segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

RESENHA: EXPIAÇÃO ILIMITADA.



RESENHA
Valdemir Pires Moreira*
VAILATTI, CARLOS A.

Expiação Ilimitada
São Paulo: Editora Reflexão, 2015, 160 p.

João 3.16 é considerado pelos intérpretes como sendo o resumo da Bíblia. É nesse versículo, dentre muitos outros, que se concentra a doutrina de que Deus enviou Jesus Cristo, seu Filho, para morrer em benefício de cada um dos seres humanos. Essa doutrina é chamada na teologia de “expiação ilimitada”. Foi um dos pontos defendido pelo teólogo holandês Jacó Armínio, reafirmado pelos remonstrantes, em seguida por John Wesley e pela maioria dos cristãos, sejam eles doutores ou leigos, pois o texto em apreço não nos deixa dúvidas.  

Expiação Ilimitada, é um livro que vem provar de maneira exegética a doutrina bíblica de que Deus morreu em favor de todos. Em contrapartida, de maneira natural desfaz o equívoco calvinista de que Jesus não morreu por todos, mas sim apenas por alguns, o que o Calvinismo chama de “expiação limitada”. A obra surge das mãos do Dr. Carlos Augusto Vailatti, doutor em estudos judaicos e árabes e mestre em teologia.  É uma obra exegética do assunto, e que traz em seu apêndice relatos de alguns Pais da Igreja, onde os mesmos defendem a doutrina da expiação Ilimitada, daí a importância para todo aquele que busca base bíblica para defender a doutrina bíblica da expiação ilimitada.  

Na introdução, o Dr. Carlos Augusto Vailatti, define o termo expiação e seus desdobramentos tais como: a intenção da expiação, a extensão da expiação e a aplicação da expiação. Declara-nos que o objetivo da referida obra é demostrar ser a doutrina arminiana da expiação ilimitada a que melhor corresponde ao registro bíblico. No primeiro capítulo, nos é apresentado o conceito de expiação no Antigo Testamento, na Septuaginta e no Novo Testamento. O segundo capítulo, traz algumas teorias sobre a expiação, são elas: a teoria da recapitulação elaborada por Irineu, bispo da Igreja de Lion; a teoria do resgate pago a satanás, defendida por alguns Pais da Igreja e associada a Orígenes; a teoria do exemplo moral, defendida por Pelágio; a teoria da satisfação, defendida por Anselmo de Cantuária; a teoria da substituição penal, defendida por Calvino, que trabalhou antes o argumento de Anselmo; e a teoria governamental  defendida por Hugo Grócio. No terceiro capítulo, aborda-se a expiação em Armínio, na Remonstrância e nos Cânones de Dort. Uma das observações feitas por Armínio e registrado nesse capítulo é que a expiação não pode ser desvinculada da presciência de Deus da fé em Cristo. Os remonstrantes, em sua declaração de fé, perseveram com fidelidade no pensamento original de Armínio. Carlos encontra dois trechos nos Cânones de Dort que entram em contradições, situados entre os capítulo I, Artigo 6 e o capítulo II, Artigo 6. No quarto e último capítulo, estuda-se alguns versículos bíblicos, onde constataremos realmente se o ensino das Escrituras dá testemunho da expiação limitada, como ensinam os calvinistas, ou da expiação ilimitada como ensinam os arminianos. A conclusão da obra traz cinco pontos conclusivos sobre o tema, que nos levam a entender que é o ensino da expiação ilimitada um ensino automaticamente bíblico.

Agradecemos ao Dr. Carlos Vailatti pela obra exegética com a qual vem a contribuir e muito para a compreensão bíblica de que Jesus Cristo morreu por cada um dos homens.  Agradecemos a Editora Reflexão por mais essa obra que contribuirá para o esclarecimento de muitas dúvidas quanto ao assunto tratado nessa obra.


*Valdemir Pires Moreira é diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia (CE), Casado com Elizangela Pires Oliveira Moreira, professor da Escola Bíblica Dominical e Administrador das páginas Teologia Arminiana em Vídeos e Teologia Arminiana em Livros (no Facebook).

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O QUE É ARMINIANISMO?

"Arminianismo é o nome dado a uma linha de interpretação teológica na área de soteriologia, isto é, doutrina da salvação. Uma vez que a soteriologia estuda a forma como se dá a salvação, o arminianismo é, portanto, uma corrente de interpretação protestante e ortodoxa que busca, dentro da limitação do entendimento humano, apresentar como a salvação acontece. O sistema arminiano tem um sério e profundo compromisso com a Bíblia e com o consenso dos primeiros teólogos cristãos, os Pais da Igreja, e com a tradição cristã através da História, pois o arminianismo, embora não coloque a tradição em pé de igualdade com a Bíblia ou em superioridade a ela, valoriza seus desenvolvimentos e contribuições que estão em consonância com a Palavra de Deus".

MARIANO, Wellington. O Que é Teologia Arminiana. São Paulo: Editora Reflexão, 2015.

sábado, 24 de dezembro de 2016

RESENHA: GRAÇA PREVENIENTE



RESENHA
Valdemir Pires Moreira*

NASCIMENTO.VALMIR

Graça Preveniente 
São Paulo: Editora Reflexão, 2016, 158 p.


Uma das acusações contra a teologia arminiana, principalmente a Armínio-Wesleyana, é a de que o ensino da graça preveniente não tem base bíblica. É bem verdade que o termo não se encontra na Bíblia Sagrada, mas seu ensino é claro nas páginas das Escrituras. A graça preveniente está presente nos ensinos dos país da igreja, em Agostinho de Hipona, em Jacó Armínio e de maneira mais sistematizada em John Wesley. Ao defendermos essa doutrina, nos distanciamos das acusações infundadas de que somos semi-pelagianos, e nos firmamos na ortodoxia cristã.

Graça Preveniente é uma obra inédita no assunto por ser a primeira escrita por um teólogo brasileiro. Valmir Nascimento é pastor da Assembleia de Deus de Cuiabá (MT), mestre em teologia e graduado e pós-graduado em direito. A referida obra é apresentada de maneira irênica e graciosa.

Na introdução da obra, o autor informa-nos sobre o valor que é estudar sobre a doutrina da graça preveniente, esclarece que a mesma é uma doutrina seminal na teologia cristã, que ocupa um lugar privilegiado na história do pensamento cristão, e no meio protestantismo, e faz link ao postulado da reforma, o Sola Gratia. Lembra ainda de seu valor relevante para a vida cristã. No primeiro capítulo, Valmir trata de definir o termo graça, fazendo alusão tanto ao AT quanto ao NT, e nos mostra de maneira sistemática a coerência da doutrina da graça preveniente. No segundo capítulo, nos apresenta um panorama histórico da graça preveniente que passa pelos pais da igreja até John Wesley, no decorrer desse capítulo, Valmir registra uma interessante analise do teólogo Alister McGrath, que aponta nos ensinos de Santo Agostinho três funções essências sobre a graça, são elas: A graça preveniente; a graça operativa e a graça cooperativa, encerrando esse capítulo abordando em John Wesley, onde ele aponta no teólogo metodista uma graça preveniente irresistível em um primeiro momento mas que pode ser resistida no decorrer de sua ação na vida do homem caído. No terceiro capítulo, o autor discorre sobre as características da graça preveniente em sua abrangência, seu momento de operação e a resistência humana da mesma. No quarto e último capítulo, Valmir nos informa que a graça preveniente é una e ao mesmo tempo multiforme em sua ação, pois demonstra-nos que ela age iluminando, convidando, convencendo e capacitando o homem para atender ao chamado da salvação em Cristo Jesus nosso Senhor. Ele conclui sua obra fazendo ricas observações sobre o hino Amazing Grace (Maravilhosa Graça) de John Newton.

Agradecemos a Deus pela vida do pastor Valmir Nascimento, um de nossos teólogos brasileiros em destaque na produção da teologia arminiana em nosso Brasil. Agradecemos a editora Reflexão por mais essa parceria e contribuição no crescimento da teologia arminiana em nosso pais.

*Valdemir Pires Moreira é diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia (CE), professor da Escola Bíblica Dominical e Administrador das páginas no Facebook Teologia Arminiana em Vídeos e Teologia Arminiana em Livros.

domingo, 18 de dezembro de 2016

RESENHA: QUAL O CAMINHO DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS, AMOR PARA TODOS OU SOMENTE PARA ALGUNS?


RESENHA
Valdemir Pires Moreira*

WALLS. JERRY L.

Qual o Caminho das Assembleias de Deus, amor para todos ou somente para alguns?

São Paulo: Editora Reflexão, 2016, 123 p.

Tem surgido no cenário teológico brasileiro uma proposta para as assembleias de Deus, alguns acham que a melhor forma de minimizar alguns problemas dentro da gigante denominação, seja abraçar a doutrina reformada (calvinismo). Quem conhece um pouco da teologia pentecostal clássica sabe que tal proposta é inviável. Em minha opinião uma exclui a outra em vários aspectos teológicos. Por exemplo, as Assembleias de Deus afirmam em sua interpretação soteriologica que a Eleição é Condicional, ao passo que o calvinismo defende a Eleição Incondicional, as Assembleias de Deus defendem uma Graça Resistível ao contrário do calvinismo que defende uma Graça Irresistível, em sua ação evangelística as Assembleias de Deus prega a salvação para todos, crendo que todos têm a oportunidade de serem salvos, já a teologia calvinista acredita que Jesus Cristo não morreu em prol de todos. Tais princípios de interpretação são aspectos teológicos que fazem parte do corpo doutrinário das Assembleias de Deus desde seus primórdios, e modificar tais pontos é descaracterizar a teologia de uma denominação e negar suas raízes teológicas advindos da Reforma protestante e do Movimento Wesleyano em vários aspectos.

Qual o Caminho das Assembleias de Deus, é um livro que vem ao auxílio da membresia e do ministério que compõem as Assembleias de Deus. A obra surge da pena do teólogo Jerry Walls e é prefaciada por Byron D. Klaus, ex-presidente do Seminário Teológico das Assembleias de Deus em Springfield, Missouri, EUA (1999-2015). A referida obra gira em torno da proposta bíblica de que o amor de Deus é oferecido a todos diferentemente do que afirma a visão calvinista.
    
Na introdução da obra, Jerry aborda a influência do calvinismo em arraiais assembleianos, cita um movimento crescente na propagação da teologia arminiana nas redes sociais em solo brasileiro, detecta o motivo do crescimento do calvinismo devido ao bom trabalho de divulgação que eles fazem de sua teologia, vindo assim a influenciar tanto no Brasil, em partes da América do Sul, bem como nos Estados Unidos. Deixa claro que uma das questões vitais que está em jogo em meio a todo esse debate é nada mais nada menos do que a pregação do evangelho à humanidade perdida que precisa da palavra da vida.  No primeiro capítulo, ele aborda O Amor de Deus, o que ele diz ser o ponto cego do calvinismo. Observa que no livro as Institutas da Religião Cristã, João Calvino não cita uma vez só, que Deus é amor, tal pensamento reflete na teologia de vários eruditos calvinistas, que preferem enfatizar a Soberania Divina em detrimento do Amor de Deus, trazendo assim certa confusão em sua teologia. No segundo capitulo, faz observações sobre os cinco pontos do calvinismo (TULIP) e sobre os cinco pontos do arminianismo (FACTS), em seguida, aponta um dos deslizes da teologia calvinista, que é o fato de ensinarem que Deus ama alguns, mas não a todos, de sorte que Ele escolhe uns e outros não. No terceiro capítulo, discorre sobre a oferta irresistível da graça para alguns, mas impossível para outros. No quarto capítulo, Jerry aborda a questão de maneira lógica e apologética, demostrando a inconsistência do amor de Deus na visão calvinista. No quinto capítulo, citando os autores calvinistas D.A. Carson e John Piper, Jerry disseca textos dos mesmos, e prova a inconsistência existente em suas afirmações de que Deus ama a todos. No sexto e último capítulo, o assunto passa a ser a teologia do amor de Deus, Jerry vai expor a interpretação arminiana do amor de Deus, considerando ser essa a interpretação mais bíblica do assunto.  Ele conclui a obra lembrando que as igrejas pentecostais devem se posicionar quanto ao assunto e afirmar a teologia Armínio-Wesleyana uma vez que as mesmas defendem que Jesus Cristo morreu por todos e por cada uma das pessoas.

Agradecemos ao teólogo americano Jerry Walls por sua contribuição teológica sobre um assunto que envolve as igrejas pentecostais, mais precisamente as Assembleias de Deus. Agradecemos a Editora Reflexão pela ponte que faz entre os teólogos internacionais e os nacionais de nosso país, para que ambos possamos crescer, formando uma teologia alicerçada nas Sagradas Escrituras. 


*Valdemir Pires Moreira é diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia (CE), professor da Escola Bíblica Dominical e Administrador das páginas no Facebook Teologia Arminiana em Vídeos e Teologia Arminiana em Livros.

domingo, 25 de setembro de 2016

RESENHA: ASSIM CREMOS, PECADO, GREÇA E FÉ NA ORTODOXIA ARMINIANA. LUÍS HENRIQUE S. SILVA: EDITORA REFLEXÃO


RESENHA

Valdemir Pires Moreira*

S. SILVA, LUÍS HENRIQUE.

Assim Cremos

São Paulo: Editora Reflexão, 2016, 108 p.


Faz-se necessário compreendermos aquilo que professamos crer, pois, quando cremos em algo que não sabemos explicar, corremos o risco de sermos confundidos. Atribuir a uma teologia aquilo que na sua realidade ela não ensina, beira a desonestidade ou no mínimo a falta de conhecimento do assunto.
Assim Cremos é uma obra de linha arminiana, que reafirma o que nós arminianos cremos no que diz respeito ao pecado, a graça e a fé. É uma obra que traz um pano de fundo histórico e apologético. O professor de teologia Luís Henrique S. Silva, cativa-nos trazendo fatos históricos que comprovam a autenticidade ortodoxa da teologia arminiana.
Na introdução há um alerta para que não nos descuidemos de conhecer a história da igreja, também um convite a defesa da ortodoxia diante das heresias que tanto assolaram a igreja no decorrer dos tempos e igualmente em nossos dias. Chama-nos a atenção para o fato de que se faz necessário fixarmos a ortodoxia arminiana, como forma de prepararmos as futuras gerações de teólogos arminianos e darmos aos não arminianos uma exposição fiel e resumida da teologia arminiana. Aborda ainda, o debate histórico entre Santo Agostinho e Pelágio, discorre sobre a doutrina da graça em Agostinho, Pelágio, João Cassiano, Armínio, nos Remonstrantes e em John Wesley. Deixa claro através de relatos históricos que o semipelagianismo tem mais a ver com Agostinho do que com Armínio, informando-nos que na verdade os semipelagianos não eram discípulos de Pelágio e sim admiradores de Agostinho. O autor ainda traz uma definição sobre a fé, e desfaz acusações infundadas contra o arminianismo de que a teologia arminiana compreende a fé como uma moeda de troca para com Deus, e que a fé no arminianismo é mérito humano. Conclui sua obra convidando-nos para a observação do arminianismo prático, isso é, que o arminianismo em suas raízes tem o compromisso prático de vivermos e nos movermos de acordo com as Sagradas Escrituras, de maneira irênica com quem quer que seja, agindo com amor a Palavra, ao próximo e em paz com todos.
A obra se faz necessária pelo fato de nos apresenta a teologia arminiana abordando sua ortodoxia bíblica. Agradeço ao irmão Luís Henrique por mais essa obra arminiana que com certeza ajudará a preparar as próximas gerações de teólogos arminianos.

*Valdemir Pires Moreira é diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia (CE), professor da Escola Bíblica Dominical e Administrador das páginas no Facebook: Teologia Arminiana em Vídeos e Teologia Arminiana em Livros.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

A NEGLIGÊNCIA SOBRE JACÓ ARMÍNIO E SOBRE SUA TEOLOGIA.




Por Valdemir Pires Moreira

A negligência sobre Armínio e sobre sua teologia no decorrer dos tempos se deu por vários fatores, Keith D. Stanglin & Thomas MacCall, na obra  Jacó Armínio, teólogo da graça, nos aponta alguns desses fatores. Iremos comentar sobre um deles:

Um dos motivos apontados pelos especialistas em Armínio, o que colaborou para que se negligenciassem o teólogo da graça e sua teologia, foi o fato de que ele não escreveu tanto em comparação com outros teólogos como Martinho Lutero e João Calvino. Isso não se deu pelo fato de que Armínio não tivesse capacidade intelectual para tal serviço, não! Jacó Armínio foi um talentoso teólogo com um intelecto extraordinário, esse talento, foi reconhecido por muitos, o próprio Beza (sucessor de João Calvino) reconheceu tal talento em Armínio. O motivo, é que Jacó Armínio foi um ministro e professor e que teve pouca ambição pela escrita.

O que Jacó Armínio, escreveu se deu no campo da polemismo e apologética, ou seja, o fez na sua maioria, para esclarecer alguns pontos teológicos que ele discordava em sua época, e para refutar e se defender das mais diversas acusações contra sua pessoa e seus ensinos. De qualquer forma não escreveu como se estivesse fazendo isso para um público em geral, ele não escreveu nenhuma teologia sistemática e nem um comentário completo sobre a Bíblia. Ele não tem nenhuma obra como A Escravidão da Vontade de Martinho Lutero ou algo como as Institutas da Religião Cristã de João Calvino.

Apesar da negligencia de Armínio, no que diz respeito da ambição de escrever, seu pensamento tomou a Europa Continental, Grã-Bretanha e América do Norte, chegando no Brasil onde sua teologia tem sido proclamada por aqueles que reconhecem o valor do pouco (mas profundo) do que esse teólogo escreveu, apesar, de muitas vezes sua teologia ser mais mal entendida do que compreendida (seja por aqueles que se dizem arminianos ou na maioria das vezes por seus opositores), isso é motivo, para que continuemos avançando na descoberta do pensamento real desse teólogo que tem tanto a contribuir com a teologia cristã.

*Valdemir Pires Moreira é diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia (CE), professor da Escola Bíblica Dominical e Administrador das páginas no Facebook: Teologia Arminiana em Vídeos e Teologia Arminiana em Livros.


     

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Á LUZ DA BÍBLIA, A ELEIÇÃO É CONDICIONAL E A EXPIAÇÃO É UNIVERSAL QUALIFICADA.


Por Silas Daniel

De vez em quando alguns cristãos se deparam com antigos questionamentos teológicos que os levam a debater-se interiormente. Alguns dizem respeito ao livre-arbítrio, à Predestinação, à Eleição e à Expiação. Portanto, vejamos uma exposição sintética sobre esses temas à luz das Escrituras.
Em primeiro lugar, é importante dizer que, à luz da Bíblia, o homem não regenerado é escravo do pecado e incapaz de servir a Deus com suas próprias forças (Rm 3.10-12), mas, por ainda ter em si resquícios da imagem de Deus, ele tem capacidade (livre-arbítrio) de, mesmo no estado caído, corresponder com arrependimento e fé quando Deus o atrai a si. A iniciativa é sempre de Deus, já que o homem, em seu estado caído, não pode e não quer tomar a iniciativa.  Ele precisa primeiro ser convencido para depois ser convertido, e quem convence o homem é o Espírito Santo (Jo 16.8-11). É Deus, portanto, quem desperta o interesse de salvação no homem (Jo 6.44 e At 16.14). Tal desejo, porém, depois de despertado, pode ser resistido (Hb 3.7-19; 10.23-29; 10.39 e 12.25; At 7.51 e 13.46; Mt 23.37; 2 Pd 2.1,2,20,21; 2 Cr 15.2; 1 Tm 4.1; 2 Tm 2.12 e Tg 4.8). Se o homem aceita a oferta de Salvação, ele é salvo por Deus e o Espírito opera a regeneração.
Assim como a iniciativa para a salvação é sempre de Deus (Ef 2.4-9), a regeneração é operada tão somente por Deus. Não é pelas próprias forças do homem que ocorre a regeneração, mas pelo poder do Espírito (Tt 3.3-7). Ou seja, o livre-arbítrio é claro (Dt 30.19; Js 24.15; 1 Rs 18.21; Is 1.19,20; Sl 119.30; At 10.43; Jo 1.12 e 6.51), mas não é ele que salva o homem. É Deus quem opera a Salvação no homem e o transformar pelo poder do Espírito Santo quando ele aceita a Salvação. E mesmo no livre-arbítrio há a soberania divina, pois foi Deus quem deu essa capacidade de escolher ao homem, capacidade esta que é resquício da imagem divina nele. Deus, em sua soberania, criou homens livres.
Em segundo lugar, à luz da Bíblia, a Eleição é condicional. A Eleição divina não é escolha arbitrária de Deus, mas frut. De sua presciência (Rm 8.29,30).
Deus quer que todos se salvem (At 10.34 e 17.30-31; 1 Tm 2.4; 2 Pd 3.9 e Rm 11.32), mas os eleitos de Deus são aqueles que o aceitam (Jo 7.37-38 e Ap 22.17), cuja decisão já era conhecida por Deus por ser Ele onisciente e presciente, isto é, sabe de todas as coisas antes de todas as coisas acontecerem.
A Bíblia sempre fala de predestinação à vida eterna em Cristo. Efésios mostra isso. Aliás, os termos “em Cristo Jesus”, “no Senhor” e “Nele” ocorrem 160 vezes nos escritos de Paulo, sendo que 36 vezes só em Efésios, onde está o recorde. Ou seja, se queremos entender bem Efésios, devemos começar a atentar para a palavra chave da epístola: “em Cristo”. Ora, mais de uma vez é dito em Efésios 1 que a predestinação ocorre em Cristo. Ou seja, a predestinação e a eleição não são para estar em Cristo.
Clarificando: para aqueles que estão em Cristo está destinado desde a fundação do mundo a Salvação; a quem não estiver Nele, a perdição. Enquanto você estiver Nele, seu destino é o Céu. Enquanto não estiver Nele, o Inferno. O critério é estar Nele. Como afirma Paulo, Deus nos elegeu “para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele” (Ef 1.4), mas Cristo só vai “vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis, se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé e não vos moverdes da esperança do Evangelho” (Cl 1.22,23). Está claro: a eleição é condicional. E qual a condição? Estar em Cristo: “... nos elegeu nele...” (Ef 1.4).
Finalmente, à luz da Bíblia, a Expiação de Cristo é universal qualificada. Como assim?
Cristo morreu por todos (Jo 3.16; 6.51; 2 Co 5.14; Hb 2.9 e 1 Jo 2.2), mas sua obra salvífica só é elevada a efeito naqueles que se arrependem e crêem (Mc 16.15,16 e Jo 1.12). Ela é suficiente mas só se torna eficiente na vida daqueles que sinceramente se arrependem do seus pecados e aceitam a Cristo como único e suficiente Salvador e Senhor de suas vidas. A Expiação de Cristo foi feita para toda humanidade, mas só os que a aceitam usufruem de sua eficácia.
Conquanto existam passagens que afirmam que Cristo morreu pelas ovelhas (Jo 10.11,15), pela Igreja (At 20.28 e Ef 5.25) ou por “muitos” (Mc 10.45), o que sugeriria que a Expiação é Limitada, a Bíblia afirma claramente em muitas outras passagens que a Expiação é universal em seu alcance (Jo 1.29; Hb 2.9 e 1 Jo 4.14), o que deixa claro que as passagens que dão uma idéia de ela ter sido limitada nada mais são do que referências à eficácia da Expiação e não ao seu alcance.  Quando a Bíblia associa naturalmente e enfaticamente os que crêem em Cristo à obra expiadora, está apenas frisando a eficácia da Expiação e não seu alcance (Jo 17.9;Gl 1.4; 3.13; 2 Tm 1.9; Tt 2.3 e 1 Pe 2.24).
Porém, ainda há quem argumente que se a Expiação é universal, mas só crida e aceita por alguns e não por todos, isso significa que ele teria sua eficácia comprometida. Claro que não! O fato de muitos usufruírem dela já demonstra sua eficácia. Ela só não seria eficaz se ninguém se salvasse.
A salvação de todos não é a condição sine qua non para a eficácia da Expiação, mas o é, tão somente, a consecução da Salvação. Se muitos são os salvos por essa Expiação, esta já é eficiente. Não houve “desperdício” pelo fato de seu alcance ser universal, mas nem todos serem salvos. Além disso, se crermos que a Expiação de Cristo é limitada, o que seria um sacrifício que proporcionasse uma Expiação Ilimitada? Jesus sofreria um pouco mais na cruz?
Outro fato: uma Expiação Limitada é uma contradição ao ensino bíblico de que Deus não faz acepção de pessoas (Dt 10.17 e At 10.34). Deus é soberano, mas isso não significa que Ele fará alguma coisa que contradiga o seu caráter santo e amoroso. Lembremos ainda que uma hermenêutica prudente interpreta uma passagem ou passagens observando o contexto geral sobre o assunto na Bíblia. A Bíblia se explica por meio dele mesma. Portanto, se ela afirma que Deus é santo, justo e amor, e não faz acepção de pessoas ; e que Deus quer que todos se salvem e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (1 Tm 2.3,4); e que a Expiação foi por “todos” (1 Tm 2.6 e Hb 2.9); logo, as passagens em que há alusão a “muitos” devem ser interpretadas à luz dessas outras. E quando o fazemos, percebemos que as passagens que aludem a “muitos” não se referem ao alcance da Expiação, que é universal, mas à eficácia dela para os “muitos” que a receberam por fé.
Além disso, como frisa o teólogo norte-americano Daniel Pecota, não se pode simplesmente desconsiderar o significado óbvio de alguns textos sem ir além da credibilidade exegética. Quando a Bíblia diz que: “Deus amou o mundo” (Jo 3.16)ou que Cristo é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29) ou que Ele é o “Salvador do mundo” (1 Jo 4.14), significa isso mesmo. Em texto algum do Novo Testamento, “mundo” se refere à Igreja ou aos eleitos. Escreve o apóstolo João, referindo-se a Cristo e à Expiação: “E Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos pecados, mas também pelos de todo o mundo” (1 Jo 2.2).


Silas Daniel é pastor, jornalista, comentarista das revistas Adolescentes e Juvenis de Escola Dominical da CPAD e autor do livro A Sedução das Novas Teologias (CPAD).  

Jornal Mensageiro da Paz de Maio de 2008. Pág. 25.