segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O QUE SIGNIFICA SER UM PASTOR


Por Anthony D. Palma

Este artigo é uma visão geral do conceito neotestamentário do pastor espiritual e de como ele se relaciona a Jesus e aos lideres da Igreja. Pastores são figuras comuns nas Escrituras Sagradas, a começar por Abel (Gn 4.2). Por isso, não nos surpreende, entretanto, que o Antigo Testamento freqüentemente retrate Deus como Pastor (Sl 232.1; 80.1; Is 40.11; Jr 31.10 e Ez 34.11-13) e os líderes do seu povo como pastores (Ez 3.4). É axiomático que a função primária do pastor seja velar pelo bem-estar das ovelhas e guiá-las a isso.

JESUS COMO PLENO PASTOR

Nos tempos do NT, pastores não foram altamente considerados. Entretanto,é surpreendente notar que o anúncio dos anjos sobre Jesus tenha sido feito a humildes pastores (Lc 2.8-11). Todavia, isso foi apropriado para o Messias, o filho de Davi (o pastor-rei), que nasceu na cidade de Belém, a cidade de Davi (Ez 34.23). Quase desapercebido nos relatos da natividade é a representação pictórica de Jesus como pastor. Na citação de Mateus de Miquéias 5, Jesus é chamado “o guia que há de apascentar o povo Israel”, Lc 2.6.

Na Primeira e Segunda Vindas de Jesus é descrito como pastor. Paradoxalmente, o cordeiro “deveria os apascentar [literalmente ser o pastor deles], e deveria guiá-los às fontes das aguas da vida (Ap 7.17). ele irá reger [literalmente pastorear] todas as nações com a vara de ferro (Ap 12.5; 19.15). esse último concerto aplica-se bem aos dominadores (2. 26-27).

Jesus descreveu a si mesmo como o bom pastor (ho poimen ho kalos – João 10.11-14) que deu a sua vida pelas as ovelhas. Nessa conexão ele também poderia ser chamado de sumo pastor (Mt 2.31 e Zc 13.7). em senso único, é claro, somente Jesus deu a sua vida pelas ovelhas. Ainda em senso restrito isso sugere que qualquer pastor tem a obrigação moral de estar disposto a sacrificar a si mesmo em favor de uma ovelha.

Jesus é, alem disso, chamado de grande pastor das ovelhas (Hb 13.20) e de o pastor (Jo 10.16 e Ez 34.23; 37.24). Pedro chamou o de Sumo pastor (archinpoimen – 1 Pd 2.25); um escritor sugere a tradução “Mestre-pastor”.

A combinação pouco usual dos termos refere-se a Jesus como “o pastor e guardião [ho poimen kai epískopos] das nossas almas (1 Pd 2.25). A frase poderia ser traduzida por guardião-pastor. A palavra epískopos é freqüentemente conferida a bispo ou supervisor.

J.N.D. Kelly em seu comentário em 1 Pedro sugere que o epískopos é “aquele que inspeciona, olha por, protege”. Esse grupo de termos tem significação especial quando aplicados aos líderes na igreja. Tanto Paulo quanto Pedro enfatizaram o aspecto guardião-supervisor do ministério.

PAULO E PASTORES

Nas listas dos dons de liderança que o Cristo em ascensão deu à Igreja, Paulo falou de “pastores e mestre [tous poimenas kai didaskalous]” (Ef 4.11). Eruditos em bíblia continuam a debater se Paulo estava falando de duas chamadas distintas ou se pretendia dizer alguma coisa como “professor-pastor”. Certamente uma das principais características de um pastor é nutrir e alimentar o rebanho pelo ensino e exposição da Palavra de Deus.

Esse é o motivo pelo qual existe a distinção de vocação, qualificando um bispo como capaz de ensinar (didaktikos), conforme 1 Timóteo 2.24 e 3.2. Um número considerável de autoridade confere a essa palavra grega a idéia de “hábil ensinador”, “apto a ensinar” e “competente para ensinar”.

Efésios 4.11 é a única passagem no NT onde tal pessoa é designada pela palavra grega para pastor (poimen), ainda que seja geralmente aceito que essa designação possa ser intercambiável com bispo/supervisor (episkopos) e (presbuteros).

Todos os três conceitos são encontrados em conjunto nos relatos paulinos discursados de Mileto aos efésios. Eles são chamados de anciãos (At 20.17). Paulo disse a eles que o Espírito Santo os tinha supervisores do rebanho, do qual eles eram pastores (v.28). Esse era o preço notificado por Paulo no verso em que ele exortou esse homem: “Olhai, pois, vós, e por todo rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue”, At 20.28.

Isso nos lembra da designação de Pedro apontando Jesus como pastor e guardião-bispo de nossas almas (1 Pd 2.25).

PEDRO E OS PASTORES

Jesus interagiu com Pedro (lembre-se de João 21. 15-17), que é digno de estudo. Irei tratar somente com os elementos relacionados diretamente ao tópico. Jesus mandou Pedro tanto alimentar quanto zelar (boskô – versos 15 e 17) e apascentar (poimainô – verso 16) as ovelhas. Os objetos do seu cuidado são chamados tantos os cordeiros de Deus (arnia – verso 15) como de suas ovelhas (probata – verso 16-17).

Em meu juízo, a variação nos versos e nos nomes são estilísticos. Não penso que Jesus destinou a Pedro ou para nós o determinar alguma profunda diferença em cada par de palavras. O ímpeto da mensagem é claro: a responsabilidade de Pedro foi de prover bem-estar para todo o rebanho do Senhor.

Pedro certamente teve esse incidente em mente quando ele exortou “os anciãos entre vós a apascentarem [poimainô] o rebanho de Deus, chamando sobre eles a responsabilidade de fazerem isso voluntariamente com zelo; não por torpe ganância, mas de ânimo pronto” (1 Pd 5.1-3). Algumas dos melhores manuscritos trazem no versículo 2 o particípio episkopos, na qual pode ser “exercitando a supervisão” ou “servindo como supervisores”. Isso pode ser contrastando com os líderes ímpios, que, de acordo com Judas, são homens “que apascentam a si mesmos sem temor [poimainô]” (Jd 13), e que estarão sob julgamento divino. Em contraste, Pedro sugeriu que o Sumo Pastor irá recompensar seus fiéis pastores (1 Pd 5.4).



Anthony D. Palma é teológico, pastor na AD nos Estados Unidos e escritor. É autor de Batismo no Espírito Santo e com fogo (CPAD).



Jornal Mensageiro da Paz, Outubro de 2005 – Pág. 16.



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A MORTE É COMO A VINDA DE JESUS ?



“Para um cristão, a morte já é como a Segunda Vinda de Jesus?”

Por Jemuel Kessler

É comum ouvirmos alguns irmãos perguntarem: “Para um cristão, a morte já é como a Segunda Vinda de Jesus?” A resposta é não. Inicialmente, consideremos que a Segunda vinda de Jesus será para buscar sua Igreja, conforme o apóstolo Paulo ensina em 1 Tessalonicenses 4. 13 -17: “Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele. Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor”.

Vemos que Paulo complementa nesse texto a revelação que Deus lhe deu em 1 Co 15.23: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda”. Isso corrobora com a doutrina de 1 Co 15.51-52: “Eis que vos digo um mistério: Na verdade nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará,  e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados”.
Óbvio, os que “são de Cristo” são aqueles que “morreram no Senhor” (“os que dormem”) e “nós, os vivos, os que ficarmos até a vinda do Senhor”. Isso estabelece também uma ordem de prioridade: primeiro os que dormem e depois os vivos. Esse é o primeiro conceito.
Depois, biblicamente, temos o conceito de morte. Em Tiago 2.26, lemos: “Porque assim como o corpo sem o espírito é morto...”. Deduz-se, portanto, que a morte não é extinção, mas, sim, separação. 
A morte biblicamente, é vista ainda como um sono, conforme 1 Co 15.6: “Depois, foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também”. Como dissolução da casa terrena (2 Co 5.1); e como “despir-se deste tabernáculo”, expressão do apóstolo Pedro (2 Pd 1.14). Esse é o segundo conceito. Quando o homem morre, de acordo com a Palavra de Deus existe uma cessação da vida natural. Com isso queremos dizer que cessam suas origens que ligam à natureza. Não há mais pai, filho, família etc, bem como lhe cessam também todas as suas ligações com as leis físicas e naturais. O tempo natural para de ser contado. Salomão, escrevendo em Eclesiastes, faz referência a isso. Ele diz que “os mortos não sabem cousa nenhuma” e que “para sempre não parte em cousa alguma do que se faz debaixo sol” (Ec 9.5-6).
Quando os mortos em Cristo ressuscitam, são novas criaturas, com uma natureza totalmente espiritual. Essa ressurreição só se dará na Segunda Vinda do Senhor quando Ele vier buscar a sua Igreja.
Ora, se cessa o transcorrer do tempo, os que já morreram não ficarão esperando a Vinda do Senhor, pois o tempo não esta passando para eles.
Os que questionam a Pedro sobre a demora da Segunda Vinda de Jesus (“Onde está a promessa da sua vinda”?) receberam como resposta que para Deus o tempo não passa, conforme 2 Pd 3.4,8. Nesse caso, o tempo que passa para o homem é a misericórdia de Deus em ação. Lembremos que Deus é eterno, conforme a visão de Daniel 7.9, onde Deus é apresentado como o “Ancião de Dias”.
Então, temos certeza de que os que morrem no Senhor somente vão ressuscitar na Segunda Vinda, e todos de uma única vez, precedendo aos que estiverem vivos!

Jemuel Kessler é pastor da AD no Rio de Janeiro, articulista e membro da Comissão de Apologia da CGADB.

Jornal Mensageiro da Paz, Outubro de 2005 – Pág. 15.  


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terça-feira, 26 de outubro de 2010

É BÍBLICO DANÇAR NO ESPÍRITO?



       “A Bíblia fala sobre dançar no Espírito?”


Por Severino Pedro da Silva


Existe várias expressões bíblicas que referem-se a “dançar” e “bailar”. Contudo, nenhuma passagem das Escrituras fala de “dançar no Espírito”. Esta frase é nova. Não é bíblica nem teológica. Somos informados pelas Sagradas Escrituras que os povos antigos manifestavam seus sentimentos por meio das danças.

Após uma grande vitória de seus maridos ou parentes, quando voltaram das batalhas em defesa de suas vidas ou da pátria, as mulheres, incluindo esposas e filhas, saíam ao encontro dos vitoriosos com cânticos e danças (Jz 5.11,34). Miriã, a profetisa, a irmã de Arão e de Moisés, e todas as mulheres libertas do cativeiro egípcio, celebraram a passagem do Mar Vermelho “com tamboris e com danças” (Ex 15,20). Em tempos remotos, havia uma celebração ao Senhor em Israel e as filhas saíam a dançar em ranchos celebrando a “solenidade do Senhor em Siló” (Jz 21.19,21).

Davi, após conduzir a Arca da Aliança da casa de Obed-Edom até a cidade de Jerusalém, ia “bailando e saltando diante do Senhor” (2 Sm 6.16). Com o passar do tempo, essa prática tornou-se comum em Israel. Jeremias fala que depois de uma bem-sucedida colheita, “a viagem se alegrava na dança” e “e também os mancebos e os velhos” celebravam da mesma maneira (Jr 31.13). Também em suas lamentações o profeta acrescenta: “Cessou o gozo de nosso coração; converteu-se em lamentação a nossa dança” (Lm 5.15).

Parece que os profetas de Baal, durante sua cerimônia sacrificial, usavam uma espécie de música aos gritos de danças aos saltos ao redor do altar (1 Rs 18.26). Do lado sensual, havia também em Israel a conhecida “dança do ventre”, que ainda hoje é praticada com freqüência no Oriente Médio. As filhas de Sião, quando perderam o temor a Deus, adicionaram ao seu andar a dança do ventre – o que foi severamente condenado pelo Senhor (Is 3.16). Salomé, a filha de Herodes, dançou também dessa maneira (Mc 6.22).

No Novo Testamento, em algumas de suas passagens, a música e as danças encontram-se em evidencia, sendo praticadas nas solenidades judaicas. Jesus comparou à situação de seus dias com aqueles que diziam: “Tocamos-vos flautas, e não dançastes” (Mt 11.17). O irmão do filho prodigo ficou indignado quando ouviu e viu “a música e as danças” para seu irmão” (Lc 15.25). entre as nações semíticas, as danças sagradas eram observadas tanto por homens como por mulheres.

Existiam inúmeras recomendações bíblicas dizendo que os santos devem se alegrar no Senhor (Sl 32.11) e servir a Ele com alegria (Sl 100.2). Maria, a mãe de Jesus, foi uma jovem santa do Novo Testamento. Ela agradeceu a Deus dizendo: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador” (Lc 1.46-47). Mas não existe nenhuma recomendação no Novo Testamento, que é o manual de orientação para a Igreja Cristã da Dispensação da Graça, dizendo que se deve “dançar no Espírito”.

Além disso, certas danças que existem por aí em certos seios evangélicos não são espontâneos, mas ensaiadas com antecipação e apresentadas ao público como “dançar no Espírito”. Por outro lado, existem também aqueles que aproveitam os momentos festivos e neles procuram extravasar suas emoções e euforias, além das regras preestabelecidas pela sobriedade da ética cristã.

Paulo fala de “orar no Espírito”, “bendizer no Espírito” e “cantar no Espírito”, mas jamis de “dançar no Espírito”. Não ignoramos as manifestações do Espírito Santo no meio do povo de Deus. Sabemos que em alguns momentos não é fácil mesmo se controlar diante do derramamento do poder de Deus. Contudo, a sabedoria divina nos ensina que, via de regra, quanto mais o cristão está cheio do Espírito, mas controlado ele fica. Pois a manifestação do Espírito Santo traz ao crente o amadurecimento e a sobriedade cristã. Descontrole não é sinal de estar totalmente controlado pelo Espírito de Deus.

Há outras maneiras mais suaves, dentro do campo da ética. De se agradecer a Deus pelo seu amor e bondade, do que certas práticas extravagantes que podem até despertar a curiosidade carnal.


Severino Pedro da Silva é pastor na AD no Belenzinho (SP), escritor e membro da Casa de Letras Emílio Conde.


Jornal Mensageiro da Paz, Dezembro de 2005 – Pág. 15.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A DIFERENÇA ENTRE O BATISMO DE JOÃO E O DE JESUS





“Por que Paulo batizou os crentes de Éfeso novamente (At 19.5), já sendo eles batizados no batismo de João (At 19.3)? Nesse caso, qual a diferença entre o batismo de João e o de Jesus”?

Por William Miranda

O que é batismo? Ora, batismo é uma ordenança deixada pelo Senhor Jesus Cristo que, juntamente com a Santa Ceia, se constitui doutrina. O batismo, apesar de várias tipificações no Velho Testamento, efetivamente foi realizado por João Batista, cujo nome já fala de batismo. Melhor dizendo, “Batista” não constituía nome, mas, sim, uma qualificação do que ele fazia. João Batista significa “o João que batiza”, pois seu nome com sobrenome era “João filho de Zacarias”. Era assim que se construíam os nomes à época.
Batismo é símbolo da morte para o mundo. A palavra, no seu original, sugere o entendimento de morte. O batismo é citado em 22 textos na versão Almeida Revista e Corrigida, e a maior parte relacionada ao próprio João e à palavra “arrependimento”. O batismo de João evoca a necessidade de arrependimento e morte para os pecados. Jesus foi batizado por João não porque precisa-se se arrepender de alguma coisa, mas, como nos diz a Bíblia, para “cumprir toda a Lei”, toda a tradição.
No caso em tela, levantado pelo leitor, observamos a questão da consciência para o batismo. Os irmãos citados em 19 não tinham conscientização do caráter de resgate que Cristo realizou na cruz do Calvário. Não conheciam o batismo no Espírito Santo. Em seu batismo em águas, eles não tinham consciência da obra redentora de Cristo. Tinham o arrependimento, porém não sabiam da Redenção, como subponto da Doutrina da Salvação. Eram batizados em águas para arrependimento, porém, por ignorância por falta de ensino, não sabiam que ao serem batizados não só “morremos para o mundo, mas “vivemos para Cristo”. o ensino estava incompleto.
Duas aplicações são vistas nessa passagem: o perigo do abandono do ensino integral da Santa Palavra do Senhor e uma questão de Teologia Prática – a consciência para o batismo. Esta última deve ser observada para não batizar-se pessoas que não sabem o que estão fazendo. É por isso que não batizamos crianças, por falta de consciência do ato. Nós as apresentamos como foi com o nosso Senhor Jesus.
A outra aplicação de que falamos é uma das questões contemporânea que mais solapam a igreja verdadeira. Estamos vivendo dias de abandono das doutrinas. São elas que nos fazem Igrejas. As doutrinas são nossa identidade. O que nos faz Igreja de norte a sul deste país, com tantas divergências regionais? As doutrinas. Lamento que tenham aparecido novos evangelhos, que não são idênticos àquele completo deixado pelo Senhor Jesus e confirmado pelo seu Santo Espírito, os quais foram e são a Pedra Angular e o sustento da Igreja. Pregam um Cristo que ora só cura, ora só expele demônios pelo seu nome, ora só dá dinheiro. Há também campanhas que seccionam o Evangelho, como, por exemplo: “segunda-feira: cura”; “terça-feira: família”; “quarta-feira: finanças”, e assim por diante. Jesus salva, cura, batiza no seu Santo Espírito todos os dias em todos os cultos, porque primamos pelo Evangelho completo.
E quanto a diferença entre o batismo de João e o nome de Jesus? O batismo de João aponta para o arrependimento. O batismo em nome do Senhor Jesus apresenta a obra completa.

William Miranda de Melo é pastor, vice-líder da AD em Sobradinho (DF) e membro da Comissão de Apologética da CGADB.                     

Jornal Mensageiro da Paz, Setembro de 2005 – Pág. 15.   

sábado, 1 de maio de 2010

"LIGAR NO CÉU" NÃO SIGINIFICA MANDAR NO CÉU


Por: José Gonçalves

Com a ascensão da chamada teologia da prosperidade, o texto de Mateus 16.19 ganhou ênfase especial: “E eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus”. Baseados nessa passagem bíblica, alguns pregadores adeptos da teologia da prosperidade começaram a “determinar” e até mesmo “mandar em Deus”. A lógica parece perfeita: se o que eu ligo aqui na terra será ligado no Céu, então parece bastante obvio que a terra manda de fato no Céu. É só determinar e pronto! Esse ensino tem provocado atitudes absurdas. Por exemplo: Para que gastar longas horas em oração, se podemos simplesmente “determinarmos” que Deus faça isso ou aquilo? Para que suplicar algo a Deus, se Ele tem o “dever” ou até mesmo a “obrigação” de endossar o que se determina?
Outro dia eu andava por um bairro da periferia da minha cidade e fiquei surpreendido com uma cena que presenciei. Encontrei duas jovens pertencentes a uma dessas igrejas praticantes da “Teologia da Determinação”. Elas estrategicamente se moviam de um lado para o outro da rua. Aproximei-me e as indaguei o que estavam fazendo ali. A mais velha disse-me que estavam “determinando” a saída de satanás daquela área! Aquele episódio deixou-me perplexo, pois aprendi pela Bíblia Sagrada que a melhor maneira de fazer o diabo ir embora de um lugar é através da ação evangelística da igreja: “Então saíram e pregaram que todos se arrependesse; e expulsavam muitos demônios” (Mc 6.12,13). A pergunta, portanto, é: “Qualquer coisa que fizermos aqui será endossada pelo Céu?”

ANÁLISE EXEGÉTICA

Primeiramente, vejamos as duas formas diferentes como esse texto do Evangelho de Mateus tem sido traduzido em nossas versões em português:

a) Almeida Revista e Corrigida (ARC) – “E eu te darei as chaves do Reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.

b) Almeida Revista e Atualizada (ARA) – “Darte-ei as chaves do reino dos céus, o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra será sido desligado nos céus”.
No original grego, as expressões éstai dedeménon (ligar) e éstai lelyménon (desligar) são um perfeito perifrásico. No grego, o tempo perfeito indica uma ação ocorrida anteriormente, mas com reflexos no presente. Ao comentar o sentido do uso do perfeito perifrásico nesse texto, o especialista D.A Carson diz que, nessa passagem, estamos diante de uma “questão paradigmática”, e comenta: “Neste caso, questões paradigmáticas realmente rompem barreiras e fazem a evidência decididamente perder para a tradução ‘b’’’. Em palavras mais simples, Carson traduz esse texto como “Terá sido ligado/terá sido desligado” (Carson, D.A. A Exegese E Suas Falácias –perigos na interpretação da Bíblia, op.cit.). Da mesma forma, a Chave Lingüística do Novo Testamento Grego, ao comentar essa passagem, afirma: “Esta construção é futuro perfeito passivo parifrásico traduzido como ‘terá sido amarrado’, ‘terá sido solto’’’. E ainda observa: “É a Igreja na terra levando a efeito as decisões do Céu e não o Céu ratificando a decisão da Igreja”.

O SENTIDO CORRETO

Thomas ice e Robert Dean, ainda sobre esse texto, acrescentam: “Uma tradução que reforça esse sentido do original grego diria o seguinte: ‘Eu lhe darei as chaves do Reino dos Céus, mas o que você ligar na terra será aquilo que já foi ligado no Céus, e o que você desligar na terra será aquilo que já terá sido desligado nos Céus’’’. “Pedro deveria ligar coisas na terra, mas somente aquilo que já tivesse sido ligado no Céu. Pedro deveria estabelecer o padrão terreno de entrada no Reino do Céu, baseado no padrão que Deus já estabeleceu no Céu. Pedri deveria ser um mediador da Plavra de Deus entre Deus e o homem, esse padrão é o que Pedro afirmou em Mateus 16.16, que Jesus é ‘o Cristo, o Filho do Deus vivo’’’ (ICE, Thomas & Dean Jr Robert. Triunfando na Batalha. Editora Chamada da Meia Noite. Rio Grande do Sul, RS).

A NECESSIDADE DA APOLOGÉTICA
Como vemos, são interpretações equivocadas de passagens como a de Mateus 16 que provocam heresias e confusão na vida de muitos cristãos. Isso mostra a necessidade da praticar apologética em nossos dias. A defesa da fé evangélica bíblica se constitui uma das razões que justifica a necessidade da apologética. O teólogo Norman Geisler, em sua Enciclopédia de Apologética, enumera razões que justificam a necessidade da apologética:

1) Deus a ordena – Geisler argumenta sobre 1 Pedro 3.15,16: “Estar pronto não é só uma questão de ter a informação correta à disposição, é também a atitude de prontidão, e vontade de compartilhar a verdade sobre o que acreditamos”.

2) A Exigência da Razão – É pelo raciocínio que os humanos se distinguem dos “animais irracionais” (Jd v.10).

3) A necessidade do Mundo – As pessoas se recusam a crer em sem provas. Evidencias da verdade deve preceder a fé.
Há uma estreita relação entre apologética e as ciências da interpretação. Qualquer apologia que não se alicerça na hermenêutica e na exegese bíblica não pode ser considerada como apologia confiável. Por um lado, a hermenêutica é a ciência da interpretação e por outro, a exegese é a aplicação dos princípios da hermenêutica.

A exegese tem, portanto, o objetivo de extrair de um texto o Maximo do pensamento do autor. No dizer de Gordon D. Fee, “é descobrir qual era a intenção original das palavras da Bíblia.

José Gonçalves da Costa Gomes é pastor no Piauí, conferencista, bacharel em Teologia, Graduado em Filosofia, Professor de Grego, Hebraico, Teologia Sistemática e Religiões Comparadas, e membro da comissão de apologética da CGADB.

JORNAL MENSAGEIRO DA PAZ – JUNHO DE 2007

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O CARÁTER DO PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL


O comportamento do mestre dita o êxito ou o fracasso de suas aulas

Por Antônio Gilberto

A integridade de caráter é um valioso fator determinante para o êxito do ministério daquele que ensina na casa de Deus, inclusive na Escola Dominical. O termo caráter considerado ao seu étimo significa marca, sinal ou impressão visível deixada, estampada ou gravada por algo ou alguém, como pegadas deixadas na areia, no barro ou cimento ainda mole, e noutros matérias impressionáveis. Aplicado ao ser humano, o termo caráter denota a marca moral indelével, definida, clara e inconfundível que deixamos gravada nas pessoas, nos lugares e nos eventos por onde passamos. É enfim a estrutura ou construção moral de uma pessoa, seu modo de ser, de proceder, de viver diante dos outros. É sua “marca registrada” pessoal e moral. Em resumo é o conjunto de qualidades que uma pessoa possui. Todo ser humano tem qualidades que o distingue, que deixam marcas nos outros, que constituem o seu retrato moral característico, distintivo, único.

O CARÁTER NA BÍBLIA

O “óleo precioso” da unção descia primeiramente sobre a cabeça, mas também sobre a barba de Arão, o sacerdote, e à orla das suas vestes sacerdotais (Sl 133.2; 2 Pd 2.5,6 e Ap 5.10). Entre o povo de Deus, a barba nos tempos bíblicos fala de caráter impoluto, honradez, dignidade, integridade de vida. É a unção divina sobre isso, na vida do professor da Escola Dominical. “Ali o Senhor ordena a benção e a vida para sempre”, diz o versículo seguinte do Salmo em apreço. O óleo sobre a cabeça é a unção de Deus sobre a mente do cristão; sobre suas idéias, conclusões, pensamentos, palavras e decisões. Essa gloriosa unção na mente do cristão produz na vida dos outros, como resultado do trabalho mental, frutos benditos, crescentes e multiplicados. Veja Levitico 8.12. As vestes sacerdotais apontam para o desempenho do ministério como um todo, uma vez que essas vestes sagradas cobriam o corpo todo, da cabeça aos pés, e cada peça tinha a sua finalidade descrita na Bíblia. Veja 2 Coríntios 6.3 e Romanos 11.13. Há mestres cristãos, ocupados na obra, que têm poder e dons, mas sem avanço, sem sucesso e sem frutos permanentes do seu labor por terem um caráter deformado, reprovável, destemperado e contraditório em se tratando do testemunho exemplar que deve fluir da vida do professor cristão. Numa variedade de situações e contexto da vida, aprende-se mais com a vida e conduta exemplar do professor do que com suas aulas. Por outro lado, as ricas aulas ministradas pelo professor, cujo testemunho cristão espelha o Evangelho, ninguém jamais as esquece à medida que passam os anos. Na palavra de Deus, o caráter crente está estreitamente vinculado à fidelidade, à santificação da vida, à ética. Os mais ricos textos bíblicos sobre o caráter ideal tão nos Salmos, Provérbios, Sermão da montanha (nos Evangelhos), bem como em inúmeras passagens bíblicas comuns como Filipenses 2.15 E Romanos 12.9-21. Mas também a Bíblia ensina sobre o caráter exemplar de vidas como Samuel (1 Sm 9.6; 12.2-5), Noé (Gn 7.5-6), Enoque (Hb 11.5), João Batista e Isabel, sua esposa (Lc 1.6), Barnabé (At 11.22-24), Paulo (At 20.17-24,35), Demétrio (3 Jo v.12).

O TESTE DO BOM CARÁTER DO PROFESSOR

O professor da Escola dominical, seja ele homem ou mulher, casado ou solteiro, jovem ou adulto, obreiro ou leigo, deve esforça-se diante de Deus para situar-se bem no teste do bom caráter cristão, como veremos a seguir.

O teste doméstico do caráter em casa.

É no lar, em família, que o caráter do professor revela-se primeiramente, junto aos seus pais, esposa, marido, irmãos, parentes próximos e distantes, mas também amigos, colegas e vizinhos. Como procede o mestre em casa, com aqueles com que ele ou ela convive na intimidade da família? Sim, é no lar que o professor da Escola Dominical deve primeiramente dar testemunho do seu bom caráter cristão, da sua vida fé, espiritualmente, oração e comunhão com Deus.

O teste profissional do caráter no trabalho.

Isto tem a ver com o professor no exercício da sua profissão, o desempenho da sua ocupação, mas também na escola onde estuda; enfim, o trabalho que alguém executa e a vida que vive em grupo, em conjunto. Como o professor da Escola Dominical procede com seus colegas de trabalho, com seus patrões, com os empregados, clientes, com os professores colegas na Escola Dominical, com seus alunos. Este teste tem a ver primeiro com a qualidade do trabalho que alguém executa, e não primeiramente com a quantidade de trabalho executado, apresentado. É o professor primeiro sendo, e depois fazendo. Em Lc 6.40 esta escrito: “O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre”. Ser como o seu Mestre (Jesus), e não primeiramente fazer para o seu Mestre.

O teste social do caráter junto ao grupo, à sociedade.

Como procede o professor quanto àqueles que não desfrutam das mesmas vantagens, meios e regalias que esse professor ou professora tem? Ele descrimina os outros por estar em posição ou situação de vantagem? E como ele ou ela procede quando em posição de vantagem?

O teste do sucesso ministerial.

Como procede o professor em relação aos outros quando circunstancias favoráveis levam-no à riqueza ao poder, à elevadas posições, à honrarias; enfim, levam-no ao sucesso material? Ele ou ela, com a graça de Deus, permanece simples, fiel, humilde de espírito, submisso, espiritual e sempre espiritual com dentes?

O teste do caráter no sofrimento.

É o referido teste em ralação ao próprio professor. Como ele procede em relação a si mesmo (mas que também afeta os outros com quem convive e conhece), quando surgem as provações da vida, as crises, contratempos, dissabores e dificuldades? Quando também ocorre perda de status e sem previsão de reavê-lo?

O teste do caráter quanto ao tempo.

É também em relação ao próprio professor. A medida que os anos correm, o professor prossegue sempre como exemplo digno de ser imitado, de vida cristã, rica, abundante e vibrante, crescendo em graça e conhecimento diante de Deus. Sim, o caráter ideal é também provado aqui, ao longo da vida. Muitos professores e obreiros outros já não são a candeia que no passado, como João Batista, brilhava (Jo 5.33-35).
Concluímos com o texto bíblico muito apropriado para este momento, 2 Tm 2.15: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”. Esse assunto também é abordado com propriedade em Provérbios 22.1, que diz: “Mais digno de ser escolhido é o bom nome do que as muitas riquezas; e a graça é melhor do que a riqueza e o ouro”.

Pastor Antonio Gilberto é consultor doutrinário da Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD).

REVISTA ENSINADOR CRSTÃO ANO 3 – N° 11, JUL/AGOS/SET/2002

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A MULHER E O MINISTÉRIO PASTORAL


Por: Antônio Gilberto

Breve análise dos casos Bíblicos de mulheres que se destacaram de forma incomum na obra de Deus

Até bem recentemente, na Assembléia de Deus no Brasil, nada se falava quanto a mulher exercer o ministério pastoral. Lideres espirituais de grande envergadura, dos vários ainda estão entre nós, não se preocupavam com tal assunto. Só de dez anos para cá é que o referido assunto passou a ser abordado em conversas pessoais e em certos eventos da igreja local e até mesmo regional, como congressos e encontros.
O assunto, como é hoje ventilado, originou-se nas igrejas neopentecostais (algumas delas chamadas de “renovadas”), e em certas ramificações e apêndices da Assembléia de Deus, sem identidade doutrinariamente conservadora, e mesmo de práticas liberalistas, e que confundem, na igreja, modernismo com modernidade.
O contingente de mulheres na igreja é evidentemente muito maior que o dos homens, mas isso não justifica a pretensão que se propala. Nos trabalhos da igreja, é, graças a Deus, grande o numero de irmãs em atividade, dedicadas à santa causa do Senhor, número esse que deveria ser muito maior. São atividades as mais distintas.

A PASSAGEM DE GALÁTAS

A passagem de Gálatas 3.15-28 tem a ver com a unidade espiritual da igreja, em Cristo. E, destaque-se, “em Cristo”, no sentido desta expressão bíblica. A salvação em Cristo une todos os salvos igualmente num só Corpo – a igreja dos remidos. O texto acima precisa ser visto no seu respectivo contexto, como 1 Coríntios 12.12 e Efésios 2.11. O texto de Gálatas não confere hegemonia à mulher. Basta que se considere esse texto com total isenção de ânimo, juntamente com passagens como Gêneses 5.2: “Macho e fêmea os criou, e os abençoou, e chamou o seu nome Adão no dia em que foram criados”. Deus, ao criar (não formar) Adão e Eva, os chamou pelo o seu nome genérico: “Adão”, e não “Adão e Eva”, ou apenas “Eva”. Por que afirmar uma coisa em nome da bíblia sem a sua sanção?
Em Gêneses 3.15, “semente da mulher” tem a ver com a encarnação de Cristo, pela virtude do Espírito Santo, através da mulher. Fala dela como instrumento de Deus para trazer ao mundo o Salvador. Mulher alguma tem semente em si, no sentido de genitora. Sem o concurso do homem. Se a partenogênese ocorresse no gênero humano, o nascido seria sempre mulher, jamais homem, como foi o caso do Senhor Jesus. Outrossim, na queda ocorrida no Éden, Eva pecou primeiro, mas na hora de Deus julgar os culpados, Ele chamou Adão primeiro, mostrando que este era o cabeça. De fato, Eva foi formada de parte de Adão. Num assunto deste jaez, se deve partir de anunciado, arrazoados e teses humanas, como os articulistas estão fazendo, como se a causa do Senhor dependesse de juízo humano.

JESUS, PAULO E AS MULHERES

Jesus teve, no seu ministério terreno, auxiliares mulheres. Eram santas mulheres, que serviram de várias maneiras, e isso até a cruz. Ele nasceu de uma mulher. Ele sempre as recebeu e as considerou, permitindo que seus nomes imortalizassem no registro bíblico. Mas ele nunca nomeou “apostolas”; ele sempre soube o que fazia e o que deveria ser feito, como é bem patente nos evangelhos.
Apóstolo Paulo, constituído por Deus, pregador, apóstolo e doutor dos gentios, o maior expoente como obreiro de Deus neotestamentario, nunca separou, sequer mencionou “apóstolas” e “pastoras”, apesar de carinhosamente destacar nomes de obreiras e o seu desempenho na obra, como em Romanos 16.

O CASO DE FEBE

Vemos o caso de Febe, em Romanos 16.1. Ao pé da letra, a expressão alusiva a Febe – “a qual serve à igreja” – é “a qual exerce o diaconato na igreja”. Mas a construção frasal no original está no masculino. É qual talvez não havia em Cencréia diáconos, porque o trabalho estaria sendo indicado, ou porque não havia diáconos suficiente, e então Febe exercia o diaconato. Quanto à expressão “a mulher moderna”, aplicada as irmãs da igreja, diga-se que o mesmo que ocorre aos homens da igreja hoje, ocorre igualmente às mulheres. No passado, na igreja, tínhamos homens de menos conhecimento e de menos preparo acadêmico (tanto secular como teológico), mas eram mais sábios e mais poderosos espiritualmente. O mesmo vem acontecendo as mulheres. O desejável é que tenhamos tanto eles como elas cada vez mais preparados, mas ao mesmo tempo poderosos em Deus e na Palavra. Em certos aspectos precisamos voltar “a Betel”, “ao Cenáculo”, e não avançar para tão longe que não divisemos mais esses santos lugares de encontro com Deus.

OUTROS CASOS

Casos bíblicos como os de Débora, Hulda, Ana – a profetisa, as filhas de Filipe, Priscila, Evódia e Síntique devem ser considerados em seus respectivos contextos bíblicos. Por exemplo, Débora e Hulda. O seu contexto espiritual era de apostasia. Os homens em condição de servir a Deus bandeavam para a perversa idolatria dos países vizinhos de Israel. Ora, a obra de Deus não pode parar só porque o homem fracassa. Em tais situações, Deus suscita a quem Ele quiser, mas isso não é regra bíblica; é exceção. Tais mulheres em ação no ministério revela a soberania de Deus, mas saiba-se que não é regra geral da parte do Senhor. Pessoalmente, fui, sou e serei favorável ao ministério da mulher na igreja, como vemos na bíblia, máxime em o Novo Testamento, como já mostramos, bem como a História da igreja do passado e do presente, mas não vejo suporte nas doutrinas bíblicas (bíblicas mesmo) do ministério evangélico, para a ordenanção da mulher cristã ao exercício do ministério pastoral. Portanto, meu particular ponto de vista é que a Assembléia de Deus no Brasil decline de tal propósito: ordenar mulheres para o ministério pastoral. As igrejas da nossa fé e ordem, de outros países, que ordenaram mulheres de maneira regular e constante, como ocorrem aos homens chamados por Deus para o santo ministério, hoje, veladamente, desestimulam tal prática, e o número de irmãs ministras nesses países é repressivo.


Pastor Antonio Gilberto é consultor doutrinário da Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD).



REVISTA O OBREIRO, ANO 23 N° 15, JULHO 2001.