quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A GRAÇA DIVINA NO PROCESSO DA SALVAÇÃO (Rm 3.9-20)


INTRODUÇÃO
No AT Deus revelou-se de maneira misericordiosa e amorosa, demonstrando graça para com todos, e principalmente para com seu povo, não porque esse merecesse, mas por causa da fidelidade à sua promessa feita a Abraão, Isaque e Jacó. No NT esse mesmo Deus envia seu Filho Jesus Cristo que semelhantemente, revelou-se da mesma sorte, de maneira misericordiosa e amorosa, demonstrando graça para com todos, provendo então, salvação por meio de seu sacrifício na cruz para todo aquele que nEle crer (Jo 3.16).
O que é graça divina ou graça preveniente? Graça divina é toda e qualquer ação da parte de Deus em direção a humanidade pecadora. É graça, porque é uma ação imerecida de Deus para com o pecador, e é preveniente, porque ela vem antes de qualquer ação do homem em direção a Deus.
Segundo o teólogo americano Timothy C. Tennent, o termo graça preveniente é: “todos esses atos da graça em nossas vidas que antecedem a nossa conversão. Sabemos que tal graça existe porque Jesus disse que “ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” (Jo 6.44). Há uma “atração” ou “preparação” que precede nossa efetiva conversão”.
Cabe fazermos uma observação, não existe vários tipos de graça, existe uma só, e essa sempre tem por propósito a salvação do pecador. Para fiz didáticos estudaremos este assunto abordado ações da graça no processo da salvação:
I. A GRAÇA DIVINA CONVIDA
Em primeiro lugar a graça divina é convidativa, no sentido de chamar a humanidade ao arrependimento de seus pecados, isso é, um convite a salvação: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” (Mt 11.28).
O generoso convite do Senhor Jesus destina-se a todos, indistintamente de raça, cor ou posição social, é um convite a salvação, por meio da graça divina que antecede a qualquer ação do homem em direção ao seu criador.
Sobre a surpreendente ação da graça divina nos fala o teólogo norte-americano Jack Cottrell: “Esta é a coisa surpreendente sobre a graça: embora tenhamos cometido pecado, Deus nos quer de volta! Ele nos pede, pleiteia conosco e nos implora com os braços estendidos para que retornemos a ele”.
II. A GRAÇA DIVINA CONVENCE
Além de convidar, a graça divina convence. A conversão do pecador aos pés de Jesus Cristo, mediante a pregação do Evangelho, não é resultado da vontade humana; antes é fruto da ação do Espírito Santo sobre o coração da pessoa: “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo” (Jo 16.8).
1. Do pecado. O Espírito Santo convence mostrando a real condição em que se encontra o pecador, a fim de despertar a consciência da culpa e da necessidade de perdão, que poderá ser alcançada por meio de Jesus Cristo (At 2.37,38). Uma vez convicto de sua real condição de pecador, necessário é que o pecador faça sua escolha. Oportunidade essa que só possível mediante a graça divina, pelo contrário, seguiríamos
2. Da justiça. O Espírito Santo convence que Jesus é o Filho de Deus, e que Ele é o padrão divino de justiça, tanto para perdoar como para condenar (Jo 3.17-19). Ninguém poderá se justificar diante de Deus, uma vez que rejeitou o padrão divino de salvação.
3. O juízo. O Espírito ao convencer os homens da derrota de Satanás, efetuada por Jesus Cristo na cruz (Jo 12.31; 16.11), do juízo atual do mundo por Deus (Rm 1.18-32), do juízo futuro de todos os homens (Mt 16.27; At 17.31; 24.25; Rm 14.10; 6.2; 2 Co 5.10; Jd 14).
Conforme Brian Shelton descreve em seu livro Prevenient Grace (Graça Preveniente): “O Espírito Santo convence o pecador e convida-o para a salvação, mas o Espírito também permite a indiferença para ser uma resposta legítima”.
Isso é, a ação convincente do Espírito Santo possibilita liberdade de escolha e possibilita a resistência.
III. A GRAÇA DIVINA CAPACITA
Além de convidar e convencer, a graça divina capacita o pecador abrindo seu coração fortalecendo a sua vontade, em direção ao arrependimento. Porque necessitamos de sermos capacitados? Vejamos as palavras de Paulo em Romanos 3.10-12: “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.”
O pastor Valmir Nascimento, em seu livro Graça Preveniente nos diz que: “[...] o homem é totalmente incapaz de chegar-se a Deus mediante seus próprios méritos e esforços, em virtude de sua morte espiritual e natureza pecaminosa; assim como é completamente incapaz de, por si só, dominar o pecado”.
O teólogo metodista William Burton Pope compreende que a graça divina quebra a escravidão da vontade ao pecado e liberta a vontade humana para decidir-se contra o pecado e sujeitar-se a Deus.
A salvação do pecador é efetuada mediante a fé e o arrependimento depositados na pessoa de Jesus Cristo. No entanto, não podemos produzir tais ações sem a capacitação divina.
III. A GRAÇA DIVINA COOPERA
Além de Deus convidar, convencer e capacitar, se faz necessário de que o pecador responda ao apelo da salvação. Nem sempre alguém que é convencido de algo toma a decisão correta, nem sempre que alguém é capacitado a tomar uma decisão correta, a toma. No processo da salvação a graça divina coopera com a vontade humana, sem excluir a sua responsabilidade, como escrito em Josué 24.15: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR”.  
A Bíblia de Estudo Pentecostal nos esclarece sobre o referido texto da seguinte maneira:
“No processo da salvação por Deus concedida, está o assunto da escolha individual. Depende de cada um decidir a quem servir continuamente. Como no caso de Josué e dos israelitas, permanecer em Deus não é um ato isolado no tempo e ocorrido uma única vez (cf. 1.16-18; Dt 30.19,20); precisamos vez por outra reafirmar nossa decisão feita de permanecer na fé e em obediência. A reafirmação de decisões justas, feitas pelo crente, inclui temor ao Senhor, lealdade à verdade, a obediência sincera e renúncia ao pecado e todos os prazeres a ele associados (vv. 14-16). Deixar de servir e amar ao Senhor resultará depois em julgamento e destruição (v. 20; 23.11-13)”.
No entanto, mesmo após a Queda, a responsabilidade moral e espiritual do homem é uma realidade bíblica. Lembremo-nos que após a Queda essa liberdade espiritual que o homem possuía foi escravizada pelo pecado, mas o homem continuou sendo responsável moralmente.
CONCLUSÃO
Meus irmãos de uma coisa temos certeza, a salvação em momento algum é adquirida, por méritos humanos ou por vontade do homem, do início ao fim ela, é um favor imerecido de Deus ao perdido pecador, que pode aceitar ou rejeitar essa graça maravilhosa. Concluiremos com o seguinte texto das Escrituras que diz: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44).  

FONTES CONSULTADAS:
Bíblia de Estudo Pentecostal: CPAD.
Graça Preveniente. Valmir Nascimento: Editora Reflexão.
O que é Graça Preveniente. Timothy C. Tennent: Site Arminianismo.com
Em Favor do Arminianismo-Wesleyano. Vinicius Couto: Editora Reflexão.






segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

RESENHA: EXPIAÇÃO ILIMITADA.



RESENHA
Valdemir Pires Moreira*
VAILATTI, CARLOS A.

Expiação Ilimitada
São Paulo: Editora Reflexão, 2015, 160 p.

João 3.16 é considerado pelos intérpretes como sendo o resumo da Bíblia. É nesse versículo, dentre muitos outros, que se concentra a doutrina de que Deus enviou Jesus Cristo, seu Filho, para morrer em benefício de cada um dos seres humanos. Essa doutrina é chamada na teologia de “expiação ilimitada”. Foi um dos pontos defendido pelo teólogo holandês Jacó Armínio, reafirmado pelos remonstrantes, em seguida por John Wesley e pela maioria dos cristãos, sejam eles doutores ou leigos, pois o texto em apreço não nos deixa dúvidas.  

Expiação Ilimitada, é um livro que vem provar de maneira exegética a doutrina bíblica de que Deus morreu em favor de todos. Em contrapartida, de maneira natural desfaz o equívoco calvinista de que Jesus não morreu por todos, mas sim apenas por alguns, o que o Calvinismo chama de “expiação limitada”. A obra surge das mãos do Dr. Carlos Augusto Vailatti, doutor em estudos judaicos e árabes e mestre em teologia.  É uma obra exegética do assunto, e que traz em seu apêndice relatos de alguns Pais da Igreja, onde os mesmos defendem a doutrina da expiação Ilimitada, daí a importância para todo aquele que busca base bíblica para defender a doutrina bíblica da expiação ilimitada.  

Na introdução, o Dr. Carlos Augusto Vailatti, define o termo expiação e seus desdobramentos tais como: a intenção da expiação, a extensão da expiação e a aplicação da expiação. Declara-nos que o objetivo da referida obra é demostrar ser a doutrina arminiana da expiação ilimitada a que melhor corresponde ao registro bíblico. No primeiro capítulo, nos é apresentado o conceito de expiação no Antigo Testamento, na Septuaginta e no Novo Testamento. O segundo capítulo, traz algumas teorias sobre a expiação, são elas: a teoria da recapitulação elaborada por Irineu, bispo da Igreja de Lion; a teoria do resgate pago a satanás, defendida por alguns Pais da Igreja e associada a Orígenes; a teoria do exemplo moral, defendida por Pelágio; a teoria da satisfação, defendida por Anselmo de Cantuária; a teoria da substituição penal, defendida por Calvino, que trabalhou antes o argumento de Anselmo; e a teoria governamental  defendida por Hugo Grócio. No terceiro capítulo, aborda-se a expiação em Armínio, na Remonstrância e nos Cânones de Dort. Uma das observações feitas por Armínio e registrado nesse capítulo é que a expiação não pode ser desvinculada da presciência de Deus da fé em Cristo. Os remonstrantes, em sua declaração de fé, perseveram com fidelidade no pensamento original de Armínio. Carlos encontra dois trechos nos Cânones de Dort que entram em contradições, situados entre os capítulo I, Artigo 6 e o capítulo II, Artigo 6. No quarto e último capítulo, estuda-se alguns versículos bíblicos, onde constataremos realmente se o ensino das Escrituras dá testemunho da expiação limitada, como ensinam os calvinistas, ou da expiação ilimitada como ensinam os arminianos. A conclusão da obra traz cinco pontos conclusivos sobre o tema, que nos levam a entender que é o ensino da expiação ilimitada um ensino automaticamente bíblico.

Agradecemos ao Dr. Carlos Vailatti pela obra exegética com a qual vem a contribuir e muito para a compreensão bíblica de que Jesus Cristo morreu por cada um dos homens.  Agradecemos a Editora Reflexão por mais essa obra que contribuirá para o esclarecimento de muitas dúvidas quanto ao assunto tratado nessa obra.


*Valdemir Pires Moreira é diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia (CE), Casado com Elizangela Pires Oliveira Moreira, professor da Escola Bíblica Dominical e Administrador das páginas Teologia Arminiana em Vídeos e Teologia Arminiana em Livros (no Facebook).

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O QUE É ARMINIANISMO?

"Arminianismo é o nome dado a uma linha de interpretação teológica na área de soteriologia, isto é, doutrina da salvação. Uma vez que a soteriologia estuda a forma como se dá a salvação, o arminianismo é, portanto, uma corrente de interpretação protestante e ortodoxa que busca, dentro da limitação do entendimento humano, apresentar como a salvação acontece. O sistema arminiano tem um sério e profundo compromisso com a Bíblia e com o consenso dos primeiros teólogos cristãos, os Pais da Igreja, e com a tradição cristã através da História, pois o arminianismo, embora não coloque a tradição em pé de igualdade com a Bíblia ou em superioridade a ela, valoriza seus desenvolvimentos e contribuições que estão em consonância com a Palavra de Deus".

MARIANO, Wellington. O Que é Teologia Arminiana. São Paulo: Editora Reflexão, 2015.

sábado, 24 de dezembro de 2016

RESENHA: GRAÇA PREVENIENTE



RESENHA
Valdemir Pires Moreira*

NASCIMENTO.VALMIR

Graça Preveniente 
São Paulo: Editora Reflexão, 2016, 158 p.


Uma das acusações contra a teologia arminiana, principalmente a Armínio-Wesleyana, é a de que o ensino da graça preveniente não tem base bíblica. É bem verdade que o termo não se encontra na Bíblia Sagrada, mas seu ensino é claro nas páginas das Escrituras. A graça preveniente está presente nos ensinos dos país da igreja, em Agostinho de Hipona, em Jacó Armínio e de maneira mais sistematizada em John Wesley. Ao defendermos essa doutrina, nos distanciamos das acusações infundadas de que somos semi-pelagianos, e nos firmamos na ortodoxia cristã.

Graça Preveniente é uma obra inédita no assunto por ser a primeira escrita por um teólogo brasileiro. Valmir Nascimento é pastor da Assembleia de Deus de Cuiabá (MT), mestre em teologia e graduado e pós-graduado em direito. A referida obra é apresentada de maneira irênica e graciosa.

Na introdução da obra, o autor informa-nos sobre o valor que é estudar sobre a doutrina da graça preveniente, esclarece que a mesma é uma doutrina seminal na teologia cristã, que ocupa um lugar privilegiado na história do pensamento cristão, e no meio protestantismo, e faz link ao postulado da reforma, o Sola Gratia. Lembra ainda de seu valor relevante para a vida cristã. No primeiro capítulo, Valmir trata de definir o termo graça, fazendo alusão tanto ao AT quanto ao NT, e nos mostra de maneira sistemática a coerência da doutrina da graça preveniente. No segundo capítulo, nos apresenta um panorama histórico da graça preveniente que passa pelos pais da igreja até John Wesley, no decorrer desse capítulo, Valmir registra uma interessante analise do teólogo Alister McGrath, que aponta nos ensinos de Santo Agostinho três funções essências sobre a graça, são elas: A graça preveniente; a graça operativa e a graça cooperativa, encerrando esse capítulo abordando em John Wesley, onde ele aponta no teólogo metodista uma graça preveniente irresistível em um primeiro momento mas que pode ser resistida no decorrer de sua ação na vida do homem caído. No terceiro capítulo, o autor discorre sobre as características da graça preveniente em sua abrangência, seu momento de operação e a resistência humana da mesma. No quarto e último capítulo, Valmir nos informa que a graça preveniente é una e ao mesmo tempo multiforme em sua ação, pois demonstra-nos que ela age iluminando, convidando, convencendo e capacitando o homem para atender ao chamado da salvação em Cristo Jesus nosso Senhor. Ele conclui sua obra fazendo ricas observações sobre o hino Amazing Grace (Maravilhosa Graça) de John Newton.

Agradecemos a Deus pela vida do pastor Valmir Nascimento, um de nossos teólogos brasileiros em destaque na produção da teologia arminiana em nosso Brasil. Agradecemos a editora Reflexão por mais essa parceria e contribuição no crescimento da teologia arminiana em nosso pais.

*Valdemir Pires Moreira é diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia (CE), professor da Escola Bíblica Dominical e Administrador das páginas no Facebook Teologia Arminiana em Vídeos e Teologia Arminiana em Livros.

domingo, 18 de dezembro de 2016

RESENHA: QUAL O CAMINHO DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS, AMOR PARA TODOS OU SOMENTE PARA ALGUNS?


RESENHA
Valdemir Pires Moreira*

WALLS. JERRY L.

Qual o Caminho das Assembleias de Deus, amor para todos ou somente para alguns?

São Paulo: Editora Reflexão, 2016, 123 p.

Tem surgido no cenário teológico brasileiro uma proposta para as assembleias de Deus, alguns acham que a melhor forma de minimizar alguns problemas dentro da gigante denominação, seja abraçar a doutrina reformada (calvinismo). Quem conhece um pouco da teologia pentecostal clássica sabe que tal proposta é inviável. Em minha opinião uma exclui a outra em vários aspectos teológicos. Por exemplo, as Assembleias de Deus afirmam em sua interpretação soteriologica que a Eleição é Condicional, ao passo que o calvinismo defende a Eleição Incondicional, as Assembleias de Deus defendem uma Graça Resistível ao contrário do calvinismo que defende uma Graça Irresistível, em sua ação evangelística as Assembleias de Deus prega a salvação para todos, crendo que todos têm a oportunidade de serem salvos, já a teologia calvinista acredita que Jesus Cristo não morreu em prol de todos. Tais princípios de interpretação são aspectos teológicos que fazem parte do corpo doutrinário das Assembleias de Deus desde seus primórdios, e modificar tais pontos é descaracterizar a teologia de uma denominação e negar suas raízes teológicas advindos da Reforma protestante e do Movimento Wesleyano em vários aspectos.

Qual o Caminho das Assembleias de Deus, é um livro que vem ao auxílio da membresia e do ministério que compõem as Assembleias de Deus. A obra surge da pena do teólogo Jerry Walls e é prefaciada por Byron D. Klaus, ex-presidente do Seminário Teológico das Assembleias de Deus em Springfield, Missouri, EUA (1999-2015). A referida obra gira em torno da proposta bíblica de que o amor de Deus é oferecido a todos diferentemente do que afirma a visão calvinista.
    
Na introdução da obra, Jerry aborda a influência do calvinismo em arraiais assembleianos, cita um movimento crescente na propagação da teologia arminiana nas redes sociais em solo brasileiro, detecta o motivo do crescimento do calvinismo devido ao bom trabalho de divulgação que eles fazem de sua teologia, vindo assim a influenciar tanto no Brasil, em partes da América do Sul, bem como nos Estados Unidos. Deixa claro que uma das questões vitais que está em jogo em meio a todo esse debate é nada mais nada menos do que a pregação do evangelho à humanidade perdida que precisa da palavra da vida.  No primeiro capítulo, ele aborda O Amor de Deus, o que ele diz ser o ponto cego do calvinismo. Observa que no livro as Institutas da Religião Cristã, João Calvino não cita uma vez só, que Deus é amor, tal pensamento reflete na teologia de vários eruditos calvinistas, que preferem enfatizar a Soberania Divina em detrimento do Amor de Deus, trazendo assim certa confusão em sua teologia. No segundo capitulo, faz observações sobre os cinco pontos do calvinismo (TULIP) e sobre os cinco pontos do arminianismo (FACTS), em seguida, aponta um dos deslizes da teologia calvinista, que é o fato de ensinarem que Deus ama alguns, mas não a todos, de sorte que Ele escolhe uns e outros não. No terceiro capítulo, discorre sobre a oferta irresistível da graça para alguns, mas impossível para outros. No quarto capítulo, Jerry aborda a questão de maneira lógica e apologética, demostrando a inconsistência do amor de Deus na visão calvinista. No quinto capítulo, citando os autores calvinistas D.A. Carson e John Piper, Jerry disseca textos dos mesmos, e prova a inconsistência existente em suas afirmações de que Deus ama a todos. No sexto e último capítulo, o assunto passa a ser a teologia do amor de Deus, Jerry vai expor a interpretação arminiana do amor de Deus, considerando ser essa a interpretação mais bíblica do assunto.  Ele conclui a obra lembrando que as igrejas pentecostais devem se posicionar quanto ao assunto e afirmar a teologia Armínio-Wesleyana uma vez que as mesmas defendem que Jesus Cristo morreu por todos e por cada uma das pessoas.

Agradecemos ao teólogo americano Jerry Walls por sua contribuição teológica sobre um assunto que envolve as igrejas pentecostais, mais precisamente as Assembleias de Deus. Agradecemos a Editora Reflexão pela ponte que faz entre os teólogos internacionais e os nacionais de nosso país, para que ambos possamos crescer, formando uma teologia alicerçada nas Sagradas Escrituras. 


*Valdemir Pires Moreira é diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia (CE), professor da Escola Bíblica Dominical e Administrador das páginas no Facebook Teologia Arminiana em Vídeos e Teologia Arminiana em Livros.

domingo, 25 de setembro de 2016

RESENHA: ASSIM CREMOS, PECADO, GREÇA E FÉ NA ORTODOXIA ARMINIANA. LUÍS HENRIQUE S. SILVA: EDITORA REFLEXÃO


RESENHA

Valdemir Pires Moreira*

S. SILVA, LUÍS HENRIQUE.

Assim Cremos

São Paulo: Editora Reflexão, 2016, 108 p.


Faz-se necessário compreendermos aquilo que professamos crer, pois, quando cremos em algo que não sabemos explicar, corremos o risco de sermos confundidos. Atribuir a uma teologia aquilo que na sua realidade ela não ensina, beira a desonestidade ou no mínimo a falta de conhecimento do assunto.
Assim Cremos é uma obra de linha arminiana, que reafirma o que nós arminianos cremos no que diz respeito ao pecado, a graça e a fé. É uma obra que traz um pano de fundo histórico e apologético. O professor de teologia Luís Henrique S. Silva, cativa-nos trazendo fatos históricos que comprovam a autenticidade ortodoxa da teologia arminiana.
Na introdução há um alerta para que não nos descuidemos de conhecer a história da igreja, também um convite a defesa da ortodoxia diante das heresias que tanto assolaram a igreja no decorrer dos tempos e igualmente em nossos dias. Chama-nos a atenção para o fato de que se faz necessário fixarmos a ortodoxia arminiana, como forma de prepararmos as futuras gerações de teólogos arminianos e darmos aos não arminianos uma exposição fiel e resumida da teologia arminiana. Aborda ainda, o debate histórico entre Santo Agostinho e Pelágio, discorre sobre a doutrina da graça em Agostinho, Pelágio, João Cassiano, Armínio, nos Remonstrantes e em John Wesley. Deixa claro através de relatos históricos que o semipelagianismo tem mais a ver com Agostinho do que com Armínio, informando-nos que na verdade os semipelagianos não eram discípulos de Pelágio e sim admiradores de Agostinho. O autor ainda traz uma definição sobre a fé, e desfaz acusações infundadas contra o arminianismo de que a teologia arminiana compreende a fé como uma moeda de troca para com Deus, e que a fé no arminianismo é mérito humano. Conclui sua obra convidando-nos para a observação do arminianismo prático, isso é, que o arminianismo em suas raízes tem o compromisso prático de vivermos e nos movermos de acordo com as Sagradas Escrituras, de maneira irênica com quem quer que seja, agindo com amor a Palavra, ao próximo e em paz com todos.
A obra se faz necessária pelo fato de nos apresenta a teologia arminiana abordando sua ortodoxia bíblica. Agradeço ao irmão Luís Henrique por mais essa obra arminiana que com certeza ajudará a preparar as próximas gerações de teólogos arminianos.

*Valdemir Pires Moreira é diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia (CE), professor da Escola Bíblica Dominical e Administrador das páginas no Facebook: Teologia Arminiana em Vídeos e Teologia Arminiana em Livros.