domingo, 25 de setembro de 2016

RESENHA DO LIVRO: ASSIM CREMOS, PECADO, GREÇA E FÉ NA ORTODOXIA ARMINIANA. LUÍS HENRIQUE S. SILVA: EDITORA REFLEXÃO


RESENHA

Valdemir Pires Moreira*

S. SILVA, LUÍS HENRIQUE.

Assim Cremos

São Paulo: Editora Reflexão, 2016, 108 p.


Faz-se necessário compreendermos aquilo que professamos crer, pois, quando cremos em algo que não sabemos explicar, corremos o risco de sermos confundidos. Atribuir a uma teologia aquilo que na sua realidade ela não ensina, beira a desonestidade ou no mínimo a falta de conhecimento do assunto.
Assim Cremos é uma obra de linha arminiana, que reafirma o que nós arminianos cremos no que diz respeito ao pecado, a graça e a fé. É uma obra que traz um pano de fundo histórico e apologético. O professor de teologia Luís Henrique S. Silva, cativa-nos trazendo fatos históricos que comprovam a autenticidade ortodoxa da teologia arminiana.
Na introdução há um alerta para que não nos descuidemos de conhecer a história da igreja, também um convite a defesa da ortodoxia diante das heresias que tanto assolaram a igreja no decorrer dos tempos e igualmente em nossos dias. Chama-nos a atenção para o fato de que se faz necessário fixarmos a ortodoxia arminiana, como forma de prepararmos as futuras gerações de teólogos arminianos e darmos aos não arminianos uma exposição fiel e resumida da teologia arminiana. Aborda ainda, o debate histórico entre Santo Agostinho e Pelágio, discorre sobre a doutrina da graça em Agostinho, Pelágio, João Cassiano, Armínio, nos Remonstrantes e em John Wesley. Deixa claro através de relatos históricos que o semipelagianismo tem mais a ver com Agostinho do que com Armínio, informando-nos que na verdade os semipelagianos não eram discípulos de Pelágio e sim admiradores de Agostinho. O autor ainda traz uma definição sobre a fé, e desfaz acusações infundadas contra o arminianismo de que a teologia arminiana compreende a fé como uma moeda de troca para com Deus, e que a fé no arminianismo é mérito humano. Conclui sua obra convidando-nos para a observação do arminianismo prático, isso é, que o arminianismo em suas raízes tem o compromisso prático de vivermos e nos movermos de acordo com as Sagradas Escrituras, de maneira irênica com quem quer que seja, agindo com amor a Palavra, ao próximo e em paz com todos.
A obra se faz necessária pelo fato de nos apresenta a teologia arminiana abordando sua ortodoxia bíblica. Agradeço ao irmão Luís Henrique por mais essa obra arminiana que com certeza ajudará a preparar as próximas gerações de teólogos arminianos.

*Valdemir Pires Moreira é diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia (CE), professor da Escola Bíblica Dominical e Administrador das páginas no Facebook: Teologia Arminiana em Vídeos e Teologia Arminiana em Livros.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

A NEGLIGÊNCIA DE JACÓ ARMÍNIO E DE SUA TEOLOGIA.




Por Valdemir Pires Moreira

A negligência de Armínio e de sua teologia no decorrer dos tempos se deu por vários fatores, Keith D. Stanglin & Thomas MacCall, na obra  Jacó Armínio, teólogo da graça, nos aponta alguns desses fatores. Iremos comentar sobre um deles:

Um dos motivos apontados pelos especialistas em Armínio, o que colaborou para que se negligenciassem o teólogo da graça e sua teologia, foi o fato de que ele não escreveu tanto em comparação com outros teólogos como Martinho Lutero e João Calvino. Isso não se deu pelo fato de que Armínio não tivesse capacidade intelectual para tal serviço, não! Jacó Armínio foi um talentoso teólogo com um intelecto extraordinário, esse talento, foi reconhecido por muitos, o próprio Beza (sucessor de João Calvino) reconheceu tal talento em Armínio. O motivo, é que Jacó Armínio foi um ministro e professor e que teve pouca ambição pela escrita.

O que Jacó Armínio, escreveu se deu no campo da polemismo e apologética, ou seja, o fez na sua maioria, para esclarecer alguns pontos teológicos que ele discordava em sua época, e para refutar e se defender das mais diversas acusações contra sua pessoa e seus ensinos. De qualquer forma não escreveu como se estivesse fazendo isso para um público em geral, ele não escreveu nenhuma teologia sistemática e nem um comentário completo sobre a Bíblia. Ele não tem nenhuma obra como A Escravidão da Vontade de Martinho Lutero ou algo como as Institutas da Religião Cristã de João Calvino.

Apesar da negligencia de Armínio, no que diz respeito da ambição de escrever, seu pensamento tomou a Europa Continental, Grã-Bretanha e América do Norte, chegando no Brasil onde sua teologia tem sido proclamada por aqueles que reconhecem o valor do pouco (mas profundo) do que esse teólogo escreveu, apesar, de muitas vezes sua teologia ser mais mal entendida do que compreendida (seja por aqueles que se dizem arminianos ou na maioria das vezes por seus opositores), isso é motivo, para que continuemos avançando na descoberta do pensamento real desse teólogo que tem tanto a contribuir com a teologia cristã.



     

sábado, 27 de agosto de 2016

LIVRECAST: LIVRECAST #002 DEPRAVAÇÃO TOTAL

Graça, paz e liberdade a você ouvinte do LivreCast. Neste episódio recebemos o Pr. Flávyo Santos, autor da obra "A lei como revelação de Deus" para falar sobre a doutrina da depravação total. Baixe, ouça e comente (mas só se você quiser)!

Livrecast: O seu podcast de teologia arminiana!


LIVRECAST: LIVRECAST #002 DEPRAVAÇÃO TOTAL: Graça, paz e liberdade a você ouvinte do LivreCast. Neste episódio recebemos o Pr. Flávyo Santos, autor da obra " A lei como r...

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Á LUZ DA BÍBLIA, A ELEIÇÃO É CONDICIONAL E A EXPIAÇÃO É UNIVERSAL QUALIFICADA.


Por Silas Daniel

De vez em quando alguns cristãos se deparam com antigos questionamentos teológicos que os levam a debater-se interiormente. Alguns dizem respeito ao livre-arbítrio, à Predestinação, à Eleição e à Expiação. Portanto, vejamos uma exposição sintética sobre esses temas à luz das Escrituras.
Em primeiro lugar, é importante dizer que, à luz da Bíblia, o homem não regenerado é escravo do pecado e incapaz de servir a Deus com suas próprias forças (Rm 3.10-12), mas, por ainda ter em si resquícios da imagem de Deus, ele tem capacidade (livre-arbítrio) de, mesmo no estado caído, corresponder com arrependimento e fé quando Deus o atrai a si. A iniciativa é sempre de Deus, já que o homem, em seu estado caído, não pode e não quer tomar a iniciativa.  Ele precisa primeiro ser convencido para depois ser convertido, e quem convence o homem é o Espírito Santo (Jo 16.8-11). É Deus, portanto, quem desperta o interesse de salvação no homem (Jo 6.44 e At 16.14). Tal desejo, porém, depois de despertado, pode ser resistido (Hb 3.7-19; 10.23-29; 10.39 e 12.25; At 7.51 e 13.46; Mt 23.37; 2 Pd 2.1,2,20,21; 2 Cr 15.2; 1 Tm 4.1; 2 Tm 2.12 e Tg 4.8). Se o homem aceita a oferta de Salvação, ele é salvo por Deus e o Espírito opera a regeneração.
Assim como a iniciativa para a salvação é sempre de Deus (Ef 2.4-9), a regeneração é operada tão somente por Deus. Não é pelas próprias forças do homem que ocorre a regeneração, mas pelo poder do Espírito (Tt 3.3-7). Ou seja, o livre-arbítrio é claro (Dt 30.19; Js 24.15; 1 Rs 18.21; Is 1.19,20; Sl 119.30; At 10.43; Jo 1.12 e 6.51), mas não é ele que salva o homem. É Deus quem opera a Salvação no homem e o transformar pelo poder do Espírito Santo quando ele aceita a Salvação. E mesmo no livre-arbítrio há a soberania divina, pois foi Deus quem deu essa capacidade de escolher ao homem, capacidade esta que é resquício da imagem divina nele. Deus, em sua soberania, criou homens livres.
Em segundo lugar, à luz da Bíblia, a Eleição é condicional. A Eleição divina não é escolha arbitrária de Deus, mas frut. De sua presciência (Rm 8.29,30).
Deus quer que todos se salvem (At 10.34 e 17.30-31; 1 Tm 2.4; 2 Pd 3.9 e Rm 11.32), mas os eleitos de Deus são aqueles que o aceitam (Jo 7.37-38 e Ap 22.17), cuja decisão já era conhecida por Deus por ser Ele onisciente e presciente, isto é, sabe de todas as coisas antes de todas as coisas acontecerem.
A Bíblia sempre fala de predestinação à vida eterna em Cristo. Efésios mostra isso. Aliás, os termos “em Cristo Jesus”, “no Senhor” e “Nele” ocorrem 160 vezes nos escritos de Paulo, sendo que 36 vezes só em Efésios, onde está o recorde. Ou seja, se queremos entender bem Efésios, devemos começar a atentar para a palavra chave da epístola: “em Cristo”. Ora, mais de uma vez é dito em Efésios 1 que a predestinação ocorre em Cristo. Ou seja, a predestinação e a eleição não são para estar em Cristo.
Clarificando: para aqueles que estão em Cristo está destinado desde a fundação do mundo a Salvação; a quem não estiver Nele, a perdição. Enquanto você estiver Nele, seu destino é o Céu. Enquanto não estiver Nele, o Inferno. O critério é estar Nele. Como afirma Paulo, Deus nos elegeu “para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele” (Ef 1.4), mas Cristo só vai “vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis, se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé e não vos moverdes da esperança do Evangelho” (Cl 1.22,23). Está claro: a eleição é condicional. E qual a condição? Estar em Cristo: “... nos elegeu nele...” (Ef 1.4).
Finalmente, à luz da Bíblia, a Expiação de Cristo é universal qualificada. Como assim?
Cristo morreu por todos (Jo 3.16; 6.51; 2 Co 5.14; Hb 2.9 e 1 Jo 2.2), mas sua obra salvífica só é elevada a efeito naqueles que se arrependem e crêem (Mc 16.15,16 e Jo 1.12). Ela é suficiente mas só se torna eficiente na vida daqueles que sinceramente se arrependem do seus pecados e aceitam a Cristo como único e suficiente Salvador e Senhor de suas vidas. A Expiação de Cristo foi feita para toda humanidade, mas só os que a aceitam usufruem de sua eficácia.
Conquanto existam passagens que afirmam que Cristo morreu pelas ovelhas (Jo 10.11,15), pela Igreja (At 20.28 e Ef 5.25) ou por “muitos” (Mc 10.45), o que sugeriria que a Expiação é Limitada, a Bíblia afirma claramente em muitas outras passagens que a Expiação é universal em seu alcance (Jo 1.29; Hb 2.9 e 1 Jo 4.14), o que deixa claro que as passagens que dão uma idéia de ela ter sido limitada nada mais são do que referências à eficácia da Expiação e não ao seu alcance.  Quando a Bíblia associa naturalmente e enfaticamente os que crêem em Cristo à obra expiadora, está apenas frisando a eficácia da Expiação e não seu alcance (Jo 17.9;Gl 1.4; 3.13; 2 Tm 1.9; Tt 2.3 e 1 Pe 2.24).
Porém, ainda há quem argumente que se a Expiação é universal, mas só crida e aceita por alguns e não por todos, isso significa que ele teria sua eficácia comprometida. Claro que não! O fato de muitos usufruírem dela já demonstra sua eficácia. Ela só não seria eficaz se ninguém se salvasse.
A salvação de todos não é a condição sine qua non para a eficácia da Expiação, mas o é, tão somente, a consecução da Salvação. Se muitos são os salvos por essa Expiação, esta já é eficiente. Não houve “desperdício” pelo fato de seu alcance ser universal, mas nem todos serem salvos. Além disso, se crermos que a Expiação de Cristo é limitada, o que seria um sacrifício que proporcionasse uma Expiação Ilimitada? Jesus sofreria um pouco mais na cruz?
Outro fato: uma Expiação Limitada é uma contradição ao ensino bíblico de que Deus não faz acepção de pessoas (Dt 10.17 e At 10.34). Deus é soberano, mas isso não significa que Ele fará alguma coisa que contradiga o seu caráter santo e amoroso. Lembremos ainda que uma hermenêutica prudente interpreta uma passagem ou passagens observando o contexto geral sobre o assunto na Bíblia. A Bíblia se explica por meio dele mesma. Portanto, se ela afirma que Deus é santo, justo e amor, e não faz acepção de pessoas ; e que Deus quer que todos se salvem e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (1 Tm 2.3,4); e que a Expiação foi por “todos” (1 Tm 2.6 e Hb 2.9); logo, as passagens em que há alusão a “muitos” devem ser interpretadas à luz dessas outras. E quando o fazemos, percebemos que as passagens que aludem a “muitos” não se referem ao alcance da Expiação, que é universal, mas à eficácia dela para os “muitos” que a receberam por fé.
Além disso, como frisa o teólogo norte-americano Daniel Pecota, não se pode simplesmente desconsiderar o significado óbvio de alguns textos sem ir além da credibilidade exegética. Quando a Bíblia diz que: “Deus amou o mundo” (Jo 3.16)ou que Cristo é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29) ou que Ele é o “Salvador do mundo” (1 Jo 4.14), significa isso mesmo. Em texto algum do Novo Testamento, “mundo” se refere à Igreja ou aos eleitos. Escreve o apóstolo João, referindo-se a Cristo e à Expiação: “E Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos pecados, mas também pelos de todo o mundo” (1 Jo 2.2).


Silas Daniel é pastor, jornalista, comentarista das revistas Adolescentes e Juvenis de Escola Dominical da CPAD e autor do livro A Sedução das Novas Teologias (CPAD).  

Jornal Mensageiro da Paz de Maio de 2008. Pág. 25.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A REFORMA PROTESTANTE E OS PENTECOSTAIS

Por Esequias Soares

Por ocasião das comemorações da Reforma Protestante, um conhecido pastor brasileiro afirmou, em declaração infeliz, que “uma igreja que pratica companha, jejum ou reuniões específicas para receber uma benção não é protestante”, concluindo em seguida que pentecostais não podem ser considerados protestantes, o que merece uma resposta bíblica.
No último 31 de outubro, a Reforma Protestante completou 488 anos de história. A suprema conquista da Reforma foi o reconhecimento das Sagradas Escrituras como a fonte única da doutrina, do conteúdo da fé cristã. A salvação é somente pela graça, recebida somente pela fé de cada cristão.
Martinho Lutero veio em primeiro lugar como fundador de um movimento que se perpetuou, ao passo que “Igrejas Reformadas” é o termo aplicado às que seguiram o movimento de João Calvino. Eles próprios se submeteriam ao consenso do que as Sagradas Escrituras ensinam. Daí Calvino dizer que “a igreja reformada sempre deve esta se reformando”, enquanto que a mentalidade do irmão mais velho do filho pródigo quer uma rigidez no ponto até onde alcançou, e não há vaga para os demais. Isto é: as conquistas religiosas dos tempos da Reforma não conseguiram impedir que o Espírito Santo continuasse falando aos crentes.
Historicamente, a igreja quando passou a ser a religião oficial do Império Romano, já sem perseguições e martírios, foi desenvolvendo um sistema de jejuns meritórios, justamente o que se critica. Os reformadores, diante disso, rejeitavam dias obrigatórios de jejuns. Por outro lado, a volta sistemática aos ensinos bíblicos pelas igrejas verdadeiramente fiéis trouxe de volta o jejum no seu sentido espiritual, de comunhão com Deus, de buscas a sua presença e com fé.
O jejum, na Bíblia, inclui abstinência de todos os alimentos durante determinado período de tempo. É normalmente vinculado com atos públicos de religião, seja no Dia da Expiação (Lv 16.29-31), seja em tempos de perigo nacional (Jz 20.26) ou de arrependimento e renovação da fé em Deus. Sempre era ligado à oração, a humilhar-se diante de Deus, a buscar a face do Senhor, e qualquer indivíduo podia jejuar em momentos de aflição, para buscar consolo da parte de Deus, ou como expressão de piedade ou devoção conforme a ocasião que cada fiel escolhia.
Em Ester 4.16, livro em que não aparece literalmente o nome de Deus, o jejum para os judeus significava, especificamente, buscar a Deus, humilhar-se diante Dele, pedir a sua intervenção. Tratava-se de uma campanha de oração a Deus!
Os profetas podiam condenar o jejum falso, com rito praticado por pessoas que não se arrependeram genuinamente diante de Deus e que não se deixariam comover pelo amor ao próximo (Is 5.8 e Jr 14.11-12), mas, justamente assim, definem o que o jejum deve ser.
Jesus mesmo fez seu grande jejum no deserto antes de iniciar o seu ministério (Mt 4.1-2 e Lc 4.1-2). Por contraste com os jejuns tão comuns entre os judeus dos seus tempos, com tantas regras e pormenores, Jesus enfatizou ser o jejum mais um ato individual de devoção a Deus, sem ostentação pública, e menos apropriado na presença pessoal de Jesus do que depois da sua partida (Mt 6.16-18; 9.14-15).
Nossos críticos jamais deveriam esquecer a expressão “meios da graça” que os reformadores usavam bastante. Orações, leituras bíblicas, pregações, o batismo, a Santa Ceia e numerosos princípios registrados na Bíblia, todos são meios de o crente apresentar a mão vazia para aceitar a graça. “Graça” desvinculada de qualquer ligação entre o ser humano e Deus parece bem sub-protestante.
Considerando infundada a declaração “os pensadores pentecostais desenvolveram uma explicação baseados nas experiências”. Convém lembrar que a “explicação” provém da Bíblia. A definição pentecostal só pode ter existência sólida no estudo da Palavra de Deus, tanto as breves meditações singelas dos mais humildes cordeiros de Jesus como as grandes obras da Teologia Sistemática pentecostal.
É verdade que a doutrina pentecostal dá muita ênfase às experiências pessoais do cristão com o Senhor Jesus. Mas, a diferença básica é que essas experiências são fundamentadas na Palavra de Deus. Religião sem sobrenatural é mera filosofia.
Na farta literatura pentecostal que tem surgido a partir de 1900, existe muitos estudos bíblicos sobre a atuação do Espírito Santo na Bíblia e comprovações de que a mesma atuação continua se desdobrando onde ela é aceita, isto sem negar a soberania divina que permite surgir a mesma operação milagrosa onde nem era esperada. Quaisquer experiências são fruto dessa atuação do Espírito Santo, “repartindo particularmente a cada um como quer” (1 Co 12.11). Cada uma tem suas características individuais.
Uma das características da Dispensação da Graça é o fato de Deus comunicar-se com cada crente individualmente, independentemente de sexo, raça e idade, por meio de sonhos, visões, profecias e até pelas pequenas coisas naturais do dia-a-dia (At 2.17-18). Esses privilégios eram restritos aos profetas ou alguém escolhido por Deus para uma obra específica nos tempos do Velho Testamento (Nm 12.6).
A notícia a respeito do batismo no Espírito Santo e os dons milagrosos que se seguiam correu muito rapidamente, e muitas pessoas acolhiam-na como cumprimento dos seus anseios espirituais. As experiências seguiam às doutrinas; assim como também a experiência segue a conversão, como realidade sólida baseada na obra específica realizada por Cristo.
Temos, sim, o dom da profecia, mas apropriado para surgir num culto de adoração. O dom provem da parte do Espírito Santo. Assim, temos em Atos 21.9 “quatro filhas donzelas, que profetizavam”. Recebiam o dom de profecia da parte do Espírito Santo. As igrejas pentecostais legítimas andam na Bíblia, é o Espírito Santo quem lhes confirma a total veracidade e o poder espiritual das Escrituras Sagradas. Não sei se outros grupos, mesmo tendo pais espirituais de 488 anos atrás, estão tão fiéis à Palavra de Deus... A marca distintiva da Reforma Protestante está presente em nosso meio Sola Scriptura, Sola Gracia, Solo Cristus e Sola Fides. Nossa crenças e prática são provenientes das Escrituras Sagradas. Defendemos os mesmos pontos cardeais da fé cristã das demais igrejas e denominações co-irmãs.

Esequias Soares é pastor, líder da AD em Jundiaí (SP)  e da Comissão de Apologética da CGADB.

Jornal Mensageiro da Paz de Dezembro de 2005, Pág. 14.

domingo, 8 de maio de 2016

O DEUS QUE ABENÇOA


Por Valdemir Pires Moreira

INTRODUÇÃO
Quando desfrutamos de um autêntico avivamento, somos surpreendidos pelo sobrenatural de Deus (At 2.1-13). O autêntico avivamento deixa em nós um profundo reconhecimento do Senhorio de nosso Deus, sentimos a realidade de nossos pecados (Is 6.5) e nossa incapacidade e reconhecemos nossa total dependência dEle (Is 6.6-8), um autêntico avivamento gera em nós uma profunda reverencia.
I. DEFINIÇÕES DE AVIVAMENTO
Faz parte da Natureza de Deus Abençoar. Ele nos criou para sermos por Ele abençoados. (O Fogo do Avivamento Avivamento. Wesley L. Duewel, p. 13: United Press).
São várias as definições dadas a esse mover de Deus, que alguns o chamam de avivamento! Para o grande avivalista D.L. Moody avivamento seria um movimento do Espírito Santo. Para Charles Finney, avivamento é um novo começo de obediência a Deus. Para Arthur Skevington Wood, o avivamento não é uma invenção terrena; é uma criação celestial.
O evangelista Stephen Olford define avivamento como “aquela estranha e soberana obra de Deus na qual Ele visita o seu próprio povo, restaurando-o, reanimando-o e libertando-o para receber a plenitude de suas bênçãos”. D.M. Lloyd-Jones compara o avivamento a um pai que anda de mãos dadas com seu filho e, de repete, toma-o nos braços, o abraça e o beija, dizendo repetidas vezes que o ama. (Obreiro Avivado até o Arrebatamento. C. Kleber Maia, p. 01: Apostila).
II. VARIEDADES DE AVIVAMENTO
Os avivamentos são variados, às vezes, Deus concede avivamento de maneira individual a um cristão. Às vezes, Deus traz avivamento a uma igreja local ou a um grupo de pessoas. Às vezes toda uma nação é impactada por um avivamento. Apesar dos avivamentos enviados por Deus serem variados, o propósito em todos são o mesmo: chamado ao arrependimento, renovação e convicção de pecados, sede e fome da Palavra de Deus, disposição de estarmos no centro da vontade de Deus.
III. É DEUS QUE COORDENA O AVIVAMENTO
Não podemos gerar avivamento, não podemos marcar dia e hora para que o mesmo aconteça, engana-se o homem, ao pensar que ele mesmo pode gerar avivamento, o que o homem pode gerar, no mínimo, é uma avalanche de emoções passageiras, emoções que mexem com o corpo, mas não é capaz de inclinar o espírito humano diante do Deus Todo-Poderoso.
Mas o que podemos fazer para desfrutarmos de um autêntico avivamento? Vejamos o que faziam nossos irmãos da Igreja Primitiva: “Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas...” (At 1.4). Se não tivermos forças para orar, dificilmente iremos desfrutar de um avivamento que transforma!
IV. AVIVAMENTOS NO DECORRER DOSSÉCULOS
Vejamos alguns dos muitos avivamentos registrados no decorrer dos séculos:
1. No Antigo Testamento.
Um dos grandes avivamentos que são destaques no AT se encontra o avivamento ocorrido no reinado de Josias (2 Rs 22.1-20). Tudo começou quando o Livro da Lei foi achado no Santo Templo. Hilquias, o sumo sacerdote, e Saía, o escrivão ou secretário, foram responsáveis por relatar a Josias a descoberta do livro da Lei. Leram para o rei as partes que declaravam as responsabilidades específicas do rei e do povo.
A importância das Escrituras tanto na vida pessoal como na vida da igreja, A lei estava perdida dentro do próprio Templo. O encontro e observação da lei levaram-nos ao arrependimento. O arrependimento leva ao avivamento. O avivamento possibilita a prorrogação da pena, e inclina os corações à busca do perdão. O avivamento durou enquanto viveu Josias; morrendo este, foi sepultado o avivamento.
2. No Novo Testamento.
Não encontramos a palavra avivamento no Novo Testamento, no entanto, vemos claramente essa ação de Deus presente, seja nos evangelhos, espalhando em Atos, nas epístolas e na revelação de Patmos. O que encontramos em Atos e nas epístolas leva-nos a viver, não imersos em uma experiência passageira; e, sim, em um movimento crescente e permanente. Após o derramamento do Espírito Santo, o mover de Deus não ficou só em Jerusalém, e na Judéia, mas percorreu todo o mundo daquela época.
CONCLUSÃO
Concluiremos citando o despertamento que houve em 1905 em Mukit, na Índia, a evangelista Ramabaia ensinava centenas de meninas sobre a Pessoa do Espírito Santo. Em uma certa manhã, quando todas as meninas estavam orando e chorando diante de Deus, surgiu de repente uma chama de fogo visível ao redor de uma delas. Uma das meninas correu com um balde de água para apagar o fogo quando percebeu que o fogo não era literalmente fogo.  
A menina disse-lhes que ela estava cheia do Espírito Santo e as exortou se arrependerem: “Ó Senhor, estou cheia de alegria, mas perdoa e purifica as minhas irmãs como fizeste comigo [...]
Não devemos buscar experiências espetaculares e visíveis geradas por emoções. No entanto, nos lembremos que em tempos de avivamentos Deus faz muitas coisas incomuns. Busquemos apenas mais da presença de Deus, busquemos uma vida mais santa, seguida de graça e amor. Nosso Deus ainda hoje é Deus que renova e transforma mediante o poder de sua Palavra.

Bibliografia
O Fogo do Avivamento Avivamento. Wesley L. Duewel: United Press.
Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento. Claudionor Corrêa de Andrade: CPAD.


Em 05 de maio de 2016, Padre Júlio Maria – Caucaia-CE