segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O QUE SIGNIFICA SER UM PASTOR


Por: Anthony D. Palma

Este artigo é uma visão geral do conceito neotestamentário do pastor espiritual e de como ele se relaciona a Jesus e aos lideres da Igreja. Pastores são figuras comuns nas Escrituras Sagradas, a começar por Abel (Gn 4.2). Por isso, não nos surpreende, entretanto, que o Antigo Testamento freqüentemente retrate Deus como Pastor (Sl 232.1; 80.1; Is 40.11; Jr 31.10 e Ez 34.11-13) e os líderes do seu povo como pastores (Ez 3.4). É axiomático que a função primária do pastor seja velar pelo bem-estar das ovelhas e guiá-las a isso.

JESUS COMO PLENO PASTOR

Nos tempos do NT, pastores não foram altamente considerados. Entretanto,é surpreendente notar que o anúncio dos anjos sobre Jesus tenha sido feito a humildes pastores (Lc 2.8-11). Todavia, isso foi apropriado para o Messias, o filho de Davi (o pastor-rei), que nasceu na cidade de Belém, a cidade de Davi (Ez 34.23). Quase desapercebido nos relatos da natividade é a representação pictórica de Jesus como pastor. Na citação de Mateus de Miquéias 5, Jesus é chamado “o guia que há de apascentar o povo Israel”, Lc 2.6.

Na Primeira e Segunda Vindas de Jesus é descrito como pastor. Paradoxalmente, o cordeiro “deveria os apascentar [literalmente ser o pastor deles], e deveria guiá-los às fontes das aguas da vida (Ap 7.17). ele irá reger [literalmente pastorear] todas as nações com a vara de ferro (Ap 12.5; 19.15). esse último concerto aplica-se bem aos dominadores (2. 26-27).

Jesus descreveu a si mesmo como o bom pastor (ho poimen ho kalos – João 10.11-14) que deu a sua vida pelas as ovelhas. Nessa conexão ele também poderia ser chamado de sumo pastor (Mt 2.31 e Zc 13.7). em senso único, é claro, somente Jesus deu a sua vida pelas ovelhas. Ainda em senso restrito isso sugere que qualquer pastor tem a obrigação moral de estar disposto a sacrificar a si mesmo em favor de uma ovelha.

Jesus é, alem disso, chamado de grande pastor das ovelhas (Hb 13.20) e de o pastor (Jo 10.16 e Ez 34.23; 37.24). Pedro chamou o de Sumo pastor (archinpoimen – 1 Pd 2.25); um escritor sugere a tradução “Mestre-pastor”.

A combinação pouco usual dos termos refere-se a Jesus como “o pastor e guardião [ho poimen kai epískopos] das nossas almas (1 Pd 2.25). A frase poderia ser traduzida por guardião-pastor. A palavra epískopos é freqüentemente conferida a bispo ou supervisor.

J.N.D. Kelly em seu comentário em 1 Pedro sugere que o epískopos é “aquele que inspeciona, olha por, protege”. Esse grupo de termos tem significação especial quando aplicados aos líderes na igreja. Tanto Paulo quanto Pedro enfatizaram o aspecto guardião-supervisor do ministério.

PAULO E PASTORES

Nas listas dos dons de liderança que o Cristo em ascensão deu à Igreja, Paulo falou de “pastores e mestre [tous poimenas kai didaskalous]” (Ef 4.11). Eruditos em bíblia continuam a debater se Paulo estava falando de duas chamadas distintas ou se pretendia dizer alguma coisa como “professor-pastor”. Certamente uma das principais características de um pastor é nutrir e alimentar o rebanho pelo ensino e exposição da Palavra de Deus.

Esse é o motivo pelo qual existe a distinção de vocação, qualificando um bispo como capaz de ensinar (didaktikos), conforme 1 Timóteo 2.24 e 3.2. Um número considerável de autoridade confere a essa palavra grega a idéia de “hábil ensinador”, “apto a ensinar” e “competente para ensinar”.

Efésios 4.11 é a única passagem no NT onde tal pessoa é designada pela palavra grega para pastor (poimen), ainda que seja geralmente aceito que essa designação possa ser intercambiável com bispo/supervisor (episkopos) e (presbuteros).

Todos os três conceitos são encontrados em conjunto nos relatos paulinos discursados de Mileto aos efésios. Eles são chamados de anciãos (At 20.17). Paulo disse a eles que o Espírito Santo os tinha supervisores do rebanho, do qual eles eram pastores (v.28). Esse era o preço notificado por Paulo no verso em que ele exortou esse homem: “Olhai, pois, vós, e por todo rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue”, At 20.28.

Isso nos lembra da designação de Pedro apontando Jesus como pastor e guardião-bispo de nossas almas (1 Pd 2.25).

PEDRO E OS PASTORES

Jesus interagiu com Pedro (lembre-se de João 21. 15-17), que é digno de estudo. Irei tratar somente com os elementos relacionados diretamente ao tópico. Jesus mandou Pedro tanto alimentar quanto zelar (boskô – versos 15 e 17) e apascentar (poimainô – verso 16) as ovelhas. Os objetos do seu cuidado são chamados tantos os cordeiros de Deus (arnia – verso 15) como de suas ovelhas (probata – verso 16-17).

Em meu juízo, a variação nos versos e nos nomes são estilísticos. Não penso que Jesus destinou a Pedro ou para nós o determinar alguma profunda diferença em cada par de palavras. O ímpeto da mensagem é claro: a responsabilidade de Pedro foi de prover bem-estar para todo o rebanho do Senhor.

Pedro certamente teve esse incidente em mente quando ele exortou “os anciãos entre vós a apascentarem [poimainô] o rebanho de Deus, chamando sobre eles a responsabilidade de fazerem isso voluntariamente com zelo; não por torpe ganância, mas de ânimo pronto” (1 Pd 5.1-3). Algumas dos melhores manuscritos trazem no versículo 2 o particípio episkopos, na qual pode ser “exercitando a supervisão” ou “servindo como supervisores”. Isso pode ser contrastando com os líderes ímpios, que, de acordo com Judas, são homens “que apascentam a si mesmos sem temor [poimainô]” (Jd 13), e que estarão sob julgamento divino. Em contraste, Pedro sugeriu que o Sumo Pastor irá recompensar seus fiéis pastores (1 Pd 5.4).



Anthony D. Palma é teológico, pastor na AD nos Estados Unidos e escritor. É autor de Batismo no Espírito Santo e com fogo (CPAD).



Fonte: Jornal Mensageiro da Paz, Outubro de 2005 – Pág. 16.



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