segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O VERDADEIRO CRISTÃO ARMINIANO NÃO DEPENDE DE SUAS OBRAS PARA SER SALVO.


Por Valdemir Pires Moreira

INTRODUÇÃO
São muitos aqueles que acham que conhecem o arminianismo, no entanto, professam ensinos totalmente contrários, é por essa causa que começarei esse artigo trazendo uma rápida definição do que seja o pelagianismo e o semi-pelagianismo.
O que ensina o pelagianismo? Ensina que não existe pecado original ou pecado herdado, que a vontade humana é livre para escolher ente o bem e o mal, que apesar da queda, o homem tem a capacidade de vencer o pecado, em outras palavras, para o pensamento pelagiano o homem não é totalmente depravado.
O que ensina o semi-pelagianismo? Em contra partida surgiu o semi-pelagianismo ensinando que a graça de Deus é proporcionada a toda humanidade; cada um deve dar o primeiro passo para obter a sua salvação.
Isso quer, dizer que tanto o pelagianismo quanto o semi-pelagianismo enfatizam o livre-arbírio humano. Todo e qualquer ensino que enfatizar o livre-arbitrio, sem antes observar a graça preveniente, não pode e não deve ser considerado um ensino do arminianismo clássico e nem do wesleyano. Tendo feito essas considerações farei a seguinte observação:     
Na TEOLOGIA SISTEMÁTICA PENTECOSTAL publicada pela CPAD – onde os escritores são teólogos pentecostais brasileiros – em seu capítulo sobre SOTERIOLOGIA, o pastor Antonio Gilberto, um dos meus principais mestres, discorrendo sobre o arminianismo, diz que:
“Um perigo fatal a que pode levar o arminianismo é o crente depender de suas obras, de sua conduta, de seu porte, de sua obediência pessoal, para a sua salvação (Hb 9.12). Nesse extremo campeia a falsa santidade, sendo o homem enganado pelo seu próprio coração (Jr 17.9)”. (Teologia Sistemática Pentecostal, pág.369 – CPAD)
Estive pesquisando, como aluno, essas ponderações do meu mestre e não encontrei em nenhum livro escrito por arminianos essa possibilidade, do verdadeiro arminiano poder cair em tal erro.
PORQUE É IMPOSSIVEL UM CRISTÃO DEFENSOR DO ARMINIANISMO CAIR EM TAL ERRO?
Vejamos do ponto de vista arminiano sobre o assunto:
O próprio Jacobus Arminius afirma que: “Neste estado [caído], o livre-arbítrio do homem para o verdadeiro bem não está apenas ferido, enfermo, inclinado, e enfraquecido; mas ele está também preso, destruído, e perdido. E os seus poderes não só estão debilitados e inúteis a menos que seja assistido pela graça, mas não tem poder algum exceto quando é animado pela graça divina” (Jacobus Arminius, Works, trans. James Nichols (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1956), 2:192).
Bruce R. Mariano discorrendo sobre o assunto diz que: “Por estar à natureza humana tão deteriorada pela Queda, pessoa alguma tem a capacidade de fazer o que é espiritualmente bom sem a ajuda graciosa de Deus. A esta condição chamamos corrupção total - ou depravação - da natureza. Não significa que as pessoas não possam fazer algum bem aparente, apenas que nada do que elas façam será suficiente para torná-las merecedoras da salvação. E este ensino não é exclusivamente calvinista. Até mesmo Armínio (mas não todos os seus seguidores) descreveu o "livre-arbítrio do homem em favor do verdadeiro Bem", na condição de "preso, destruído e perdido...não tem nenhuma capacidade a não ser aquela despertada pela graça divina". A intenção de Armínio, assim como depois a de Wesley, não era manter a liberdade humana a despeito da Queda, mas asseverar que a graça divina era maior até mesmo que a destruição provocada pela Queda” 19. (Teologia Sistemática, uma perspectiva pentecostal. págs. 269-207 – CPAD).
No livro Teologia de John Wesley, publicado pela CPAD, p.99, de autoria de Kenneth J. Collins, Richard Taylon conclui que: “Jacó Armínio e John Wesley eram totalmente agostinianos nos seguintes aspectos: (a) a raça humana é universalmente depravada como resultado do pecado de Adão; (b) a capacidade do homem de querer o bem está tão debilitada que requer a ação da graça divina para que possa alterar seu curso e ser salvo” 158.
Sendo assim, é impossível um arminiano se vangloriar em suas obras ou tratar com somenos importância uma vida dependente de Deus, de seu Filho Jesus, e do Santo Espírito. 

Veja o que diz o Dr. Timothy C. Tennent presidente do Seminary Asbury Theological: “É importante entender que a salvação nunca começa com algo que nós fazemos, mas sempre como uma resposta a algo que Deus fez. Pensar que a salvação começa com nosso arrependimento de nossos pecados e convite para que Jesus entre em nossos corações não é a forma que as Escrituras entendem todo o processo de salvação. Antes, a salvação sempre começa com uma ação anterior de Deus. Ele age, e nós respondemos ou resistimos. Ela sempre segue esse padrão. Uma abordagem de todas as maneiras que Deus nos prepara para receber o evangelho é usar o termo “graça preveniente (precedente)”. A graça preveniente diz respeito a todos esses atos da graça em nossas vidas que antecedem a nossa conversão. Sabemos que tal graça existe porque Jesus disse que “ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” (Jo 6.44). Há uma “atração” ou “preparação” que precede nossa efetiva conversão. A outra razão que sabemos que a graça de Deus deve preceder nossa decisão de seguir a Cristo é que as Escrituras nos ensinam que estamos mortos em nossos delitos e pecados à parte de Cristo (Ef 2.1). As Escrituras não ensinam que estamos meramente doentes ou que o nosso progresso espiritual geral é lento, mas que estamos espiritualmente mortos. (Esta é uma outra grande característica distintiva do Cristianismo.) Isto significa que somos incapazes de nos ajudar ou de nos salvar sem uma ação prévia de Deus”.
Concluo este artigo fazendo a seguinte pergunta, não seria digno de bom senso uma revisão deste ponto nas próximas edições do Teologia Sistemática Pentecostal? Não pelo fato de sabermos que existe supostos “arminianos” que se encaixam perfeitamente nas palavras do pastor e mestre Antonio Gilberto, homens que defendem o pelagianismo ou o semi-pelagianismo pensando estarem defendendo o arminianismo, mas pelo fato logico e verdadeiro de que Jacobus Arminius nunca ter ensinado e muito menos deixou transparecer tal ideia sobre esse suposto erro de depender de suas obras para a salvação. Encerrando por aqui, agradeço a Deus por essa oportunidade e aos meus irmãos em Cristo que me ajudaram na elaboração deste artigo.
19 Os arminianos não definiriam a aceitação da oferta feita por Deus, a salvação, como um ato meritório. H. Orton Wiley, Christian Theology, vol. 2 (Kansas City: Beacon Hill, 1940), 138; Armínio (1560-1609), "Public Disputations", The Writings of James Arminius, vol. 3, trad. W. R. Bagnall (Grand Rapids: Baker Book House: 1986), 375. Ver também Carl Bangs, Arminius, A Study in the Dutch Reformation (Nashville: Abington, 1971), 343. João Wesley, "Sermon LXII - On the Fall of Man", Sermons on Several Occasions, vol. 2 (Nova York: Carlon & Porter, sem data), 34-37.
158 (Taylor, Exploring Christian Holiness, p.20).


Valdemir Pires Moreira é Diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia.