segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Jesus, o remédio para uma igreja enferma



Pastoral


Alguns estudiosos da Bíblia, dentre as fileiras do Dispensacionalismo, afirmam que as setes igrejas da Ásia Menor são um símbolo dos sete períodos da história da igreja, assim classificados: Éfeso simboliza a igreja apostólica; Esmirna, a igreja dos mártires; Pérgamo, a igreja oficial dos tempos de Constantino; Tiatira, a igreja apóstata da Idade Média; Sardes, a igreja da Reforma; Filadélfia, a igreja das missões modernas e Laodicéia, a igreja contemporânea. Essa classificação, entretanto, não tem qualquer amparo histórico nem qualquer fundamentação bíblica.

Jesus elogia duas dessas igrejas: Esmirna e Filadélfia, mesmo sendo a primeira pobre e a segunda fraca. Quatro delas recebem elogios e censuras: Éfeso, Pérgamo, Tiatira e Sardes. A última, Laodicéia, só recebe censuras e nenhum elogio. Algumas lições podemos aprender com essas igrejas:

1. Jesus conhece profundamente a sua igreja.
Jesus está no meio da igreja e anda no meio dela. Para cinco dessas igrejas (Éfeso, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia) Jesus disse: “Eu conheço as tuas obras”. Para a igreja de Esmirna Jesus disse: “Eu conheço a tua tribulação” e a para a igreja de Pérgamo, Jesus disse: “Eu conheço o lugar onde habitas, onde está o trono de Satanás”. Jesus conhece as obras da igreja, os sofrimentos da igreja e o lugar onde a igreja está estabelecida.

2. Jesus não se impressiona com aquilo que impressiona a igreja.
O diagnóstico de Jesus difere da nossa avaliação. O que nos impressiona, não impressiona a Jesus. À pobre igreja de Esmirna Jesus disse: “Tu és rica”; mas à rica igreja de Laodicéia Jesus disse: “Tu és pobre”. A riqueza de uma igreja não está na beleza do seu santuário nem na pujança de seu orçamento, mas na vida espiritual de seus membros. À igreja de Sardes que dá nota máxima para sua espiritualidade, julgando-se uma igreja viva, Jesus diz: “Tu estás morta”. À igreja de Filadélfia que tinha pouca força, Jesus diz: “Eu coloquei uma porta aberta diante de ti”.

3. Jesus não se contenta com doutrina sem amor nem com amor sem doutrina.
Jesus elogia a igreja de Éfeso por sua fidelidade doutrinária, mas a reprova pelo abandono do seu primeiro amor. A igreja de Éfeso era ortodoxa, mas faltava-lhe piedade. Tinha teologia boa, mas não devoção fervorosa. Por outro lado, Jesus elogia a igreja de Tiatira pelo seu amor, mas a reprova pela sua falta de zelo na doutrina. A igreja tinha obras abundantes, mas estava tolerando o ensino de uma falsa profetisa. Não podemos separar a ortodoxia da piedade nem a doutrina da prática do amor.

4. Jesus sempre se apresenta como solução para os males da igreja.
A restauração da igreja não está na busca das novidades do mercado da fé, mas em sua volta para Jesus. Ele é o remédio para uma igreja enferma, o tônico para uma igreja fraca e o caminho para uma igreja transviada. À igreja de Sardes, onde havia morte espiritual, Jesus se apresenta como aquele que tem os sete Espíritos de Deus, para reavivá-la. À igreja de Esmirna que enfrenta a perseguição e o martírio, Jesus se apresenta como aquele que venceu a morte. Jesus é plenamente suficiente para suprir as necessidades da sua igreja, plenamente poderoso para restaurar a sua igreja e plenamente gracioso para galardoar a sua igreja.

5. Jesus se apresenta à sua igreja para fazer alertas e também promessas.
Para todas as igrejas Jesus faz solenes alertas e também generosas promessas. Andar pelos atalhos da desobediência é receber o chicote da disciplina e permanecer no pecado é receber o mais solene juízo. Mas permanecer na verdade é ser vencedor. Arrepender-se e voltar-se para Deus é receber do Filho de Deus as mais gloriosas promessas de bênçãos no tempo e na eternidade, na terra e no céu!


Rev. Hernandes Dias Lopes

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Quando o milagre torna-se banal







Por Claudionor Corrêa de Andrade

INTRODUÇÃO

Encontrava me a lecionar, certa vez, acerca da Teologia do Avivamento, quando me vi constrangido a responder a uma pergunta que já vai criando ranço em nossos arraiais: "Por que os milagres já não se repetem hoje como outrora?" Embora teologicamente justificável, tal curiosidade não procede. Histórica e biblicamente, não procede.

Revirando o Antigo Testamento e já no Testamento Novo, há de se verificar que semelhante preocupação não é nova. Era já manifestada nos dias dos salmos.

Nesses dias antigos e quase imemoriais, quando a inspiração do Espírito Santo fazia se sentir nas escrituras que se iam lavrando, e quando os milagres do Êxodo e os de Canaã ainda podiam ser recordados sem a ajuda de qualquer registro; sim, nesses dias encanecidos, o saudosismo já se fazia coevo. Eis a queixa que os filhos de Coré endereçam ao Senhor: “Ouvimos, ó Deus, com os próprios ouvidos: nossos pais nos têm contado o que outrora fizeste, em seus dias (Sl 44.1).

Para o Israel daqueles dias, a pergunta também era teologicamente justificável. Histórica e escrituristicamente, não. Encontravam se os israelitas na mesma situação em que nos achamos. Sentiam um vazio mui grande e desconfortável. Não era vazio de milagres. É algo bem mais grave; doentiamente crônico. Antes que entremos a descobrir a etiologia dessa enfermidade, vejamos o que é o milagre.

I. O QUE É O MILAGRE

Na versão revista e atualizada da Bíblia de Almeida, a palavra milagre pode ser encontrada pelo menos 23 vezes. Originando se do vocábulo latino miraculum, etimologicamente significa espanto, assombro. Explica nos Silveira Bueno que a forma portuguesa da palavra surgiu com os antigos cancioneiros. É atribuída à influência dos monges cluniacenses que a trouxeram de França.

Classicamente, o milagre é definido como a suspensão, ou derrogação, temporária das leis da natureza por uma força sobrenatural. Mario Ferreira dos Santos aprofunda se no assunto: "Fato ou acontecimento que ultrapassa a natureza de uma coisa ou de um conjunto de coisas, um fato, em suma, sobrenatural (ou extranatural) e que exige, portanto, para a sua explicação, a aceitação de uma causa eficiente, que não pode pertencer à natureza de nenhuma das coisas finitas, sendo, portanto, atribuído à divindade. Por extensão, e em sentido popular, todo fato extraordinário, para o qual não é encontrada uma explicação satisfatória".

É do professor Maximilian Rast a próxima definição: "O milagre é um acontecimento perceptível e extraordinário que, ultrapassando as forças meramente naturais, tem em Deus seu autor imediato ou mediato. Só recebe o nome de milagre o acontecimento sobrenatural manifesto, perceptível".

II. QUANDO O MILAGRE TORNA SE BANAL

Não obstante os espantos e admirações que nos arranca o milagre, pode levar nos à saturação. É extraordinário, mas tende a viciar nos os sentidos do corpo e os da alma. Derroga as leis da natureza, induz nos porém a enfadar nos de suas performances. Abre nos as portas ao sobrenatural, todavia nem sempre consegue desarraigar nos das mesmices espirituais. Nem sempre a ocorrência de milagres denota avivamento; a característica principal deste é o amor a Cristo que nunca deixa de ser primeiro. Amamos a Jesus não pelos sinais e maravilhas que opera; amamo-lo pelo sacrifício do Calvário que ousou por todos nós.

Se não tomarmos cuidado, pode o milagre encaminhar nos até mesmo à incredulidade.

Mostre se embora paradoxal, essa assertiva é teológica, histórica e biblicamente mais que justificável. É só adentrar os diversos pavilhões do Livro Santo para se lhe comprovar a validade.

No Antigo Testamento, nenhuma geração presenciou tantos milagres como aquela que Moisés arrancara ao cativeiro. Maravilhas no Egito. Prodígios na travessia do Mar Vermelho. Sinais e portentos no deserto. Nenhuma outra gente jamais assistira, ou assistiria, a tantos atos sobrenaturais. O mesmo Deus o testemunha: “Eis que faço uma aliança; diante de todo o teu povo farei maravilhas que nunca se fizeram em toda a terra, nem entre nação alguma: de maneira que todo este povo, em cujo meio tu estás, veja a obra do Senhor; porque cousa terrível é o que faço contigo” (Êx 34.10).

As maravilhas e sinais. Os prodígios. Enfim, todos os milagres não foram suficientes para erradicar a incredulidade de Israel. Por quarenta anos divagaram os israelitas pelo deserto. Avançavam dunas e areais; regrediam na fé. Embora pisassem remansos, o chão de sua crença jamais perdeu aquela aridificação tão própria das terras do Faraó. E, agora, perto de Canaã, e já distantes do repouso divino.

Os israelitas já estavam enfadados do sobrenatural. Quando o maná cobriu pela primeira vez o arraial hebreu, causou espanto. Diante daquela maravilha que nem nome tinha, o povo resolveu colocar uma interrogação como apelido ao singular alimento.

Que é isto?

Era o que todos perguntavam.

E assim maná passou a designar o pão dos anjos. Não era propriamente pão; interrogação era. Israel alimentado por uma pergunta que jamais seria respondida! Pode haver maravilha maior? Contudo, o objetivo de Deus não era matar a curiosidade de Israel; mitigar lhe a fome era o seu desígnio.

Que é isto?

No primeiro dia, milagre. No segundo, ainda maravilha. No terceiro, não deixava de causar espécie. Mas os dias passaram e fizeram se semanas. Estas acharam se em meses. E, agora, o maná já serve de tropeço em Israel. O que era milagre, agora cansa Israel. Agora enfastia Israel. Ainda é maná. É ainda uma pergunta. Uma interrogação que não obteve resposta. E mesmo não elucidada, já não é sensação. E por causa desse milagre que se fez rotina às portas hebréias, Israel murmura. E, amargamente, murmura: “Agora, porém, seca se a nossa alma, e nenhuma cousa vemos senão este maná” (Nm 11.6).

Nessa queixa dos hebreus, não vemos apenas incredulidade. Há de se divisar aquela amargura tão própria de quem já se fez indiferente ao extraordinário. Tantos eram os milagres, que eles já não suportavam mais o sobrenatural. Pois a primeira coisa que viam, tão logo descerravam a cortina de suas tendas, era justamente o milagre.

Sim, o milagre estava lá!

Tudo branco. O pão dos anjos caía de madrugada, orvalhava o deserto e tornava ameno o arenal. Mesmo assim, o povo enfadara se do milagre.

III. A BUSCA DO NATURAL

Israel, agora, almeja o natural. Já anseia pela opressão do Egito: “Lembramo nos dos peixes que no Egito comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos” (Nm 11.5).

Como se pode desejar mais a opressão que os milagres? Mais a escravidão que as maravilhas do Senhor? Assim acontecia, assim acontece. Os sentidos de Israel já se achavam embotados pelo sobrenatural; pelos milagres contínuos, embotados.

A semelhança dos filhos de Israel, vemo nos também saturados de milagres. Embora perguntemos por estes, tememo los: eles trazem a glória de Deus. E nem sempre estamos preparados a aproximar nos do fumegante Sinai. O culto de Balaão, onde o carnal sempre acaba por sufocar o sobrenatural, exibe se mais conveniente.

Se ansiamos tão somente pelos sinais e maravilhas, já os vemos como um espetáculo à parte. E, assim, já não perguntamos para que servem. Mas não nos esqueçamos: em todas as manifestações sobrenaturais, há sempre uma pergunta a responder.

IV. A GRANDE PERGUNTA DE ORÍGENES

Milagre não é espetáculo. Ele acontece tendo em mira triplo objetivo: 1) glorificar o nome de Deus; 2) promover a doutrina apostólica; e: 3) fortalecer a fé aos santos. O milagre não ocorre para aguçar nos a curiosidade. Haja vista o que aconteceu a Herodes quando lhe enviaram a Jesus naquela noite de paixão e dor. Esperava o rei ver algum sinal por parte do Cristo, mas o Senhor silênciou.

O que buscava Herodes?

Um espetáculo! Era o que toda a Judéia, e em especial Jerusalém, buscara durante todo o ministério terreno de Cristo. Seguiam no os judeus não porque vissem nEle o Messias; e, sim, para assistir algo grandioso, que lhes excitasse os sentidos. Por isto, toda aquela geração, à semelhança dos contemporâneos de Moisés, morreu em suas iniqüidades. Sim, apesar dos incontáveis prodígios e maravilhas operados pelo Nazareno, pereceram na incredulidade que se vinha cristalizando desde que Israel saíra do Egito.

Às vezes, não entendemos por que o Cristo ressurrecto não se apresentou a Israel. Mas não é preciso rebuscar explicações para se concluir uma resposta. Houvera isto acontecido, teríamos certamente um grande espetáculo. Bastariam, porém, algumas semanas, e o milagre teria acabado por saturar os judeus como o maná impacientara a geração do Êxodo. E, assim, não vacilariam em matar novamente o Messias. Não intentaram fazer o mesmo ao Lázaro de Betânia?

Foi pensando na seriedade do milagre que nos aconselha Orígenes a fazer sempre esta pergunta quando da ocorrência de qualquer sinal ou prodígio: "Qual o seu objetivo?" Desta pergunta que, sem dúvida, nos levará a um laborioso exercício teológico, haveremos de obter uma solícita e gravíssima resposta.

Sim, qual o objetivo do milagre?

Se é para glorificar a Deus, é milagre; mas se tem por fim endeusar o homem, não. Se é para confirmar a fé aos féis, continua milagre; mas se tem por objetivo promover um espetáculo, não. Se é para referendar as verdades bíblicas e administrar os meios da graça, permanece milagre; mas se tem como alvo a promoção do efêmero, jamais será milagre. Se é para efetivar o avivamento, é milagre; mas se tem por meta aguçar os sentidos humanos, nunca será milagre.

Vejamos o caso de Moisés e Aarão diante do Faraó. Os servos de Deus visavam, com a demonstração de seus milagres, duas coisas: fortalecer a fé aos hebreus, e convencer a Faraó a deixar partir os filhos de Israel. Todavia, lá estava o rei do Egito pronto a resistir aos arautos de Jeová. Lá estava com os seus magos e adivinhos. Lá, os chefes das ciências ocultas: Janes e Jambres. Queria o egípcio apenas uma coisa: ostentar o poder trevoso de sua equipe. E, dessa maneira, promover um grande espetáculo que acabasse por perverter a fé aos filhos de Jacó.

Como vivemos hoje momentos difíceis, carecemos repetir a pergunta de Orígenes. Pois, infelizmente, nem todos os milagres são de Deus. No Apocalipse, por exemplo, vemos a besta e o falso profeta realizarem grandes sinais e maravilhas que enganarão toda a terra.

Diante do milagre, não vacilemos em perguntar: Qual o seu objetivo? Se glorificar o nome de Deus, é milagre. Caso contrário, não. Porque Deus não tem por objetivo promover espetáculos.

Espetáculo é para mimar os olhos; apenas a piedade há de fortalecer a crença. O verdadeiro milagre tem como motivação o amor, e não o exibicionismo barato e malévolo de alguns.

V. SOFRER OU FAZER MILAGRES?

Por que o autor da Epístola aos Hebreus detém se a mencionar apenas dois sucessos concernentes à peregrinação dos filhos de Israel – a travessia do Mar Vermelho e a derribada das muralhas de Jericó? Sendo que, entre ambos os eventos, houve muitos outros prodígios e maravilhas? Acerca destes, porém, cala se o apóstolo.

A resposta parece óbvia. O escritor sagrado limitou se a mencionar apenas esses dois episódios, pois outra coisa não fez Israel, durante os quarenta anos de suas andanças, senão sofrer o sobrenatural. Por isso, o batismo no Mar de Juncos e o sítio de Jericó foram tidos como atos de fé.

Na travessia do Mar Vermelho, os filhos de Deus puseram se em marcha até que se abrissem as ondas. Não estavam dispostos a sofrer o milagre; seu intento era fazê-lo acontecer. Israel vivia o seu primeiro avivamento! O mesmo se deu quando as tribos hebréias chegaram a Canaã. No Jordão, não padeceram o milagre; realizaram-no. Bastaram os pés dos levitas pisarem o caudaloso das águas para que se abrisse o rio. E, quando do sítio de Jericó, também não quiseram padecer o milagre. Rodearam a cidade seis dias. E, no sétimo, deitaram os muros todos por terra com o soar das trombetas. Israel retoma, aqui, as primícias de seu avivamento.

Não resta dúvida de que, em ambos os eventos, a operação foi divina, mas a iniciativa, humana. Inequivocadamente, humana. Isto se chama fé.

O milagre aconteceu. Mas a fé não se achava ausente. Ela estava lá; bem presente em todos aqueles atos e façanhas. Quanto às maravilhas havidas durante a peregrinação, pobres hebreus! Passaram quarenta anos sofrendo milagres e prodígios. E, como não tivessem fé, acabaram por naufragar no sobrenatural. Morreram em sua incredulidade: “E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade” (Hb 3.18,19).
Nas águas de Mara, sofreram o milagre. Na rocha, suportaram o milagre. No orvalhar do maná, padeceram o milagre. Enfim, em toda a sua peregrinação agiram passivamente no tocante ao milagre. Não é sem razão que a sua jornada é conhecida como a provocação do deserto.

CONCLUSÃO
Na Grande Comissão, o Senhor instiga a Igreja a fazer milagre. Exige ele que realizemos o sobrenatural: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura, quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas: pegarão em serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão" (Mc 16.15 18).

Se a Igreja se puser em marcha, com certeza todos os sinais a acompanharão, pois já é o Reino de Deus em movimento. Mas se parar, os milagres desaparecem. E, mesmo que aconteçam, dificilmente arrancarão o povo à sonolência espiritual. Quando evangeliza, a Igreja não sofre o milagre; realiza-o. Entretanto, se já não liga importância à Grande Comissão, cai no saudosismo. E como o saudosismo é prejudicial ao Reino de Deus!

Fonte: CPAD NEWS

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O PAPEL DA IGREJA NA EDUCAÇÃO CRISTÃ

A missão da igreja deve ser levada a cabo principalmente através do processo da educação cristã, porque devemos “ir e ensinar”. Portanto, a verdadeira natureza da educação cristã é obviamente missionária, pois devemos “ensinar todas as nações”. O conteúdo dessa missão, então, reside no próprio Cristo, pois “batizar as pessoas” indica a garantia da total submissão a Ele como Salvador e Senhor. Mas a missão não acaba aí. A frase “ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” convoca a um processo vitalício de crescimento no discipulado e na ação cristã. É mais do que simplesmente “recrutar” essas pessoas! E como o apóstolo Paulo, todo discípulo encontra-se continuamente “prosseguindo para o alvo” (Fp 3:14).

Se a igreja deve, então, ser tudo o que Cristo a chamou para ser, nós não podemos fugir do papel de ensinar. Esse papel não é unicamente satisfeito pela liderança da igreja, mas é a responsabilidade e o privilégio de cada membro dela. A igreja de Jesus Cristo é uma igreja que ensina!

A Educação Cristã faz parte do comissionamento de Jesus Cristo, o Mestre por excelência e detentor de toda a autoridade que lhe foi dada no céu e na terra. Ele disse: ”Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado.” (Mt 28.19-20). A ordem de Jesus compreende o anúncio das boas novas de salvação, a confirmação da aceitação da salvação pelo batismo, e o desenvolvimento da salvação através do ensino.

A Educação Cristã precisa ser parte da vida das famílias e da Igreja, e acontecer de maneira natural quando ministrada informalmente, e de forma criativa, interessante e motivadora quando direcionada para o alcance de um objetivo específico.

A Educação Cristã através da Igreja pode:

ALCANÇAR – A Educação Cristã é o instrumento que cada igreja possui para alcançar todos os grupos etários. (A audiência do culto à noite, além de ser heterogênea, não tem oportunidade de refletir, questionar e interiorizar o conteúdo recebido).

CONQUISTAR – Muitos são alcançados pelo evangelho, mas não permanecem em razão de não serem conquistados. A conquista acontece através do testemunho e da exposição da Palavra. Jesus afirmou: “serão todos ensinados por Deus...todo aquele que do pai ouviu e aprendeu vem a mim” (Jo 6.45). A conversão é perene quando acontece através do ensino.

ENSINAR – Estamos realmente ensinando aqueles que temos conquistado? Há quem diga que o ensino metódico e sistemático é contrário à espiritualidade. Isto não é verdade!
“O ensino das doutrinas e verdades eternas da Bíblia, na Igreja deve ser pedagógico e metódico como numa escola, sem, contudo, deixar de ser profundamente espiritual”.
Isto significa que devemos ensinar a Palavra de Deus com seriedade e esmero, apropriando-nos dos mais eficazes recursos educacionais que estejam à nossa disposição: “...se é ensinar haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7b).
O que é esmero? Significa integralidade de tempo no ministério: estar com a mente, o coração e a vida inteira nesse ministério. Ser professor é diferente de ocupar o cargo de professor. “Educação não é profissão, é vocação”.
“Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo” (Tg 3.1). (...) “vós sois a nossa glória e gozo” (1 Ts 2.20).

TREINAR – Devemos treinar nossos alunos, para que instruam a outros.


Por: Marcos Tuler

Contatos: (21) 9991-9952

prof.marcostuler@faecad.com.br

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A EFICÁCIA DO TESTEMUNHO CRISTÃO

LIÇÃO 6
07 de Agosto de 2011                                                               




Por Valdemir Pires Moreira

INTRODUÇÃO

Na antiguidade o sal possuía um valor muito grande. Os gregos costumavam dizer que o sal era divino. Os romanos, em uma frase que em latim era algo como uma das rimas comerciais da atualidade, diziam: "Nada é mais útil que o sol e o sal" (Nil utilius sole et sale). (Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento).

I. O CRISTÃO COMO SAL DA TERRA

O sal era tão valioso na época do NT que os soldados romanos frequentemente recebiam os seus salários em sal. Ele era usado como condimento, como conservante, como fertilizante e até mesmo como remédio. (Comentário Bíblico Histórico Cultural do Novo Testamento - Lawrence O. Richards – CPAD).

Indubitavelmente sua faiscante brancura fazia com que a associação fosse fácil. Os romanos diziam que o sal era o mais puro do mundo porque procedia das duas coisas mais puras que existem: o sol e o mar. O sal é a oferenda mais antiga dos homens aos deuses, e até o final do culto sacrificial judeu toda oferenda era acompanhada de um pouco de sal.

Portanto, para que o cristão seja o sal da Terra, deve ser um exemplo de pureza. Uma das características do mundo em que vivemos é a diminuição das exigências morais. No que respeita à honradez, a diligência no trabalho, a retidão, a moral, todas as normas estão sofrendo um processo de relativização e rebaixamento. O cristão deve ser aquele que mantém no alto os ideais de uma pureza absoluta na linguagem, na conduta e até no pensamento. (Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento).

1. A função de preservar

O sal se relacionava com a ideia de pureza.

No mundo antigo o sal era o mais comum de todos os preservadores.

Usava-se para impedir que os mantimentos, e outras coisas, apodrecessem ou se corrompessem, para deter o processo de putrefação. Plutarco diz tudo isto de uma maneira extremamente curiosa: "A carne – afirma – é um corpo morto, e forma parte de um corpo morto, e se for deixada entregue a si mesma muito em breve perde a frescura; mas o sal a preserva e impede sua corrupção." Portanto, sempre segundo Plutarco, o sal é como uma nova alma inserida no corpo morto.

2. A função de temperar

Mas a qualidade mais evidente e principal do sal é que dá sabor.

Depois que Constantino aceitou a religião cristã como religião do Império Romano, outro imperador, Juliano, quis voltar atrás e restituir a vigência dos antigos deuses. Sua queixa, tal como a representa Ibsen, era: "Você prestou atenção nestes cristãos? Os olhos fundos, as bochechas pálidas, estão toda sua vida refletindo, não os move ambição alguma; o sol brilha sobre suas cabeças mas não o vêem nem se comovem, a Terra lhes oferece sua plenitude, mas não a desejam; tudo o que ambicionam é ter que sacrificar-se e sofrer para morrer e ir ao céu." Segundo Juliano, o cristianismo desprezava os dons da vida.

Oliver Wendell Homes disse, em certa oportunidade: "Eu teria sido pastor, se a maioria dos pastores que conheci em minha juventude não tivessem tido o aspecto de empregados de funerárias e agido como tais."

Robert Louis Stevenson certa ocasião declarou em seu jornal, como se se tratasse de um fato extraordinário: "Hoje fui à Igreja e não me sinto deprimido."

(Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento).

3. Preservando e temperando

O TALMUDE mostra que o sal que não era puro e útil para ser usados nos ritos dos sacrifícios (que eram oferecidos com sal), era lançado nos degraus e declives ao redor do tempo para impedir que o terreno se tornasse escorregadio, e assim era pisado pelos homens. Também houve instâncias do uso do sal na pavimentação de estradas. Assim também, a religião sem autenticidade dificilmente tem uso digno para os discípulos de Jesus ou para o mundo em geral. (O Novo Testamento Comentado Versiculo por Versiculo - R.N Champlin).

Se o cristão não cumprir o seu objetivo como cristão, vai por mau caminho. Estamos destinados a ser o sal da Terra; se não levarmos à vida a pureza, o poder anti-séptico, a alegria e o esplendor que são nossa possibilidade e obrigação como crentes, devemos ater-nos a sofrer as conseqüências. Deve notar-se, para terminar, que a Igreja primitiva fazia um uso muito estranho deste texto. Na sinagoga, entre os judeus, existia o costume de que se um judeu apostatava de sua fé e depois, arrependido, desejava voltar para ela, tinha que deitar-se atravessado na porta e permitir que todos outros pisassem sobre ele, como se fora uma soleira, quando entravam nela. Algumas Iglesias cristãs adotaram este costume, e quando algum cristão era expulso disciplinarmente da Igreja, para poder voltar para ela devia fazer quão mesmo o judeu apóstata e dizer a seus irmãos: "Pisem-me, porque sou o sal que perdeu o seu sabor." (Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento).