sexta-feira, 8 de março de 2013

PODE UM SALVO EM CRISTO APOSTATAR DA FÉ



 
 
Por Valdemir Pires Moreira
Em seu livro, Porção Dobrada, Uma análise bíblica teológica e devocional sobre os ministérios proféticos de Elias e Eliseu, editado pela CPAD. O pastor e teólogo pentecostal José Gonçalves, nos esclarece de maneira exegética a possibilidade de um crente salvo em Jesus apostata da fé. Vejamos o que se segue neste trecho do livro:
 
A apostasia era algo bem real no reino do Norte e estava espalhada por toda parte. Na verdade a palavra apostasia significa, segundo os expositores, abandono da fé ou mudar de religião. (BROMILEY, Geoffrey. International Bible Encyclopedia. Books for the Ages, OR, 1997).
 
Foi exatamente isso que os israelitas estavam fazendo. Estavam abandonando a adoração devida ao Deus verdadeiro para seguirem aos deuses cananeus. Estavam trocando o jeovismo pelo baalaismo. Em o Novo Testamento observamos que os cristãos. São advertidos sobre o perigo da apostasia! Na epistola aos Hebreus o autor coloca a apostasia como um perigo real e não apenas como uma mera suposição (Hb 6.1-6). Se o cristão não mantiver a vigilância é possível sim que ele venha a naufragar na fé.
 
Em um artigo que escrevi para a revista Ensinador Cristão (CPAD), fiz uma exposição do texto de Hebreus 6.1-6, como creem as duas principais escolas teológicas — a calvinista e arminiana. John MacArthur em sua Bíblia de Estudo MacArthur, que reflete a posição calvinista, comenta a passagem de Hebreus 6.4-8 da seguinte forma:
“A frase ‘uma vez foram iluminados’ frequentemente se toma como uma referência a cristãos, e a advertência que a acompanha se toma como uma indicação do perigo de perder a sua salvação se ‘recaíram’ e ‘crucificaram de novo para si mesmo o Filho de Deus’. Pelo que não há menção de que sejam salvos e não são descritos com nenhum termo que se aplique unicamente a crentes (tais como santo, nascido de novo, justo ou santos). Este problema emana a partir de uma identificação imprecisa da condição espiritual daqueles aos quais o autor está se dirigindo. Neste caso, eram incrédulos que haviam chegado ao ponto de ter uma salvação genuína. Em 10.26, faz-se referência uma vez mais a cristãos apóstatas, não a crentes genuínos de quem frequentemente se pensa que perdem sua salvação por seus pecados” (MCARTHUR, Jonh. Biblia de Estudio MacArthur. Ed. Porta Voz, Grand Rapids, Michigan, 2004).
 
O argumento de MacArthur é bem construído, mas apresenta alguns problemas de natureza exegética. Daniel B. Pecota, teólogo de tradição pentecostal, observa que no Novo Testamento encontramos apoio para a doutrina da segurança do crente, todavia não como querem os calvinistas extremados. Ele destaca, por exemplo, passagens bíblicas que mostram que nada de tudo quando Deus deu a Jesus se perderá (Jo 6.38-40); Que as suas ovelhas jamais perecerão (Jo 10.27-30); Jesus orou para que Deus protegesse os seus seguidores (Jo 17.11); Somos guardados por Cristo (Jo 5.18); Que o Espírito Santo é o selo de garantia da nossa salvação (Ef 1.14); O seu poder nos guardará (1 Pe 1.5) e que o Deus que habita em nós é maior do que qualquer coisa fora de nós (1 Jo 1.4).
 
Por outro lado, a Bíblia de Estudo Pentecostal, ao comentar a mesma passagem bíblica de Hebreus 6.4-8, diz: “Nestes três versículos (Hb 6.4-6) o escritor de Hebreus trata das consequências da apostasia (decair da fé). Esta palavra (recairam, gr. parapesontas, de parapipto) é um particípio aoristo e deve ser traduzido no tempo passado — literalmente: “tendo recaído”. O escritor de Hebreus apresenta a apostasia como algo realmente possível.” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD).
Daniel B. Pecota observa ainda que os calvinistas desconsideram dezenas de passagens bíblicas que se contrapõem a teoria de “uma vez salvos para sempre salvos”. Observa-se que os teólogos da tradição calvinista ou reformada fazem dezenas de contorções teológicas para fundamentar suas convicções. John MacArthur, como já vimos, tenta anular a possibilidade de o crente vir a perder a sua salvação argumentando que as pessoas citadas na epístola aos Hebreus 6 não eram crentes genuínos ou que eram incrédulos. Mas como poderia o autor falar da possibilidade de alguém perder algo que nunca teve? Por outro lado, Millard Erickson, renomado expositor bíblico, também de tradição calvinista, argumenta que o autor fala de uma “apostasia” apenas hipotética! Ele argumenta que o autor diz que poderíamos apostatar, porém, mediante o poder de Cristo para nos conservar, isso não vai acontecer. Se é uma possibilidade que não existe, então por que o autor falaria dela? Um argumento que se autoanula!
 
Há dezenas de passagens bíblicas que, de fato, mostram que alguém pode apostatar ou perder a sua salvação. Jesus, por exemplo, diz que o amor de muitos esfriara (Mt 24.12,13). Ele adverte que aqueles que olham para trás são indignos do reino (Lc 9.62). Adverte-nos também a nos lembrarmos da mulher de Ló (Lc 17.32). O Senhor advertiu ainda que se alguém não permanecer nEle será cortado (Jo 15.6). Paulo, o apóstolo da graça, adverte que podemos cair da graça (G15.4). Ele ainda lembra-nos de que alguns naufragaram na fé (1 Tm 1.19) e que outros abandonarão a fé (1 Tm 4.1).
Para Paulo, aquele que negar o Senhor será negado por Ele (2 Tm 2.12). E Pedro cita aqueles que escaparam da corrupção do mundo pelo conhecimento do Senhor Jesus Cristo e que depois se desviaram. Todos esses textos mostram a possibilidade real, e não apenas hipotética, de alguém vir a perder a salvação. Como se desencadeia esse processo: 1) O cristão deixa de levar a serio as advertências da Palavra (Lc 8.13; Jo 5.44,47); 2) Quando o mundo passa a ser mais importante do que o Reino de Deus (Hb 3.13); 3) Uma tolerância para com o pecado (1 Co 6.9,10); 4) Dureza do coração (Hb 3.8,13); e 5) Entristecer o Espírito Santo deliberada e continuamente (Ef 4.30). (Veja o livro: Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal (HORTON,Stanley M. CPAD, Rio de Janeiro).
 
Um mal evitável
 
A apostasia, portanto, é uma real possibilidade, mas não devemos nos centrar nela, mas na graça de Deus. Ainda ao tratar desse assunto, a Bíblia de Estudo Pentecostal observa que, embora seja um perigo para todos os que vão se desviando da fé e se apartam de Deus, a apostasia não se consuma sem o constante e deliberado pecar contra a voz do Espírito Santo. As Escrituras afirmam com clareza que Deus não quer que ninguém pereça (2 Pe 3.9) e declaram que Ele receberá todos que já desfrutaram da graça salvadora, se arrependidos, voltarem para Ele (cf. Gl 5.4; 2 Co 5.1-11; Rm 11.20-23; Tg 5.19,20). Fica a advertência bíblica para nós: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações (Hb 3.7,8,15; 4.7).
Texto extraído do livro: Porção Dobrada, uma analise bíblica, teológica e devocional sobre os ministérios proféticos de Elias e Eliseu - José Gonçalves, págs. 19-23 – CPAD.


O QUE FAZER QUANDO OS FUNDAMENTOS SE TRANSTORNAM?


 
 
Por Ciro Sanches Zibordi

 
Não há como esconder os transtornos que ocorrem na igreja evangélica, principalmente nos âmbitos da liturgia e da pregação. Alguns líderes têm preferido ignorar as situações que causam incômodos, desarranjos, contrariedades, decepções, contratempos, como a prevalência de doutrinas falsas e práticas estranhas em nosso meio. Outros optam pela tolerância, permanecendo em silencio. Entretanto, a Palavra de Deus assevera: “Na verdade, que já os fundamentos se transtornam; que pode fazer o justo?”, Sl 11.3. Neste artigo, meditando nessa pergunta do salmista, relacionarei alguns transtornos de fundamentos e apresentarei soluções bíblicas.

O que são os fundamentos? A palavra “fundamento” diz respeito ao conjunto de regras e princípios, a partir dos quais se pode fundar ou deduzir um sistema, um agrupamento de conhecimentos. O termo alude, nas Escrituras, figurativamente, os princípios fundamentais do Evangelho (Hb 6.1-2) e os ensinos dos apóstolos e profetas (Ef 2.20). Em outras palavras, são as doutrinas, as ordenanças, os mandamentos, os princípios e os procedimentos devidamente embasados na Palavra de Deus.

É lamentável o que vem acontecendo no meio evangélico. Muitas igrejas estão abandonando ou negociando os fundamentos, como se eles não tivessem nenhuma importância. A Bíblia diz que Deus habita entre os louvores e que o culto coletivo da igreja abarca: salmos, doutrina, revelação, língua e interpretação (Sl 22.3 e 1 Co 14.26). Com base nessas verdades, temos o fundamento de que, numa parte (apenas numa parte) do culto que agrada ao Senhor, devem ser entoados louvores. Mas, o que tem acontecido em muitas igrejas? Temos visto uma apresentação sem-fim de cantores, duplas e conjuntos, como se o culto fosse um show de calouros! Afinal, Deus habita entre os louvores ou entre os cantores?

De acordo com as Escrituras, é nosso dever pregar o Evangelho, a fim de que vida sejam salvas e maravilhas aconteçam (Mc 16.15-20). Isto é um fundamento. Mas, o que vemos hoje? Milagreiros ocupam os púlpitos das igrejas, não para pregar o Evangelho, e sim para contar “testemunhos”, muitos deles contestáveis. Pregam os supostos efeitos do Evangelho, e não o Evangelho, a fim de cativarem o público. Muitas reuniões, nas igrejas, têm sido preparadas e realizadas para satisfazer o ser humano. É claro que o Senhor Jesus nos abençoa nos cultos coletivos, porém a finalidade deles, como a sua própria definição sugere, deveria ser cultuar a Deus.

Em todo o livro de Salmos e em várias outras partes das Escrituras, vemos que, nos cultos, devemos cantar louvores. Isto é, temos de glorificar a Deus, dando-lhe graças por todas as bênçãos que Ele tem derramado sobre a nossa vida (Sl 103.1-2). Todavia, a maioria dos “louvores” de hoje é voltada para a vitória do crente, haja vista os interesses comerciais de cantores, gravadoras, lojas e etc. daí a grande ênfase às promessas, ignorando-se que a Bíblia é também um Livro de mandamentos e princípios. O que podemos fazer ante esse quadro aparentemente irreversível?

Sabemos que o Senhor Jesus é o fundador e o fundamento da Igreja, estando Ele, portanto, acima dela e de todas as igrejas locais (Mt 16.18 e 1 Co 3.11). Isto é um fundamento. Mas, hoje, alguns (ou muitas?) igrejas e seus pastores têm sido mais valorizados do que o Sumo Pastor e seu Corpo. Não bastassem os programas “evangélicos” em que pessoas testemunham: “Depois que eu conheci a igreja tal, a minha vida mudou”, agora muitas denominações disputam para ver qual é a mais atraente. “Igrejas tal: aqui o milagre acontece” ou “Uma igreja modelo, um modelo de igreja” são alguns dos slogans adotados por líderes que perderam a visão do Reino de Deus.

Na mídia, vemos homens que já defenderam a verdade com intrepidez, verdadeiros profetas do Altíssimo, os quais outrora se levantavam contra movimentos que torcem o Evangelho, como o G-12, agora defendendo-os e se associando a eles por puro interesse comercial (2 Pe 2.3; 1 Tm 6.9-10 e Ef 5.5). Antes, eles se opunham à falaciosa Teologia da Prosperidade e aos desvios na área da batalha espiritual, mas agora se tornaram os principais defensores dessas e de outras doutrinas falsificadas.

A Palavra de Deus afirma que o pregador divinamente chamado deve falar a respeito do Senhor Jesus e de sua gloriosa obra (1 Co 2.1-5). No entanto, o que acontece em grandes congressos de algumas igrejas evangélicas? Os pregadores convidados são aqueles capazes de atrair multidões, mesmo que eles não tenham compromisso com a Palavra de Deus e até propaguem heresias, modismos e maus costumes. E os fundamentos? Ora, quem está preocupado com isso? Afinal, o mais importante é juntar multidões e garantir uma boa arrecadação, com a qual a igreja pagará o alto cachê das celebridades convidadas e ainda ficará com um bom dinheiro em caixa!

Transtornam-se os fundamentos. Mas, como justos, podemos orar pela igreja brasileira, pelos líderes, pregadores, ensinadores e cantores, a fim de que não mercadejem o Evangelho, como muitos têm feito (2 Co 2.17). A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos (Tg 5.16). Preguemos também a verdade, nada temendo (Ez 2 e At 7). Afinal, a Palavra de Deus assevera: “Conjuro-te (...) que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo (...) Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscência; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu sê sóbrio em tudo...”, 2 Tm 4.1-5.

 
Ciro Sanches Zibordi é pastor na AD de Cordovil, Rio de Janeiro (RJ), e co-autor de Teologia Sistemática Pentecostal (CPAD) .

Jornal Mensageiro da Paz de Dezembro de 2008, Pág. 16.
* Foto publicada pelo autor do blog

O QUE É “EXERCITAR-SE NA PIEDADE”?



“Em 1 Timóteo 4.7, Paulo fala a Timóteo para que ele ‘exercitar-se na piedade’.
O que essa expressão bíblica significa exatamente?”
(Jorge Lória, São João de Meriti – RJ)


Claudionor de Andrade

A piedade não é um simples respeito pelas coisas religiosas, nem uma mera devoção. Conforme muito bem a definiu James D. Burns, é o conhecimento de Deus na mente do homem. Ao enfoca-lo sob a ótica dos Evangelhos, George Hodges afirmou que Jesus é amigo dos pecadores, mas só pode ser companheiro dos crentes piedosos.

O termo grego traduzido por piedade na Bíblia é mui significativo: eusébio. Ele traz a idéia de reverência e culto. A palavra pode ser interpretada, de acordo com Alford, como a virtude operosa e adoradora. Por conseguinte, a piedade não é estática; é uma disposição firme e constante para a prática do bem.

Não foram poucos os filósofos que viram na piedade o ingrediente indispensável à alma humana. Haja vista o que dela afirmou Confúcio: “Piedade e obediência, eis as raízes da humanidade”. Em seus Últimos Sonetos, assim cantou o admirável poeta Cruz e Souza: “O coração de todo o ser humano foi concebido para ter piedade”.

A piedade, todavia, não deve ser contemplada nem meramente almejada. Exorta-nos Paulo a exercitá-la. Ao fazer ao jovem pastor Timóteo a recomendação “Exercita-te a ti mesmo em piedade”, o apóstolo Paulo tinha em mente a disciplina dos atletas gregos que, na conquista de uma vitória, exercitavam-se até à exaustão.

Leiamos o referido texto no original: gúmnaze dé seautón prós eusébeian. O verbo grego gumnázo significa exercitar-se completamente despojado a fim de que nada tolha seus movimentos. Assim, concorriam os atletas dos jogos públicos da Grécia Clássica. Disciplinadíssimos, não admitiam que nada lhes atrapalhassem a conquistas do premio. Levavam eles tão a serio a competição, que os seus concursos eram conhecidos como agón. É deste vocábulo que nos vem o termo agonia, que, primitivamente, descrevia a ansiedade do atleta nas competições. Por conseguinte, o verbo agonízomai expressa este propósito: esforço-me no agón, pelejo, luto, persevero nas provas.

Somente lograremos a estatura de varões se nos exercitarmos na piedade dos primitivos helenos. Nesse exercício, havermos de chegar à exaustão; estaremos em agonia, a fim de que, em todas as coisas, agrademos Àquele que nos alistou para tão árdua, porém gloriosa peleja. Se almejarmos uma vida piedosa, haveremos de nos exercitar na Palavra de Deus, na oração e nas boas obras.

Dedique-se às Escrituras. Torne-se delas inseparável. E que a sua leitura do Santo Livro seja acompanhada por súplicas e perseverantes orações. Temos nos exercitado na oração? Ou já temos nos conformado com uma vida desprovida de vida? Ou com um ministério sem serviço? Ou com uma esperança desesperançada? Ou com um devoção desapaixonada e fria?

Não podemos nos enganar: a piedade inexiste sem oração. Os mais piedosos são os que mais tempo passam aos pés do Senhor. Ao discorrer sobre a qualidade da vida cristã, E.M. Bouds é irretorquível: “É a força da oração que faz santos. Os caracteres santos são formados pelo poder da oração verdadeira”.

E sobre as boas obras, escreveu Paulo: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”, Ef 2.10. O crente não é salvo pelas boas obras, mas para as boas obras. E, nestas, devemos exercitar-nos continuamente, a fim de que o nome de Deus seja glorificado (Mt 5.16).


Claudionor de Andrade é pastor, gerente de publicações da CPAD e co-autor de Teologia Sistemática Pentecostal (CPAD).    

Jornal Mensageiro da Paz de Dezembro de 2008, Pág. 17.

* Foto publicada pelo autor do blog

ATAQUE À FÉ PENTECOSTAL TENTA DESACREDITAR DONS ESPIRITUAIS.


Por Antônio Mesquita

Depois de assistir a um programa bizarro e aviltante de uma seita bastante conhecida, não pude deixar de apresentar esta defesa da fé cristã diante da afronta que fizeram aos que recebem o batismo no Espírito Santo e à ação dos dons espirituais. Essas pessoas nem mesmo precisariam ser espirituais. Um pouco de inteligência ou temor bastariam. A exposição, por seus argumentos, demonstrou mesquinharia e mediocridade. Sem nenhuma base bíblica convincente, ou explicação para nortear suas farsas, tais opositores se fazem “o outro lado”. Este termo é uma referência à Palavra Satã, no hebraico (demônio), que tem raiz no verbo impedir, bloquear.

Para estes, falar em línguas não passa da tradução da mensagem de uma determinada língua para outra, por meio do aprendizado repentino da língua desconhecida em sua cultura (sic). Tentar confundir quando misturam dom de interpretação de línguas (1 Co 12.10) e sua rasteira explicação, pois “há diversidade de operações”, uma vez que “a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil”, v.6. São como Simão, o Mágico, que queria, à moda desses “ensinadores televisivos”, tomar o poder de Deus como simples variação humana e que, portanto, poderia negociá-lo.

A Bíblia afirma que o derramar do Espírito foi para o temor dos apóstolos e para o futuro: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar”, At 2.39. 1) aos presentes (vós); 2) a vossos filhos (geração seguinte); 3) e a todos os que estão longe (gerações subsequentes e distantes indicadas no imperativo do Senhor: “até aos confins da terra”).

“Outros zombavam”

Esse tipo de crítica irresponsável e agressiva é próprio de neófitos. No Dia de Pentecostes, ocorreu algo semelhante. Enquanto alguns se maravilhavam, “outros zombavam”. E mais, “nos últimos dias” (v.17) é uma indicação no plural projetando o futuro. Tem paralelo forçoso com os “últimos tempos” de 1 Timóteo 4.1 (“Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos...”), neste caso, pela indicação de apostasia, caracterizada na idéia expressa desses homens. Apostasia é a “Separação ou deserção do corpo constituído (de uma instituição, de um partido, de uma corporação) ao qual se pertencia; abandono da fé de uma igreja, especialmente a cristã” (Aurélio).

Atos 2.39 afirma que no Dia de Pentecostes estavam em Jerusalém, não somente judeus, mas “judeus” e “varões religiosos, de todas as nações” (2.5), inclusive “forasteiros romanos” (2.10). Os que não aceitaram o plano divino zombavam e até buscavam explicação humana para a ação do alto: “Estão embriagados”. Estes foram nomeados “geração perversa” (2.40). Podemos igualmente visitar Gálatas 1.8, livro que reflete a apologia de Paulo aos hereges da época: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro Evangelho que vá além do que já vos tenho anunciado, seja anátema”.

Afinal, não vamos além, e ainda não ficamos aquém. Pregamos o que está na Bíblia sem equívoco de interpretação a partir de uma idéia sem nenhum fundamento exegético. A interpretação que corresponde à exegese bíblica, quanto a visão distorcida do batismo no Espírito Santo, tem o peso da antecipação crítica com o intuito de justificar o injustificável.

O principal entrave para esses tais, não é só a questão do falar novas línguas, mas tudo o que diz respeito aos dons espirituais, conforme é citado no texto: “Porque andamos por fé e não por vista”, 2 Co 5.7. E quem anda por vista, por não crer em milagres, não pode andar por fé.

A fé serve justamente para que o impossível (à visão e mentes humanas) torne-se real. Aí reside a principal dificuldade – crer no impossível: cura divina; expulsão de demônios e toda e quaisquer manifestação de maravilhas.

Os sinais, em especial os operados pela manifestação dos dons espirituais, ainda permanecem como meio poderoso para afugentar a frieza espiritual, conforme as Sagradas Letras preconizam: “Não havendo profecia, o povo se corrompe”, Pv 29.18. Segundo comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD), “profecia” neste versículo traduz a palavra hebraica hazon (literalmente ‘visão’ e também ‘revelação’’’).

A audácia desses homens incautos completa a blasfêmia quando afirmam que “milagres da nossa época se referem à atuação de espíritos enganadores”. Ora, os fariseus demonstravam esse mesmo “zelo religioso” e acusaram Jesus por motivo idêntico (Lc 11.14-28). A ação do Espírito (“o dedo de Deus”, v.20), com expulsão de demônios por Jesus, fora nomeada pelos fariseus como algo efetivado em conluio com o próprio demônio (“Belzebu, príncipe dos demônios”, v.15). O apóstolo Paulo ensina em 1 Coríntios 12: “Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes”. Quando o crente é cheio do Espírito Santo, transborda, conforme ensina Jesus ao falar na Festa em Jerusalém: “Quem crê em mim, coo diz as Escrituras rios d’aguas vivas correrão do seu ventre”, Jo 7.38.

Como é ver um rio com água vivificada? Vamos imaginar. Será que tem movimento, barulho, quando rola a água em suas pedras. Indica vida, testemunhada visivelmente, como autentica renovação? Ou indica algo parado, invisível, morto, traduzido nas belas letras de uma poesia? A Bíblia segue ensinando: “E isso disse ele do Espírito, que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado”, Jo 7.38-39. Pedro fala dos últimos tempos e apresenta o perfil de falsos doutores: “Mas estes como animais irracionais... blasfemando do que não entendem... Estes são fontes de água... (Secos), porque falando coisas mui arrogantes”, 2 Pd 2.12,17,18...” Lembra-se dos dois discípulos a caminho de Emaus e da presença de Jesus entre eles? Em Lucas 21.32 é dito que seus corações ardiam. Arder é “Produzir sensação de ardor; queimar, abrasar” (Aurélio). Por favor, leia e examine a Bíblia (“Porventura, não errais em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus?”, Mc 12.24) para que o Senhor “possa compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados...”, Hb 5.2.

 Antônio Mesquita é ministro do Evangelho, graduado em Teologia, escritor e jornalista. Mesquita.antonio@cpad.com.br

Jornal Mensageiro da Paz de Setembro de 2008, Pág. 16.
* Foto publicada pelo autor do blog