sexta-feira, 1 de julho de 2011

O PROJETO ORIGINAL DO REINO DE DEUS

LIÇÃO 1


INTRODUÇÃO

Pouco é ensinado para os irmãos, de modo geral, acerca da Igreja como sendo a responsável pela proclamação do Reino de Deus. No entanto, conhecer o que diz a Bíblia sobre o Reino de Deus é de fundamental importância para aclarar o nosso pensamento e responsabilidade quanto ao proposito da Igreja no mundo.

UMA PALAVRA SOBRE O REINO DE DEUS

a) O significado de “Reino”

Devemos fazer a mais fundamental das perguntas: Qual é o significado de “reino”? A resposta moderna a esta pergunta impede a compreensão do significado desta antiga verdade bíblica. Em nossa mentalidade e modo de falar ocidentais, o reino é principalmente um domínio sobre o qual um reino exerce a sua autoridade.

O dicionário de Webster nos fornece uma sugestão em sua primeira definição: “A dignidade, qualidade, estado ou atributos de um rei; autoridade real; domínio; monarquia; realeza (Arcaismo)”. Do ponto de vista da linguística moderna, esta definição pode ser arcaica; mas é precisamente este arcaísmo que é necessário para entender o antigo ensino bíblico.

O significado primário de ambas as palavras, a hebraica makuth no Antigo Testamento e a e grega basileia no Novo Testamento, é a dignidade, a autoridade e a soberania exercida por um rei. Uma basileia pode realmente ser um reino sobre o qual um soberano exerce a sua autoridade; e pode ser o povo que pertence a este reino e sobre o qual a autoridade é exercida; mas estes são significados secundários e derivados. Em primeiro lugar, um reino é a autoridade para reinar, a soberania do rei. Este significado básico da palavra “reino” pode ser visto no seu uso no AT para descrição do governo de um rei. Esdras 8.1 fala do retorno da Babilônia “no reino” literalmente, reino de Artaxerxes. 2 Crônicas 12.1 fala do estabelecimento do reino ou governo de Roboão. Daniel 8.23 refere-se ao futuro final de um reino ou governo. Este uso de “reino” com o sentido de reinado humano também pode ser encontrado em passagens tais como Jeremias 49.34, 2 Crônicas 11.17; 12.1; 36.20; 30.31; Esdras 4.5; Neemias 12.22; etc.

b) A responsabilidade de Israel para com o Reino de Deus e sua rebelião

Enquanto isso, procurando obediência voluntária, Ele deu Sua lei a uma nação e designou reis para administrar Seu ‘Reino’ sobre ela (1 Cr 28.5). Israel, entretanto, ainda que declarando submissão nominal, tomou parte na rebelião comum (Is 1.2-4), e, depois rejeitou o Filho de Deus (Jo 1.11; cf. Mt 21.33-43), foi ‘quebrado’ (Rm 11.15,20,25).

c) A quem Deus chama hoje para ser representante do Seu Reino

De hoje em diante, Deus chama os homens de todos os lugares, sem distinção de raça ou nacionalidade, para se submeterem voluntariamente ao Seu governo. É por isso que si diz que o Reino está agora em mistério (Mc 4.11), quer dizer, não vem dentro do âmbito das faculdades naturais da observação (Lc 17.20), mas é discernido espiritualmente (Jo 3.3; cf. 1 Co 2.14). Quando, futuramente, Deus declarar Seu governo universalmente, então o ‘Reino’ estará em glória, ou será, manifesto a tudo (cf. Mt 25.31-34; Fp 2.9-11; 2 Tem 4.1,18).

“Portanto, falando de modo geral, as referências ao Reino dividem-se em duas classes: na primeira, o Reino é visto como presente e envolve sofrimento por parte daqueles que entram nele (2 Ts 1.5); na segunda, é considerado como futuro e está associado com a recompensa (Mt 25.34), e a glória (Mt 13.43)”. Veja também At 14.22.

d) Onde se encontra o Reino de Deus hoje

“O princípio fundamental do Reino está declarado nas palavras do Senhor ditas no meio de um grupo de fariseus: ‘o Reino de Deus está entre vós’ (Lc 17.21, quer dizer, onde o Rei está, ali está o Reino). Assim, na atualidade e no que diz respeito a esta terra, onde o Reino está e onde Seu governo é reconhecido, e, primeiramente, no coração do crente individual (At 4.19; Ef 3.17; 1 Pe 3.15); e, depois nas igrejas de Deus (1 Co 12.3,5,11; 14.37; cf. Cl 1.27, onde em lugar de ‘em’ leia-se ‘entre’)”.

e) Qual o conflito enfrentado por aqueles que estão no Reino

“Sendo, todavia, o Rei e o Seu governo recusados, aqueles que entram no Reino de Deus são postos em conflito com todos os que repudiam sua submissão, como também com o desejo por bem-estar, e a antipatia do sofrimento e a impopularidade, natural a todos. Por outro lado, os súditos do Reino são objetos do cuidado de Deus (Mt 6.33), e do Rei rejeitado (Hb 13.5)”.

f) Como entrar no Reino de Deus

“A entrada no Reino de Deus é pelo o novo nascimento (Mt 18.3; Jo 3.5), pois não há nada que o homem possa ser por natureza, ou obter por qualquer forma de autocultura, que seja de algum proveito no reino espiritual. E assim como a nova natureza, recebida no novo nascimento, se evidencia pela obediência, está escrito também que somente os que fazem a vontade de Deus entrarão no Seu Reino (Mt 7.21, onde, entretanto, o contexto mostra que a referência é ao futuro, como em 2 Pe 1.10,11). Contraste também com 1 Co 6.9,10; Gl 5.21; Ef 5.5”.

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