quarta-feira, 21 de abril de 2010

A MULHER E O MINISTÉRIO PASTORAL


Por: Antônio Gilberto

Breve análise dos casos Bíblicos de mulheres que se destacaram de forma incomum na obra de Deus

Até bem recentemente, na Assembléia de Deus no Brasil, nada se falava quanto a mulher exercer o ministério pastoral. Lideres espirituais de grande envergadura, dos vários ainda estão entre nós, não se preocupavam com tal assunto. Só de dez anos para cá é que o referido assunto passou a ser abordado em conversas pessoais e em certos eventos da igreja local e até mesmo regional, como congressos e encontros.
O assunto, como é hoje ventilado, originou-se nas igrejas neopentecostais (algumas delas chamadas de “renovadas”), e em certas ramificações e apêndices da Assembléia de Deus, sem identidade doutrinariamente conservadora, e mesmo de práticas liberalistas, e que confundem, na igreja, modernismo com modernidade.
O contingente de mulheres na igreja é evidentemente muito maior que o dos homens, mas isso não justifica a pretensão que se propala. Nos trabalhos da igreja, é, graças a Deus, grande o numero de irmãs em atividade, dedicadas à santa causa do Senhor, número esse que deveria ser muito maior. São atividades as mais distintas.

A PASSAGEM DE GALÁTAS

A passagem de Gálatas 3.15-28 tem a ver com a unidade espiritual da igreja, em Cristo. E, destaque-se, “em Cristo”, no sentido desta expressão bíblica. A salvação em Cristo une todos os salvos igualmente num só Corpo – a igreja dos remidos. O texto acima precisa ser visto no seu respectivo contexto, como 1 Coríntios 12.12 e Efésios 2.11. O texto de Gálatas não confere hegemonia à mulher. Basta que se considere esse texto com total isenção de ânimo, juntamente com passagens como Gêneses 5.2: “Macho e fêmea os criou, e os abençoou, e chamou o seu nome Adão no dia em que foram criados”. Deus, ao criar (não formar) Adão e Eva, os chamou pelo o seu nome genérico: “Adão”, e não “Adão e Eva”, ou apenas “Eva”. Por que afirmar uma coisa em nome da bíblia sem a sua sanção?
Em Gêneses 3.15, “semente da mulher” tem a ver com a encarnação de Cristo, pela virtude do Espírito Santo, através da mulher. Fala dela como instrumento de Deus para trazer ao mundo o Salvador. Mulher alguma tem semente em si, no sentido de genitora. Sem o concurso do homem. Se a partenogênese ocorresse no gênero humano, o nascido seria sempre mulher, jamais homem, como foi o caso do Senhor Jesus. Outrossim, na queda ocorrida no Éden, Eva pecou primeiro, mas na hora de Deus julgar os culpados, Ele chamou Adão primeiro, mostrando que este era o cabeça. De fato, Eva foi formada de parte de Adão. Num assunto deste jaez, se deve partir de anunciado, arrazoados e teses humanas, como os articulistas estão fazendo, como se a causa do Senhor dependesse de juízo humano.

JESUS, PAULO E AS MULHERES

Jesus teve, no seu ministério terreno, auxiliares mulheres. Eram santas mulheres, que serviram de várias maneiras, e isso até a cruz. Ele nasceu de uma mulher. Ele sempre as recebeu e as considerou, permitindo que seus nomes imortalizassem no registro bíblico. Mas ele nunca nomeou “apostolas”; ele sempre soube o que fazia e o que deveria ser feito, como é bem patente nos evangelhos.
Apóstolo Paulo, constituído por Deus, pregador, apóstolo e doutor dos gentios, o maior expoente como obreiro de Deus neotestamentario, nunca separou, sequer mencionou “apóstolas” e “pastoras”, apesar de carinhosamente destacar nomes de obreiras e o seu desempenho na obra, como em Romanos 16.

O CASO DE FEBE

Vemos o caso de Febe, em Romanos 16.1. Ao pé da letra, a expressão alusiva a Febe – “a qual serve à igreja” – é “a qual exerce o diaconato na igreja”. Mas a construção frasal no original está no masculino. É qual talvez não havia em Cencréia diáconos, porque o trabalho estaria sendo indicado, ou porque não havia diáconos suficiente, e então Febe exercia o diaconato. Quanto à expressão “a mulher moderna”, aplicada as irmãs da igreja, diga-se que o mesmo que ocorre aos homens da igreja hoje, ocorre igualmente às mulheres. No passado, na igreja, tínhamos homens de menos conhecimento e de menos preparo acadêmico (tanto secular como teológico), mas eram mais sábios e mais poderosos espiritualmente. O mesmo vem acontecendo as mulheres. O desejável é que tenhamos tanto eles como elas cada vez mais preparados, mas ao mesmo tempo poderosos em Deus e na Palavra. Em certos aspectos precisamos voltar “a Betel”, “ao Cenáculo”, e não avançar para tão longe que não divisemos mais esses santos lugares de encontro com Deus.

OUTROS CASOS

Casos bíblicos como os de Débora, Hulda, Ana – a profetisa, as filhas de Filipe, Priscila, Evódia e Síntique devem ser considerados em seus respectivos contextos bíblicos. Por exemplo, Débora e Hulda. O seu contexto espiritual era de apostasia. Os homens em condição de servir a Deus bandeavam para a perversa idolatria dos países vizinhos de Israel. Ora, a obra de Deus não pode parar só porque o homem fracassa. Em tais situações, Deus suscita a quem Ele quiser, mas isso não é regra bíblica; é exceção. Tais mulheres em ação no ministério revela a soberania de Deus, mas saiba-se que não é regra geral da parte do Senhor. Pessoalmente, fui, sou e serei favorável ao ministério da mulher na igreja, como vemos na bíblia, máxime em o Novo Testamento, como já mostramos, bem como a História da igreja do passado e do presente, mas não vejo suporte nas doutrinas bíblicas (bíblicas mesmo) do ministério evangélico, para a ordenanção da mulher cristã ao exercício do ministério pastoral. Portanto, meu particular ponto de vista é que a Assembléia de Deus no Brasil decline de tal propósito: ordenar mulheres para o ministério pastoral. As igrejas da nossa fé e ordem, de outros países, que ordenaram mulheres de maneira regular e constante, como ocorrem aos homens chamados por Deus para o santo ministério, hoje, veladamente, desestimulam tal prática, e o número de irmãs ministras nesses países é repressivo.


Pastor Antonio Gilberto é consultor doutrinário da Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD).



REVISTA O OBREIRO, ANO 23 N° 15, JULHO 2001.

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