segunda-feira, 26 de abril de 2010

O CARÁTER DO PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL


O comportamento do mestre dita o êxito ou o fracasso de suas aulas

Por Antônio Gilberto

A integridade de caráter é um valioso fator determinante para o êxito do ministério daquele que ensina na casa de Deus, inclusive na Escola Dominical. O termo caráter considerado ao seu étimo significa marca, sinal ou impressão visível deixada, estampada ou gravada por algo ou alguém, como pegadas deixadas na areia, no barro ou cimento ainda mole, e noutros matérias impressionáveis. Aplicado ao ser humano, o termo caráter denota a marca moral indelével, definida, clara e inconfundível que deixamos gravada nas pessoas, nos lugares e nos eventos por onde passamos. É enfim a estrutura ou construção moral de uma pessoa, seu modo de ser, de proceder, de viver diante dos outros. É sua “marca registrada” pessoal e moral. Em resumo é o conjunto de qualidades que uma pessoa possui. Todo ser humano tem qualidades que o distingue, que deixam marcas nos outros, que constituem o seu retrato moral característico, distintivo, único.

O CARÁTER NA BÍBLIA

O “óleo precioso” da unção descia primeiramente sobre a cabeça, mas também sobre a barba de Arão, o sacerdote, e à orla das suas vestes sacerdotais (Sl 133.2; 2 Pd 2.5,6 e Ap 5.10). Entre o povo de Deus, a barba nos tempos bíblicos fala de caráter impoluto, honradez, dignidade, integridade de vida. É a unção divina sobre isso, na vida do professor da Escola Dominical. “Ali o Senhor ordena a benção e a vida para sempre”, diz o versículo seguinte do Salmo em apreço. O óleo sobre a cabeça é a unção de Deus sobre a mente do cristão; sobre suas idéias, conclusões, pensamentos, palavras e decisões. Essa gloriosa unção na mente do cristão produz na vida dos outros, como resultado do trabalho mental, frutos benditos, crescentes e multiplicados. Veja Levitico 8.12. As vestes sacerdotais apontam para o desempenho do ministério como um todo, uma vez que essas vestes sagradas cobriam o corpo todo, da cabeça aos pés, e cada peça tinha a sua finalidade descrita na Bíblia. Veja 2 Coríntios 6.3 e Romanos 11.13. Há mestres cristãos, ocupados na obra, que têm poder e dons, mas sem avanço, sem sucesso e sem frutos permanentes do seu labor por terem um caráter deformado, reprovável, destemperado e contraditório em se tratando do testemunho exemplar que deve fluir da vida do professor cristão. Numa variedade de situações e contexto da vida, aprende-se mais com a vida e conduta exemplar do professor do que com suas aulas. Por outro lado, as ricas aulas ministradas pelo professor, cujo testemunho cristão espelha o Evangelho, ninguém jamais as esquece à medida que passam os anos. Na palavra de Deus, o caráter crente está estreitamente vinculado à fidelidade, à santificação da vida, à ética. Os mais ricos textos bíblicos sobre o caráter ideal tão nos Salmos, Provérbios, Sermão da montanha (nos Evangelhos), bem como em inúmeras passagens bíblicas comuns como Filipenses 2.15 E Romanos 12.9-21. Mas também a Bíblia ensina sobre o caráter exemplar de vidas como Samuel (1 Sm 9.6; 12.2-5), Noé (Gn 7.5-6), Enoque (Hb 11.5), João Batista e Isabel, sua esposa (Lc 1.6), Barnabé (At 11.22-24), Paulo (At 20.17-24,35), Demétrio (3 Jo v.12).

O TESTE DO BOM CARÁTER DO PROFESSOR

O professor da Escola dominical, seja ele homem ou mulher, casado ou solteiro, jovem ou adulto, obreiro ou leigo, deve esforça-se diante de Deus para situar-se bem no teste do bom caráter cristão, como veremos a seguir.

O teste doméstico do caráter em casa.

É no lar, em família, que o caráter do professor revela-se primeiramente, junto aos seus pais, esposa, marido, irmãos, parentes próximos e distantes, mas também amigos, colegas e vizinhos. Como procede o mestre em casa, com aqueles com que ele ou ela convive na intimidade da família? Sim, é no lar que o professor da Escola Dominical deve primeiramente dar testemunho do seu bom caráter cristão, da sua vida fé, espiritualmente, oração e comunhão com Deus.

O teste profissional do caráter no trabalho.

Isto tem a ver com o professor no exercício da sua profissão, o desempenho da sua ocupação, mas também na escola onde estuda; enfim, o trabalho que alguém executa e a vida que vive em grupo, em conjunto. Como o professor da Escola Dominical procede com seus colegas de trabalho, com seus patrões, com os empregados, clientes, com os professores colegas na Escola Dominical, com seus alunos. Este teste tem a ver primeiro com a qualidade do trabalho que alguém executa, e não primeiramente com a quantidade de trabalho executado, apresentado. É o professor primeiro sendo, e depois fazendo. Em Lc 6.40 esta escrito: “O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre”. Ser como o seu Mestre (Jesus), e não primeiramente fazer para o seu Mestre.

O teste social do caráter junto ao grupo, à sociedade.

Como procede o professor quanto àqueles que não desfrutam das mesmas vantagens, meios e regalias que esse professor ou professora tem? Ele descrimina os outros por estar em posição ou situação de vantagem? E como ele ou ela procede quando em posição de vantagem?

O teste do sucesso ministerial.

Como procede o professor em relação aos outros quando circunstancias favoráveis levam-no à riqueza ao poder, à elevadas posições, à honrarias; enfim, levam-no ao sucesso material? Ele ou ela, com a graça de Deus, permanece simples, fiel, humilde de espírito, submisso, espiritual e sempre espiritual com dentes?

O teste do caráter no sofrimento.

É o referido teste em ralação ao próprio professor. Como ele procede em relação a si mesmo (mas que também afeta os outros com quem convive e conhece), quando surgem as provações da vida, as crises, contratempos, dissabores e dificuldades? Quando também ocorre perda de status e sem previsão de reavê-lo?

O teste do caráter quanto ao tempo.

É também em relação ao próprio professor. A medida que os anos correm, o professor prossegue sempre como exemplo digno de ser imitado, de vida cristã, rica, abundante e vibrante, crescendo em graça e conhecimento diante de Deus. Sim, o caráter ideal é também provado aqui, ao longo da vida. Muitos professores e obreiros outros já não são a candeia que no passado, como João Batista, brilhava (Jo 5.33-35).
Concluímos com o texto bíblico muito apropriado para este momento, 2 Tm 2.15: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”. Esse assunto também é abordado com propriedade em Provérbios 22.1, que diz: “Mais digno de ser escolhido é o bom nome do que as muitas riquezas; e a graça é melhor do que a riqueza e o ouro”.

Pastor Antonio Gilberto é consultor doutrinário da Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD).

REVISTA ENSINADOR CRSTÃO ANO 3 – N° 11, JUL/AGOS/SET/2002

sábado, 24 de abril de 2010

A QUAL GRUPO VOCÊ PERTENCE ?

ANTIPENTECOSTAIS, NEOPENTECOSTAIS, PSEUDOPENTECOSTAIS, PENTECOSTAIS NOMINAIS E PENTECOSTAIS VERDADEIROS

Antipentecostais cessacionistas.
Ignorando verdades bíblicas inquestionáveis, esses irmãos em Cristo privam-se da sobrenaturalidade do evangelho, à disposição de todos os salvos (At 2.39). Alguns zombam dos crentes que crêem na atualidade dos dons, manifestações e operações do Espírito. Apesar de sinceros, são racionalistas e tradicionalistas, e por isso não compreendem as manifestações espirituais (1 Co 2.14,15).

Antipentecostais cessacionistas moderados.
São crentes que dizem aceitar apenas uma parte das manifestações do Espírito descritas nas Escrituras. Pensam que determinadas operações do Espírito não existem hoje só por que não passam pelo crivo de seus limitados raciocínios.

Antipentecostais extremistas.
Além de cessacionistas, esses cristãos (cristãos?) nutrem uma aversão aos pentecostais, chegando a afirmar que estes estão endemoninhados. São iracundos, irônicos, invejosos, zombeteiros. Gostam de desafiar os pentecostais e consideram estes ignorantes, incapazes de refutar as suas argumentações meramente racionais.

Neopentecostais.
Dizem-se e pensam que são pentecostais, mas não querem abraçar o que dizem as Escrituras. São experiencialistas e ingênuos; seguem a qualquer manifestação sem nenhuma análise, ao contrário dos crentes de Bereia (At 17.11). Para eles, modismos, como “cair no Espírito”, “dentes de ouro”, “emagrecimento”, “crescimento de cabelo”, “depósito em conta”, etc., são obras divinas, e ponto final. Mas a Palavra de Deus nos manda julgar, examinar tudo (1 Co 2.15; 1 Ts 5.21; 1 Jo 4.1; 1 Co 14.29; Jo 7.24; 1 Co 10.15).

Neopentecostais apóstatas.
Homens que já propagaram e defenderam o pentecostalismo bíblico. Apostatando da fé, deram ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios (1 Tm 4.1). Propagam heresias e modismos, como “bênção de Toronto”, “unção do riso”, conversas com santos mortos, como Paulo, Maria, etc., arrebatamentos em grupo, transferência de unção, “unção do leão”, avivamento extravagante, etc.

Pseudopentecostais.
Pessoas inconversas, não-regeneradas, idólatras, que creem na intercessão dos “santos”, na mediação de Maria (ignorando 1 Timóteo 2.15 e João 14.6), chamados no Brasil de carismáticos. A Bíblia diz que o Espírito Santo é dado somente aos que obedecem a Deus (At 5.32). O Senhor Jesus afirmou que o mundo não pode receber o Espírito de verdade (Jo 14.17).

Pentecostais nominais.
Crentes que dizem ser pentecostais, mas não vivem o que pregam. São teóricos e dificilmente experimentam a sobrenaturalidade do evangelho.

Pentecostais verdadeiros. O pentecostalismo é um movimento cristão, biblicocêntrico, formado por crentes em Jesus Cristo, verdadeiramente salvos, fiéis, sinceros, que seguem ao que está escrito nas Escrituras. Os pentecostais creem no que a Palavra de Deus assevera acerca do batismo no (ou com o) Espírito Santo e da manifestação multifacetada do Espírito: dons, ministérios e operações (At 2; 1 Co 12.1-11; Mc 16.15-20; 1 Co 14.26, etc).

Servos de Deus pertencentes a igrejas tradicionais. É o caso dos irmãos batistas (tradicionais), presbiterianos e de outras denominações históricas que não são pentecostais, pseudopentecostais, neopentecostais, tampouco antipentecostais.

Blog do Ciro Sanches Zibordi (03/04/200)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A MULHER E O MINISTÉRIO PASTORAL


Por: Antônio Gilberto

Breve análise dos casos Bíblicos de mulheres que se destacaram de forma incomum na obra de Deus

Até bem recentemente, na Assembléia de Deus no Brasil, nada se falava quanto a mulher exercer o ministério pastoral. Lideres espirituais de grande envergadura, dos vários ainda estão entre nós, não se preocupavam com tal assunto. Só de dez anos para cá é que o referido assunto passou a ser abordado em conversas pessoais e em certos eventos da igreja local e até mesmo regional, como congressos e encontros.
O assunto, como é hoje ventilado, originou-se nas igrejas neopentecostais (algumas delas chamadas de “renovadas”), e em certas ramificações e apêndices da Assembléia de Deus, sem identidade doutrinariamente conservadora, e mesmo de práticas liberalistas, e que confundem, na igreja, modernismo com modernidade.
O contingente de mulheres na igreja é evidentemente muito maior que o dos homens, mas isso não justifica a pretensão que se propala. Nos trabalhos da igreja, é, graças a Deus, grande o numero de irmãs em atividade, dedicadas à santa causa do Senhor, número esse que deveria ser muito maior. São atividades as mais distintas.

A PASSAGEM DE GALÁTAS

A passagem de Gálatas 3.15-28 tem a ver com a unidade espiritual da igreja, em Cristo. E, destaque-se, “em Cristo”, no sentido desta expressão bíblica. A salvação em Cristo une todos os salvos igualmente num só Corpo – a igreja dos remidos. O texto acima precisa ser visto no seu respectivo contexto, como 1 Coríntios 12.12 e Efésios 2.11. O texto de Gálatas não confere hegemonia à mulher. Basta que se considere esse texto com total isenção de ânimo, juntamente com passagens como Gêneses 5.2: “Macho e fêmea os criou, e os abençoou, e chamou o seu nome Adão no dia em que foram criados”. Deus, ao criar (não formar) Adão e Eva, os chamou pelo o seu nome genérico: “Adão”, e não “Adão e Eva”, ou apenas “Eva”. Por que afirmar uma coisa em nome da bíblia sem a sua sanção?
Em Gêneses 3.15, “semente da mulher” tem a ver com a encarnação de Cristo, pela virtude do Espírito Santo, através da mulher. Fala dela como instrumento de Deus para trazer ao mundo o Salvador. Mulher alguma tem semente em si, no sentido de genitora. Sem o concurso do homem. Se a partenogênese ocorresse no gênero humano, o nascido seria sempre mulher, jamais homem, como foi o caso do Senhor Jesus. Outrossim, na queda ocorrida no Éden, Eva pecou primeiro, mas na hora de Deus julgar os culpados, Ele chamou Adão primeiro, mostrando que este era o cabeça. De fato, Eva foi formada de parte de Adão. Num assunto deste jaez, se deve partir de anunciado, arrazoados e teses humanas, como os articulistas estão fazendo, como se a causa do Senhor dependesse de juízo humano.

JESUS, PAULO E AS MULHERES

Jesus teve, no seu ministério terreno, auxiliares mulheres. Eram santas mulheres, que serviram de várias maneiras, e isso até a cruz. Ele nasceu de uma mulher. Ele sempre as recebeu e as considerou, permitindo que seus nomes imortalizassem no registro bíblico. Mas ele nunca nomeou “apostolas”; ele sempre soube o que fazia e o que deveria ser feito, como é bem patente nos evangelhos.
Apóstolo Paulo, constituído por Deus, pregador, apóstolo e doutor dos gentios, o maior expoente como obreiro de Deus neotestamentario, nunca separou, sequer mencionou “apóstolas” e “pastoras”, apesar de carinhosamente destacar nomes de obreiras e o seu desempenho na obra, como em Romanos 16.

O CASO DE FEBE

Vemos o caso de Febe, em Romanos 16.1. Ao pé da letra, a expressão alusiva a Febe – “a qual serve à igreja” – é “a qual exerce o diaconato na igreja”. Mas a construção frasal no original está no masculino. É qual talvez não havia em Cencréia diáconos, porque o trabalho estaria sendo indicado, ou porque não havia diáconos suficiente, e então Febe exercia o diaconato. Quanto à expressão “a mulher moderna”, aplicada as irmãs da igreja, diga-se que o mesmo que ocorre aos homens da igreja hoje, ocorre igualmente às mulheres. No passado, na igreja, tínhamos homens de menos conhecimento e de menos preparo acadêmico (tanto secular como teológico), mas eram mais sábios e mais poderosos espiritualmente. O mesmo vem acontecendo as mulheres. O desejável é que tenhamos tanto eles como elas cada vez mais preparados, mas ao mesmo tempo poderosos em Deus e na Palavra. Em certos aspectos precisamos voltar “a Betel”, “ao Cenáculo”, e não avançar para tão longe que não divisemos mais esses santos lugares de encontro com Deus.

OUTROS CASOS

Casos bíblicos como os de Débora, Hulda, Ana – a profetisa, as filhas de Filipe, Priscila, Evódia e Síntique devem ser considerados em seus respectivos contextos bíblicos. Por exemplo, Débora e Hulda. O seu contexto espiritual era de apostasia. Os homens em condição de servir a Deus bandeavam para a perversa idolatria dos países vizinhos de Israel. Ora, a obra de Deus não pode parar só porque o homem fracassa. Em tais situações, Deus suscita a quem Ele quiser, mas isso não é regra bíblica; é exceção. Tais mulheres em ação no ministério revela a soberania de Deus, mas saiba-se que não é regra geral da parte do Senhor. Pessoalmente, fui, sou e serei favorável ao ministério da mulher na igreja, como vemos na bíblia, máxime em o Novo Testamento, como já mostramos, bem como a História da igreja do passado e do presente, mas não vejo suporte nas doutrinas bíblicas (bíblicas mesmo) do ministério evangélico, para a ordenanção da mulher cristã ao exercício do ministério pastoral. Portanto, meu particular ponto de vista é que a Assembléia de Deus no Brasil decline de tal propósito: ordenar mulheres para o ministério pastoral. As igrejas da nossa fé e ordem, de outros países, que ordenaram mulheres de maneira regular e constante, como ocorrem aos homens chamados por Deus para o santo ministério, hoje, veladamente, desestimulam tal prática, e o número de irmãs ministras nesses países é repressivo.


Pastor Antonio Gilberto é consultor doutrinário da Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD).



REVISTA O OBREIRO, ANO 23 N° 15, JULHO 2001.