sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

QUALIFICAÇÕES MORAIS DO PASTOR



Por Valdemir Pires Moreira

Introdução

Muitos são os obreiros que são consagrados ao santo ministerio, no entanto uma boa parte são totalmente despreparados e desqualificados para tal cargo de suma importância no reino de Deus. Ouço muitas reclamações quanto algumas igreas Assembleias de Deus, que sem observar os padrões biblicos das Sagradas Escrituras, consagram homens totalmente despreparados de qualificações éticas, morais e teologicas. Gostaria de nesse momento que você observace o que estar escrito na Bíblia de Estudo Pentecostal, na categotia de estudos doutrinarios o posicionamento dos nossos teologos quanto as qualificações necessarias para o pastoreado. Se alguém faz do modo incorreto, com certeza não por falta de esclarecimento.

1 Tm 3.1,2 “Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar.”

 Se algum homem deseja ser “bispo” (gr. episkopos, i.e., aquele que tem sobre si a responsabilidade pastoral, o pastor), deseja um encargo nobre e importante (3.1). É necessário, porém, que essa aspiração seja confirmada pela Palavra de Deus (3.1-10; 4.12) e pela igreja (3.10), porque Deus estabeleceu para a igreja certos requisitos específicos. Quem se disser chamado por Deus para o trabalho pastoral deve ser aprovado pela igreja segundo os padrões bíblicos de 3.1-13; 4.12; Tt 1.5-9. Isso significa que a igreja não deve aceitar pessoa alguma para a obra ministerial tendo por base apenas seu desejo, sua escolaridade, sua espiritualidade, ou porque essa pessoa acha que tem visão ou chamada. A igreja da atualidade não tem o direito de reduzir esses preceitos que Deus estabeleceu mediante o Espírito Santo. Eles estão plenamente em vigor e devem ser observados por amor ao nome de Deus, ao seu reino e da honra e credibilidade da elevada posição de ministro.

(1) Os padrões bíblicos do pastor, como vemos aqui, são principalmente morais e espirituais. O caráter íntegro de quem aspira ser pastor de uma igreja é mais importante do que personalidade influente, dotes de pregação, capacidade administrativa ou graus acadêmicos. O enfoque das qualificações ministerais concentra-se no comportamento daquele que persevera na sabedoria divina, nas decisões acertadas e na santidade devida. Os que aspiram ao pastorado sejam primeiro provados quanto à sua trajetória espiritual (cf. 3.10). Partindo daí, o Espírito Santo estabelece o elevado padrão para o candidato, i.e., que ele precisa ser um crente que se tenha mantido firme e fiel a Jesus Cristo e aos seus princípios de retidão, e que por isso pode servir como exemplo de fidelidade, veracidade, honestidade e pureza. Noutras palavras, seu caráter deve demonstrar o ensino de Cristo em Mt 25.21 de que ser “fiel sobre o pouco” conduz à posição de governar “sobre o muito”.

(2) O líder cristão deve ser, antes de mais nada, “exemplo dos fiéis” (4.12; cf. 1Pe 5.3). Isto é: sua vida cristã e sua perseverança na fé podem ser mencionadas perante a congregação como dignas de imitação.

(a) Os dirigentes devem manifestar o mais digno exemplo de perseverança na piedade, fidelidade, pureza em face à tentação, lealdade e amor a Cristo e ao evangelho (4.12,15).

(b) O povo de Deus deve aprender a ética cristã e a verdadeira piedade, não somente pela Palavra de Deus, mas também pelo exemplo dos pastores que vivem conforme os padrões bíblicos. O pastor deve ser alguém cuja fidelidade a Cristo pode ser tomada como padrão ou exemplo (cf. 1Co 11.1; Fp 3.17; 1Ts 1.6; 2Ts 3.7,9; 2Tm 1.13).

(3) O Espírito Santo acentua grandemente a liderança do crente no lar, no casamento e na família (3.2,4,5; Tt 1.6). Isto é: o obreiro deve ser um exemplo para a família de Deus, especialmente na sua fidelidade à esposa e aos filhos. Se aqui ele falhar, como “terá cuidado da igreja de Deus?” (3.5). Ele deve ser “marido de uma [só] mulher” (3.2). Esta expressão denota que o candidato ao ministério pastoral deve ser um crente que foi sempre fiel à sua esposa. A tradução literal do grego em 3.2 (mias gunaikos, um genitivo atributivo) é “homem de uma única mulher”, i.e., um marido sempre fiel à sua esposa.

(4) Conseqüentemente, quem na igreja comete graves pecados morais, desqualifica-se para o exercício pastoral e para qualquer posição de liderança na igreja local (cf. 3.8-12). Tais pessoas podem ser plenamente perdoadas pela graça de Deus, mas perderam a condição de servir como exemplo de perseverança inabalável na fé, no amor e na pureza (4.11-16; Tt 1.9). Já no AT, Deus expressamente requereu que os dirigentes do seu povo fossem homens de elevados padrões morais e espirituais. Se falhassem, seriam substituídos (ver Gn 49.4 nota; Lv 10.2 nota; 1.7,17 notas; Nm 20.12 nota; 1Sm 2.23 nota; Jr 23.14 nota; 29.23 nota).

(5) A Palavra de Deus declara a respeito do crente que venha a adulterar que “o seu opróbrio nunca se apagará” (Pv 6.32,33). Isto é, sua vergonha não desaparecerá. Isso não significa que nem Deus nem a igreja perdoará tal pessoa. Deus realmente perdoa qualquer pecado enumerado em 3.1-13, se houver tristeza segundo Deus e arrependimento por parte da pessoa que cometeu tal pecado. O que o Espírito Santo está declarando, porém, é que há certos pecados que são tão graves que a vergonha e a ignomínia (i.e., o opróbrio) daquele pecado permanecerão com o indivíduo mesmo depois do perdão (cf. 2Sm 12.9-14).

(6) Mas o que dizer do rei Davi? Sua continuação como rei de Israel, a despeito do seu pecado de adultério e de homicídio (2Sm 11.1-21; 12.9-15) é vista por alguns como uma justificativa bíblica para a pessoa continuar à frente da igreja de Deus, mesmo tendo violado os padrões já mencionados. Essa comparação, no entanto, é falha por vários motivos.

(a) O cargo de rei de Israel do AT, e o cargo de ministro espiritual da igreja de Jesus Cristo, segundo o NT, são duas coisas inteiramente diferentes. Deus não somente permitiu a Davi, mas, também a muitos outros reis que foram extremamente ímpios e perversos, permanecerem como reis da nação de Israel. A liderança espiritual da igreja do NT, sendo esta comprada com o sangue de Jesus Cristo, requer padrões espirituais muito mais altos.

(b) Segundo a revelação divina no NT e os padrões do ministério ali exigidos, Davi não teria as qualificações para o cargo de pastor de uma igreja do NT. Ele teve diversas esposas, praticou infidelidade conjugal, falhou grandemente no governo do seu próprio lar, tornou-se homicida e derramou muito sangue (1Cr 22.8; 28.3). Observe-se também que por ter Davi, devido ao seu pecado, dado lugar a que os inimigos de Deus blasfemassem, ele sofreu castigo divino pelo resto da sua vida (2Sm 12.9-14).

(7) As igrejas atuais não devem, pois, desprezar as qualificações justas exigidas por Deus para seus pastores e demais obreiros, conforme está escrito na revelação divina. É dever de toda igreja orar por seus pastores, assisti-los e sustentá-los na sua missão de servirem como “exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza” (4.12).

Fonte: Bíblia de Estudo Pentecostal

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

JESUS É O MESMO ONTEM, E HOJE, E ETERNAMENTE



Por Valdemir Pires Moreira

“Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13.8)

Introdução

O autor da carta aos hebreus, se expressa de maneira muito firme quando deixa bem claro, a imutabilidade do no nosso Mestre Jesus, pois Ele não muda, e é o mesmo ontem (passado), Ele é o mesmo hoje (presente) e Ele é o mesmo eternamente (futuro).

I. Jesus Cristo, ontem:

1. Nos fala do Jesus histórico, do qual os relatos bíblicos nos dão informações seguras de sua vida.

É o Jesus que é conhecido pelos demônios (Mt 8.29).

É o Jesus que percorria as aldeias, sinagogas a ensinar e a curar (Mt 9.35).

É o Jesus que nos mostrou o caminho a ser seguido (Mt 7.13), qual o caminho estreito (Jo 14.6).

É o Jesus que foi escarnecido por nossa culpa (Mt 26.67,68).

É o Jesus que foi mesmo pendurado na cruz, rogou ao Pai perdão por seus inimigos (Lc 23.34).

A fé que vivemos é fundada em fatos, e não em mitos. São muitos aqueles que atacam a Jesus, com argumentos contrários a sua existência. Mas se Ele não existiu por que tanta preocupação? Não a escapatória o nosso redentor vive.

II. Jesus Cristo, hoje:

2. Nos fala do Jesus presente em todo o tempo, que ministra ao seu povo hoje.

É o Jesus de todos os dias, sempre presente em nossas vidas (Mt 28.20).

III. Jesus Cristo, sempre (eternamente):

3. Nos fala de Jesus, o Cristo da profecia. Aquele que é eterno, que não tem começo nem fim.

É o Jesus que cumprirá toda a sua palavra (Mt 24.35).

É o Jesus que voltará um dia (At 1.11).

É o Jesus que virá buscar o seu povo (1 Ts 4.16,17).

Conclusão

Portanto, meus irmãos é o Senhor o nosso ajudador ontem, hoje e eternamente. Amém.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

OS DISCÍPULOS SÃO O SAL DA TERRA E A LUZ DO MUNDO (Mateus 5.13-16)




Por Valdemir Pires Moreira


Introdução

Uma das maneiras de interpretar retamente as Sagradas Escrituras é buscar dentro de seu texto e contexto o real significado das palavras. Para que em seguida possamos aplicá-las ao nosso dia a dia. Vejamos os significados nos tempos bíblicos, do sal e da luz no texto de Mateus 5.13-16.

O Sal

αλας = halas = sal

Na antiguidade o sal possuía um valor muito grande. Os gregos costumavam dizer que o sal era divino. Os romanos, em uma frase que em latim era algo como uma das rimas comerciais da atualidade, diziam: “Nada é mais útil que o sol e o sal” (Nil utilis sole et sale).

Os romanos diziam que o sal era o mais puro do mundo porque procedia das duas coisas mais puras que existem: o sol e o mar. O sal é a oferenda mais antiga dos homens aos deuses, e até o final do culto sacrificial judeu toda oferenda era acompanhada de um pouco de sal (Lv 2.13; Nm 18.19; Ed 6.9; Ez 43.24).

Usava-se o sal para impedir que os mantimentos, e outras coisas, apodrecessem ou se corrompessem, para deter o processo de putrefação. Plutarco diz tudo isto de uma maneira extremamente curiosa: “A carne – afirma – é um corpo morto, e forma parte de um corpo morto, e se for deixada entregue a si mesma muito em breve perde a frescura; mas o sal a preserva e impede sua corrupção”. Portanto, segundo Plutarco, o sal é como uma nova alma inserida no corpo morto. (Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento)

O sal era tão valioso na época do Novo Testamento que os soldados romanos frequentemente recebiam os seus salários em sal. Ele era usado como condimento, como conservante, como fertilizante e até mesmo como remédio. (Comentário Bíblico Histórico Cultural do Novo Testamento – Lawrence O. Richards – CPAD).

No tempo de Jesus, o sal (obtido às margens do mar Morto ou de pequenos lagos na beira do deserto da Síria) facilmente adquiria um gosto insosso e mofado por causa da mistura maior de gesso ou restos de plantas. Por isso não podia ficar muito tempo armazenado. (Evangelho de Mateus, Comentário Esperança – Fritz Rienecker).

O talmude mostra que sal que não era puro e útil para ser usado nos ritos dos sacrifícios (que eram oferecidos com sal), era lançado nos degraus e declives ao redor do templo para impedir que o terreno se tornasse escorregadio, e assim era pisado pelos homens. Também houve instancias do uso do sal na pavimentação de estradas. Assim também, a religião sem autenticidade dificilmente tem o uso digno para os discípulos de Jesus ou para o mundo em geral. (O NT comentado versículo por versículo – R.N. Champlin – Hagnos).



A Luz

φως = phos = luz

As cidades antigas eram construídas com calcário branco, e desta forma reluziam com a luz do sol. Lâmpadas eram mantidas acesas durante toda a noite, dispostas em lugares altos. As duas imagens nos lembram de que a “luz” não deve ficar escondida. Cristo deixa clara sua analogia. Os atos justos dos cidadãos são as luzes que fazem o reino visível a todos. (Comentário Bíblico Histórico Cultural do Novo Testamento – Lawrence O. Richards – CPAD).

O interior das casas palestinenses era muito escuro, pois tinham apenas uma abertura circular, de uns trinta ou quarenta centímetros de diâmetro, como única fonte de iluminação durante o dia. As lâmpadas que se usavam eram recipientes de barro, com a forma de molheiras, cheias de azeite no qual flutuava a mecha.

Antes de existissem fósforos não era muito fácil reacender um abajur quando apagava. Quase sempre o abajur estava colocado sobre um candelabro, que na maioria dos casos não era mais que um tronco de madeira rusticamente trabalhado. Mas quando se saía da casa, por razões de segurança, o abajur era colocado, aceso, debaixo de uma vasilha, também de barro; deste modo se assegurava que não produziria um incêndio durante a ausência dos donos de casa. A missão primitiva da luz do abajur era ser vista por todos.

Quando há algum perigo no caminho, e é de noite, acende-se uma luz para nos advertir e fazer com que nos detenhamos. Muitas vezes o dever do cristão é advertir a outros do perigo que os espreita. Isto é muito delicado, e às vezes é tremendamente difícil saber como transmitir a advertência para que produza o bem desejado; mas uma das tragédias mais amargas é quando um jovem, especialmente, aproxima-se de nós e nos diz: "Eu nunca teria me encontrado na situação em que estou se alguém me tivesse advertido a tempo do perigo."

Diz-se que Florence Allshorn, a famosa professora, diretora de escola e mística cristã, quando tinha a obrigação de repreender a alguma de suas alunas, o fazia "com seu braço sobre os ombros da transgressora". Se transmitirmos nossas advertências sem nos zangar nem nos mostrar irritados, sem a vontade de ferir, sem uma atitude crítica ou condenatória, mas com amor, obteremos nosso objetivo. A luz que fica visível, a luz que adverte do perigo, a luz que indica o caminho, estas são as classes de luz que deve ser o cristão. (Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento)

Na terminologia dos rabinos, vemos que a “luz” se refere a Deus, a Israel, à Torah e a outros elementos importantes de sua religião. Davi foi chamado de Luz de Israel (2 Sm 21.17). E os seus descendentes são designados luzes em 1 Rs 11.36; Sl 132.17; Lc 2.32.

A passagem de Levíticos 14.3 tem uma interessante citação que não difere do uso que Jesus deu aqui à luz. “Sede luzes de Israel, mais puros que todos os gentios...Que farão todos os gentios, se fordes obscurecidos por transgressões?” A luz, à semelhança do sal, deve ser útil. A luz deve brilhar livremente, sem qualquer empecilho.

Leão Tolstoi queixou-se de que os cristãos, na Rússia de seus dias, deixavam-no sem convicção e inabalável. Disse que somente suas “ações”, e não suas palavras, poderiam modificar os temores da pobreza, da enfermidade e da morte que o perseguiam. Orígenes relata uma história diferente sobre os crentes de seus dias, pois suas vidas, e não suas palavras eram o seu testemunho – invencível. (O NT comentado versículo por versículo – R.N. Champlin – Hagnos).



Fontes:

Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento

Comentário Bíblico Histórico Cultural do Novo Testamento – Lawrence O. Richards – CPAD

Evangelho de Mateus, Comentário Esperança – Fritz Rienecker

O NT comentado versículo por versículo – R.N. Champlin – Hagnos

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Qual a diferença do termo filho em Romanos 8.1-17?






Por Valdemir Pires Moreira



teknon = teknon = filho (Rm 8.15,16)

A palavra filho usada no Novo Testamento vem de duas palavras gregas: teknon e huios. Uma boa definição para a palavra teknon é "aquele que é filho meramente por nascimento". Encontramos teknon em Romanos 8.15,16. A passagem diz que, por causa do espírito de adoção que recebemos, "o próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos = teknon de Deus". Quando reconhecemos Jesus Cristo como Senhor e Salvador de nossas vidas, nos tornamos filhos de Deus por intermédio da experiência do novo nascimento (Jo 1.12).

uiov = huios = filho (Rm 8.14)

A outra palavra para tradução de filhos no Novo Testamento é huios. É usada no Novo Testamento para descrever "aquele que pode ser identificado como filho porque apresenta caráter ou características de seus pais".

Dessa forma, a palavra grega teknon significa, de forma simplificada, "bebês ou filhos imaturos", e a palavra grega huios é freqüentemente usada para descrever "filhos maduros".

Vejamos Romanos 8.14: "Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos = huios de Deus”.

Comprendemos apartir desse texto, que os filhos maduros são aqueles guiados pelo Espírito de Deus. Os crentes imaturos têm menos probabilidade de seguir a liderança do Espírito de Deus.

A Bíblia diz: "Embora sendo Filho = Huios aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu" (Hb 5.8, grifos acrescidos). O crescimento físico é algo que acontece paulatinamente. O crescimento intelectual é uma função do aprendizado. O crescimento espiritual não depende do tempo nem do aprendizado, mas de uma obediência firme da vontade de Deus.

Veja o que Pedro diz em sua peimeira carta: “Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado” ( 1 Pe 4.1- Destaque acrescido).

Fonte:

A Isca de Satanás – John Bevere – Editora Atos

Dicionário Vine – CPAD.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

QUAL A INTERPRETAÇÃO DO TERMO AGULHA EM Mt 19.16-24; Mc 10.17-24 e Lc 18.18-25



Mateus 19.16-24; Marcos 10.17-24; Lucas 18.18-25

O jovem rico




Introdução

São muitos os que defendem nessas passagens, que o termo “agulha” se refere à porta de uma cerca por onde era impossível passar uma pessoa, imagine um camelo. No entanto essa interpretação não vem a ser a mais aceita, por motivo de faltar evidências que comprovem a existencia dessa porta. No entanto, uma das regras da hermenêutica é que a Bíblia deve ser interpretada gramaticalmente. E para isso devemos nos valer, de dicionários da língua grega, para que venhamos interpretar os termos bíblicos de acordo com a mente do autor. A maioria dos teólogos defendem a ideia, de que Jesus estava se referindo literalmente uma agulha. Vejamos a seguir as explicações:


Agulha


ραφίς = rhaphis = agulha (Mt 19.16-24; Mc 10.17-24)


βελόνη = belone = agulha (Lc 18.18-25)

O caso do jovem rico iluminou em forma vívida e trágica o perigo das riquezas; aqui vemos um homem que tinha pronunciado um grande rechaço porque tinha muitas posses. Jesus passa a sublinhar esse perigo. "É difícil", disse, "que um homem rico entre no reino dos céus." Usou um símile muito eloquente para ilustrar quão difícil seria. Disse que era tão difícil que um rico entrasse no reino dos céus quanto um camelo passar pelo fundo de uma agulha.

1. A agulha seria uma porta?

Deram-se diferentes interpretações destas palavras de Jesus. O camelo era o maior animal que os judeus conheciam. Afirma-se que nas cidades muradas costumava haver duas portas. A porta principal pela qual passava todo o comércio e o trânsito, junto a ela costumava haver uma porta baixa e estreita. Quando se fechava a porta principal, era fechada com ferrolhos e se montava guarda durante toda a noite, e a única forma de entrar na cidade era pela porta pequena pela qual nem sequer as pessoas podiam passar de pé. Diz-se que às vezes se chamava essa porta de "o olho da agulha". De maneira que nessa imagem Jesus diz que é tão difícil para um rico entrar no reino dos céus como para um camelo passar por essa porta pequena, pela qual somente os homens podiam passar.

2. Jesus estava se referindo literalmente a uma agulha.

Mas o mais provável é que Jesus tenha empregado a imagem em seu sentido literal, e que dissesse que era tão difícil um homem rico entrar no reino como um camelo passar pelo fundo de uma agulha.

O fundo de uma agulha têm significado literal, comprovado por um provérbio talmúdico semelhante usado com a figura de um elefante. A comparação teve a intenção de mostrar uma impossibilidade, citando a maior das bestas conhecidas na Palestina e a menor das aberturas.

Na literatura judaica há a declaração que nem em seus sonhos um homem vê uma palmeira de ouro ou um elefante a passar pelo fundo de uma agulha (T. Bab. Beracot, fol. 55.2)

A ideia de que o “fundo de uma agulha” é um pequeno portão, ao lado do grande portão da cidade, e que seria usado após o cair da noite, e que um camelo carregado só poderia penetrar se ajoelhando a arrastar-se, parece datar de cerca do século XV. Os intérpretes frisam a impossibilidade dessa ideia, explicando que tal portão não poderia admitir um camelo, carregando ou descarregando; e certamente nenhum camelo consegue andar arrastando-se de joelhos. Na cultura judaica original, a declaração trazia um elefante em lugar do camelo; e em ambos os casos, o animal é visto a tentar passar pelo buraco de uma agulha. Naturalmente, isso é impossível, fazendo parte de uma hipérbole oriental (Cf. João 20.31, onde a hipérbole é anotada). Jesus falou de uma “monstruosa impossibilidade”, a fim de destacar uma “dificílima realização espiritual”. O que ele quis dizer tem claro sentido, e não precisa ser emendado.

Nos textos de Mateus e Marcos encontramos a palavra grega, ραφίς = rhaphis = agulha. Aqui a palavra agulha refere-se especificamente à agulha de costura.

No entanto no texto de Lucas encontramos outra palavra grega para agulha, βελόνη = belone. Lucas usa a palavra que se refere a uma agulha cirúrgica. Tentativas de explicar estas palavras como uma confusão entre os termos camelo (gr. kamelos) e corda (kamilos); ou com o uso figurado da frase significando uma portinha no muro da cidade não tem sido convincentes. Jesus estava usando uma expressão hiperbólica comum para mostrar como seria difícil para um homem rico aceitar o seu discipulado e entrar no reino de Deus.

Orlando Boyer, em sua Pequena Enciclopédia Bíblica, diz: “Encontra-se a palavra agulha em Mt 19.24; Mc 10.25 e Lc 18.25. Não há prova de existir uma porta pequena, chamada agulha (rhaphís) no muro da cidade de Jerusalém. Nem a razão para pensar que Cristo se referia a tal. O fundo duma agulha representava a menor abertura que se podia fazer. Cristo se referia ao instrumento comum, usado para bordar ou coser, Êx 26.36; Ec 3.7; Ez 13.18; Mc 2.21”.

Fontes de pesquisa:

Comentário Bíblico Moody do Novo Testamento.

O Novo Testamento comentado versículo por versículo – R.N. Champlin – Hagnos.

Pequena Enciclopédia Bíblica – Orlando Boyer – Vida Acadêmica.



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O PAPEL DA IGREJA NA EDUCAÇÃO CRISTÃ

A missão da igreja deve ser levada a cabo principalmente através do processo da educação cristã, porque devemos “ir e ensinar”. Portanto, a verdadeira natureza da educação cristã é obviamente missionária, pois devemos “ensinar todas as nações”. O conteúdo dessa missão, então, reside no próprio Cristo, pois “batizar as pessoas” indica a garantia da total submissão a Ele como Salvador e Senhor. Mas a missão não acaba aí. A frase “ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” convoca a um processo vitalício de crescimento no discipulado e na ação cristã. É mais do que simplesmente “recrutar” essas pessoas! E como o apóstolo Paulo, todo discípulo encontra-se continuamente “prosseguindo para o alvo” (Fp 3:14).

Se a igreja deve, então, ser tudo o que Cristo a chamou para ser, nós não podemos fugir do papel de ensinar. Esse papel não é unicamente satisfeito pela liderança da igreja, mas é a responsabilidade e o privilégio de cada membro dela. A igreja de Jesus Cristo é uma igreja que ensina!

A Educação Cristã faz parte do comissionamento de Jesus Cristo, o Mestre por excelência e detentor de toda a autoridade que lhe foi dada no céu e na terra. Ele disse: ”Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado.” (Mt 28.19-20). A ordem de Jesus compreende o anúncio das boas novas de salvação, a confirmação da aceitação da salvação pelo batismo, e o desenvolvimento da salvação através do ensino.

A Educação Cristã precisa ser parte da vida das famílias e da Igreja, e acontecer de maneira natural quando ministrada informalmente, e de forma criativa, interessante e motivadora quando direcionada para o alcance de um objetivo específico.

A Educação Cristã através da Igreja pode:

ALCANÇAR – A Educação Cristã é o instrumento que cada igreja possui para alcançar todos os grupos etários. (A audiência do culto à noite, além de ser heterogênea, não tem oportunidade de refletir, questionar e interiorizar o conteúdo recebido).

CONQUISTAR – Muitos são alcançados pelo evangelho, mas não permanecem em razão de não serem conquistados. A conquista acontece através do testemunho e da exposição da Palavra. Jesus afirmou: “serão todos ensinados por Deus...todo aquele que do pai ouviu e aprendeu vem a mim” (Jo 6.45). A conversão é perene quando acontece através do ensino.

ENSINAR – Estamos realmente ensinando aqueles que temos conquistado? Há quem diga que o ensino metódico e sistemático é contrário à espiritualidade. Isto não é verdade!
“O ensino das doutrinas e verdades eternas da Bíblia, na Igreja deve ser pedagógico e metódico como numa escola, sem, contudo, deixar de ser profundamente espiritual”.
Isto significa que devemos ensinar a Palavra de Deus com seriedade e esmero, apropriando-nos dos mais eficazes recursos educacionais que estejam à nossa disposição: “...se é ensinar haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7b).
O que é esmero? Significa integralidade de tempo no ministério: estar com a mente, o coração e a vida inteira nesse ministério. Ser professor é diferente de ocupar o cargo de professor. “Educação não é profissão, é vocação”.
“Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo” (Tg 3.1). (...) “vós sois a nossa glória e gozo” (1 Ts 2.20).

TREINAR – Devemos treinar nossos alunos, para que instruam a outros.


Por: Marcos Tuler

Contatos: (21) 9991-9952

prof.marcostuler@faecad.com.br

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A EFICÁCIA DO TESTEMUNHO CRISTÃO

LIÇÃO 6
07 de Agosto de 2011                                                               




Por Valdemir Pires Moreira

INTRODUÇÃO

Na antiguidade o sal possuía um valor muito grande. Os gregos costumavam dizer que o sal era divino. Os romanos, em uma frase que em latim era algo como uma das rimas comerciais da atualidade, diziam: "Nada é mais útil que o sol e o sal" (Nil utilius sole et sale). (Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento).

I. O CRISTÃO COMO SAL DA TERRA

O sal era tão valioso na época do NT que os soldados romanos frequentemente recebiam os seus salários em sal. Ele era usado como condimento, como conservante, como fertilizante e até mesmo como remédio. (Comentário Bíblico Histórico Cultural do Novo Testamento - Lawrence O. Richards – CPAD).

Indubitavelmente sua faiscante brancura fazia com que a associação fosse fácil. Os romanos diziam que o sal era o mais puro do mundo porque procedia das duas coisas mais puras que existem: o sol e o mar. O sal é a oferenda mais antiga dos homens aos deuses, e até o final do culto sacrificial judeu toda oferenda era acompanhada de um pouco de sal.

Portanto, para que o cristão seja o sal da Terra, deve ser um exemplo de pureza. Uma das características do mundo em que vivemos é a diminuição das exigências morais. No que respeita à honradez, a diligência no trabalho, a retidão, a moral, todas as normas estão sofrendo um processo de relativização e rebaixamento. O cristão deve ser aquele que mantém no alto os ideais de uma pureza absoluta na linguagem, na conduta e até no pensamento. (Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento).

1. A função de preservar

O sal se relacionava com a ideia de pureza.

No mundo antigo o sal era o mais comum de todos os preservadores.

Usava-se para impedir que os mantimentos, e outras coisas, apodrecessem ou se corrompessem, para deter o processo de putrefação. Plutarco diz tudo isto de uma maneira extremamente curiosa: "A carne – afirma – é um corpo morto, e forma parte de um corpo morto, e se for deixada entregue a si mesma muito em breve perde a frescura; mas o sal a preserva e impede sua corrupção." Portanto, sempre segundo Plutarco, o sal é como uma nova alma inserida no corpo morto.

2. A função de temperar

Mas a qualidade mais evidente e principal do sal é que dá sabor.

Depois que Constantino aceitou a religião cristã como religião do Império Romano, outro imperador, Juliano, quis voltar atrás e restituir a vigência dos antigos deuses. Sua queixa, tal como a representa Ibsen, era: "Você prestou atenção nestes cristãos? Os olhos fundos, as bochechas pálidas, estão toda sua vida refletindo, não os move ambição alguma; o sol brilha sobre suas cabeças mas não o vêem nem se comovem, a Terra lhes oferece sua plenitude, mas não a desejam; tudo o que ambicionam é ter que sacrificar-se e sofrer para morrer e ir ao céu." Segundo Juliano, o cristianismo desprezava os dons da vida.

Oliver Wendell Homes disse, em certa oportunidade: "Eu teria sido pastor, se a maioria dos pastores que conheci em minha juventude não tivessem tido o aspecto de empregados de funerárias e agido como tais."

Robert Louis Stevenson certa ocasião declarou em seu jornal, como se se tratasse de um fato extraordinário: "Hoje fui à Igreja e não me sinto deprimido."

(Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento).

3. Preservando e temperando

O TALMUDE mostra que o sal que não era puro e útil para ser usados nos ritos dos sacrifícios (que eram oferecidos com sal), era lançado nos degraus e declives ao redor do tempo para impedir que o terreno se tornasse escorregadio, e assim era pisado pelos homens. Também houve instâncias do uso do sal na pavimentação de estradas. Assim também, a religião sem autenticidade dificilmente tem uso digno para os discípulos de Jesus ou para o mundo em geral. (O Novo Testamento Comentado Versiculo por Versiculo - R.N Champlin).

Se o cristão não cumprir o seu objetivo como cristão, vai por mau caminho. Estamos destinados a ser o sal da Terra; se não levarmos à vida a pureza, o poder anti-séptico, a alegria e o esplendor que são nossa possibilidade e obrigação como crentes, devemos ater-nos a sofrer as conseqüências. Deve notar-se, para terminar, que a Igreja primitiva fazia um uso muito estranho deste texto. Na sinagoga, entre os judeus, existia o costume de que se um judeu apostatava de sua fé e depois, arrependido, desejava voltar para ela, tinha que deitar-se atravessado na porta e permitir que todos outros pisassem sobre ele, como se fora uma soleira, quando entravam nela. Algumas Iglesias cristãs adotaram este costume, e quando algum cristão era expulso disciplinarmente da Igreja, para poder voltar para ela devia fazer quão mesmo o judeu apóstata e dizer a seus irmãos: "Pisem-me, porque sou o sal que perdeu o seu sabor." (Comentário Bíblico Barclay do Novo Testamento).



segunda-feira, 25 de julho de 2011

Grande Passeata dos 100 anos da Assembleia de Deus do Brasil.




No sábado dia 23 de abril, a Assembleia de Deus de Caucaia - Uma igreja de refugio comemorou os 100 anos da AD no Brasil de uma forma diferente e empolgante. Às 15 horas do sábado, o povo de Deus saiu pelas principais ruas da cidade para mostrar que a assembleia de Deus está completando 100 anos, porem é 100 anos sem vicio, 100 anos de união, 100 anos de conquistas e vitorias e que até aqui nos ajudou o Senhor.

Foram jovens, senhores, senhoras e até mesmo as crianças, e juntos fizemos uma grande festa nas ruas de Caucaia. No momento em que os pelotões passavam pelas ruas fazendo menção de frases como: Jesus é o nosso rei, Só Jesus salva, Jesus Te ama, dentre muitas outras, 09 pessoas se renderam os pés de Jesus para honra e glória do nosso Senhor Jesus.

A passeata acabou na igreja-SEDE do nosso ministério, onde o pastor presidente, Francisco Erivelto Gonçalves, agradeceu a todos que compareceram a essa grande festa e assim agradecendo ao Senhor Jesus por mais uma conquista do povo de Deus nos 100 anos da Assembleia de Deus.



                                                     EU FAÇO PARTE DESSA HISTÓRIA








sexta-feira, 8 de julho de 2011

Os Mistérios do Amor Conjugal em Cântares

Por Esdras Costa Bentho


"Que ele me beije com os beijos da sua boca!" (1.2)

Cantares é a obra mais romântica e simbólica da literatura universal. Seus símbolos ilustram o amor em uma profusão que o leitor fugaz não percebe. Trata-se de uma óde atemporal, que representa o amor entre um homem e uma mulher do modo mais sagrado e belo.

No centro de Cantares está o amor que se exprime com naturalidade, simplicidade, pureza e calor a sua paixão e intimidade: “gritos de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva” (Jr 7.34; 16.9; 25.10). Justamente por causa da absoluta universalidade dessa experiência, os símbolos usados em Cantares são constantes e logo perceptíveis, pelo menos a nível global, embora nos detalhes estejam carregados de conotações orientais, exóticas e, às vezes, exasperadas.

Amor

Cantares é um encontro com o amor. Trata-se de um verdadeiro minivocabulário de palavras repetidas dezenas de vezes, porque o enamorado nunca se cansa de dizer à sua mulher: Tu és fascinante (na’wah); és encantadora (iafah); minha amada (‘ahabah); minha irmã (‘ahotî); minha esposa (kallah); meu tesouro (ra ‘iatî); amor de minha alma (‘ahabah nafsî), minha única (6.9). Cantares convida o homem moderno a expressar sem medo ou receio o seu mais profundo amor à mulher amada. Desperta o amásio a expressar as mais significativas e belas frases de amor. A palavra é geradora de sentimentos e fertilizante para o coração.

E para a mulher, o esposo é sempre dodî, “o meu amado”. É assim que o coração é arrebatado (4.9), a paixão é fremente (7.11; 8.7), a delícia (5.17) cancela a vergonha (8.1,7), o anelo inconsciente (6.12) gera contemplação (7.1) e predileção (6.9). Há quase um desmaio de amor (2.5), numa espécie de doença incurável (2.5; 5.8), num sono estático (2.7; 3.5; 5.2; 7.10; 8.4,5), numa embriaguez (5.14), num desfalecimento incitante (5.6). Mas também há o medo que perturba (6.5), há a ausência insuportável (5.6), os pesadelos noturnos (3.8). Mas tudo se esvaece e apenas ouve-se aquela voz doce e suave (2.14). Então tudo volta a ser triunfo dos sentidos numa espécie de paraíso do olfato e do paladar: os frutos do amor são saborosos (2.3; 4.16; 7.9,14), são mel, néctar, leite (4.11; 5.1,12), doçura para o paladar (5.17) [1].

O amor é comparado a cheiros e sabores. Na carreira diária, às vezes, nos esquecemos do estro que nos torna humanos. Colocamos os nossos sentidos reféns do vil metal, enquanto eles são indispensáveis ao conhecimento do outro. Não se ama sem odores e cheiros. O amásio conhece o doce cheiro de sua amada e o paladar de seus lábios. O amor demonstrado na obra eleva o amor a um estado de completo arrebatamento. O poema recomenda aos amásios a sentirem o cheiro e o sabor um do outro. É um convite ao verdadeiro encontro! Nesse amor sublime, nada espiritual e muito menos mundano, os amásios são convidados a viverem com toda intensidade a sua plena humanidade e conjunção carnal nos laços do matrimônio.

Corpo

Não existe, de fato, um livro bíblico que siga tão intensamente a realidade do corpo em todos os seus meandros e segredos e em toda a sua aparência. Vemos o rosto (2.14; 5.2,11; 7.6; 8.3) com a boca aberta ao beijo (1,2; 4.3; 8.1); e à voz (2.8,14; 5.2; 8.12), com os lábios frementes (4.3,11; 5.13; 7.10), com a língua (4.11), com os dentes cândidos (4.2; 5.12; 6.6), com o paladar que deseja saborear (5.16; 7.10); e o nariz atraído pelos perfumes (7.9), com as faces 1.10; 4.3; 5.13; 6.7), com os olhos (1.15; 4.11; 5.2,11; 6.5; 7.5; 8.10) que muito se movem e piscam (2.9) ou ternos (4.9), com os cabelos e as tranças (4.1,6; 5.10), com o pescoço harmonioso (1.10; 4.4; 7.5).

Nada mais óbvio do que afirmar que cada detalhe da amada ou do amado não passa despercebido ao verdadeiro amor. Em uma cultura que aprendeu a ditar suas regras estéticas e seus gostos artesanais à moda Michelangelo, o ser (Dasein) desaprende a ver as qualidades intrínsecas da própria fisionomia humana, irretocável. Não importa o formato do nariz, o importante é usá-lo para cheirar os mais preciosos odores do cônjuge. Pouca importância tem a densidade dos lábios, o essencial é saborear aquilo que o amor reservou para os amantes. A cor dos olhos não cativa tanto quanto o seu brilho. Quem ama encontra suas próprias razões para amar, apesar de tudo.

Depois, eis o corpo ereto (2.9; 7.8) que se ergue solene (2.10,13; 3.2; 5.5), que aperta com força o ser amado (3.4), que abraça (2.6; 8.3,6), que dança de júbilo (2.8), mas que também é plantado sobre as pernas e sobre os pés (5.3; 7.2). [2] O corpo é visto em Cantares como um cântaro cheio de surpresas e venturas.
O amor, sentimento difícil de ser descrito em palavras, tem através das imagens corpóreas do Cântico a sua mais elevada expressão e propósito. Se ama verdadeiramente quando se entrega. Tentaram em vão, Orígenes e São Bernardo, explicar as imagens corporais como símbolos da virtude cristã, ou sabedoria e ciência. Pobres teólogos mortais...que se negam a amar e a reconhecer que o amor entre cônjuges é uma dádiva da criação divina!

Observa-se também o esplendor dos seios (1.13; 4.5; 7.4,8,9; 8.8,10), a perfeição dos quadris (7.2), da bacia (7.3), do ventre (5.14; 7.3). Os seios com todo o seu esplendor é o repouso do abraço apaixonado! Um dado muito interessante relata em 7.4: os seios como crias gêmeas da gazela. Nada mais risonho, infantil e dócil. Nego-me a aceitar a interpretação de que os dois seios são as colinas de Ebal e Gerizin. Trata-se da mais eficaz sedução da parte da amada, que desejam os intérpretes reduzir a duas colinas vetustas e de valor espiritualmente simbólico. Ao movimentar freneticamente os quadris, os seios movem-se rapidamente, lembrando ao amado os gamos gêmeos saltitando pelos bosques.

Eis ainda, acima de tudo o coração que, na linguagem bíblica é sinônimo de consciência, inteligência e amor (5.4; 8.6). Nessa luz, o conhecimento recíproco dos enamorados não acontece só através da mente, mas também da paixão, dos sentidos, da ação e da alegria que se completa na plena realização sexual do casal: Meu bem amado põe a mão pela fenda e minhas entranhas estremecem. Não precisamos "abrir o verbo" para não corar os mais tímidos! Os símbolos "mão" e "fenda", desde a Antiguidade representavam os órgãos sexuais masculino e feminino, e no mínimo, aqui, as carícias entre os cônjuges. A destreza do amado é comparada em 5.14 à "mãos de ouro torneadas, cobertas de pedras preciosas". Cântares convida o casal a viver a vida sexual em sua completude, sem receios ou moralismo hipócrita que impede a felicidade dos cônjuges. Viva plenamente!

Perfumes

Cantares é permeado por perfumes (1.3,12ss; 2.13; 3.6; 4.10-11; 5.13; 7.9,14): Nardo (1.12; 4.13), cipreste (1.14; 4.13); bálsamo (2.17; 5.1,13; 6.2; 8.14), essência exótica (6.6; 4.14), incenso (3.6), açafrão, canela e cinamomo

(4.14). Existe até mesmo um “monte da mirra”, uma “colina do incenso” (4.6) e os “montes do bálsamo” (8.14). A suavidade do vinho é a comparação mais espontânea para exprimir a embriaguez e doçura do amor (2.4; 4.10; 5.1; 7.3,10; 8.2). Nada melhor do que comparar o amor ao cheiro exótico da canela, que se supõe poderes afrodisíacos! As plantas odoríficas estão plantadas no "jardim fechado", figura que destaca o mistério, o espanto e assombro que é o amor de uma mulher com o seu marido. Ela é um jardim fechado em cujo canteiro estão plantados diversas ervas aromáticas que jamais poderiam crescer juntas. Esse jardim fechado também é um belo e delicioso pomar, cujas frutas saborosas são para a degustação dos amados. É um paraíso de romãs (4.13), um pomar das delícias que só o encontro assombroso entre um homem e uma mulher poderiam desfrutar. O jardim das delícias é carregado com o cheiro do amor e dos sentimentos que se perpetuam e se fixam com os odores das plantas. Trata-se, na verdade, de um convite ao amor, comparado a pomares e ervas aromáticas. Um mistério que somente os que amaram intensamente são capazes de revelar.

Objetos Preciosos

A vista e o tato são envolvidos, seja por causa do contato físico entre os dois corpos, seja porque o esplendor do amor é pintado segundo as impressões produzidas por deslumbrantes objetos preciosos: Ouro e prata (1.11; 3.10; 5.11,13,15; 8.9,11,12), pérolas e brincos (1.10,11; 4.9), coroas (3.11), selos (8.6), taças (7.3), madeira nobre do Líbano (3.9); bordados (3.10), púrpura (3.10; 4.3; 7.6), safiras (5.14), marfim cinzelado (5.14; 7.5).

Jardim

Sobre o jardim brilha o sol (1.6; 6.10) e se reflete a lua (6.10). Sucedem-se as auroras e as noites (6.10; 7.12,13), descem as sombras (4.6), sopram o aquilão e o austro (4.16), sopra a brisa (2.17; 4.6), levantam-se colunas de fumaça (3.6), gotejam as chuvas e o orvalho (2.11; 5.2). O jardim “fechado” (4.12) é a figura do “eu feminino”, a “inviolabilidade da pessoa”, um “mistério inatingível contido no corpo da mulher e do seu parceiro”. Salomão salienta que a amada é exclusivamente dele, como um jardim que pertence unicamente ao seu dono, sendo inacessível a todos. Também os poços e fontes eram, às vezes, selados para preservar água, coisa mais do que preciosa no oriente, evitando que outros a tomassem.

Finalmente, só poderíamos terminar com o verso mais célebre dos Cânticos dos Cânticos:

“... azzah kammawet ‘ ahabah..”

“forte como a morte é o amor”.

Notas

[1,2] RAVASI, Gianfranco. Cântico dos Cânticos: pequeno comentário bíblico. São Paulo: Paulinas, 1988.

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terça-feira, 5 de julho de 2011

ESPÍRITOS ENGANADORES


Por Elienai Cabral

Pelas Sagradas Escrituras, compreendemos que estamos nos últimos tempos da Igreja na Terra. Todos os sinais que precedem a Vinda de Cristo estão tendo o seu cumprimento cabal. Entre eles, a apostasia da fé promovida por Satanás e seus demônios. “Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios”, 1Tm 4.1. Dentro da linguagem evangélica, entendemos que Satanás tem comissionado seus demônios como “espíritos enganadores” que se intrometem no seio da igreja para enganar. Não temos que adivinhar onde estão e como operam tais espíritos, porque temos o Espírito Santo, que habita na vida da Igreja para revelar os ardis e as obras de engano.

Na passagem citada, apóstolo Paulo reforçou o papel do Espírito Santo: “O Espírito expressamente diz...”. O contexto dessa passagem desvenda graciosamente para a Igreja “o mistério da piedade” na pessoa de Jesus Cristo e a Igreja como agente demonstrador desse mistério. Portanto, a Igreja está na Terra para sustentar essa revelação de Jesus Cristo contra os poderes do mal, porque ela é “a coluna e firmeza da verdade”.

Precisamos entender que existem dois mistérios sobrenaturais propagados por agentes humanos: o de Deus e o do Diabo. O mistério de Deus é propagado pela Igreja e o mistério do Diabo é propagado por “espíritos enganadores” influenciados por demônios. O Espírito Santo vive na Igreja de Cristo para torná-la apta a refutar as sutilezas do Diabo.

A expressão espíritos enganadores pode ter uma referência dupla, tanto a demônios literalmente como a homens que se tornam agentes de demônios. A Bíblia os identifica como “homens maus e enganadores... enganando e sendo enganados” (2Tm 3.13; 2Jo 7 e 2 Pe 2.1). Existem pessoas que se colocam a serviço de Satanás para propagar e disseminar doutrinas falsas e negar as verdades divinas. Essas pessoas tornam-se, indubitavelmente, “espíritos enganadores”.

“Últimos tempos” equivale à expressão “últimos dias” do apóstolo Pedro em sua mensagem no Dia de Pentecostes (At 2.17). A palavra de Paulo a Timóteo mostra que Satanás opera e manifesta o mistério da iniqüidade nestes últimos tempos, quando se constata a exploração do misticismo em nome do Evangelho de Cristo. “Espíritos enganadores” se intrometem no seio das igrejas e produzem falsos sinais e prodígios para impressionar as pessoas. Aqueles crentes incautos e símplices acabam se deixando levar pelo engano. A Palavra de Deus é torcida e heresias surgem de modo assustador.

Os espíritos de engano envolvem a muitas pessoas, as quais acabam se tornando instrumentos de iniqüidade sob o comando subjetivo de Satanás. Esse tipo de problema tem produzido, também, racionalismo barato e incredulidade quanto aos milagres sobrenaturais. Para deter a operação do espírito do engano, a liderança evangélica precisa ensinar mais a Palavra de Deus ao povo. A liturgia de nossos cultos está sendo sufocada por programações tão extensas e intensas que não há mais espaço para a Palavra de Deus. Somente a Palavra poderá sufocar e deter ao poder dos espíritos enganadores que se intrometem em nossas igrejas.

A palavra apostasia significa negação e abandono da fé cristã. Nos primórdios da Igreja, Paulo já percebia alguns sinais típicos do ataque sorrateiro dos espíritos de engano. O texto faz-nos entender que certas pessoas desqualificadas espiritualmente se deixariam levar por esses espíritos, tornando-se agentes do engano. Essas pessoas produziriam conceitos falsos de salvação, de santidade, de regras sociais.

Algumas igrejas e lideranças acabam se desviando das prioridades divinas e aderem à práticas incoerentes com o verdadeiro cristianismo, insuflando falsos conceitos, para dominar os sentimentos e os corações das pessoas por procedimentos antibíblicos. Esses “espíritos enganadores” induzem as suas vitimas ao auto-engano, pois se escravizam a certos comportamentos que ofendem ao Espírito Santo. Nós fomos chamados à liberdade em Cristo, não à escravidão de regras de homens. Normalmente, esses espíritos enganadores enganam-se a si mesmos porque não conseguem praticar suas próprias regras e idéias. Que Deus nos guarde dos espíritos enganadores!

28/04/2011 – CAPD NEWS

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O PROJETO ORIGINAL DO REINO DE DEUS

LIÇÃO 1


INTRODUÇÃO

Pouco é ensinado para os irmãos, de modo geral, acerca da Igreja como sendo a responsável pela proclamação do Reino de Deus. No entanto, conhecer o que diz a Bíblia sobre o Reino de Deus é de fundamental importância para aclarar o nosso pensamento e responsabilidade quanto ao proposito da Igreja no mundo.

UMA PALAVRA SOBRE O REINO DE DEUS

a) O significado de “Reino”

Devemos fazer a mais fundamental das perguntas: Qual é o significado de “reino”? A resposta moderna a esta pergunta impede a compreensão do significado desta antiga verdade bíblica. Em nossa mentalidade e modo de falar ocidentais, o reino é principalmente um domínio sobre o qual um reino exerce a sua autoridade.

O dicionário de Webster nos fornece uma sugestão em sua primeira definição: “A dignidade, qualidade, estado ou atributos de um rei; autoridade real; domínio; monarquia; realeza (Arcaismo)”. Do ponto de vista da linguística moderna, esta definição pode ser arcaica; mas é precisamente este arcaísmo que é necessário para entender o antigo ensino bíblico.

O significado primário de ambas as palavras, a hebraica makuth no Antigo Testamento e a e grega basileia no Novo Testamento, é a dignidade, a autoridade e a soberania exercida por um rei. Uma basileia pode realmente ser um reino sobre o qual um soberano exerce a sua autoridade; e pode ser o povo que pertence a este reino e sobre o qual a autoridade é exercida; mas estes são significados secundários e derivados. Em primeiro lugar, um reino é a autoridade para reinar, a soberania do rei. Este significado básico da palavra “reino” pode ser visto no seu uso no AT para descrição do governo de um rei. Esdras 8.1 fala do retorno da Babilônia “no reino” literalmente, reino de Artaxerxes. 2 Crônicas 12.1 fala do estabelecimento do reino ou governo de Roboão. Daniel 8.23 refere-se ao futuro final de um reino ou governo. Este uso de “reino” com o sentido de reinado humano também pode ser encontrado em passagens tais como Jeremias 49.34, 2 Crônicas 11.17; 12.1; 36.20; 30.31; Esdras 4.5; Neemias 12.22; etc.

b) A responsabilidade de Israel para com o Reino de Deus e sua rebelião

Enquanto isso, procurando obediência voluntária, Ele deu Sua lei a uma nação e designou reis para administrar Seu ‘Reino’ sobre ela (1 Cr 28.5). Israel, entretanto, ainda que declarando submissão nominal, tomou parte na rebelião comum (Is 1.2-4), e, depois rejeitou o Filho de Deus (Jo 1.11; cf. Mt 21.33-43), foi ‘quebrado’ (Rm 11.15,20,25).

c) A quem Deus chama hoje para ser representante do Seu Reino

De hoje em diante, Deus chama os homens de todos os lugares, sem distinção de raça ou nacionalidade, para se submeterem voluntariamente ao Seu governo. É por isso que si diz que o Reino está agora em mistério (Mc 4.11), quer dizer, não vem dentro do âmbito das faculdades naturais da observação (Lc 17.20), mas é discernido espiritualmente (Jo 3.3; cf. 1 Co 2.14). Quando, futuramente, Deus declarar Seu governo universalmente, então o ‘Reino’ estará em glória, ou será, manifesto a tudo (cf. Mt 25.31-34; Fp 2.9-11; 2 Tem 4.1,18).

“Portanto, falando de modo geral, as referências ao Reino dividem-se em duas classes: na primeira, o Reino é visto como presente e envolve sofrimento por parte daqueles que entram nele (2 Ts 1.5); na segunda, é considerado como futuro e está associado com a recompensa (Mt 25.34), e a glória (Mt 13.43)”. Veja também At 14.22.

d) Onde se encontra o Reino de Deus hoje

“O princípio fundamental do Reino está declarado nas palavras do Senhor ditas no meio de um grupo de fariseus: ‘o Reino de Deus está entre vós’ (Lc 17.21, quer dizer, onde o Rei está, ali está o Reino). Assim, na atualidade e no que diz respeito a esta terra, onde o Reino está e onde Seu governo é reconhecido, e, primeiramente, no coração do crente individual (At 4.19; Ef 3.17; 1 Pe 3.15); e, depois nas igrejas de Deus (1 Co 12.3,5,11; 14.37; cf. Cl 1.27, onde em lugar de ‘em’ leia-se ‘entre’)”.

e) Qual o conflito enfrentado por aqueles que estão no Reino

“Sendo, todavia, o Rei e o Seu governo recusados, aqueles que entram no Reino de Deus são postos em conflito com todos os que repudiam sua submissão, como também com o desejo por bem-estar, e a antipatia do sofrimento e a impopularidade, natural a todos. Por outro lado, os súditos do Reino são objetos do cuidado de Deus (Mt 6.33), e do Rei rejeitado (Hb 13.5)”.

f) Como entrar no Reino de Deus

“A entrada no Reino de Deus é pelo o novo nascimento (Mt 18.3; Jo 3.5), pois não há nada que o homem possa ser por natureza, ou obter por qualquer forma de autocultura, que seja de algum proveito no reino espiritual. E assim como a nova natureza, recebida no novo nascimento, se evidencia pela obediência, está escrito também que somente os que fazem a vontade de Deus entrarão no Seu Reino (Mt 7.21, onde, entretanto, o contexto mostra que a referência é ao futuro, como em 2 Pe 1.10,11). Contraste também com 1 Co 6.9,10; Gl 5.21; Ef 5.5”.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

HISTÓRIAS QUE MARCAM O CENTENÁRIO DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO MUNICÍPIO DE CAUCAIA





Por: Valdemir Pires Moreira

Na antiga Soure, hoje Município de Caucaia, área metropolitana de Fortaleza, o cearense Joaquim Pereira Filho sofreu muito pelo amor de Jesus. Encarregado do trabalho em uma salina, Joaquim era conhecido desordeiro e beberrão. Mas, ouvindo o testemunho de um colega, aceitou a Cristo e foi batizado com o Espírito Santo. Ele e toda a família.

Como retaliação, Joaquim foi expulso da fazenda junto com o irmão que o evangelizou. Depois, Jesus abençoou tanto o irmão Joaquim que ele doou um lote de terra para edificação de um templo da Assembleia de Deus.

Desde então o Senhor Jesus vem abençoando o Município de Caucaia grandemente. A Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia estar comemorando o Centenário, e agradecendo a Deus por tudo o que Ele fez e estar fazendo neste Município, as Lutas são grandes, mais o Senhor Jesus estar no nosso barco cessando as tempestades que si levantam contra o povo de Deus.

Agradeço ao meu Deus, por ter conduzido a minha família a esta cidade, aqui encontrei Jesus, que me resgatou das trevas para sua maravilhosa presença. Louvado seja o nome do nosso Deus para todo sempre. Amém.



sexta-feira, 10 de junho de 2011

MISSIONÁRIO FOI PROIBIDO DE SEPULTAR O FILHO



Otto Nelson foi informado que o padre local não permitiria, alegando que o cemitério era da igreja católica

1936: os primeiros missionários americanos chegaram para atuar junto às Assembleias de Deus brasileiras. Segundo a cronologia dos primórdios protestantes no Brasil elaborada em 2003 pelo Prolades, as Assembleias de Deus norte-americanas teriam começado a atuar em terras brasileiras a partir de 1925. Mas, não há documentos que comprovam essa informação. Oficialmente, as Assembléias de Deus norte-americanas enviaram missionários para o Brasil a partir de 1936.

Neste ano, o Departamento de Missões do Concílio Geral da Assembly of God (Assembleia de Deus) decidiu fazer do Brasil mais um dos seus campos missionários em volta do mundo. O comunicado impresso na revista Pentecostal Evangel de janeiro de 1936 dizia que, por muitos anos tinha sido política de trabalho do Concílio Geral, encaminhar todos os candidatos à obra missionária no Brasil para a Missão Livre Sueca que, segundo entendiam, estavam fazendo um trabalho eficiente em terras brasileiras. Mas, como continuavam a chegar pedidos de candidatos e alguns desses informarem a impossibilidade dos missionários suecos evangelizarem todo o grande país com uma população na época de 40 milhões de habitantes, o Departamento de Missões da AG resolveu atender aos apelos dos candidatos e aos convites para entrar no campo brasileiro.
Então, foram aprovados e enviados seis missionários: Orland Spencer Boyer e sua esposa, Ethel Boyer, que haviam estado no Brasil anteriormente por outra denominação; Vernon Fullerton e sua esposa, Ruth, filha do casal Boyer; e Frank John Stalter e sua esposa, Louise.

Foi estabelecido no Brasil o Fellowship Field da Assembly of God, que atualmente se chama Conselho Geral das Assembleias de Deus no Brasil e somam no seu total mundial de membros a membresia das Assembleias de Deus brasileiras.
Missionário foi proibido sepultar o filho no cemitério por ordem de um padre
Pelos idos de 1916-17, o missionário sueco Otto Nelson morava no bairro de Bebedouro, na Rua Dr. Passos de Miranda, em Maceió, Alagoas. Ao tentar sepultar seu terceiro filho, Davi, que morrera aos dez meses de idade, foi informado que o padre local não permitia, alegando que o cemitério era da igreja católica, e que “hereges” não podiam ser enterrados lá. Por causa desta ordem, os coveiros cavaram a sepultura do garoto no lado de fora do cemitério. Além desta ação, o tal sacerdote instigou os católicos romanos dessa comunidade a se levantarem furiosamente contra os crentes. Sem ter como enterrar o seu filhinho, Otto Nelson orou a Deus, suplicando-lhe uma solução urgente, a qual chegou imediatamente, pois o delegado, ao tomar conhecimento da proibição imposta pelo sacerdote, mandou que uma escolta de soldados acompanhasse o enterro até o cemitério, e ali guarnecesse os crentes, enquanto era realizada a cerimônia de sepultamento, que aconteceu à noite, à luz de candeeiros.

Pastor Isael de Araujo é responsável pelo Centro de Documentação, Informação e Pesquisa (Cdip) da CPAD e pelo Centro de Estudos do Movimento Pentecostal (CemP). É autor do Dicionário do Movimento Pentecostal (CPAD).

Blog http://dicionariomovimentopentecostal.blogspot.com

segunda-feira, 16 de maio de 2011

LAMPIÃO VS ORLANDO BOYER


                        


HISTÓRIAS QUE MARCAM OS 100 ANOS DO MOVIMENTO PENTECOSTAL NO BRASIL

A vida de Orlando Boyer, tal como a do apóstolo Paulo, ocorreu perigo inúmeras vezes, tendo, até, de pagar um resgate de 236$000 (duzentos e trinta seis mil contos de réis) para que Lampião, o rei do cangaço, que então implantava terror nas caatingas do Nordeste, libertasse Virgilio Schmidt e sua esposa, missionários que trabalhavam com ele. Lampião achou que a quantia oferecida por Boyer era pequena, exigia cinco contos de réis, mas Boyer falou do amor de Cristo ao cangaceiro, que não lhe fez mal algum, libertou os missionários e os deixou seguir em paz, lhes restituído os 236$000 e mais 109$000 (cento e nove conto de réis) do próprio bolso para ajudar nas despesas. Assim, com certeza o Senhor honrou a bravura desse grande homem de Deus. Que com desapego á própria vida enfrentou com denodo os ataques de Satanás, de homens e feras nos sertões do nosso Nordeste brasileiro.

Fontes

Jornal Mensageiro da Paz 1090, 2ª quinzena de Abril de 1978, pág.5




quarta-feira, 11 de maio de 2011

"SOMOS A ASSEMBLEIA DE DEUS DE ONTÉM, HOJE E SEMPRE" ENTREVISTA COM O PASTOR JOSÉ WELLINGTON BEZERRA DA COSTA


Pastor José Wellington Bezerra da Costa

O pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) e da Assembleia de Deus, Ministério do Belém (SP), costuma afirmar que continua hoje com o mesmo fervor que tinha em seu coração quando começou a servir ao Senhor Jesus, a diferença é que agora com muito mais experiência. Afinal, são 76 anos de vida, dos quais 69 de fé em Jesus e de Assembleia de Deus, e 57 como obreiro, sendo 49 só como pastor da AD.

Líder do órgão máximo da denominação no país no ano do seu centenário, e com anos de experiência à frente da AD, pastor José Wellington reflete sobre o passado, o presente e o futuro da AD, e seus principais desafios no século 21, e fala da alegria que foi participar da 6ª edição do Congresso Mundial das Assembleias de Deus, que foi realizado de 6 a 9 de fevereiro em Chennai, Índia. Segundo ele, essa foi uma das melhores edições do evento. O Congresso deste ano reuniu cerca de 10 mil assembleianos de 70 nações e teve como tema “Avante! No favor de Deus”. O objetivo do Congresso é manter e celebrar a fraternidade mundial da denominação e estabelecer objetivos conjuntos para os próximos anos.

Pastor Wellington relata a sua experiência entre os irmãos indianos, o tratamento dispensado aos convidados, o perfil da igreja em território indiano e ainda informações sobre os preparativos das comemorações do Centenário das ADs no Brasil.
Obreiro O senhor esteve recentemente no Congresso Mundial das Assembleias de Deus na Índia. Como foi o evento deste ano? O que o senhor destacaria de mais positivo?

Em primeiro lugar, nós fomos recebidos de uma forma muito carinhosa. Os indianos são um povo com um coração nobre, receptivo, amoroso. A forma como eles nos receberam nos cativou inteiramente. Se esse povo nos tratou tão bem na parte social, imagine a igreja local. Também participamos de cultos maravilhosos. O presidente da Convenção da Assembleia de Deus na Índia, o pastor David Mohan, é um homem de Deus. Ele é líder de uma igreja bonita, grande e avivada. Enfim, tivemos um trabalho maravilhoso. Com relação à organização, eu tenho participado de vários Congressos Mundiais da AD, mas esse foi o mais organizado de que já participei. No que diz respeito à organização, dou nota 10 aos irmãos da Índia. E a liturgia deles se assemelha muito com a dos brasileiros. O que eu posso dizer? Eu voltei muito feliz. Outra alegria é que, pela primeira vez, tivemos um brasileiro como um dos preletores do Congresso Mundial da AD. O pastor Joel Freire, líder da Convenção Fraternal das Assembleias de Deus Brasileiras nos Estados Unidos (Confradeb-EUA), foi um dos ministrantes na grande reunião de terça-feira à noite. Foi uma celebração muito bonita.

Obreiro - O que mais chamou a sua atenção na Assembleia de Deus daquele país?

A impressão que eu trouxe daqueles dias é de uma igreja muito amável, e que está trabalhando com denodo a fim de realizar a obra de Deus. Como as reuniões eram de caráter mundial, nos deparamos com uma amálgama de vários povos. Na verdade, o maior número era de indianos, mas pelas suas vestimentas não conseguíamos distinguir os naturais dos estrangeiros, ou seja, quais eram indianos nativos e quais eram do Paquistão ou da Malásia. Mas, eu chamo a atenção para o comportamento desse povo, uma postura excelente. Eu voltei maravilhado com o momento do culto, com a maneira como as pessoas se comportaram diante de Deus. Eu posso afirmar que foi algo muito bom.

Obreiro - Qual o ponto mais positivo do evento para o senhor?

Como na Índia ainda existem alguns Estados em que há muita repressão ao cristianismo, a realização desse Congresso deixou para todo o país uma mensagem evidente do poder do Evangelho. Como a igreja que existe na Índia é relativamente grande, tudo o que faz tem naturalmente um grande alcance e, de fato, a igreja

indiana deixou uma mensagem do Evangelho de Cristo que mostra para todo o povo que o Evangelho é superior a toda aquela idolatria em território nacional.

Obreiro - A Assembleia Geral Ordinária da CGADB em Cuiabá será a AGO do Centenário. Qual a sua expectativa para esse conclave e para os temas que serão debatidos ali?

Eu estou naturalmente orando e certo que vamos realizar com sucesso mais um período convencional. Vamos colocar em pauta assuntos que considero muito importantes, principalmente no que diz respeito à doutrina. Temos também o resultado daquela comissão que formamos na Convenção Geral passada, no Espírito Santo, que trata sobre o casamento, e também temos o programa do Centenário. Queremos dar muita evidência a essa programação de junho, pois estamos certos de que a igreja no Brasil está envolvida. Estamos dando apenas os últimos retoques na programação, de maneira que eu creio que toda a igreja no Brasil estará exaltando ao Senhor de forma marcante pelo centenário da nossa igreja.

Creio que as comemorações do Centenário da AD no mês de junho são um momento concedido por Deus para notificar a todo o Brasil a presença de nossa igreja. Eu, que pertenço à geração passada, lembro-me que a nossa igreja, por ser pequena e também perseguida, era mantida quase no anonimato. Hoje, porém, pela graça de Deus, a denominação tem visibilidade devido à sua expansão, projeção social e uma grande parcela de membros universitários, profissionais liberais. Essa comemoração vai também notificar ainda mais a existência e o conteúdo da denominação.

Obreiro - O senhor acredita que a AGO de Cuiabá possa ser também um período de reflexão sobre o Centenário da igreja para os cerca de 2,5 mil ministros que estarão ali presentes?

Nós faremos todo o possível para que isso aconteça, e este é o desejo do meu coração. Como nesse período não vamos ter eleição, então teremos muito tempo para uma reflexão mais profunda do trabalho do Senhor. Eu acredito que o Senhor Deus vai nos dirigir para que levemos o nosso plenário a um momento de reflexão, porque é muito apropriado para isso acontecer. Depois de 100 anos de existência, esse é um momento importante para todos os obreiros, embora não tenhamos um número tão elevado para a AGO em Cuiabá, mas é uma chance que Deus está nos concedendo.

Obreiro - Olhando para a Assembleia de Deus hoje e para o seu passado e o seu futuro, o que é preciso melhorar ou resgatar na nossa denominação para que possa enfrentar com êxito os desafios do século 21?

Eu acredito que a Assembleia de Deus na qual aceitei a Cristo como meu salvador há 69 anos passados não pode estar diferente hoje. É verdade que houve mudanças na sociedade atual, porém a modernidade e o avanço tecnológicos devem ser utilizados por nós para o bem e a edificação da Igreja. No contexto doutrinário, temos todo o empenho de manter a Igreja dentro dos parâmetros das Sagradas Escrituras. É verdade que somos constrangidos a reconhecer que em algumas cidades há igrejas que estão um pouco diferentes com relação a alguns costumes que não são próprios da Assembleia de Deus, e é por isso que o tema desta Convenção Geral de abril é A Doutrina e o Comportamento da Igreja para este momento. Desejo convocar os pastores para que todos estejam empenhados no ensino da Palavra de Deus e do comportamento da Igreja que o Senhor tirou do mundo, purificando-a com o Seu sangue a fim de levá-la para o Céu. Não podemos perder esse alvo. Somos a Assembleia de Deus de ontem, hoje e a do futuro. Não se pode mudar a identidade da Igreja do Senhor.

Obreiro - Como estão os preparativos para a Conferência Pentecostal na região Sudeste em novembro?

Estamos empenhados na construção de nosso novo templo. Temos muito a fazer, portanto trabalhamos diuturnamente. Com relação à organização, estamos trabalhando naturalmente na preparação do povo de todas as faixas etárias da igreja, desde as crianças, passando pela mocidade e pelo Círculo de Oração, a Orquestra, o Coral e os obreiros. Estamos envolvidos nesse trabalho, e esperamos ter uma grande festa.
Obreiro Que palavra o senhor deixa para os obreiros assembleianos de todo o país por ocasião do Centenário das Assembleias de Deus no brasil?

Eu quero dizer aos meus companheiros que a existência da Assembleia de Deus é uma indelével prova do poder de Deus derramado em nossos corações no Brasil, e que não podemos prescindir dessa operação miraculosa de Deus em Seu povo neste país. Temos que valorizar isso, pois este é o tempo que Deus colocou em nossas mãos para dar ênfase não somente no que diz respeito à parte social, porém muito mais à parte espiritual. Não podemos nos esquecer da doutrina dos apóstolos, da comunhão, do partir do pão, e das orações.

Fonte: Revista Manual do Obreiro

CPAD - Casa Publicadora das Assembleias de Deus



quinta-feira, 21 de abril de 2011

RESOLUÇÃO DA 40ª AGO DA CGADB SOBRE UNIÃO ESTÁVEL E DIVÓRCIO - TEXTO NA ÍNTEGRA




Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil, no uso de suas atribuições e de conformidade com o disposto no art. 3º, III, IV c/c o art. 8º, I, do Estatuto Social;

Considerando a existência de Ministros, membros da CGADB, em situação de Divorcio;

Considerando a necessidade dessa Convenção Geral em traçar normas que regulamentem a situação ministerial dos seus membros, no sentido de preservar e manter os princípios morais e espirituais que embasam a doutrina das Assembléias de Deus no Brasil;

Considerando que é dever dessa CGADB zelar pela observância da doutrina bíblica e dos bons costumes dos membros das Assembléias de Deus, em todo território nacional, sem prejuízo da atuação das respectivas Convenções Estaduais;

RESOLVE:

Art. 1º. A CGADB só reconhece o Divórcio no âmbito ministerial de seus membros, nos casos de infidelidade conjugal, previstos na Bíblia sagrada e expressos em Mt. 5:31-32; 19:9, devidamente comprovados.

Art. 2º. As Convenções Estaduais deverão esgotar todos os esforços possíveis no sentido de promover a reconciliação do Ministro e sua esposa, antes de serem ajuizadas Ações de Divórcio.

Art. 3º. Esta CGADB não reconhece, no âmbito da vida ministerial de seus membros, a situação de União Estável.

Art. 4º. O Ministro, membro desta CGADB, divorciado nos termos do disposto no art. 1º. Desta Resolução ou no caso, onde a iniciativa do divórcio partir da sua esposa (1 Co 7: 15), poderá permanecer ou não, na função ministerial, decisão essa, que ficará a cargo da Convenção Estadual da qual é filiado, facultando-se-lhe o direito de recurso para Mesa Diretora e para o Plenário desta Convenção Geral.

Parágrafo 1º. O Ministro, vítima de infidelidade conjugal por parte de sua esposa, poderá contrair novas núpcias, respeitados os princípios bíblicos que norteiam a união conjugal, nos termos da permissibilidade concedida por Cristo, em Mateus 5. 31 e 32; 19. 9, ficando cada caso a ser examinado e decidido pelas Convenções Estaduais.

Parágrafo 2º. Quando o Ministro der causa ao divórcio, a sua permanência ou retorno ao ministério dependerá de exame e decisão da Convenção Estadual, facultando-se-lhe ampla defesa, sendo-lhe também assegurado recurso para a Mesa Diretora e para o plenário da Convenção Geral.

Art. 5º. O Ministro, membro desta CGADB que acolher Ministro divorciado sem a observância do disposto na presente Resolução, será responsabilizado disciplinarmente, no âmbito desta Convenção Geral.

Art. 6º. Ficam os Presidentes de Convenções e demais membros desta CGADB autorizados a divulgar entre a membresia das Igrejas Evangélicas Assembléias de Deus em todo o território nacional, o inteiro teor desta Resolução.

Art. 7º. Esta Resolução entrará em vigor na data da sua publicação no “Mensageiro da Paz”, órgão oficial de publicação dos atos desta Convenção Geral.

Art. 8º. Revogam-se a resolução 001/95, de 29 de Janeiro de 1995 e demais disposição em contrário.


Plenário da 40ª Assembléia Geral Ordinária da CGADB em Cuiabá(MT), 13 de abril de 2011

Pr. Esequias Soares da Silva - Presidente da Comissão Especial

Pr. Everaldo Morais Silva - Relator da Comissão Especial
                                                           
Pr. Ricardo Moraes de Resende - Secretario Ad Hoc da Comissão Especial