sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

QUALIFICAÇÕES MORAIS DO PASTOR



Por Valdemir Pires Moreira

Introdução

Muitos são os obreiros que são consagrados ao santo ministerio, no entanto uma boa parte são totalmente despreparados e desqualificados para tal cargo de suma importância no reino de Deus. Ouço muitas reclamações quanto algumas igreas Assembleias de Deus, que sem observar os padrões biblicos das Sagradas Escrituras, consagram homens totalmente despreparados de qualificações éticas, morais e teologicas. Gostaria de nesse momento que você observace o que estar escrito na Bíblia de Estudo Pentecostal, na categotia de estudos doutrinarios o posicionamento dos nossos teologos quanto as qualificações necessarias para o pastoreado. Se alguém faz do modo incorreto, com certeza não por falta de esclarecimento.

1 Tm 3.1,2 “Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar.”

 Se algum homem deseja ser “bispo” (gr. episkopos, i.e., aquele que tem sobre si a responsabilidade pastoral, o pastor), deseja um encargo nobre e importante (3.1). É necessário, porém, que essa aspiração seja confirmada pela Palavra de Deus (3.1-10; 4.12) e pela igreja (3.10), porque Deus estabeleceu para a igreja certos requisitos específicos. Quem se disser chamado por Deus para o trabalho pastoral deve ser aprovado pela igreja segundo os padrões bíblicos de 3.1-13; 4.12; Tt 1.5-9. Isso significa que a igreja não deve aceitar pessoa alguma para a obra ministerial tendo por base apenas seu desejo, sua escolaridade, sua espiritualidade, ou porque essa pessoa acha que tem visão ou chamada. A igreja da atualidade não tem o direito de reduzir esses preceitos que Deus estabeleceu mediante o Espírito Santo. Eles estão plenamente em vigor e devem ser observados por amor ao nome de Deus, ao seu reino e da honra e credibilidade da elevada posição de ministro.

(1) Os padrões bíblicos do pastor, como vemos aqui, são principalmente morais e espirituais. O caráter íntegro de quem aspira ser pastor de uma igreja é mais importante do que personalidade influente, dotes de pregação, capacidade administrativa ou graus acadêmicos. O enfoque das qualificações ministerais concentra-se no comportamento daquele que persevera na sabedoria divina, nas decisões acertadas e na santidade devida. Os que aspiram ao pastorado sejam primeiro provados quanto à sua trajetória espiritual (cf. 3.10). Partindo daí, o Espírito Santo estabelece o elevado padrão para o candidato, i.e., que ele precisa ser um crente que se tenha mantido firme e fiel a Jesus Cristo e aos seus princípios de retidão, e que por isso pode servir como exemplo de fidelidade, veracidade, honestidade e pureza. Noutras palavras, seu caráter deve demonstrar o ensino de Cristo em Mt 25.21 de que ser “fiel sobre o pouco” conduz à posição de governar “sobre o muito”.

(2) O líder cristão deve ser, antes de mais nada, “exemplo dos fiéis” (4.12; cf. 1Pe 5.3). Isto é: sua vida cristã e sua perseverança na fé podem ser mencionadas perante a congregação como dignas de imitação.

(a) Os dirigentes devem manifestar o mais digno exemplo de perseverança na piedade, fidelidade, pureza em face à tentação, lealdade e amor a Cristo e ao evangelho (4.12,15).

(b) O povo de Deus deve aprender a ética cristã e a verdadeira piedade, não somente pela Palavra de Deus, mas também pelo exemplo dos pastores que vivem conforme os padrões bíblicos. O pastor deve ser alguém cuja fidelidade a Cristo pode ser tomada como padrão ou exemplo (cf. 1Co 11.1; Fp 3.17; 1Ts 1.6; 2Ts 3.7,9; 2Tm 1.13).

(3) O Espírito Santo acentua grandemente a liderança do crente no lar, no casamento e na família (3.2,4,5; Tt 1.6). Isto é: o obreiro deve ser um exemplo para a família de Deus, especialmente na sua fidelidade à esposa e aos filhos. Se aqui ele falhar, como “terá cuidado da igreja de Deus?” (3.5). Ele deve ser “marido de uma [só] mulher” (3.2). Esta expressão denota que o candidato ao ministério pastoral deve ser um crente que foi sempre fiel à sua esposa. A tradução literal do grego em 3.2 (mias gunaikos, um genitivo atributivo) é “homem de uma única mulher”, i.e., um marido sempre fiel à sua esposa.

(4) Conseqüentemente, quem na igreja comete graves pecados morais, desqualifica-se para o exercício pastoral e para qualquer posição de liderança na igreja local (cf. 3.8-12). Tais pessoas podem ser plenamente perdoadas pela graça de Deus, mas perderam a condição de servir como exemplo de perseverança inabalável na fé, no amor e na pureza (4.11-16; Tt 1.9). Já no AT, Deus expressamente requereu que os dirigentes do seu povo fossem homens de elevados padrões morais e espirituais. Se falhassem, seriam substituídos (ver Gn 49.4 nota; Lv 10.2 nota; 1.7,17 notas; Nm 20.12 nota; 1Sm 2.23 nota; Jr 23.14 nota; 29.23 nota).

(5) A Palavra de Deus declara a respeito do crente que venha a adulterar que “o seu opróbrio nunca se apagará” (Pv 6.32,33). Isto é, sua vergonha não desaparecerá. Isso não significa que nem Deus nem a igreja perdoará tal pessoa. Deus realmente perdoa qualquer pecado enumerado em 3.1-13, se houver tristeza segundo Deus e arrependimento por parte da pessoa que cometeu tal pecado. O que o Espírito Santo está declarando, porém, é que há certos pecados que são tão graves que a vergonha e a ignomínia (i.e., o opróbrio) daquele pecado permanecerão com o indivíduo mesmo depois do perdão (cf. 2Sm 12.9-14).

(6) Mas o que dizer do rei Davi? Sua continuação como rei de Israel, a despeito do seu pecado de adultério e de homicídio (2Sm 11.1-21; 12.9-15) é vista por alguns como uma justificativa bíblica para a pessoa continuar à frente da igreja de Deus, mesmo tendo violado os padrões já mencionados. Essa comparação, no entanto, é falha por vários motivos.

(a) O cargo de rei de Israel do AT, e o cargo de ministro espiritual da igreja de Jesus Cristo, segundo o NT, são duas coisas inteiramente diferentes. Deus não somente permitiu a Davi, mas, também a muitos outros reis que foram extremamente ímpios e perversos, permanecerem como reis da nação de Israel. A liderança espiritual da igreja do NT, sendo esta comprada com o sangue de Jesus Cristo, requer padrões espirituais muito mais altos.

(b) Segundo a revelação divina no NT e os padrões do ministério ali exigidos, Davi não teria as qualificações para o cargo de pastor de uma igreja do NT. Ele teve diversas esposas, praticou infidelidade conjugal, falhou grandemente no governo do seu próprio lar, tornou-se homicida e derramou muito sangue (1Cr 22.8; 28.3). Observe-se também que por ter Davi, devido ao seu pecado, dado lugar a que os inimigos de Deus blasfemassem, ele sofreu castigo divino pelo resto da sua vida (2Sm 12.9-14).

(7) As igrejas atuais não devem, pois, desprezar as qualificações justas exigidas por Deus para seus pastores e demais obreiros, conforme está escrito na revelação divina. É dever de toda igreja orar por seus pastores, assisti-los e sustentá-los na sua missão de servirem como “exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza” (4.12).

Fonte: Bíblia de Estudo Pentecostal

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Trizimo? Dizimos e ofertas do ponto de vista pentecostal



Ml 3.10 “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abstança.”

DEFINIÇÃO DE DÍZIMOS E OFERTAS.

A palavra hebraica para “dízimo” (ma’aser) significa literalmente “a décima parte”.

(1) Na Lei de Deus, os israelitas tinham a obrigação de entregar a décima parte das crias dos animais domésticos, dos produtos da terra e de outras rendas como reconhecimento e gratidão pelas bênçãos divinas (ver Lv 27.30-32; Nm 18.21,26; Dt 14.22-29; ver Lv 27.30 nota). O dízimo era usado primariamente para cobrir as despesas do culto e o sustento dos sacerdotes. Deus considerava o seu povo responsável pelo manejo dos recursos que Ele lhes dera na terra prometida (cf. Mt 25.15 nota; Lc 19.13 nota).

(2) No âmago do dízimo, achava-se a idéia de que Deus é o dono de tudo (Êx 19.5; Sl 24.1; 50.10-12; Ag 2.8). Os seres humanos foram criados por Ele, e a Ele devem o fôlego de vida (Gn 1.26,27; At 17.28). Sendo assim, ninguém possui nada que não haja recebido originalmente do Senhor (Jó 1.21; Jo 3.27; 1Co 4.7). Nas leis sobre o dízimo, Deus estava simplesmente ordenando que os seus lhe devolvessem parte daquilo que Ele já lhes tinha dado.

(3) Além dos dízimos, os israelitas eram instruídos a trazer numerosas oferendas ao Senhor, principalmente na forma de sacrifícios. Levítico descreve várias oferendas rituais: o holocausto (Lv 1; 6.8-13), a oferta de manjares (Lv 2; 6.14-23), a oferta pacífica (Lv 3; 7.11-21), a oferta pelo pecado (Lv 4.1—5.13; 6.24-30), e a oferta pela culpa (Lv 5.14—6.7; 7.1-10).

(4) Além das ofertas prescritas, os israelitas podiam apresentar outras ofertas voluntárias ao Senhor. Algumas destas eram repetidas em tempos determinados (ver Lv 22.18-23; Nm 15.3; Dt 12.6,17), ao passo que outras eram ocasionais. Quando, por exemplo, os israelitas empreenderam a construção do Tabernáculo no monte Sinai, trouxeram liberalmente suas oferendas para a fabricação da tenda e de seus móveis (ver Êx 35.20-29).

Ficaram tão entusiasmados com o empreendimento, que Moisés teve de ordenar-lhes que cessassem as oferendas (Êx 36.3-7). Nos tempos de Joás, o sumo sacerdote Joiada fez um cofre para os israelitas lançarem as ofertas voluntárias a fim de custear os consertos do templo, e todos contribuíram com generosidade (2Rs 12.9,10). Semelhantemente, nos tempos de Ezequias, o povo contribuiu generosamente às obras da reconstrução do templo (2Cr 31.5-19).

(5) Houve ocasiões na história do AT em que o povo de Deus reteve egoisticamente o dinheiro, não repassando os dízimos e ofertas regulares ao Senhor. Durante a reconstrução do segundo templo, os judeus pareciam mais interessados na construção de suas propriedades, por causa dos lucros imediatos que lhes trariam, do que nos reparos da Casa de Deus que se achava em ruínas. Por causa disto, alertou-lhes Ageu, muitos deles estavam sofrendo reveses financeiros (Ag 1.3-6). Coisa semelhante acontecia nos tempos do profeta Malaquias e, mais uma vez, Deus castigou seu povo por se recusar a trazer-lhe o dízimo (Ml 3.9-12).

A ADMINISTRAÇÃO DO NOSSO DINHEIRO.

Os exemplos dos dízimos e ofertas no AT contêm princípios importantes a respeito da mordomia do dinheiro, que são válidos para os crentes do NT.

(1) Devemos lembrar-nos que tudo quanto possuímos pertence a Deus, de modo que aquilo que temos não é nosso: é algo que nos confiou aos

cuidados. Não temos nenhum domínio sobre as nossas posses.

(2) Devemos decidir, pois, de todo o coração, servir a Deus, e não ao dinheiro (Mt 6.19-24; 2Co 8.5). A Bíblia deixa claro que a cobiça é uma forma de idolatria (Cl 3.5).

(3) Nossas contribuições devem ser para a promoção do reino de Deus, especialmente para a obra da igreja local e a disseminação do evangelho pelo mundo (1Co 9.4-14; Fp 4.15-18; 1Tm 5.17,18), para ajudar aos necessitados (Pv 19.17; Gl 2.10; 2Co 8.14; 9.2), para acumular tesouros no céu (Mt 6.20; Lc 6.32-35) e para aprender a temer ao Senhor (Dt 14.22,23).

(4) Nossas contribuições devem ser proporcionais à nossa renda. No AT, o dízimo era calculado em uma décima parte. Dar menos que isto era

desobediência a Deus. Aliás equivalia a roubá-lo (Ml 3.8-10). Semelhantemente, o NT requer que as nossas contribuições sejam proporcionais

àquilo que Deus nos tem dado (1Co 16.2; 2Co 8.3,12; ver 2Co 8.2 nota).

(5) Nossas contribuições devem ser voluntárias e generosas, pois assim é ensinado tanto no AT (ver Êx 25.1,2; 2Cr 24.8-11) quanto no NT (ver 2Co 8.1-5,11,12). Não devemos hesitar em contribuir de modo sacrificial (2Co 8:3), pois foi com tal espírito que o Senhor Jesus entregou-se por nós (ver 2Co 8.9 nota). Para Deus, o sacrifício envolvido é muito mais importante do que o valor monetário da dádiva (ver Lc 21.1-4 nota).

(6) Nossas contribuições devem ser dadas com alegria (2Co 9.7). Tanto o exemplo dos israelitas no AT (Êx 35.21-29; 2Cr 24.10) quanto o dos cristãos macedônios do NT (2Co 8.1-5) servem-nos de modelos.

(7) Deus tem prometido recompensar-nos de conformidade com o que lhe temos dado (ver Dt 15.4; Ml 3.10-12; Mt 19.21; 1Tm 6.19; ver 2Co 9.6
nota).

Fonte: Bíblia de Estudo Pentecostal - CPAD.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje e eternamente



Por Valdemir Pires Moreira

“Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13.8)

Introdução

O autor da carta aos hebreus, se expressa de maneira muito firme quando deixa bem claro, a imutabilidade do no nosso Mestre Jesus, pois Ele não muda, e é o mesmo ontem (passado), Ele é o mesmo hoje (presente) e Ele é o mesmo eternamente (futuro).

I. Jesus Cristo, ontem:

1. Nos fala do Jesus histórico, do qual os relatos bíblicos nos dão informações seguras de sua vida.

É o Jesus que é conhecido pelos demônios (Mt 8.29).

É o Jesus que percorria as aldeias, sinagogas a ensinar e a curar (Mt 9.35).

É o Jesus que nos mostrou o caminho a ser seguido (Mt 7.13), qual o caminho estreito (Jo 14.6).

É o Jesus que foi escarnecido por nossa culpa (Mt 26.67,68).

É o Jesus que foi mesmo pendurado na cruz, rogou ao Pai perdão por seus inimigos (Lc 23.34).

A fé que vivemos é fundada em fatos, e não em mitos. São muitos aqueles que atacam a Jesus, com argumentos contrários a sua existência. Mas se Ele não existiu por que tanta preocupação? Não a escapatória o nosso redentor vive.

II. Jesus Cristo, hoje:

2. Nos fala do Jesus presente em todo o tempo, que ministra ao seu povo hoje.

É o Jesus de todos os dias, sempre presente em nossas vidas (Mt 28.20).

III. Jesus Cristo, sempre (eternamente):

3. Nos fala de Jesus, o Cristo da profecia. Aquele que é eterno, que não tem começo nem fim.

É o Jesus que cumprirá toda a sua palavra (Mt 24.35).

É o Jesus que voltará um dia (At 1.11).

É o Jesus que virá buscar o seu povo (1 Ts 4.16,17).

Conclusão

Portanto, meus irmãos é o Senhor o nosso ajudador ontem, hoje e eternamente. Amém.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Pentecostais? Uma analise da doutrina da cura divina pregada pelos verdadeiros pentecostais




Por Valdemir Pires Moreira

São muitas as igreja chamadas de “pentecostais” que no decorrer dos tempos têm transmitido um ensinamento fantasioso e ante bíblico quanto à doutrina da cura divina. Igrejas que se dizem “assembleianas” e pastores que se dizem pertencentes do movimento pentecostal, que na realidade não passam de meninos espirituais e na maioria das vezes se constituem em falsos mestres, fazem da doutrina da cura divina um meio para com suas invencionices lotarem a igreja e enganar as pessoas com promessas de curas e milagres e qualquer hora e qualquer momento.

Gostaria de apresentar a esses um resumo do que é realmente a doutrina da cura divina. Todo e verdadeiro cristão chamado de pentecostal, honra os nossos teólogos pentecostais, como também fazem a observância do que diz a nossa Bíblia de Estudo Pentecostal que não foi elaborada por meninos e nem por malucos, mas por homens de Deus. Segue-se o estudo sobre cura divina que pode ser encontrado em nossa Bíblia de Estudo Pentecostal.

A CURA DIVINA

Mt 8.16,17 “E, chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele, com a sua palavra, expulsou deles os espíritos e curou a todos os que estavam enfermos, para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças.”

A PROVISÃO REDENTORA DE DEUS.

(1) O problema das enfermidades e das doenças está fortemente vinculado ao problema do pecado e da morte, i.e., às consequências da queda. Enquanto a ciência médica considera as causas das enfermidades e das doenças em termos psicológicos ou psicossomáticos, a Bíblia apresenta as causas espirituais como sendo o problema subjacente ou fundamental desses males. Essas causas são de dois tipos: (a) O pecado, que afetou a constituição física e espiritual do homem (e.g., Jo 5.5,14), e (b) Satanás (e.g., At 10.38; cf. Mc 9.17, 20.25; Lc 13.11; At 19.11,12).

(2) A provisão de Deus através da redenção é tão abrangente quanto as conseqüências da queda. Para o pecado, Deus provê o perdão; para a morte, Deus provê a vida eterna, e a vida ressurreta; e para a enfermidade, Deus provê a cura (cf. Sl 103.1-5; Lc 4.18; 5.17-26; Tg 5.14,15). Daí, durante a sua vida terrestre, Jesus ter tido um tríplice ministério: ensinar a Palavra de Deus, pregar o arrependimento (o problema do pecado) e as bênçãos do reino de Deus (a vida) e curar todo tipo de moléstia, doença e enfermidade entre o povo (4.23,24).

A REVELACÃO DA VONTADE DE DEUS SOBRE A CURA.

A vontade de Deus no tocante à cura divina é revelada de quatro maneiras principais nas Escrituras.

(1) A declaração do próprio Deus. Em Êx 15.26 Deus prometeu saúde e cura ao seu povo, se este permanecesse fiel ao seu concerto e aos seus mandamentos (ver Êx 15.26, nota). Sua declaração abrange dois aspectos: (a) “Nenhuma das enfermidade porei sobre ti [como julgamento], que pus sobre o Egito”; e (b) “Eu sou o SENHOR, que te sara [como Redentor]”. Deus continuou sendo o Médico dos médicos do seu povo, no decurso do AT, sempre que os seus sinceramente se dedicavam a buscar a sua face e obedecer à sua Palavra (cf. 2Rs 20.5; Sl 103.3).

(2) O ministério de Jesus. Jesus, como o Filho encarnado de Deus, era a exata manifestação da natureza e do caráter de Deus (Hb 1.3; cf. Cl 1.15; 2.9). Jesus, no seu ministério terreno (4.23,24; 8.14-16; 9.35; 15.28; Mc 1.32-34,40,41; Lc 4.40; At 10.38), revelava a vontade de Deus na prática (Jo 6.38; 14.10), e demonstrou que está no coração, na natureza e no propósito de Deus curar todos os que estão enfermos e oprimidos pelo diabo.

(3) A provisão da expiação de Cristo. (Is 53.4,5; Mt 8.16,17; 1Pe 2.24). A morte expiatória de Cristo foi um ato perfeito e suficiente para a redenção do ser humano total — espírito, alma e corpo. Assim como o pecado e a enfermidade são os gigantes gêmeos, destinados por Satanás para destruir o ser humano, assim também o perdão e a cura divina vêm juntos como bênçãos irmanadas, destinadas por Deus para nos redimir e nos dar saúde (cf. Sl 103.3; Tg 5.14-16). O crente deve prosseguir com humildade e fé e apropriar-se da plena provisão da expiação de Cristo, inclusive a cura do corpo.

(4) O ministério contínuo da igreja. Jesus comissionou seus doze discípulos para curar os enfermos, como parte da sua proclamação do reino de Deus (Lc 9.1,2,6).

Posteriormente, Ele comissionou setenta discípulos para fazerem a mesma coisa (Lc 10.1, 8,9, 19). Depois do dia de Pentecoste o ministério de cura divina que Jesus iniciara teve prosseguimento através da igreja primitiva como parte da sua pregação do evangelho (At 3.1-10; 4.30; 5.16; 8.7; 9.34; 14.8-10; 19.11,12; cf. Mc 16.18; 1Co 12.9,28,30; Tg 5.14-16). O NT registra três maneiras como o poder de Deus e a fé se manifestam através da igreja para curar: (a) a imposição de mãos (Mc 16.15-18; At 9.17); (b) a confissão de pecados conhecidos, seguida da unção do enfermo com óleo pelos presbíteros (Tg 5.14-16); e (c) os dons espirituais de curar concedidos à igreja (1Co 12.9).

Note que são os presbíteros da igreja que devem cuidar desta “oração da fé”.

IMPEDIMENTOS À CURA.

Às vezes há, na própria pessoa, impedimentos à cura divina, como: (1) pecado não confessado (Tg 5.16); (2) opressão ou domínio demoníaco (Lc 13.11-13); (3) medo ou ansiedade aguda (Pv 3.5-8; Fp 4.6,7); (4) insucessos no passado que debilitam a fé hoje (Mc 5.26; Jo 5.5-7); (5) o povo (Mc 10.48); (6) ensino antibíblico (Mc 3.1-5; 7.13); (7) negligência dos presbíteros no que concerne à oração da fé (Mc 11.22-24; Tg 5.14-16); (8) descuido da igreja em buscar e receber os dons de operação de milagres e de curas, segundo a provisão divina (At 4.29,30; 6.8; 8.5,6; 1Co 12.9,10,29-31; Hb 2.3,4); (9) incredulidade (Mc 6.3-6; 9.19, 23,24); e (10) irreverência com as coisas santas do Senhor (1Co 11.29,30). Casos há em que não está esclarecida a razão da persistência da doença física em crentes dedicados (e.g., Gl 4.13,14; 1Tm 5.23; 2Tm 4.20). Noutros casos, Deus resolve levar seus amados santos ao céu, durante uma enfermidade (cf. 2Rs 13.14,20).

O QUE DEVEMOS FAZER QUANDO EM BUSCA DA CURA DIVINA.

O que deve fazer o crente quando ora pela cura divina para si?

(1) Ter a certeza de que está em plena comunhão com Deus e com o próximo (6.33; 1Co 11.27-30; Tg 5.16; ver Jo 15.7 nota).

(2) Buscar a presença de Jesus na sua vida, pois é Ele quem comunica ao coração do crente a necessária fé para a cura (Rm 12.3; 1Co 12.9; Fp 2.13; ver Mt 17.20, nota sobre a fé verdadeira).

(3) Encher sua mente e coração da Palavra de Deus (Jo 15.7; Rm 10.17).

(4) Se a cura não ocorre, continuar e permanecer nEle (Jo 15.1-7), examinando ao mesmo tempo sua vida, para ver que mudanças Deus quer efetuar na sua pessoa.

(5) Pedir as orações dos presbíteros da igreja, bem como dos familiares e amigos (Tg 5.14-16).

(6) Assistir a cultos em que há alguém com um autêntico e aprovado ministério de cura divina (cf. At 5.15,16; 8.5-7).

(7) Ficar na expectativa de um milagre, i. e., confiar no poder de Cristo (7.8; 19.26).

(8) Regozijar-se caso a cura ocorra na hora, e ao mesmo tempo manter-se alegre, se ela não ocorrer de imediato (Fp 4.4,11-13).

(9) Saber que a demora de Deus em atender as orações não é uma recusa dEle às nossas petições. Às vezes, Deus tem em mente um propósito maior, que ao cumprir-se, resulta em sua maior glória (cf. Jo 9.13; 11.4, 14,15, 45; 2Co 12.7-10) e em bem para nós (Rm 8.28).

(10) Reconhecer que, tratando-se de um crente dedicado, Deus nunca o abandonará, nem o esquecerá. Ele nos ama tanto que nos tem gravado na palma das suas mãos (Is 49.15,16).

Nota: A Bíblia reconhece o uso apropriado dos recursos médicos (9.12; Lc 10.34; Cl 4.14).

Fonte; Bíbia de Estudo Pentecostal - CPAD.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Os discípulos são o sal da terra e a luz do mundo (Mateus 5.13-16)




Por Valdemir Pires Moreira


Introdução

 
Uma das maneiras de interpretar retamente as Sagradas Escrituras é buscar dentro de seu texto e contexto o real significado das palavras. Para que em seguida possamos aplicá-las ao nosso dia a dia. Vejamos os significados nos tempos bíblicos, do sal e da luz no texto de Mateus 5.13-16.

O Sal

αλας = halas = sal

Na antiguidade o sal possuía um valor muito grande. Os gregos costumavam dizer que o sal era divino. Os romanos, em uma frase que em latim era algo como uma das rimas comerciais da atualidade, diziam: “Nada é mais útil que o sol e o sal” (Nil utilis sole et sale).

Os romanos diziam que o sal era o mais puro do mundo porque procedia das duas coisas mais puras que existem: o sol e o mar. O sal é a oferenda mais antiga dos homens aos deuses, e até o final do culto sacrificial judeu toda oferenda era acompanhada de um pouco de sal (Lv 2.13; Nm 18.19; Ed 6.9; Ez 43.24).

Usava-se o sal para impedir que os mantimentos, e outras coisas, apodrecessem ou se corrompessem, para deter o processo de putrefação. Plutarco diz tudo isto de uma maneira extremamente curiosa: “A carne – afirma – é um corpo morto, e forma parte de um corpo morto, e se for deixada entregue a si mesma muito em breve perde a frescura; mas o sal a preserva e impede sua corrupção”. Portanto, segundo Plutarco, o sal é como uma nova alma inserida no corpo morto. (Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento)

O sal era tão valioso na época do Novo Testamento que os soldados romanos frequentemente recebiam os seus salários em sal. Ele era usado como condimento, como conservante, como fertilizante e até mesmo como remédio. (Comentário Bíblico Histórico Cultural do Novo Testamento – Lawrence O. Richards – CPAD).

No tempo de Jesus, o sal (obtido às margens do mar Morto ou de pequenos lagos na beira do deserto da Síria) facilmente adquiria um gosto insosso e mofado por causa da mistura maior de gesso ou restos de plantas. Por isso não podia ficar muito tempo armazenado. (Evangelho de Mateus, Comentário Esperança – Fritz Rienecker).

O talmude mostra que sal que não era puro e útil para ser usado nos ritos dos sacrifícios (que eram oferecidos com sal), era lançado nos degraus e declives ao redor do templo para impedir que o terreno se tornasse escorregadio, e assim era pisado pelos homens. Também houve instancias do uso do sal na pavimentação de estradas. Assim também, a religião sem autenticidade dificilmente tem o uso digno para os discípulos de Jesus ou para o mundo em geral. (O NT comentado versículo por versículo – R.N. Champlin – Hagnos).



A Luz

φως = phos = luz

As cidades antigas eram construídas com calcário branco, e desta forma reluziam com a luz do sol. Lâmpadas eram mantidas acesas durante toda a noite, dispostas em lugares altos. As duas imagens nos lembram de que a “luz” não deve ficar escondida. Cristo deixa clara sua analogia. Os atos justos dos cidadãos são as luzes que fazem o reino visível a todos. (Comentário Bíblico Histórico Cultural do Novo Testamento – Lawrence O. Richards – CPAD).

O interior das casas palestinenses era muito escuro, pois tinham apenas uma abertura circular, de uns trinta ou quarenta centímetros de diâmetro, como única fonte de iluminação durante o dia. As lâmpadas que se usavam eram recipientes de barro, com a forma de molheiras, cheias de azeite no qual flutuava a mecha.

Antes de existissem fósforos não era muito fácil reacender um abajur quando apagava. Quase sempre o abajur estava colocado sobre um candelabro, que na maioria dos casos não era mais que um tronco de madeira rusticamente trabalhado. Mas quando se saía da casa, por razões de segurança, o abajur era colocado, aceso, debaixo de uma vasilha, também de barro; deste modo se assegurava que não produziria um incêndio durante a ausência dos donos de casa. A missão primitiva da luz do abajur era ser vista por todos.

Quando há algum perigo no caminho, e é de noite, acende-se uma luz para nos advertir e fazer com que nos detenhamos. Muitas vezes o dever do cristão é advertir a outros do perigo que os espreita. Isto é muito delicado, e às vezes é tremendamente difícil saber como transmitir a advertência para que produza o bem desejado; mas uma das tragédias mais amargas é quando um jovem, especialmente, aproxima-se de nós e nos diz: "Eu nunca teria me encontrado na situação em que estou se alguém me tivesse advertido a tempo do perigo."

Diz-se que Florence Allshorn, a famosa professora, diretora de escola e mística cristã, quando tinha a obrigação de repreender a alguma de suas alunas, o fazia "com seu braço sobre os ombros da transgressora". Se transmitirmos nossas advertências sem nos zangar nem nos mostrar irritados, sem a vontade de ferir, sem uma atitude crítica ou condenatória, mas com amor, obteremos nosso objetivo. A luz que fica visível, a luz que adverte do perigo, a luz que indica o caminho, estas são as classes de luz que deve ser o cristão. (Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento)

Na terminologia dos rabinos, vemos que a “luz” se refere a Deus, a Israel, à Torah e a outros elementos importantes de sua religião. Davi foi chamado de Luz de Israel (2 Sm 21.17). E os seus descendentes são designados luzes em 1 Rs 11.36; Sl 132.17; Lc 2.32.

A passagem de Levíticos 14.3 tem uma interessante citação que não difere do uso que Jesus deu aqui à luz. “Sede luzes de Israel, mais puros que todos os gentios...Que farão todos os gentios, se fordes obscurecidos por transgressões?” A luz, à semelhança do sal, deve ser útil. A luz deve brilhar livremente, sem qualquer empecilho.

Leão Tolstoi queixou-se de que os cristãos, na Rússia de seus dias, deixavam-no sem convicção e inabalável. Disse que somente suas “ações”, e não suas palavras, poderiam modificar os temores da pobreza, da enfermidade e da morte que o perseguiam. Orígenes relata uma história diferente sobre os crentes de seus dias, pois suas vidas, e não suas palavras eram o seu testemunho – invencível. (O NT comentado versículo por versículo – R.N. Champlin – Hagnos).



Fontes:

Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento

Comentário Bíblico Histórico Cultural do Novo Testamento – Lawrence O. Richards – CPAD

Evangelho de Mateus, Comentário Esperança – Fritz Rienecker

O NT comentado versículo por versículo – R.N. Champlin – Hagnos

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Qual a diferença do termo filho em Romanos 8.1-17?






Por Valdemir Pires Moreira



teknon = teknon = filho (Rm 8.15,16)

A palavra filho usada no Novo Testamento vem de duas palavras gregas: teknon e huios. Uma boa definição para a palavra teknon é "aquele que é filho meramente por nascimento". Encontramos teknon em Romanos 8.15,16. A passagem diz que, por causa do espírito de adoção que recebemos, "o próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos = teknon de Deus". Quando reconhecemos Jesus Cristo como Senhor e Salvador de nossas vidas, nos tornamos filhos de Deus por intermédio da experiência do novo nascimento (Jo 1.12).

uiov = huios = filho (Rm 8.14)

A outra palavra para tradução de filhos no Novo Testamento é huios. É usada no Novo Testamento para descrever "aquele que pode ser identificado como filho porque apresenta caráter ou características de seus pais".

Dessa forma, a palavra grega teknon significa, de forma simplificada, "bebês ou filhos imaturos", e a palavra grega huios é freqüentemente usada para descrever "filhos maduros".

Vejamos Romanos 8.14: "Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos = huios de Deus”.

Comprendemos apartir desse texto, que os filhos maduros são aqueles guiados pelo Espírito de Deus. Os crentes imaturos têm menos probabilidade de seguir a liderança do Espírito de Deus.

A Bíblia diz: "Embora sendo Filho = Huios aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu" (Hb 5.8, grifos acrescidos). O crescimento físico é algo que acontece paulatinamente. O crescimento intelectual é uma função do aprendizado. O crescimento espiritual não depende do tempo nem do aprendizado, mas de uma obediência firme da vontade de Deus.

Veja o que Pedro diz em sua peimeira carta: “Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado” ( 1 Pe 4.1- Destaque acrescido).

Fonte:

A Isca de Satanás – John Bevere – Editora Atos

Dicionário Vine – CPAD.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Qual a interpretação do termo agulha em Mateus 19.16-24; Mc 10.17-24 e Lc 18.18-25



Mateus 19.16-24; Marcos 10.17-24; Lucas 18.18-25

O jovem rico




Introdução

São muitos os que defendem nessas passagens, que o termo “agulha” se refere à porta de uma cerca por onde era impossível passar uma pessoa, imagine um camelo. No entanto essa interpretação não vem a ser a mais aceita, por motivo de faltar evidências que comprovem a existencia dessa porta. No entanto, uma das regras da hermenêutica é que a Bíblia deve ser interpretada gramaticalmente. E para isso devemos nos valer, de dicionários da língua grega, para que venhamos interpretar os termos bíblicos de acordo com a mente do autor. A maioria dos teólogos defendem a ideia, de que Jesus estava se referindo literalmente uma agulha. Vejamos a seguir as explicações:


Agulha


ραφίς = rhaphis = agulha (Mt 19.16-24; Mc 10.17-24)


βελόνη = belone = agulha (Lc 18.18-25)

O caso do jovem rico iluminou em forma vívida e trágica o perigo das riquezas; aqui vemos um homem que tinha pronunciado um grande rechaço porque tinha muitas posses. Jesus passa a sublinhar esse perigo. "É difícil", disse, "que um homem rico entre no reino dos céus." Usou um símile muito eloquente para ilustrar quão difícil seria. Disse que era tão difícil que um rico entrasse no reino dos céus quanto um camelo passar pelo fundo de uma agulha.

1. A agulha seria uma porta?

Deram-se diferentes interpretações destas palavras de Jesus. O camelo era o maior animal que os judeus conheciam. Afirma-se que nas cidades muradas costumava haver duas portas. A porta principal pela qual passava todo o comércio e o trânsito, junto a ela costumava haver uma porta baixa e estreita. Quando se fechava a porta principal, era fechada com ferrolhos e se montava guarda durante toda a noite, e a única forma de entrar na cidade era pela porta pequena pela qual nem sequer as pessoas podiam passar de pé. Diz-se que às vezes se chamava essa porta de "o olho da agulha". De maneira que nessa imagem Jesus diz que é tão difícil para um rico entrar no reino dos céus como para um camelo passar por essa porta pequena, pela qual somente os homens podiam passar.

2. Jesus estava se referindo literalmente a uma agulha.

Mas o mais provável é que Jesus tenha empregado a imagem em seu sentido literal, e que dissesse que era tão difícil um homem rico entrar no reino como um camelo passar pelo fundo de uma agulha.

O fundo de uma agulha têm significado literal, comprovado por um provérbio talmúdico semelhante usado com a figura de um elefante. A comparação teve a intenção de mostrar uma impossibilidade, citando a maior das bestas conhecidas na Palestina e a menor das aberturas.

Na literatura judaica há a declaração que nem em seus sonhos um homem vê uma palmeira de ouro ou um elefante a passar pelo fundo de uma agulha (T. Bab. Beracot, fol. 55.2)

A ideia de que o “fundo de uma agulha” é um pequeno portão, ao lado do grande portão da cidade, e que seria usado após o cair da noite, e que um camelo carregado só poderia penetrar se ajoelhando a arrastar-se, parece datar de cerca do século XV. Os intérpretes frisam a impossibilidade dessa ideia, explicando que tal portão não poderia admitir um camelo, carregando ou descarregando; e certamente nenhum camelo consegue andar arrastando-se de joelhos. Na cultura judaica original, a declaração trazia um elefante em lugar do camelo; e em ambos os casos, o animal é visto a tentar passar pelo buraco de uma agulha. Naturalmente, isso é impossível, fazendo parte de uma hipérbole oriental (Cf. João 20.31, onde a hipérbole é anotada). Jesus falou de uma “monstruosa impossibilidade”, a fim de destacar uma “dificílima realização espiritual”. O que ele quis dizer tem claro sentido, e não precisa ser emendado.

Nos textos de Mateus e Marcos encontramos a palavra grega, ραφίς = rhaphis = agulha. Aqui a palavra agulha refere-se especificamente à agulha de costura.

No entanto no texto de Lucas encontramos outra palavra grega para agulha, βελόνη = belone. Lucas usa a palavra que se refere a uma agulha cirúrgica. Tentativas de explicar estas palavras como uma confusão entre os termos camelo (gr. kamelos) e corda (kamilos); ou com o uso figurado da frase significando uma portinha no muro da cidade não tem sido convincentes. Jesus estava usando uma expressão hiperbólica comum para mostrar como seria difícil para um homem rico aceitar o seu discipulado e entrar no reino de Deus.

Orlando Boyer, em sua Pequena Enciclopédia Bíblica, diz: “Encontra-se a palavra agulha em Mt 19.24; Mc 10.25 e Lc 18.25. Não há prova de existir uma porta pequena, chamada agulha (rhaphís) no muro da cidade de Jerusalém. Nem a razão para pensar que Cristo se referia a tal. O fundo duma agulha representava a menor abertura que se podia fazer. Cristo se referia ao instrumento comum, usado para bordar ou coser, Êx 26.36; Ec 3.7; Ez 13.18; Mc 2.21”.

Fontes de pesquisa:

Comentário Bíblico Moody do Novo Testamento.

O Novo Testamento comentado versículo por versículo – R.N. Champlin – Hagnos.

Pequena Enciclopédia Bíblica – Orlando Boyer – Vida Acadêmica.



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Jesus, o remédio para uma igreja enferma



Pastoral


Alguns estudiosos da Bíblia, dentre as fileiras do Dispensacionalismo, afirmam que as setes igrejas da Ásia Menor são um símbolo dos sete períodos da história da igreja, assim classificados: Éfeso simboliza a igreja apostólica; Esmirna, a igreja dos mártires; Pérgamo, a igreja oficial dos tempos de Constantino; Tiatira, a igreja apóstata da Idade Média; Sardes, a igreja da Reforma; Filadélfia, a igreja das missões modernas e Laodicéia, a igreja contemporânea. Essa classificação, entretanto, não tem qualquer amparo histórico nem qualquer fundamentação bíblica.

Jesus elogia duas dessas igrejas: Esmirna e Filadélfia, mesmo sendo a primeira pobre e a segunda fraca. Quatro delas recebem elogios e censuras: Éfeso, Pérgamo, Tiatira e Sardes. A última, Laodicéia, só recebe censuras e nenhum elogio. Algumas lições podemos aprender com essas igrejas:

1. Jesus conhece profundamente a sua igreja.
Jesus está no meio da igreja e anda no meio dela. Para cinco dessas igrejas (Éfeso, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia) Jesus disse: “Eu conheço as tuas obras”. Para a igreja de Esmirna Jesus disse: “Eu conheço a tua tribulação” e a para a igreja de Pérgamo, Jesus disse: “Eu conheço o lugar onde habitas, onde está o trono de Satanás”. Jesus conhece as obras da igreja, os sofrimentos da igreja e o lugar onde a igreja está estabelecida.

2. Jesus não se impressiona com aquilo que impressiona a igreja.
O diagnóstico de Jesus difere da nossa avaliação. O que nos impressiona, não impressiona a Jesus. À pobre igreja de Esmirna Jesus disse: “Tu és rica”; mas à rica igreja de Laodicéia Jesus disse: “Tu és pobre”. A riqueza de uma igreja não está na beleza do seu santuário nem na pujança de seu orçamento, mas na vida espiritual de seus membros. À igreja de Sardes que dá nota máxima para sua espiritualidade, julgando-se uma igreja viva, Jesus diz: “Tu estás morta”. À igreja de Filadélfia que tinha pouca força, Jesus diz: “Eu coloquei uma porta aberta diante de ti”.

3. Jesus não se contenta com doutrina sem amor nem com amor sem doutrina.
Jesus elogia a igreja de Éfeso por sua fidelidade doutrinária, mas a reprova pelo abandono do seu primeiro amor. A igreja de Éfeso era ortodoxa, mas faltava-lhe piedade. Tinha teologia boa, mas não devoção fervorosa. Por outro lado, Jesus elogia a igreja de Tiatira pelo seu amor, mas a reprova pela sua falta de zelo na doutrina. A igreja tinha obras abundantes, mas estava tolerando o ensino de uma falsa profetisa. Não podemos separar a ortodoxia da piedade nem a doutrina da prática do amor.

4. Jesus sempre se apresenta como solução para os males da igreja.
A restauração da igreja não está na busca das novidades do mercado da fé, mas em sua volta para Jesus. Ele é o remédio para uma igreja enferma, o tônico para uma igreja fraca e o caminho para uma igreja transviada. À igreja de Sardes, onde havia morte espiritual, Jesus se apresenta como aquele que tem os sete Espíritos de Deus, para reavivá-la. À igreja de Esmirna que enfrenta a perseguição e o martírio, Jesus se apresenta como aquele que venceu a morte. Jesus é plenamente suficiente para suprir as necessidades da sua igreja, plenamente poderoso para restaurar a sua igreja e plenamente gracioso para galardoar a sua igreja.

5. Jesus se apresenta à sua igreja para fazer alertas e também promessas.
Para todas as igrejas Jesus faz solenes alertas e também generosas promessas. Andar pelos atalhos da desobediência é receber o chicote da disciplina e permanecer no pecado é receber o mais solene juízo. Mas permanecer na verdade é ser vencedor. Arrepender-se e voltar-se para Deus é receber do Filho de Deus as mais gloriosas promessas de bênçãos no tempo e na eternidade, na terra e no céu!


Rev. Hernandes Dias Lopes

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Quando o milagre torna-se banal







Por Claudionor Corrêa de Andrade

INTRODUÇÃO

Encontrava me a lecionar, certa vez, acerca da Teologia do Avivamento, quando me vi constrangido a responder a uma pergunta que já vai criando ranço em nossos arraiais: "Por que os milagres já não se repetem hoje como outrora?" Embora teologicamente justificável, tal curiosidade não procede. Histórica e biblicamente, não procede.

Revirando o Antigo Testamento e já no Testamento Novo, há de se verificar que semelhante preocupação não é nova. Era já manifestada nos dias dos salmos.

Nesses dias antigos e quase imemoriais, quando a inspiração do Espírito Santo fazia se sentir nas escrituras que se iam lavrando, e quando os milagres do Êxodo e os de Canaã ainda podiam ser recordados sem a ajuda de qualquer registro; sim, nesses dias encanecidos, o saudosismo já se fazia coevo. Eis a queixa que os filhos de Coré endereçam ao Senhor: “Ouvimos, ó Deus, com os próprios ouvidos: nossos pais nos têm contado o que outrora fizeste, em seus dias (Sl 44.1).

Para o Israel daqueles dias, a pergunta também era teologicamente justificável. Histórica e escrituristicamente, não. Encontravam se os israelitas na mesma situação em que nos achamos. Sentiam um vazio mui grande e desconfortável. Não era vazio de milagres. É algo bem mais grave; doentiamente crônico. Antes que entremos a descobrir a etiologia dessa enfermidade, vejamos o que é o milagre.

I. O QUE É O MILAGRE

Na versão revista e atualizada da Bíblia de Almeida, a palavra milagre pode ser encontrada pelo menos 23 vezes. Originando se do vocábulo latino miraculum, etimologicamente significa espanto, assombro. Explica nos Silveira Bueno que a forma portuguesa da palavra surgiu com os antigos cancioneiros. É atribuída à influência dos monges cluniacenses que a trouxeram de França.

Classicamente, o milagre é definido como a suspensão, ou derrogação, temporária das leis da natureza por uma força sobrenatural. Mario Ferreira dos Santos aprofunda se no assunto: "Fato ou acontecimento que ultrapassa a natureza de uma coisa ou de um conjunto de coisas, um fato, em suma, sobrenatural (ou extranatural) e que exige, portanto, para a sua explicação, a aceitação de uma causa eficiente, que não pode pertencer à natureza de nenhuma das coisas finitas, sendo, portanto, atribuído à divindade. Por extensão, e em sentido popular, todo fato extraordinário, para o qual não é encontrada uma explicação satisfatória".

É do professor Maximilian Rast a próxima definição: "O milagre é um acontecimento perceptível e extraordinário que, ultrapassando as forças meramente naturais, tem em Deus seu autor imediato ou mediato. Só recebe o nome de milagre o acontecimento sobrenatural manifesto, perceptível".

II. QUANDO O MILAGRE TORNA SE BANAL

Não obstante os espantos e admirações que nos arranca o milagre, pode levar nos à saturação. É extraordinário, mas tende a viciar nos os sentidos do corpo e os da alma. Derroga as leis da natureza, induz nos porém a enfadar nos de suas performances. Abre nos as portas ao sobrenatural, todavia nem sempre consegue desarraigar nos das mesmices espirituais. Nem sempre a ocorrência de milagres denota avivamento; a característica principal deste é o amor a Cristo que nunca deixa de ser primeiro. Amamos a Jesus não pelos sinais e maravilhas que opera; amamo-lo pelo sacrifício do Calvário que ousou por todos nós.

Se não tomarmos cuidado, pode o milagre encaminhar nos até mesmo à incredulidade.

Mostre se embora paradoxal, essa assertiva é teológica, histórica e biblicamente mais que justificável. É só adentrar os diversos pavilhões do Livro Santo para se lhe comprovar a validade.

No Antigo Testamento, nenhuma geração presenciou tantos milagres como aquela que Moisés arrancara ao cativeiro. Maravilhas no Egito. Prodígios na travessia do Mar Vermelho. Sinais e portentos no deserto. Nenhuma outra gente jamais assistira, ou assistiria, a tantos atos sobrenaturais. O mesmo Deus o testemunha: “Eis que faço uma aliança; diante de todo o teu povo farei maravilhas que nunca se fizeram em toda a terra, nem entre nação alguma: de maneira que todo este povo, em cujo meio tu estás, veja a obra do Senhor; porque cousa terrível é o que faço contigo” (Êx 34.10).

As maravilhas e sinais. Os prodígios. Enfim, todos os milagres não foram suficientes para erradicar a incredulidade de Israel. Por quarenta anos divagaram os israelitas pelo deserto. Avançavam dunas e areais; regrediam na fé. Embora pisassem remansos, o chão de sua crença jamais perdeu aquela aridificação tão própria das terras do Faraó. E, agora, perto de Canaã, e já distantes do repouso divino.

Os israelitas já estavam enfadados do sobrenatural. Quando o maná cobriu pela primeira vez o arraial hebreu, causou espanto. Diante daquela maravilha que nem nome tinha, o povo resolveu colocar uma interrogação como apelido ao singular alimento.

Que é isto?

Era o que todos perguntavam.

E assim maná passou a designar o pão dos anjos. Não era propriamente pão; interrogação era. Israel alimentado por uma pergunta que jamais seria respondida! Pode haver maravilha maior? Contudo, o objetivo de Deus não era matar a curiosidade de Israel; mitigar lhe a fome era o seu desígnio.

Que é isto?

No primeiro dia, milagre. No segundo, ainda maravilha. No terceiro, não deixava de causar espécie. Mas os dias passaram e fizeram se semanas. Estas acharam se em meses. E, agora, o maná já serve de tropeço em Israel. O que era milagre, agora cansa Israel. Agora enfastia Israel. Ainda é maná. É ainda uma pergunta. Uma interrogação que não obteve resposta. E mesmo não elucidada, já não é sensação. E por causa desse milagre que se fez rotina às portas hebréias, Israel murmura. E, amargamente, murmura: “Agora, porém, seca se a nossa alma, e nenhuma cousa vemos senão este maná” (Nm 11.6).

Nessa queixa dos hebreus, não vemos apenas incredulidade. Há de se divisar aquela amargura tão própria de quem já se fez indiferente ao extraordinário. Tantos eram os milagres, que eles já não suportavam mais o sobrenatural. Pois a primeira coisa que viam, tão logo descerravam a cortina de suas tendas, era justamente o milagre.

Sim, o milagre estava lá!

Tudo branco. O pão dos anjos caía de madrugada, orvalhava o deserto e tornava ameno o arenal. Mesmo assim, o povo enfadara se do milagre.

III. A BUSCA DO NATURAL

Israel, agora, almeja o natural. Já anseia pela opressão do Egito: “Lembramo nos dos peixes que no Egito comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos” (Nm 11.5).

Como se pode desejar mais a opressão que os milagres? Mais a escravidão que as maravilhas do Senhor? Assim acontecia, assim acontece. Os sentidos de Israel já se achavam embotados pelo sobrenatural; pelos milagres contínuos, embotados.

A semelhança dos filhos de Israel, vemo nos também saturados de milagres. Embora perguntemos por estes, tememo los: eles trazem a glória de Deus. E nem sempre estamos preparados a aproximar nos do fumegante Sinai. O culto de Balaão, onde o carnal sempre acaba por sufocar o sobrenatural, exibe se mais conveniente.

Se ansiamos tão somente pelos sinais e maravilhas, já os vemos como um espetáculo à parte. E, assim, já não perguntamos para que servem. Mas não nos esqueçamos: em todas as manifestações sobrenaturais, há sempre uma pergunta a responder.

IV. A GRANDE PERGUNTA DE ORÍGENES

Milagre não é espetáculo. Ele acontece tendo em mira triplo objetivo: 1) glorificar o nome de Deus; 2) promover a doutrina apostólica; e: 3) fortalecer a fé aos santos. O milagre não ocorre para aguçar nos a curiosidade. Haja vista o que aconteceu a Herodes quando lhe enviaram a Jesus naquela noite de paixão e dor. Esperava o rei ver algum sinal por parte do Cristo, mas o Senhor silênciou.

O que buscava Herodes?

Um espetáculo! Era o que toda a Judéia, e em especial Jerusalém, buscara durante todo o ministério terreno de Cristo. Seguiam no os judeus não porque vissem nEle o Messias; e, sim, para assistir algo grandioso, que lhes excitasse os sentidos. Por isto, toda aquela geração, à semelhança dos contemporâneos de Moisés, morreu em suas iniqüidades. Sim, apesar dos incontáveis prodígios e maravilhas operados pelo Nazareno, pereceram na incredulidade que se vinha cristalizando desde que Israel saíra do Egito.

Às vezes, não entendemos por que o Cristo ressurrecto não se apresentou a Israel. Mas não é preciso rebuscar explicações para se concluir uma resposta. Houvera isto acontecido, teríamos certamente um grande espetáculo. Bastariam, porém, algumas semanas, e o milagre teria acabado por saturar os judeus como o maná impacientara a geração do Êxodo. E, assim, não vacilariam em matar novamente o Messias. Não intentaram fazer o mesmo ao Lázaro de Betânia?

Foi pensando na seriedade do milagre que nos aconselha Orígenes a fazer sempre esta pergunta quando da ocorrência de qualquer sinal ou prodígio: "Qual o seu objetivo?" Desta pergunta que, sem dúvida, nos levará a um laborioso exercício teológico, haveremos de obter uma solícita e gravíssima resposta.

Sim, qual o objetivo do milagre?

Se é para glorificar a Deus, é milagre; mas se tem por fim endeusar o homem, não. Se é para confirmar a fé aos féis, continua milagre; mas se tem por objetivo promover um espetáculo, não. Se é para referendar as verdades bíblicas e administrar os meios da graça, permanece milagre; mas se tem como alvo a promoção do efêmero, jamais será milagre. Se é para efetivar o avivamento, é milagre; mas se tem por meta aguçar os sentidos humanos, nunca será milagre.

Vejamos o caso de Moisés e Aarão diante do Faraó. Os servos de Deus visavam, com a demonstração de seus milagres, duas coisas: fortalecer a fé aos hebreus, e convencer a Faraó a deixar partir os filhos de Israel. Todavia, lá estava o rei do Egito pronto a resistir aos arautos de Jeová. Lá estava com os seus magos e adivinhos. Lá, os chefes das ciências ocultas: Janes e Jambres. Queria o egípcio apenas uma coisa: ostentar o poder trevoso de sua equipe. E, dessa maneira, promover um grande espetáculo que acabasse por perverter a fé aos filhos de Jacó.

Como vivemos hoje momentos difíceis, carecemos repetir a pergunta de Orígenes. Pois, infelizmente, nem todos os milagres são de Deus. No Apocalipse, por exemplo, vemos a besta e o falso profeta realizarem grandes sinais e maravilhas que enganarão toda a terra.

Diante do milagre, não vacilemos em perguntar: Qual o seu objetivo? Se glorificar o nome de Deus, é milagre. Caso contrário, não. Porque Deus não tem por objetivo promover espetáculos.

Espetáculo é para mimar os olhos; apenas a piedade há de fortalecer a crença. O verdadeiro milagre tem como motivação o amor, e não o exibicionismo barato e malévolo de alguns.

V. SOFRER OU FAZER MILAGRES?

Por que o autor da Epístola aos Hebreus detém se a mencionar apenas dois sucessos concernentes à peregrinação dos filhos de Israel – a travessia do Mar Vermelho e a derribada das muralhas de Jericó? Sendo que, entre ambos os eventos, houve muitos outros prodígios e maravilhas? Acerca destes, porém, cala se o apóstolo.

A resposta parece óbvia. O escritor sagrado limitou se a mencionar apenas esses dois episódios, pois outra coisa não fez Israel, durante os quarenta anos de suas andanças, senão sofrer o sobrenatural. Por isso, o batismo no Mar de Juncos e o sítio de Jericó foram tidos como atos de fé.

Na travessia do Mar Vermelho, os filhos de Deus puseram se em marcha até que se abrissem as ondas. Não estavam dispostos a sofrer o milagre; seu intento era fazê-lo acontecer. Israel vivia o seu primeiro avivamento! O mesmo se deu quando as tribos hebréias chegaram a Canaã. No Jordão, não padeceram o milagre; realizaram-no. Bastaram os pés dos levitas pisarem o caudaloso das águas para que se abrisse o rio. E, quando do sítio de Jericó, também não quiseram padecer o milagre. Rodearam a cidade seis dias. E, no sétimo, deitaram os muros todos por terra com o soar das trombetas. Israel retoma, aqui, as primícias de seu avivamento.

Não resta dúvida de que, em ambos os eventos, a operação foi divina, mas a iniciativa, humana. Inequivocadamente, humana. Isto se chama fé.

O milagre aconteceu. Mas a fé não se achava ausente. Ela estava lá; bem presente em todos aqueles atos e façanhas. Quanto às maravilhas havidas durante a peregrinação, pobres hebreus! Passaram quarenta anos sofrendo milagres e prodígios. E, como não tivessem fé, acabaram por naufragar no sobrenatural. Morreram em sua incredulidade: “E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade” (Hb 3.18,19).
Nas águas de Mara, sofreram o milagre. Na rocha, suportaram o milagre. No orvalhar do maná, padeceram o milagre. Enfim, em toda a sua peregrinação agiram passivamente no tocante ao milagre. Não é sem razão que a sua jornada é conhecida como a provocação do deserto.

CONCLUSÃO
Na Grande Comissão, o Senhor instiga a Igreja a fazer milagre. Exige ele que realizemos o sobrenatural: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura, quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas: pegarão em serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão" (Mc 16.15 18).

Se a Igreja se puser em marcha, com certeza todos os sinais a acompanharão, pois já é o Reino de Deus em movimento. Mas se parar, os milagres desaparecem. E, mesmo que aconteçam, dificilmente arrancarão o povo à sonolência espiritual. Quando evangeliza, a Igreja não sofre o milagre; realiza-o. Entretanto, se já não liga importância à Grande Comissão, cai no saudosismo. E como o saudosismo é prejudicial ao Reino de Deus!

Fonte: CPAD NEWS

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O PAPEL DA IGREJA NA EDUCAÇÃO CRISTÃ

A missão da igreja deve ser levada a cabo principalmente através do processo da educação cristã, porque devemos “ir e ensinar”. Portanto, a verdadeira natureza da educação cristã é obviamente missionária, pois devemos “ensinar todas as nações”. O conteúdo dessa missão, então, reside no próprio Cristo, pois “batizar as pessoas” indica a garantia da total submissão a Ele como Salvador e Senhor. Mas a missão não acaba aí. A frase “ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” convoca a um processo vitalício de crescimento no discipulado e na ação cristã. É mais do que simplesmente “recrutar” essas pessoas! E como o apóstolo Paulo, todo discípulo encontra-se continuamente “prosseguindo para o alvo” (Fp 3:14).

Se a igreja deve, então, ser tudo o que Cristo a chamou para ser, nós não podemos fugir do papel de ensinar. Esse papel não é unicamente satisfeito pela liderança da igreja, mas é a responsabilidade e o privilégio de cada membro dela. A igreja de Jesus Cristo é uma igreja que ensina!

A Educação Cristã faz parte do comissionamento de Jesus Cristo, o Mestre por excelência e detentor de toda a autoridade que lhe foi dada no céu e na terra. Ele disse: ”Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado.” (Mt 28.19-20). A ordem de Jesus compreende o anúncio das boas novas de salvação, a confirmação da aceitação da salvação pelo batismo, e o desenvolvimento da salvação através do ensino.

A Educação Cristã precisa ser parte da vida das famílias e da Igreja, e acontecer de maneira natural quando ministrada informalmente, e de forma criativa, interessante e motivadora quando direcionada para o alcance de um objetivo específico.

A Educação Cristã através da Igreja pode:

ALCANÇAR – A Educação Cristã é o instrumento que cada igreja possui para alcançar todos os grupos etários. (A audiência do culto à noite, além de ser heterogênea, não tem oportunidade de refletir, questionar e interiorizar o conteúdo recebido).

CONQUISTAR – Muitos são alcançados pelo evangelho, mas não permanecem em razão de não serem conquistados. A conquista acontece através do testemunho e da exposição da Palavra. Jesus afirmou: “serão todos ensinados por Deus...todo aquele que do pai ouviu e aprendeu vem a mim” (Jo 6.45). A conversão é perene quando acontece através do ensino.

ENSINAR – Estamos realmente ensinando aqueles que temos conquistado? Há quem diga que o ensino metódico e sistemático é contrário à espiritualidade. Isto não é verdade!
“O ensino das doutrinas e verdades eternas da Bíblia, na Igreja deve ser pedagógico e metódico como numa escola, sem, contudo, deixar de ser profundamente espiritual”.
Isto significa que devemos ensinar a Palavra de Deus com seriedade e esmero, apropriando-nos dos mais eficazes recursos educacionais que estejam à nossa disposição: “...se é ensinar haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7b).
O que é esmero? Significa integralidade de tempo no ministério: estar com a mente, o coração e a vida inteira nesse ministério. Ser professor é diferente de ocupar o cargo de professor. “Educação não é profissão, é vocação”.
“Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo” (Tg 3.1). (...) “vós sois a nossa glória e gozo” (1 Ts 2.20).

TREINAR – Devemos treinar nossos alunos, para que instruam a outros.


Por: Marcos Tuler

Contatos: (21) 9991-9952

prof.marcostuler@faecad.com.br

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A EFICÁCIA DO TESTEMUNHO CRISTÃO

LIÇÃO 6
07 de Agosto de 2011                                                               




Por Valdemir Pires Moreira

INTRODUÇÃO

Na antiguidade o sal possuía um valor muito grande. Os gregos costumavam dizer que o sal era divino. Os romanos, em uma frase que em latim era algo como uma das rimas comerciais da atualidade, diziam: "Nada é mais útil que o sol e o sal" (Nil utilius sole et sale). (Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento).

I. O CRISTÃO COMO SAL DA TERRA

O sal era tão valioso na época do NT que os soldados romanos frequentemente recebiam os seus salários em sal. Ele era usado como condimento, como conservante, como fertilizante e até mesmo como remédio. (Comentário Bíblico Histórico Cultural do Novo Testamento - Lawrence O. Richards – CPAD).

Indubitavelmente sua faiscante brancura fazia com que a associação fosse fácil. Os romanos diziam que o sal era o mais puro do mundo porque procedia das duas coisas mais puras que existem: o sol e o mar. O sal é a oferenda mais antiga dos homens aos deuses, e até o final do culto sacrificial judeu toda oferenda era acompanhada de um pouco de sal.

Portanto, para que o cristão seja o sal da Terra, deve ser um exemplo de pureza. Uma das características do mundo em que vivemos é a diminuição das exigências morais. No que respeita à honradez, a diligência no trabalho, a retidão, a moral, todas as normas estão sofrendo um processo de relativização e rebaixamento. O cristão deve ser aquele que mantém no alto os ideais de uma pureza absoluta na linguagem, na conduta e até no pensamento. (Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento).

1. A função de preservar

O sal se relacionava com a ideia de pureza.

No mundo antigo o sal era o mais comum de todos os preservadores.

Usava-se para impedir que os mantimentos, e outras coisas, apodrecessem ou se corrompessem, para deter o processo de putrefação. Plutarco diz tudo isto de uma maneira extremamente curiosa: "A carne – afirma – é um corpo morto, e forma parte de um corpo morto, e se for deixada entregue a si mesma muito em breve perde a frescura; mas o sal a preserva e impede sua corrupção." Portanto, sempre segundo Plutarco, o sal é como uma nova alma inserida no corpo morto.

2. A função de temperar

Mas a qualidade mais evidente e principal do sal é que dá sabor.

Depois que Constantino aceitou a religião cristã como religião do Império Romano, outro imperador, Juliano, quis voltar atrás e restituir a vigência dos antigos deuses. Sua queixa, tal como a representa Ibsen, era: "Você prestou atenção nestes cristãos? Os olhos fundos, as bochechas pálidas, estão toda sua vida refletindo, não os move ambição alguma; o sol brilha sobre suas cabeças mas não o vêem nem se comovem, a Terra lhes oferece sua plenitude, mas não a desejam; tudo o que ambicionam é ter que sacrificar-se e sofrer para morrer e ir ao céu." Segundo Juliano, o cristianismo desprezava os dons da vida.

Oliver Wendell Homes disse, em certa oportunidade: "Eu teria sido pastor, se a maioria dos pastores que conheci em minha juventude não tivessem tido o aspecto de empregados de funerárias e agido como tais."

Robert Louis Stevenson certa ocasião declarou em seu jornal, como se se tratasse de um fato extraordinário: "Hoje fui à Igreja e não me sinto deprimido."

(Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento).

3. Preservando e temperando

O TALMUDE mostra que o sal que não era puro e útil para ser usados nos ritos dos sacrifícios (que eram oferecidos com sal), era lançado nos degraus e declives ao redor do tempo para impedir que o terreno se tornasse escorregadio, e assim era pisado pelos homens. Também houve instâncias do uso do sal na pavimentação de estradas. Assim também, a religião sem autenticidade dificilmente tem uso digno para os discípulos de Jesus ou para o mundo em geral. (O Novo Testamento Comentado Versiculo por Versiculo - R.N Champlin).

Se o cristão não cumprir o seu objetivo como cristão, vai por mau caminho. Estamos destinados a ser o sal da Terra; se não levarmos à vida a pureza, o poder anti-séptico, a alegria e o esplendor que são nossa possibilidade e obrigação como crentes, devemos ater-nos a sofrer as conseqüências. Deve notar-se, para terminar, que a Igreja primitiva fazia um uso muito estranho deste texto. Na sinagoga, entre os judeus, existia o costume de que se um judeu apostatava de sua fé e depois, arrependido, desejava voltar para ela, tinha que deitar-se atravessado na porta e permitir que todos outros pisassem sobre ele, como se fora uma soleira, quando entravam nela. Algumas Iglesias cristãs adotaram este costume, e quando algum cristão era expulso disciplinarmente da Igreja, para poder voltar para ela devia fazer quão mesmo o judeu apóstata e dizer a seus irmãos: "Pisem-me, porque sou o sal que perdeu o seu sabor." (Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento).



quarta-feira, 27 de julho de 2011

Namoro. Quais os limites do relacionamento físico?

Por: Ariane Nishimura

Até onde podemos ir no namoro? Quais os limites do relacionamento físico? Como lidar com impulsos sexuais e não desagradar a Deus ao mesmo tempo? Quantas perguntas e interrogações para nós, jovens cristãos. Sabemos que não devemos ter relação sexual antes do casamento, mas e o resto? Até onde o beijo e as carícias são saudáveis?

Infelizmente não temos um guia sobre o certo e o errado no relacionamento físico e a Palavra de Deus não diz claramente nada sobre isso, mas temos princípios que podem nos ajudar a levar um relacionamento no namoro que agrade a Deus. Uma coisa é certa: não é algo fácil mas vale a pena. Por trás de toda a obediência existe uma grande benção de Deus.
Como tudo o que existe na vida, o namoro faz parte de um processo que tem um começo e um fim. Começa com uma amizade especial, passa pelo namoro e noivado e tem como fim o casamento. É como uma corrida que tem linha de partida e chegada. O perigo é quando nos desviamos do percurso.

O relacionamento físico sempre nos leva a querer mais, e quando a intimidade se desenvolve, retroceder é quase impossível. Se você dá as mãos, vai querer abraçar, se abraça, quer beijar. Depois do beijo vem as carícias, que em pouco tempo, ficam mais íntimas. De repente, quando menos se espera, vocês se relacionam sexualmente ou quase chegam lá. Mas vocês não queriam isso, vocês queriam agradar a Deus e ter um namoro legal. O que fazer então?

O sexo tem um lugar, uma hora especial na vida de uma mulher e um homem, o que deve acontecer só depois do casamento (Hb13:4) e faz parte do final do processo. Até chegar lá, é preciso aprender a lidar com os desejos e impulsos sexuais, que são como um vulcão adormecido. Se o cutucarmos, ele acorda antes do tempo e produz estragos.
Uma coisa é importante: os impulsos sexuais foram criados por Deus, são parte da Sua benção, mas se utilizados fora do tempo, levam ao pecado, à culpa e à vergonha. Porque então acordar o vulcão? Deus está orientado em nosso padrão de namoro e pode nos dirigir e orientar, basta buscarmos sua direção. Ele anseia por casais de namorados que queiram acima de tudo, santidade. Creio que por trás de tudo isso existe algo profético e precioso para todos nós.

Jesus está voltando e poderemos ter o privilégio de testemunhar sua vinda. Mas Ele vem para encontrar sua noiva (a Igreja), sem mácula. Ele vem para nos encontrar! O nosso padrão de namoro não é uma mera questão de fazer ou deixar de fazer algo, mas reflete o nosso amor pelo Senhor e nossa vontade de honrá-lo da melhor forma. Talvez tenhamos que nos sacrificar e dizer não às coisas que todo mundo faz e que podem nos dar prazer. Mas se tudo isso é para agradar ao Senhor e honrá-lo, então deve valer a pena. Porque não? Porque não tentarmos ser diferentes do mundo em vez de aceitarmos e copiarmos seus padrões?

Que você e eu possamos erguer uma nova bandeira na área de relacionamentos. Que possamos honrar e louvar ao Senhor através de nossos namoros. "Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santidade e honra, não na paixão da concupiscência, como os gentios que não conhecem a Deus; ninguém iluda ou defraude nisso a seu irmão, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos. Porque Deus não nos chamou para a imundícia, mas para a santificação." (I Tessalonicenses 4:3-7) ( Reproduzido com autorização da revista Lado a Lado) Do site eucreio.com


REFLEXÃO

Pr. Elinaldo Renovato de Lima

 
Tem sido comum a pergunta feita pelos adolescentes e jovens: até que ponto podemos ter intimidades no namoro? A mensagem acima resume a resposta a ser dada.
O namoro do jovem com uma jovem cristã deve ser diferente do namoro entre jovens ímpios, que não conhecem a Deus, que se baseiam numa ética materialista e hedonista (voltada para o prazer).
É presico anotarmos que a Bíblia vê o corpo não apenas como um conjunto de órgãos humanos, biológicos. Não mostra apenas cabeça, tronco e membros. Muito mais que isso. A Palavra de Deus nos mostra que o corpo, na ótica de Deus, é o TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO, e é PROPRIEDADE DE DEUS! E isso nos enseja enormes implicações de ordem espiritual e moral, levando-nos a fazer algumas outras perguntas com relação ao que podemos fazer com o corpo, individualmente, e no relacionamento entre namorados, noivos e mesmo entre casais.
Com relação ao namoro entre jovens cristãos, considerando que o corpo é templo do Espírito Santo, entendemos que não podem ir além dos limites da santidade, da obediência e do respeito à visão bíblica do corpo como templo do Espírito Santo. A articulista acima diz que "O relacionamento físico sempre nos leva a querer mais, e quando a intimidade se desenvolve, retroceder é quase impossível. Se você dá as mãos, vai querer abraçar, se abraça, quer beijar. Depois do beijo vem as carícias, que em pouco tempo, ficam mais íntimas", levando os namorados à prática de atos sexuais antes do casamento, o que é contrário ao princípio da santidade e da pureza do sexo entre jovens.

Outro aspecto é que o corpo é PROPRIEDADE DE DEUS (ver 1 Co 6.129,20). Se assim cremos e obedecemos a Deus, não podemos simplesmente USAR O CORPO, visando o prazer ilícito, com a prática de sexo antes do casamento. Na verdade, o verdadeiro amor sabe esperar (1 Coríntios 13), onde lemos: "O amor...não se porta inconvenientemente, não busca os seus interesses..tudo sofre, tudo crê, tudo espera...".
Se, no namoro, os jovens não sabem esperar pelo casamento, não existe amor, mas a paixão inflamada do sexo, que se torna irresistível, e leva muitos ao pecado da fornicação. Sabemos que não é fácil viver de acordo com esses princípios bíblicos, num mundo que não se guia pela Bíblia. A juventude de hoje é guiada de modo massificante e avassalador pelos valores materialistas, relativistas e hedonistas de nosso século. Em matéria de sexo, a única orientação é que o adolescente, mesmo de 11 ou 12 anos use a camisinha. O resto é permitido e , segundo essa filosocia, nada é errado.
Porém, se nos guiamos pela Palavra de Deus, conforme o Salmo 119.9, responderemos a pergunta: "Como purificará o jovem o seu caminho?", em outras palavras, "Até onde ir no namoro, sem pecar?", a resposta é direta e incisiva, sem arrodeios: "Observando-o segundo a tua palavra".

CONCLUINDO: O verdadeiro amor cristão anda de mãos dadas com a pureza, abraçado com a santidade, e caminhando ao lado de Cristo, em todos os momentos.

Reprodução autorizada do site www.assembleiadedeus-rn.org.br/familia/port/index.htm