segunda-feira, 10 de maio de 2010

FALSOS MESTRES


Mc 13.22: “Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos”.

DESCRIÇÃO. O crente da atualidade precisa estar informado de que pode haver, nas igrejas, diversos obreiros corrompidos e distanciados da verdade, como os mestres da lei de Deus, nos dias de Jesus (Mt 24.11,24). Jesus adverte, aqui, que nem toda pessoa que professa a Cristo é um crente verdadeiro e que, hoje, nem todo escritor evangélico, missionário, pastor, evangelista, professor, diácono e outros obreiros são aquilo que dizem ser.

(1) Esses obreiros “exteriormente pareceis justos aos homens” (Mt 23.28). Aparecem “vestidos como ovelhas” (Mt 7.15). Podem até ter uma mensagem firmemente baseada na Palavra de Deus e expor altos padrões de retidão. Podem parecer sinceramente empenhados na obra de Deus e no seu reino, demonstrar grande interesse pela salvação dos perdidos e professar amor a todas as pessoas. Parecerão ser grandes ministros de Deus, líderes espirituais de renome, ungidos pelo Espírito Santo. Poderão realizar milagres, ter grande sucesso e multidões de seguidores (ver Mt 7.21-23
notas; 24.11,24; 2Co 11.13-15).

(2) Todavia, esses homens são semelhantes aos falsos profetas dos tempos antigos (ver Dt 13.3 nota; 1Rs 18.40 nota; Ne 6.12 nota; Jr 14.14 nota; Os 4.15 nota; ver o estudo O PROFETA NO ANTIGO TESTAMENTO), e aos fariseus do NT. Longe das multidões, na sua vida em particular, os fariseus entregavam-se à “rapina e de iniqüidade” (Mt 23.25), “cheios de ossos de mortos e de toda imundícia” (Mt 23.27), “cheios de hipocrisia e de iniqüidade” (Mt 23.28). Sua vida na intimidade é marcada por cobiça carnal, imoralidade, adultério, ganância e satisfação dos seus desejos
egoístas.

(3) De duas maneiras, esses impostores conseguem uma posição de influência na igreja. (a) Alguns falsos mestres e pregadores iniciam seu ministério com sinceridade, veracidade, pureza e genuína fé em Cristo. Mais tarde, por causa do seu orgulho e desejos imorais, sua dedicação pessoal e amor a Cristo desaparecem lentamente. Em decorrência disso, apartam-se do reino de Deus (1Co 6.9,10; Gl 5.19-21; Ef 5.5,6) e se tornam instrumentos de Satanás, disfarçados em ministros da justiça (ver 2Co 11.15). (b) Outros falsos mestres e pregadores nunca foram crentes verdadeiros. A serviço de Satanás, eles estão na igreja desde o início de suas atividades (Mt 13.24-28,36-43). Satanás tira partido da sua habilidade e influência e promove o seu sucesso. A estratégia do inimigo é colocá-los em posições de influência para minarem a autêntica obra de Cristo. Se forem descobertos ou desmascarados, Satanás sabe que grandes danos ao evangelho advirão disso e que o nome de Cristo será menosprezado publicamente.  

A PROVA. Quatorze vezes nos Evangelhos, Jesus advertiu os discípulos a se precaverem dos líderes enganadores (Mt 7.15; 16.6,11; 24.4,24; Mc 4.24; 8.15; 12.38-40; 13.5; Lc 12.1; 17.23; 20.46; 21.8). Noutros lugares, o crente é exortado a pôr à prova mestres, pregadores e dirigentes da igreja (1Ts 5.21; 1 Jo 4.1). Seguem-se os passos para testar falsos mestres ou falsos profetas:

(1) Discernir o caráter da pessoa. Ela tem uma vida de oração perseverante e manifesta uma devoção sincera e pura a Deus? Manifesta o fruto do Espírito (Gl 5.22,23), ama os pecadores (Jo 3.16), detesta o mal e ama a justiça (Hb 1.9 nota) e fala contra o pecado (Mt 23; Lc 3.18-20)?

(2) Discernir os motivos da pessoa. O líder cristão verdadeiro procurará fazer quatro coisas: (a) honrar a Cristo (2Co 8.23; Fp 1.20); (b) conduzir a igreja à santificação (At 26.18; 1Co 6.18; 2Co 6.16-18); (c) salvar os perdidos (1Co 9.19-22); e (d) proclamar e defender o evangelho de Cristo e dos seus apóstolos (ver Fp 1.16 nota; Jd 3 nota).

(3) Observar os frutos da vida e da mensagem da pessoa. Os frutos dos falsos pregadores comumente consistem em seguidores que não obedecem a toda a Palavra de Deus (ver Mt 7.16 nota).

(4) Discernir até que ponto a pessoa se baseia nas Escrituras. Este é um ponto fundamental. Ela crê e ensina que os escritos originais do AT e do NT são plenamente inspirados por Deus, e que devemos observar todos os seus ensinos (ver 2Jo 9-11; ver o estudo A INSPIRAÇÃO E A AUTORIDADE DAS ESCRITURAS)? Caso contrário, podemos estar certos de que tal pessoa e sua mensagem não provêm de Deus.

(5) Finalmente, verifique a integridade da pessoa quanto ao dinheiro do Senhor. Ela recusa grandes somas para si mesma, administra todos os assuntos financeiros com integridade e responsabilidade, e procura realizar a obra de Deus conforme os padrões do NT para obreiros cristãos? (1Tm 3.3; 6.9,10).

Apesar de tudo que o crente fiel venha a fazer para avaliar a vida e o trabalho de tais pessoas, não deixará de haver falsos mestres nas igrejas, os quais, com a ajuda de Satanás, ocultam-se até que Deus os desmascare e revele aquilo que realmente são.

BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL - CPAD

sábado, 1 de maio de 2010

"LIGAR NO CÉU" NÃO SIGINIFICA MANDAR NO CÉU


Por: José Gonçalves

Com a ascensão da chamada teologia da prosperidade, o texto de Mateus 16.19 ganhou ênfase especial: “E eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus”. Baseados nessa passagem bíblica, alguns pregadores adeptos da teologia da prosperidade começaram a “determinar” e até mesmo “mandar em Deus”. A lógica parece perfeita: se o que eu ligo aqui na terra será ligado no Céu, então parece bastante obvio que a terra manda de fato no Céu. É só determinar e pronto! Esse ensino tem provocado atitudes absurdas. Por exemplo: Para que gastar longas horas em oração, se podemos simplesmente “determinarmos” que Deus faça isso ou aquilo? Para que suplicar algo a Deus, se Ele tem o “dever” ou até mesmo a “obrigação” de endossar o que se determina?
Outro dia eu andava por um bairro da periferia da minha cidade e fiquei surpreendido com uma cena que presenciei. Encontrei duas jovens pertencentes a uma dessas igrejas praticantes da “Teologia da Determinação”. Elas estrategicamente se moviam de um lado para o outro da rua. Aproximei-me e as indaguei o que estavam fazendo ali. A mais velha disse-me que estavam “determinando” a saída de satanás daquela área! Aquele episódio deixou-me perplexo, pois aprendi pela Bíblia Sagrada que a melhor maneira de fazer o diabo ir embora de um lugar é através da ação evangelística da igreja: “Então saíram e pregaram que todos se arrependesse; e expulsavam muitos demônios” (Mc 6.12,13). A pergunta, portanto, é: “Qualquer coisa que fizermos aqui será endossada pelo Céu?”

ANÁLISE EXEGÉTICA

Primeiramente, vejamos as duas formas diferentes como esse texto do Evangelho de Mateus tem sido traduzido em nossas versões em português:

a) Almeida Revista e Corrigida (ARC) – “E eu te darei as chaves do Reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.

b) Almeida Revista e Atualizada (ARA) – “Darte-ei as chaves do reino dos céus, o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra será sido desligado nos céus”.
No original grego, as expressões éstai dedeménon (ligar) e éstai lelyménon (desligar) são um perfeito perifrásico. No grego, o tempo perfeito indica uma ação ocorrida anteriormente, mas com reflexos no presente. Ao comentar o sentido do uso do perfeito perifrásico nesse texto, o especialista D.A Carson diz que, nessa passagem, estamos diante de uma “questão paradigmática”, e comenta: “Neste caso, questões paradigmáticas realmente rompem barreiras e fazem a evidência decididamente perder para a tradução ‘b’’’. Em palavras mais simples, Carson traduz esse texto como “Terá sido ligado/terá sido desligado” (Carson, D.A. A Exegese E Suas Falácias –perigos na interpretação da Bíblia, op.cit.). Da mesma forma, a Chave Lingüística do Novo Testamento Grego, ao comentar essa passagem, afirma: “Esta construção é futuro perfeito passivo parifrásico traduzido como ‘terá sido amarrado’, ‘terá sido solto’’’. E ainda observa: “É a Igreja na terra levando a efeito as decisões do Céu e não o Céu ratificando a decisão da Igreja”.

O SENTIDO CORRETO

Thomas ice e Robert Dean, ainda sobre esse texto, acrescentam: “Uma tradução que reforça esse sentido do original grego diria o seguinte: ‘Eu lhe darei as chaves do Reino dos Céus, mas o que você ligar na terra será aquilo que já foi ligado no Céus, e o que você desligar na terra será aquilo que já terá sido desligado nos Céus’’’. “Pedro deveria ligar coisas na terra, mas somente aquilo que já tivesse sido ligado no Céu. Pedro deveria estabelecer o padrão terreno de entrada no Reino do Céu, baseado no padrão que Deus já estabeleceu no Céu. Pedri deveria ser um mediador da Plavra de Deus entre Deus e o homem, esse padrão é o que Pedro afirmou em Mateus 16.16, que Jesus é ‘o Cristo, o Filho do Deus vivo’’’ (ICE, Thomas & Dean Jr Robert. Triunfando na Batalha. Editora Chamada da Meia Noite. Rio Grande do Sul, RS).

A NECESSIDADE DA APOLOGÉTICA
Como vemos, são interpretações equivocadas de passagens como a de Mateus 16 que provocam heresias e confusão na vida de muitos cristãos. Isso mostra a necessidade da praticar apologética em nossos dias. A defesa da fé evangélica bíblica se constitui uma das razões que justifica a necessidade da apologética. O teólogo Norman Geisler, em sua Enciclopédia de Apologética, enumera razões que justificam a necessidade da apologética:

1) Deus a ordena – Geisler argumenta sobre 1 Pedro 3.15,16: “Estar pronto não é só uma questão de ter a informação correta à disposição, é também a atitude de prontidão, e vontade de compartilhar a verdade sobre o que acreditamos”.

2) A Exigência da Razão – É pelo raciocínio que os humanos se distinguem dos “animais irracionais” (Jd v.10).

3) A necessidade do Mundo – As pessoas se recusam a crer em sem provas. Evidencias da verdade deve preceder a fé.
Há uma estreita relação entre apologética e as ciências da interpretação. Qualquer apologia que não se alicerça na hermenêutica e na exegese bíblica não pode ser considerada como apologia confiável. Por um lado, a hermenêutica é a ciência da interpretação e por outro, a exegese é a aplicação dos princípios da hermenêutica.

A exegese tem, portanto, o objetivo de extrair de um texto o Maximo do pensamento do autor. No dizer de Gordon D. Fee, “é descobrir qual era a intenção original das palavras da Bíblia.

José Gonçalves da Costa Gomes é pastor no Piauí, conferencista, bacharel em Teologia, Graduado em Filosofia, Professor de Grego, Hebraico, Teologia Sistemática e Religiões Comparadas, e membro da comissão de apologética da CGADB.

JORNAL MENSAGEIRO DA PAZ – JUNHO DE 2007