Bíblia se explica por meio dele mesma. Portanto, se ela afirma que Deus é santo, justo e amor, e não faz acepção de pessoas ; e que Deus quer que todos se salvem e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (1 Tm 2.3,4); e que a Expiação foi por “todos” (1 Tm 2.6 e Hb 2.9); logo, as passagens em que há alusão a “muitos” devem ser interpretadas à luz dessas outras. E quando o fazemos, percebemos que as passagens que aludem a “muitos” não se referem ao alcance da Expiação, que é universal, mas à eficácia dela para os “muitos” que a receberam por fé.
Além disso, como frisa o teólogo norte-americano Daniel Pecota, não se pode simplesmente desconsiderar o significado óbvio de alguns textos sem ir além da credibilidade exegética. Quando a Bíblia diz que: “Deus amou o mundo” (Jo 3.16)ou que Cristo é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29) ou que Ele é o “Salvador do mundo” (1 Jo 4.14), significa isso mesmo. Em texto algum do Novo Testamento, “mundo” se refere à Igreja ou aos eleitos. Escreve o apóstolo João, referindo-se a Cristo e à Expiação: “E Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos pecados, mas também pelos de todo o mundo” (1 Jo 2.2).


Silas Daniel é pastor, jornalista, comentarista das revistas Adolescentes e Juvenis de Escola Dominical da CPAD e autor do livro A Sedução das Novas Teologias (CPAD).  

Jornal Mensageiro da Paz de Maio de 2008. Pág. 25.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A REFORMA PROTESTANTE E OS PENTECOSTAIS

Por Esequias Soares

Por ocasião das comemorações da Reforma Protestante, um conhecido pastor brasileiro afirmou, em declaração infeliz, que “uma igreja que pratica companha, jejum ou reuniões específicas para receber uma benção não é protestante”, concluindo em seguida que pentecostais não podem ser considerados protestantes, o que merece uma resposta bíblica.
No último 31 de outubro, a Reforma Protestante completou 488 anos de história. A suprema conquista da Reforma foi o reconhecimento das Sagradas Escrituras como a fonte única da doutrina, do conteúdo da fé cristã. A salvação é somente pela graça, recebida somente pela fé de cada cristão.
Martinho Lutero veio em primeiro lugar como fundador de um movimento que se perpetuou, ao passo que “Igrejas Reformadas” é o termo aplicado às que seguiram o movimento de João Calvino. Eles próprios se submeteriam ao consenso do que as Sagradas Escrituras ensinam. Daí Calvino dizer que “a igreja reformada sempre deve esta se reformando”, enquanto que a mentalidade do irmão mais velho do filho pródigo quer uma rigidez no ponto até onde alcançou, e não há vaga para os demais. Isto é: as conquistas religiosas dos tempos da Reforma não conseguiram impedir que o Espírito Santo continuasse falando aos crentes.
Historicamente, a igreja quando passou a ser a religião oficial do Império Romano, já sem perseguições e martírios, foi desenvolvendo um sistema de jejuns meritórios, justamente o que se critica. Os reformadores, diante disso, rejeitavam dias obrigatórios de jejuns. Por outro lado, a volta sistemática aos ensinos bíblicos pelas igrejas verdadeiramente fiéis trouxe de volta o jejum no seu sentido espiritual, de comunhão com Deus, de buscas a sua presença e com fé.
O jejum, na Bíblia, inclui abstinência de todos os alimentos durante determinado período de tempo. É normalmente vinculado com atos públicos de religião, seja no Dia da Expiação (Lv 16.29-31), seja em tempos de perigo nacional (Jz 20.26) ou de arrependimento e renovação da fé em Deus. Sempre era ligado à oração, a humilhar-se diante de Deus, a buscar a face do Senhor, e qualquer indivíduo podia jejuar em momentos de aflição, para buscar consolo da parte de Deus, ou como expressão de piedade ou devoção conforme a ocasião que cada fiel escolhia.
Em Ester 4.16, livro em que não aparece literalmente o nome de Deus, o jejum para os judeus significava, especificamente, buscar a Deus, humilhar-se diante Dele, pedir a sua intervenção. Tratava-se de uma campanha de oração a Deus!
Os profetas podiam condenar o jejum falso, com rito praticado por pessoas que não se arrependeram genuinamente diante de Deus e que não se deixariam comover pelo amor ao próximo (Is 5.8 e Jr 14.11-12), mas, justamente assim, definem o que o jejum deve ser.
Jesus mesmo fez seu grande jejum no deserto antes de iniciar o seu ministério (Mt 4.1-2 e Lc 4.1-2). Por contraste com os jejuns tão comuns entre os judeus dos seus tempos, com tantas regras e pormenores, Jesus enfatizou ser o jejum mais um ato individual de devoção a Deus, sem ostentação pública, e menos apropriado na presença pessoal de Jesus do que depois da sua partida (Mt 6.16-18; 9.14-15).
Nossos críticos jamais deveriam esquecer a expressão “meios da graça” que os reformadores usavam bastante. Orações, leituras bíblicas, pregações, o batismo, a Santa Ceia e numerosos princípios registrados na Bíblia, todos são meios de o crente apresentar a mão vazia para aceitar a graça. “Graça” desvinculada de qualquer ligação entre o ser humano e Deus parece bem sub-protestante.
Considerando infundada a declaração “os pensadores pentecostais desenvolveram uma explicação baseados nas experiências”. Convém lembrar que a “explicação” provém da Bíblia. A definição pentecostal só pode ter existência sólida no estudo da Palavra de Deus, tanto as breves meditações singelas dos mais humildes cordeiros de Jesus como as grandes obras da Teologia Sistemática pentecostal.
É verdade que a doutrina pentecostal dá muita ênfase às experiências pessoais do cristão com o Senhor Jesus. Mas, a diferença básica é que essas experiências são fundamentadas na Palavra de Deus. Religião sem sobrenatural é mera filosofia.
Na farta literatura pentecostal que tem surgido a partir de 1900, existe muitos estudos bíblicos sobre a atuação do Espírito Santo na Bíblia e comprovações de que a mesma atuação continua se desdobrando onde ela é aceita, isto sem negar a soberania divina que permite surgir a mesma operação milagrosa onde nem era esperada. Quaisquer experiências são fruto dessa atuação do Espírito Santo, “repartindo particularmente a cada um como quer” (1 Co 12.11). Cada uma tem suas características individuais.
Uma das características da Dispensação da Graça é o fato de Deus comunicar-se com cada crente individualmente, independentemente de sexo, raça e idade, por meio de sonhos, visões, profecias e até pelas pequenas coisas naturais do dia-a-dia (At 2.17-18). Esses privilégios eram restritos aos profetas ou alguém escolhido por Deus para uma obra específica nos tempos do Velho Testamento (Nm 12.6).
A notícia a respeito do batismo no Espírito Santo e os dons milagrosos que se seguiam correu muito rapidamente, e muitas pessoas acolhiam-na como cumprimento dos seus anseios espirituais. As experiências seguiam às doutrinas; assim como também a experiência segue a conversão, como realidade sólida baseada na obra específica realizada por Cristo.
Temos, sim, o dom da profecia, mas apropriado para surgir num culto de adoração. O dom provem da parte do Espírito Santo. Assim, temos em Atos 21.9 “quatro filhas donzelas, que profetizavam”. Recebiam o dom de profecia da parte do Espírito Santo. As igrejas pentecostais legítimas andam na Bíblia, é o Espírito Santo quem lhes confirma a total veracidade e o poder espiritual das Escrituras Sagradas. Não sei se outros grupos, mesmo tendo pais espirituais de 488 anos atrás, estão tão fiéis à Palavra de Deus... A marca distintiva da Reforma Protestante está presente em nosso meio Sola Scriptura, Sola Gracia, Solo Cristus e Sola Fides. Nossa crenças e prática são provenientes das Escrituras Sagradas. Defendemos os mesmos pontos cardeais da fé cristã das demais igrejas e denominações co-irmãs.

Esequias Soares é pastor, líder da AD em Jundiaí (SP)  e da Comissão de Apologética da CGADB.

Jornal Mensageiro da Paz de Dezembro de 2005, Pág. 14.

domingo, 8 de maio de 2016

O DEUS QUE ABENÇOA


Por Valdemir Pires Moreira

INTRODUÇÃO
Quando desfrutamos de um autêntico avivamento, somos surpreendidos pelo sobrenatural de Deus (At 2.1-13). O autêntico avivamento deixa em nós um profundo reconhecimento do Senhorio de nosso Deus, sentimos a realidade de nossos pecados (Is 6.5) e nossa incapacidade e reconhecemos nossa total dependência dEle (Is 6.6-8), um autêntico avivamento gera em nós uma profunda reverencia.
I. DEFINIÇÕES DE AVIVAMENTO
Faz parte da Natureza de Deus Abençoar. Ele nos criou para sermos por Ele abençoados. (O Fogo do Avivamento Avivamento. Wesley L. Duewel, p. 13: United Press).
São várias as definições dadas a esse mover de Deus, que alguns o chamam de avivamento! Para o grande avivalista D.L. Moody avivamento seria um movimento do Espírito Santo. Para Charles Finney, avivamento é um novo começo de obediência a Deus. Para Arthur Skevington Wood, o avivamento não é uma invenção terrena; é uma criação celestial.
O evangelista Stephen Olford define avivamento como “aquela estranha e soberana obra de Deus na qual Ele visita o seu próprio povo, restaurando-o, reanimando-o e libertando-o para receber a plenitude de suas bênçãos”. D.M. Lloyd-Jones compara o avivamento a um pai que anda de mãos dadas com seu filho e, de repete, toma-o nos braços, o abraça e o beija, dizendo repetidas vezes que o ama. (Obreiro Avivado até o Arrebatamento. C. Kleber Maia, p. 01: Apostila).
II. VARIEDADES DE AVIVAMENTO
Os avivamentos são variados, às vezes, Deus concede avivamento de maneira individual a um cristão. Às vezes, Deus traz avivamento a uma igreja local ou a um grupo de pessoas. Às vezes toda uma nação é impactada por um avivamento. Apesar dos avivamentos enviados por Deus serem variados, o propósito em todos são o mesmo: chamado ao arrependimento, renovação e convicção de pecados, sede e fome da Palavra de Deus, disposição de estarmos no centro da vontade de Deus.
III. É DEUS QUE COORDENA O AVIVAMENTO
Não podemos gerar avivamento, não podemos marcar dia e hora para que o mesmo aconteça, engana-se o homem, ao pensar que ele mesmo pode gerar avivamento, o que o homem pode gerar, no mínimo, é uma avalanche de emoções passageiras, emoções que mexem com o corpo, mas não é capaz de inclinar o espírito humano diante do Deus Todo-Poderoso.
Mas o que podemos fazer para desfrutarmos de um autêntico avivamento? Vejamos o que faziam nossos irmãos da Igreja Primitiva: “Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas...” (At 1.4). Se não tivermos forças para orar, dificilmente iremos desfrutar de um avivamento que transforma!
IV. AVIVAMENTOS NO DECORRER DOSSÉCULOS
Vejamos alguns dos muitos avivamentos registrados no decorrer dos séculos:
1. No Antigo Testamento.
Um dos grandes avivamentos que são destaques no AT se encontra o avivamento ocorrido no reinado de Josias (2 Rs 22.1-20). Tudo começou quando o Livro da Lei foi achado no Santo Templo. Hilquias, o sumo sacerdote, e Saía, o escrivão ou secretário, foram responsáveis por relatar a Josias a descoberta do livro da Lei. Leram para o rei as partes que declaravam as responsabilidades específicas do rei e do povo.
A importância das Escrituras tanto na vida pessoal como na vida da igreja, A lei estava perdida dentro do próprio Templo. O encontro e observação da lei levaram-nos ao arrependimento. O arrependimento leva ao avivamento. O avivamento possibilita a prorrogação da pena, e inclina os corações à busca do perdão. O avivamento durou enquanto viveu Josias; morrendo este, foi sepultado o avivamento.
2. No Novo Testamento.
Não encontramos a palavra avivamento no Novo Testamento, no entanto, vemos claramente essa ação de Deus presente, seja nos evangelhos, espalhando em Atos, nas epístolas e na revelação de Patmos. O que encontramos em Atos e nas epístolas leva-nos a viver, não imersos em uma experiência passageira; e, sim, em um movimento crescente e permanente. Após o derramamento do Espírito Santo, o mover de Deus não ficou só em Jerusalém, e na Judéia, mas percorreu todo o mundo daquela época.
CONCLUSÃO
Concluiremos citando o despertamento que houve em 1905 em Mukit, na Índia, a evangelista Ramabaia ensinava centenas de meninas sobre a Pessoa do Espírito Santo. Em uma certa manhã, quando todas as meninas estavam orando e chorando diante de Deus, surgiu de repente uma chama de fogo visível ao redor de uma delas. Uma das meninas correu com um balde de água para apagar o fogo quando percebeu que o fogo não era literalmente fogo.  
A menina disse-lhes que ela estava cheia do Espírito Santo e as exortou se arrependerem: “Ó Senhor, estou cheia de alegria, mas perdoa e purifica as minhas irmãs como fizeste comigo [...]
Não devemos buscar experiências espetaculares e visíveis geradas por emoções. No entanto, nos lembremos que em tempos de avivamentos Deus faz muitas coisas incomuns. Busquemos apenas mais da presença de Deus, busquemos uma vida mais santa, seguida de graça e amor. Nosso Deus ainda hoje é Deus que renova e transforma mediante o poder de sua Palavra.

Bibliografia
O Fogo do Avivamento Avivamento. Wesley L. Duewel: United Press.
Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento. Claudionor Corrêa de Andrade: CPAD.


Em 05 de maio de 2016, Padre Júlio Maria – Caucaia-CE

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O VERDADEIRO CRISTÃO ARMINIANO NÃO DEPENDE DE SUAS OBRAS PARA SER SALVO.


Por Valdemir Pires Moreira

INTRODUÇÃO
São muitos aqueles que acham que conhecem o arminianismo, no entanto, professam ensinos totalmente contrários, é por essa causa que começarei esse artigo trazendo uma rápida definição do que seja o pelagianismo e o semi-pelagianismo.
O que ensina o pelagianismo? Ensina que não existe pecado original ou pecado herdado, que a vontade humana é livre para escolher ente o bem e o mal, que apesar da queda, o homem tem a capacidade de vencer o pecado, em outras palavras, para o pensamento pelagiano o homem não é totalmente depravado.
O que ensina o semi-pelagianismo? Em contra partida surgiu o semi-pelagianismo ensinando que a graça de Deus é proporcionada a toda humanidade; cada um deve dar o primeiro passo para obter a sua salvação.
Isso quer, dizer que tanto o pelagianismo quanto o semi-pelagianismo enfatizam o livre-arbírio humano. Todo e qualquer ensino que enfatizar o livre-arbitrio, sem antes observar a graça preveniente, não pode e não deve ser considerado um ensino do arminianismo clássico e nem do wesleyano. Tendo feito essas considerações farei a seguinte observação:     
Na TEOLOGIA SISTEMÁTICA PENTECOSTAL publicada pela CPAD – onde os escritores são teólogos pentecostais brasileiros – em seu capítulo sobre SOTERIOLOGIA, o pastor Antonio Gilberto, um dos meus principais mestres, discorrendo sobre o arminianismo, diz que:
“Um perigo fatal a que pode levar o arminianismo é o crente depender de suas obras, de sua conduta, de seu porte, de sua obediência pessoal, para a sua salvação (Hb 9.12). Nesse extremo campeia a falsa santidade, sendo o homem enganado pelo seu próprio coração (Jr 17.9)”. (Teologia Sistemática Pentecostal, pág.369 – CPAD)
Estive pesquisando, como aluno, essas ponderações do meu mestre e não encontrei em nenhum livro escrito por arminianos essa possibilidade, do verdadeiro arminiano poder cair em tal erro.
PORQUE É IMPOSSIVEL UM CRISTÃO DEFENSOR DO ARMINIANISMO CAIR EM TAL ERRO?
Vejamos do ponto de vista arminiano sobre o assunto:
O próprio Jacobus Arminius afirma que: “Neste estado [caído], o livre-arbítrio do homem para o verdadeiro bem não está apenas ferido, enfermo, inclinado, e enfraquecido; mas ele está também preso, destruído, e perdido. E os seus poderes não só estão debilitados e inúteis a menos que seja assistido pela graça, mas não tem poder algum exceto quando é animado pela graça divina” (Jacobus Arminius, Works, trans. James Nichols (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1956), 2:192).
Bruce R. Mariano discorrendo sobre o assunto diz que: “Por estar à natureza humana tão deteriorada pela Queda, pessoa alguma tem a capacidade de fazer o que é espiritualmente bom sem a ajuda graciosa de Deus. A esta condição chamamos corrupção total - ou depravação - da natureza. Não significa que as pessoas não possam fazer algum bem aparente, apenas que nada do que elas façam será suficiente para torná-las merecedoras da salvação. E este ensino não é exclusivamente calvinista. Até mesmo Armínio (mas não todos os seus seguidores) descreveu o "livre-arbítrio do homem em favor do verdadeiro Bem", na condição de "preso, destruído e perdido...não tem nenhuma capacidade a não ser aquela despertada pela graça divina". A intenção de Armínio, assim como depois a de Wesley, não era manter a liberdade humana a despeito da Queda, mas asseverar que a graça divina era maior até mesmo que a destruição provocada pela Queda” 19. (Teologia Sistemática, uma perspectiva pentecostal. págs. 269-207 – CPAD).
No livro Teologia de John Wesley, publicado pela CPAD, p.99, de autoria de Kenneth J. Collins, Richard Taylon conclui que: “Jacó Armínio e John Wesley eram totalmente agostinianos nos seguintes aspectos: (a) a raça humana é universalmente depravada como resultado do pecado de Adão; (b) a capacidade do homem de querer o bem está tão debilitada que requer a ação da graça divina para que possa alterar seu curso e ser salvo” 158.
Sendo assim, é impossível um arminiano se vangloriar em suas obras ou tratar com somenos importância uma vida dependente de Deus, de seu Filho Jesus, e do Santo Espírito. 

Veja o que diz o Dr. Timothy C. Tennent presidente do Seminary Asbury Theological: “É importante entender que a salvação nunca começa com algo que nós fazemos, mas sempre como uma resposta a algo que Deus fez. Pensar que a salvação começa com nosso arrependimento de nossos pecados e convite para que Jesus entre em nossos corações não é a forma que as Escrituras entendem todo o processo de salvação. Antes, a salvação sempre começa com uma ação anterior de Deus. Ele age, e nós respondemos ou resistimos. Ela sempre segue esse padrão. Uma abordagem de todas as maneiras que Deus nos prepara para receber o evangelho é usar o termo “graça preveniente (precedente)”. A graça preveniente diz respeito a todos esses atos da graça em nossas vidas que antecedem a nossa conversão. Sabemos que tal graça existe porque Jesus disse que “ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” (Jo 6.44). Há uma “atração” ou “preparação” que precede nossa efetiva conversão. A outra razão que sabemos que a graça de Deus deve preceder nossa decisão de seguir a Cristo é que as Escrituras nos ensinam que estamos mortos em nossos delitos e pecados à parte de Cristo (Ef 2.1). As Escrituras não ensinam que estamos meramente doentes ou que o nosso progresso espiritual geral é lento, mas que estamos espiritualmente mortos. (Esta é uma outra grande característica distintiva do Cristianismo.) Isto significa que somos incapazes de nos ajudar ou de nos salvar sem uma ação prévia de Deus”.
Concluo este artigo fazendo a seguinte pergunta, não seria digno de bom senso uma revisão deste ponto nas próximas edições do Teologia Sistemática Pentecostal? Não pelo fato de sabermos que existe supostos “arminianos” que se encaixam perfeitamente nas palavras do pastor e mestre Antonio Gilberto, homens que defendem o pelagianismo ou o semi-pelagianismo pensando estarem defendendo o arminianismo, mas pelo fato logico e verdadeiro de que Jacobus Arminius nunca ter ensinado e muito menos deixou transparecer tal ideia sobre esse suposto erro de depender de suas obras para a salvação. Encerrando por aqui, agradeço a Deus por essa oportunidade e aos meus irmãos em Cristo que me ajudaram na elaboração deste artigo.
19 Os arminianos não definiriam a aceitação da oferta feita por Deus, a salvação, como um ato meritório. H. Orton Wiley, Christian Theology, vol. 2 (Kansas City: Beacon Hill, 1940), 138; Armínio (1560-1609), "Public Disputations", The Writings of James Arminius, vol. 3, trad. W. R. Bagnall (Grand Rapids: Baker Book House: 1986), 375. Ver também Carl Bangs, Arminius, A Study in the Dutch Reformation (Nashville: Abington, 1971), 343. João Wesley, "Sermon LXII - On the Fall of Man", Sermons on Several Occasions, vol. 2 (Nova York: Carlon & Porter, sem data), 34-37.
158 (Taylor, Exploring Christian Holiness, p.20).


Valdemir Pires Moreira é Diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

QUE SINAL DEUS PÔS EM CAIM?


“Gênesis 4.15 diz que Deus pôs ‘sinal em Caim para que não o ferisse qualquer que o achasse’. Que sinal é esse?”
(Geú Alves de Oliveira, Maceió, AL)

Esdras Costa Bentho

Caim, esse enigmático! Os mistérios rondam a figura controversa do personagem. Por que o sacrifício oferecido não agradou a Javé? Qual o sinal de Caim? Afinal, quem era a mulher com quem se casou? Da exegese histórico-crítica à fundamentalista, todos tentam decifrar, sem sucesso, os segredos que pairam sobre sua figura cripta. Até mesmo Saramago, ganhador de vários prêmios literários, entre eles, o Nobel de Literatura (1998), ensaiou uma resposta mordaz ao dilema cainita no livro “Cain”. É impossível ler Gênesis 4 e ficar indiferente às nuanças do relato. Apesar da dificuldade em responder objetivamente a pergunta-chave, é possível uma aproximação com os elementos fundantes do texto? Acredito que sim, embora a resposta talvez não dilua todas as incertezas.
Suponho que o leitor já conheça a narrativa bíblica a respeito do fratricídio e sabe que o “sinal” foi para proteger Caim em vez de condená-lo (v.15). o sinal, no hebraico ‘ôth (semeion na LXX), é usado no Antigo Testamento mais frequentemente como um termo teológico para descrever “sinais pactuais”, como os concertos noético ((Gn 9.12-17) e abraâmico (Gn 17.11), ou “sinais milagrosos”, como as pragas (Êx 4.8). nalgumas vezes possui sentido comum (Gn 1.14; Nm 2.2), mas seu uso predominante é teológico. O “sinal de proteção" continuará como tema recorrente na Escritura, como por exemplo: (a) o sangue nos umbrais das portas (Êx 12.13); (b) à marca na testa (Ez 9.4); e (c) o selo na testa dos 144.000 (Ap 7.3). na Antiguidade o sinal/selo sobre alguém ou objeto designava a coisa selada como propriedade de alguém e, portanto, intocável por outros (Ct 4.12; 8.6; Dn 6.18; 12.4; Ef 1.13). Assim, o sinal de Javé expressa propriedade, proteção e segurança contra assassinato.
Assente o conceito teológico de ‘ôth, sinal, passemos para sua interpretação concreta. O que era o sinal? Na história da interpretação da perícope, diversas posições foram adotadas. Comecemos pelo o livro apócrifo “O Primeiro Livro de Adão e Eva”. No capítulo 79.18-25 diz que o sinal era tremer e sacudir initerruptamente. Em suma, outras posições adotadas por diversas escolas foram: cor negra, tatuagem e alguma forma de sinal sobre Caim.
Não é necessário perder tempo com a primeira posição, visto que a origem da cor negra segundo o literato estaria ligada aos descendentes de Noé. A segunda seria um tipo de marca na testa de Caim que o identificaria como protegido por Javé e ao mesmo tempo traria sobre si a ignomínia e a culpa de seu pecado. A Bíblia nunca disse que o sinal estava sobre a testa de Caim, mas pelo fato de a marca aparecer noutros contextos na fronte dos protegidos de Javé, imediatamente relacionaram o sinal cainita a esta parte. O terceiro procede de uma possível releitura do v.15. Enquanto as versões costumam traduzir “e pôs...um sinal” esta escola traduz “apontou...um sinal” e outra “estabeleceu um sinal”. O sinal não estaria em Caim, mas sobre ele, como no caso do arco, após o dilúvio, em 9.12. Deus apontou alguma espécie de sinal para Caim em vez de marca-lo. A pergunta ainda continua aberta!                

Esdras Costa Bentho é pastor, teólogo, pedagogo, professor na FAECAD, mestrando em Teologia pela PUC-RJ e autor dos livros Hermenêutica Fácil e Descomplicada, A Família no Antigo Testamento e Igreja Identidade e Símbolo, editados pela CPAD.    
Jornal Mensageiro da Paz de Dezembro de 2012, Pág. 17.

         

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

TODO SONHO TEM INTERPRETAÇÃO?

Como posso saber se os sonhos estão me dizendo alguma coisa da parte de Deus?
(Priscila Olímpio, Rio de Janeiro – RJ)

Osiel Gomes

Compreender os sonhos tem sido uma ação constante do homem, durante toda a sua existência. Historicamente, isso pode ser provado na vida de muitos povos. Por exemplo, para os judeus os sonhos serviam como uma revelação divina, mas de três maneiras eles faziam suas intepretações acerca dos sonhos: Primeiro, eles diziam que os sonhos poderiam ser interpretados espiritualmente, como revelação direta de Deus, segundo, afirmavam que os sonhos poderiam ser apenas reflexões normais da vida cotidiana, servindo como uma mensagem para melhorar alguns aspectos da vida, tanto física como material, e me terceiro, afirmavam que os sonhos poderiam ser vistos apenas como um tipo de aviso.
O filosofo Bérgon acreditava que os sonhos tinham ligação direta com os sentidos e a memória, fazendo assim uma ligação entre ambos. Sigmund Freud afirmava que os sonhos eram apenas a realização de algum desejo, que servia como um meio para livarar o homem de energias negativas. Para os fisiologistas os sonhos são apenas rações dos estímulos externos. Muitas dessas definições têm ligação com o que dizia o rei Salomão:
“Porque da muitas ocupação vêm os sonhos...” (Ec 5.3).
Nessa polissemia, quanto à questão da definição precisa dos sonhos, existem aqueles que veem os sonhos apenas como um reprocessamento mental de coisas que já aconteceram, outros, como no caso de Jung, dizia que os sonhos eram mensagens simbólicas, e através dessas mensagens poderia se buscar o equilíbrio para algumas áreas da vida. É nesse prisma que os sonhos são avaliados como solucionadores de problemas, daí a razão para muitos buscarem as interpretações dos mesmos.
Diante de tudo o que está sendo exposto, podemos fazer a seguinte indagação: até onde podemos considerar os sonhos como revelação direta de Deus para nós? Primeiro é preciso que analisemos as Escrituras, porque tanto no Velho como no Novo Testamento os sonhos não são apenas reprocessamentos mentais, reflexões da vida cotidiana, mas a maioria deles estão ali registrados como revelações direta de Deus para expressar a sua vontade (Gn 28.12; 37.5; Dn 1.7; 2.1). O mesmo acontece nas páginas áureas do Novo Testamento, os sonhos que José, os magos e a mulher de Pilatos tiveram, (Mt 1.20; 2.2-13; 27.10) não foram apenas sonhos fisiológicos ou reprocessamento mental das coisas que aconteceram, nesses sonhos estava expresso a vontade de Deus, como também o aspecto profético.
Os profetas do Velho Testamento tinham consciência que muitos sonhos não passavam apenas de reflexos vazios, coisa sem sentido, (Ec 5.7), e também sabiam que para a formação moral espiritual do povo o que deveria ser pregado era a Palavra do Senhor, pois, nem sonhos, nem visões estavam no mesmo nível dela, é isso o que diz o profeta Jeremias, (Jr 23.28).
Os sonhos podem ser considerados como uma revelação divina, quando eles trazem uma mensagem de iluminação sobre algum tipo problema, fala sobre alguma necessidade espiritual ou dá algum tipo de instrução moral. Mas o cristão sabe que a sua vida não pode ser dirigida por sonhos, visto que a Bíblia mostra que não são os sonhos que devem nos ensinar, mas sim a Palavra de Deus, é Ela que é útil e proveitosa para tudo, para nos tornar perfeitos para toda boa obra, como também a mais perfeita revelação de Deus ao homem (2 Tm 3.16-17; Hb 4.12).

Osiel Gomes é vice-líder da Assembleia de Deus em Coroatá (MA) e professor de Teologia.   

Jornal Mensageiro da Paz de Julho de 2012, Pág. 17.